Posts made in abril, 2004



Posted By on abr 12, 2004

Energia Renovável Não-poluente e Olavo de Carvalho e o Samba

E então amigos, como foi sua Páscoa? Descansaram bastante? Espero sinceramente que tenham aproveitado para “reenergizarem-se”. Tanto me reenergizei que fiquei sem tempo para escrever algo decente para este espaço! Mas olha só o que preparei:

Sobre energia, coloco abaixo um comentário que deixei no blógue do digníssimo Henrique, defensor louvável da energia renovável.

“É com prazer que convosco concordo em relação a toda e qualquer forma de utilização de energia renovável e não poluente. Esta mesma concordância passa por um ponto que nós, aqui no Brasil, temos em alta pauta: por sermos um dos pulmões do mundo e também responsáveis pelo maior reservatório de água doce do planeta, possuirmos um litoral de 8000 km (ideal para aproveitamento de energia eólica), logo pensamos (tão logo se desvie a atenção deste combustível fóssil que encontra-se, pode-se assim dizer, na iminência de acabar) para nossa riqueza localizada lá na Amazônia… Não que não se possa dividir tal riqueza com o mundo, em caso de necessidade mas ora, pensemos juntos: o Grande Império obviamente se achará no direito de “tomar conta” e gerenciar nossas águas e florestas “para o bem da humanidade”, como fizeram nesta última invasão ao Iraque. Se pagamos o petróleo que consumimos, não poderão pagar por nossa água. Ora, se nós mesmos pagamos a água que consumimos, não pagarão aqueles que dela necessitarem? Egoísmo? Egoísmo para a água e não para o petróleo? Para a tecnologia? Para as medicações que salvam vidas? Para a comida? Subsídios que esmagam a concorrência? Mil perdões, mil perdões… Estou a falar demais…”

Tenho por certo que este assunto é polêmico e poderíamos ficar dias a falar sobre ele mas, polêmico também é um texto escrito pelo meu amigo César, em seu blógue. Olha só duas passagens:

“Para [Olavo de] Carvalho, “a escolha de um sambista” (como ele se refere a Gilberto Gil) para o Ministério da Cultura seria sintoma da fragilidade cultural do Brasil. (p. 14) ”

“Quem é “frágil”? Que “cultura” é essa que é frágil? Certamente, não esta cultura rica e vigorosa que formou e cultivou o samba. Essa cultura é muito robusta, muito rica. No samba não há fragilidade alguma. Ao contrário, há força e motivação para se produzir mais beleza. ” Para ler mais e comentar (vale a pena) dá uma chegada no Animot.

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Posted By on abr 7, 2004

Deus e o Estado (I de inumeráveis)

Comecei finalmente a ler minha pequena biblioteca de livros Anarquistas adquirida ao longo dos últimos anos, até então não mais do que folheada ou parcialmente lida. Decidi iniciar esta investida com o livro “Deus e o Estado” de Mikhail Bakunin. Além de ser o autor um dos maiores expoentes do Anarquismo mundial, serve como um perfeito abre-alas a quem deseja aventurar-se por estas leituras.

Em “Deus e o Estado” Bakunin consegue, com sua perspicaz e lógica argumentação demonstrar lucidamente seu ponto de vista ateu e sua visão de um mundo destituída de um governo de poucos sobre muitos.

Antes de comentar o livro propriamente dito, gostaria de fazer alguns apontamentos, deixando a análise e a proposição de questões para um próximo pôust. Desta feita, começo com uma constatação:

libertydec07.jpg

É interessante pensar como homens com inteligência semelhante no que tange à capacidade de comunicação e pensamento lógico-matemático podem diferir tanto em relação ao seu posicionamento político.

É certo que os estímulos recebidos durante a vida ajudam a determinar a orientação futura do indivíduo (assim como vantagens de uma determinada posição, em alguns casos), mas tenho por certo que, para determinar-se anarquista, ou democrata, ou social-comunista, social-democrata e assim por diante, o indivíduo deve antes ter tomado conhecimento da outras opções disponíveis. Qualquer um que não o fizesse seria um ignóbil naquilo que representa.

É impossível a qualquer ser razoável afirmar com convicção que um grande pensador anarquista como Bakunin é menos brilhante que um socialista como Marx ou um liberal como Adam Smith e Stuart-Mill.

Isto nos deixa em um impasse: como saber qual a melhor forma de vida em sociedade? A conclusão que podemos ter é uma só: através da experiência histórica viva.

Das formas referidas, a predominante chama-se capitalismo globalizado, sob a forma de vários governos (monárquico, republicano, despótico).

A única forma não aplicada na prática em larga escala (Mas sim em pequenas comunidades alternativas e sociedades isoladas uma das outras) é o Anarquismo.

Creio ser essa a forma ideal de convivência entre humanos, enquanto teoria ( como tentarei demonstrar através das palavras de grandes pensadores nos próximos anos) mas sou crítico quanto a sua possibilidade prática nos dias de hoje.

Precisamos evoluir muito para quem sabe um dia podermos viver livres de tantas amarras.

PS: ainda não cabe aqui a discussão sobre se o contrário não seria verdade: a implantação do sistema anarquista (existe isso???) levando à melhor qualidade de vida da humanidade.

Sempre é bom lembrar e nunca é demais ressaltar: acima de qualquer crença, uma das maiores virtudes que se pode ter é o respeito à crença alheia. Agora podem me malhar, mas com carinho, por favor!

PS: não se preocupem que este blógue não vai virar um reduto de propaganda comunista, anarquista ou o que quer que o valha! De forma alguma! Ocasionalmente estarei aqui postando observações sobre minhas leituras que, nos próximos meses, como antes anunciado, girará em torno de livros de cunho anarquista. Não deixarei, de toda forma, de postar sobre assuntos diversos, com toda certeza!

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Posted By on abr 2, 2004

Da série: Diálogos com Deus – Deus e o Tratado de Kyoto

– Pai! Esses dias me disseste que os homens não suportam muitas mudanças em pouco tempo, estou certo?

– Sim, meu filho! Estás correto.

– É por isso que a Terra está sendo destruída gradativamente pelo desmatamento desenfreado, indústrias que poluem o ar e as águas com suas emissões de detritos e gases tóxicos e pela caça e pesca predatórias, entre outras coisas?

– É, filhão. Isso mesmo o que está acontecendo.

– Por ganância crescente, o homem busca a todo custo subjugar a Natureza que eu criei. Alguns países tem penas severas e fiscalização rígida no que diz respeito aos desmatamentos e caça e pesca de animais dentro do período reprodutivo, por exemplo. No Brasil, especificamente na Amazônia, infelizmente, o corte de madeira de forma ilegal é endêmico e não é adequadamente controlado pelas autoridades locais.

– E o que se pode fazer para mudar isto?

– Bem, uma das tentativas que está sendo feita é o Tratado de Kyoto, onde os países assinantes devem reduzir seu percentual de emissão de dióxido de carbono em 5,2% até 2012 comparando-se com 1990. Dessa forma, poderiam evitar o rápido aquecimento global que vem ocorrendo.

– Puxa pai! Isso é interessante! Parece um começo!

– Sim, pena que os Estados Unidos, responsáveis por 25% da produção de dióxido de carbono do planeta inteiro, se recusaram a assinar, pois seu presidente disse que isto traria prejuízos para a economia norte-americana…

– Puxa! Assim não dá! Tem homem que é uma besta mesmo né pai?

– Pois é, filho…

(depois de algumas semanas interrompida, retomarei a publicação da série Diálogos com Deus; outros textos da série publicados anteriormente. é só fuçar e achar!)

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Posted By on abr 1, 2004

A Felicidade não existe

Calma! Calma! Antes de qualquer coisa, deixem-me explicar!

Este pôst surgiu em decorrência de uma visita até então desconhecida que deixou um comentário em meu pôust sobre A Paixão de Cristo.

Como sempre faço (e por isso não é necessário deixar um “ME VISITA” lá nos comentários, fui conhecer a morada da gentil comentarista. Lá chegando, surpreendi-me com um texto de teor bastante pessimista a respeito do tema Felicidade. Assim sendo, lá deixei um comentário em resposta ao pôust que tanto me chamara a atenção e aqui estou reproduzindo este diálogo.

Convoco meus 4 leitores a opinar sobre o assunto se o mesmo também lhes palpitar. Aí vai:

“A Felicidade não existe. É uma utopia tão grande como o comunismo. Agora não sou feliz porque isto, porque aquilo. Depois não sou feliz porque isto e mais aquilo. E assim vai a vida, até ao dia em que se morre e lembramos os ensinamentos da nossa vida terrena. Quando é que as pessoas se convencem de que a felicidade não existe?! Existe é a vontade de que ela exista que nos leva a correr atrás e ir levando a vida. É isto que torna a vida suportável; pensar que amanhã o dia pode ser melhor. Mas nunca é. (Lady in Black)” – extraído do blógue No Mercy, publicado originalmente em 31/03/2004.

Na seqüência, minha resposta:

“A propósito de seu pôust: discordo completamente de você! Estou plenamente feliz neste momento e assim estive na maior parte de minha vida. É certo que todos temos percauços e dificuldades praticamente todos os dias. Parece que sempre está faltando alguma coisa… Mas não podemos confundir busca de objetivos com infelicidade. A cada nova tarefa cumprida, torno repleto meu tanque de felicidade. A cada solavanco, deixo baixar um pouco o nível. No meu caso, graças à Natureza e a mim, tenho cumprido mais tarefas do que tenho tropeçado. Claro que a vida de todos não é igual e, mesmo que fosse, devemos sempre lembrar que “todo ponto de vista é a vista de um ponto”, e só… Com isso quero dizer que todos podemos ter opiniões a respeito de subjetividades como a felicidade, mas nunca teremos voz suficiente alta para bradá-la como uma verdade.” – Rafael Reinehr, em 31/03/2004 – Data onde são lembrados os 40 anos da ditadura militar no Brasil.

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