A Importância da Nogueira para o Ecossistema da Calábria

A nogueira (Carya illinoensis) é a árvore responsável pela produção da noz. Pertence ao família Jungladaceae e gosta de climas temperados, puxando para o frio. Sua origem é o sul dos Estados Unidos. Foi introduzida no Brasil em 1910. A propagação da nogueira pecã pode ser realizada por enxertia de borbulhia, no verão, ou de garfagem, no inverno, sobre porta enxertos oriundos de sementes.

Quando apresentam mais de 20 anos de vida, geralmente chamam a atenção pelo tamanho de sua copa e pela altura que atingem, por vezes maior que 30 metros.

A madeira de seu tronco, apesar de habitualmente não utilizada para tais fins, é própria para construção de móveis nobres, tendo valor comercial superior ao do mogno e ligeiramente inferior ao do pau-brasil.

A Calábria é a região da Itália de onde se originou a linguiça calabresa.

Situada entre Potenza, Crotone e Catanzaro, a Calábria é habitada por um povo acostumado a festejos e confraternizações.

A característica alegre e expansiva do povo italiano é ainda mais acentuada na Calábria.

Em 1868 um monge calabrês chamado Joaquim de Fiori,místico, profeta e herege, elaborou uma doutrina da Terceira Idade do Espírito (Santo) que teve enorme influência sobre as ideologias modernas, de Hegel ao Marxismo, Nazismo e Terceiro-mundismo.

Nos dias de hoje, apesar de seu glamour ter sido tomado pr Milão e Nápoles, a Calábria ainda mantém um turismo forte, principalmente graças à sua cozinha e sua noite movimentada, repleta de disco bares, disco pubs e comédias teatrais.

Quanto à importância da nogueira para o ecossistema da Calábria, vou deixar a explicação para outra hora, em primeiro lugar porque nem sei se existem nogueiras por lá e em segundo lugar porque meus médicos já estão vindo com meus remedinhos…

OBS: se você conseguiu ler até aqui sem interromper a leitura, meus parabéns! És uma pessoa especial, assim como eu! Conseguir burlar o sistema de defesa aqui do manicômio para publicar um texto não é coisa para qualquer um…

Cirilo Veloso Moraes, Simples Coisas da Vida

Como meus 5 leitores já sabem, comecei há alguns dias a peregrinar através de minha lista de linques e estou aqui comentando e justificando um a um os blógues que ali aparecem.

O segundo blógue que tenho a honra de apresentar é o Simples Coisas da Vida, do meu amigo Cirilo. Nos conhecemos já há algum tempo e, se não me falha a memória, quem nos aproximou foram os flash-blógues, mania virtual relâmpago (em todos os sentidos!) que acontecia lá pelos idos de 2003. Inclusive, quando comecei o blógue do Escrever Por Escrever (que já existia na forma escrita e no Simplicíssimo) na versão blógue, já no segundo pôust há uma referência ao Simples Coisas da Vida.

O Simples Coisas é o Cirilo: simplicidade, paz de espírito, harmonia, vontade de fazer bem, felicidade em viver. Quem nunca passou por lá, já perdeu tempo, mas como ele mesmo diria, sempre há tempo para tudo, tratemos de recuperar agora mesmo.

O curioso é que, entre seus línques, encontram-se atualmente somente 4 pessoas, sendo 3 delas amigos reais do Cirilo e somente uma que permanece como um amigo virtual. Confesso que ainda não consegui entender quais razões para tal fato.

Quer rir? Refletir? Chorar? Ou quem sabe somente desanuviar? O Simples Coisas da Vida pode te trazer todas essas emoções e muito mais.

Será que estou parecendo muito bajulador? Quem sabe você confere e depois me conta se estou sendo exagerado ou fiel à realidade.

Martelando o Código DaVinci

O título sugestivo aí de cima tem um motivo: quem ainda não comentou este livro aí levanta o dedo?

Isso só pode ter acontecido por dois motivos: ou você tava

meio sem grana e ainda não leu ou você, como algum

anda perambulando por Vogon ou Betelgeuse em busca do seu amor perdido.

No segundo caso, está desculpado. No primeiro, também, mas agora já não tem mais desculpa! O Submarino está fazendo uma promoção incrível: o livro, que custa R$39,90 nas melhores livrarias, está sendo vendido por R$22,80 por tempo limitado!

E porque este livro é um “must read”? Porque seus direitos autorais foram comprados pela editora Sextante por cerca de 10.000 dólares e a mesma já faturou cerca de R$ 2.700.000,00? Porque está na moda? Porque é um livro que prende você de cabo a rabo, sendo impossível deixar de ler até que termine seu enredo “pegajoso”? Porque é uma aula de arte, história e religião? Porque faz uma crítica ferrenha da Igreja Católica? Porque se trata de uma obra de suspense de primeiríssima linha? Porque você está tendo a recomendação de um cara que não costuma ler best-sellers por

achá-los banais (em geral) e este cara está dando a mão à palmatória?

Os motivos são tantos que você pode escolher uns 3 ou 4 à sua preferência.

Existe explicação para o Código Da Vinci ser o fenômeno de vendas no Brasil e no mundo: a explicação está em suas páginas, cheias de uma trama inexplicavelmente bem armada, com mensagens subliminares apontando caminhos luminosos e becos-sem-saída.

A saga de Robert Langdon e Sophie Neveu entrou para trazer de volta os tempos áureos de Agatha Christie, entretanto com uma sagacidade e demonstração de argúcia a dar inveja ao

, além de trazer uma montranha russa de emoções, digna do mais agitado filme de ação hollywoodiano. Ei, espera aí?

Mas, não vai ter nenhuma crítica destrutiva ao livro? Não nenhuma… Se eu pudesse criticar alguma coisa seria o Submarino, que fez esta promoção e me deixou na mão, já que eu havia comprado o livro na época dos 39,90! Bem que podiam ter me avisado!

Ah! Se alguém comprar o livro através do Escrever Por Escrever, fico agradecido! É só clicar no banner quadrado aí do ladinho direito!(não posso nem dizer que não estou ganhando comissão pois estaria dizendo uma inverdade! De cada Código vendido através do Escrever Por Escrever, ganho R$1,82! Uma verdadeira fortuna!) Se alguém leu o livro e gostou (ou não), gostaria de ouvir suas verdades acerca da obra.

Fala aí, digníssimo ou digníssima Escreveleitor(a)!

José Saramago, será um mago?

Fui introduzido de forma reativamente tardia à obra deste escritor português, vencedor do Prêmio Nobel de literatura de 1998.

Quando comecei minha empreitada, não foi por sua obra mais conhecida: O Evangelho Segundo Jesus Cristo (1991), mas sim por Ensaio Sobre a Cegueira (1995)e Ensaio Sobre a Lucidez (2004).

Nestes ótimos romances, que poderia eu classificar como realidade fantástica, temos passagens belíssimas salpicadas com reflexões, humor, arte e política. Veja dois exemplos abaixo:

Nascemos, e nesse momento é como se tivéssemos firmado um pacto para toda a vida; mas o dia pode chegar em que nos perguntemos: Quem assinou isto por mim?

…depois voltou à sala, onde a candeia estava, ia ser útil pela primeira vez desde que a fabricaram, ao princípio não parecia ser este o seu destino, mas nenhum de nós, candeias, cães ou humanos sabe, ao princípio, tudo para que tinha vindo ao mundo.

Recomendo.

PS: alguém que leu tem algo a comentar?

O Muro da Discórdia

Está sendo construído por Israel um muro com o intuito de separá-lo da Cisjordânia e abraçar os principais assentamentos de judeus, objetivando um “desligamento unilateral” entre Israel e os palestinos.

Uma Assembléia Geral da ONU votou a questão e, excetuando-se os Estados Unidos da América – aliados incondicionais de Israel – condenou a construção do muro.

Ao mesmo tempo, em toda Europa e mais intensamente na França, onde moram cerca de 600.000 judeus, cresce o anti-semitismo.

São registradas explosões de bombas em sinagogas e escolas judaicas e profanação de túmulos em cemitérios judeus.

Se somarmos essas informações e uma outra, que é a taxa de natalidade de 3,4% entre os árabes-israelenses (muçulmanos que vivem em Israel), percebemos o surgimento de um crescimento populacional que pode ser visto como uma “bomba de efeito retardado”.

Tal crescimento fatalmente levará a um aumento concomitante do poder político do grupo que legitimará suas reinvindicações.

Para dar um toque místico a este texto, lembro da profecia assinalada no livro “O Código da Bíblia”, que afirma que entre 2005 e 2006 acontecerá um “holocausto atômico” em Israel.

A despeito disso realmente ocorrer e se tais acontecimentos podem ou não ter relação com a construção do “Muro da Discórdia”, recomendo fortemente que, antes de qualquer comentário, quem não leu “O Código da Bíblia” deve dirigir-se de imediato ao site Saindo da Matrix e ler atentamente o fascinante resumo do livro que lá se encontra.

Entre lutas entre gregos e troianos, negros e brancos, maragatos e chimangos, civis e militares, sulistas e do norte, fico mesmo com a solução encontrada por um amigo meu ex-colega das Ciências Sociais (ou era da Filosofia?): transformar tudo em música a ser tocada espetacularmente em sua banda “Os Israéis Palestinos”.

Fiquem com Deus (cada um com o seu e respeitando o do próximo!)!

Alfredo Votta, o imperador da Svolonésia

Começo hoje uma longa caminhada através dos blógues que tenho lincado aqui no Escrever Por Escrever. Passarei a narrar minha percepção individual de cada um deles e demonstrar porque eles encontram-se ocupando aquele espaço destinado aos meus preferidos.

É possível que, durante esta jornada, muitas percepções sejam ampliadas e, quem sabe, o tempo traga revoluções no meu jeito de pensar e sentir e – não se descarte esta possibilidade – vínculos sejam desfeitos e outros criados.

Decidi iniciar minhas breves narrativas com um blógue que exala sensibilidade. Encerram os escritos de um verdadeiro escritor que, como ele mesmo propõe, tratam de paisagens e pensamentos. Alfredo Votta criou um mundo “real-imaginário” denominado Líria Svolínia, e neste mundo, sofrimento e contentamento tem seu espaço em danças flutuantes que são regadas a pouca, pouquíssima música. A arte aqui é a escrita. Uma escrita silenciosa e intimista, reflexiva.

Os dois últimos pôusts, de 10 e de 12 de outubro, explicam um pouco mais sobre quem é este ser real e etéreo ao mesmo tempo.

Ao mesmo tempo em que convidaria a todos a lerem de cabo a rabo todo blógue do imperador da Svolonésia, desde dezembro de 2002, não posso fazê-lo com autoridade pois ainda não o fiz. Mas garanto que, se o tempo não andasse tão rápido nestes últimos meses, o teria feito, pois tenho por certo que deixo de aprender lições importantes que Alfredo tem a passar.

Não é preciso dizer que a visita à casa do amigo é fundamental. Paisagens e pensamentos. Pensamentos e paisagens.

Receituários azuis

Não vou escrever muito hoje porque quero que as poucas pessoas que passarem por aqui (e ainda não leram) dêem uma olhada no texto abaixo, “Uma Aldeia Chamada Linguagem” mas, de toda feita, aproveito para perguntar:

– Por que cargas d’água o mundo parece andar movido a medicações “faixa preta”, aquelas prescritas com receituários especiais de cor azul?

Uma Aldeia chamada Linguagem

Querido amigo Hiperativo Confuso:

Como havia lhe prometido, estou escrevendo sobre esta nova terra que acabei de conhecer. Nem lembro direito como cheguei a ela, acho que foi depois de dobrar à direita após uma ravena passando uns cinqüenta quilômetros do Himalaia.

O que importa é que tudo transcorreu bem e agora estou aqui, pronto para seguir jornada para mais uma aventura. Mas antes, tenho que lhe falar deste povo que conheci e de seus costumes.

Viviam em uma Aldeia hermeticamente fechada chamada Linguagem.

Me disseram que seus ancestrais eram todos de origem grega.

Cada qual com sua função, seu porquê, seu destino. Dividiam sua comunidade entre os trabalhadores braçais, os responsáveis pelas idéias e os donos da palavra.

Dentre os primeiros, quem conheci logo na chegada à Aldeia foi Elipse, um funcionário público difícil de encontrar em seu local de trabalho. Quando ia às compras – que foi quando lhe conheci – tinha a mania de perguntar o preço de tudo, mesmo sabendo que não iria comprar:

– Quanto custa? (o sapato)

– Quanto custa? (o abajur)

– Quanto custa? ( a garrafa de vinho)

Elipse tinha um irmão chamado Zeugma. Este irmão era singular em um aspecto: detestava repetir qualquer coisa que já houvera dito anteriormente, mesmo de forma oculta. Dizia:

– Eu te conto uma piada, você me conta outra.

– Outra o quê?

– Grrrrr! – resmungava, já irritado.

Vizinho de Elipse e Zeugma, Polissíndeto é empregado de uma fábrica de calçados, onde é responsável por unir a sola com a base dos sapatos. Seu irmão gêmeo, Assíndeto, trabalhava na mesma fábrica, e revisava calçados que não ficavam bem ligados pela cola que era usada.

Dizia Polissíndeto, quando brigava com o irmão:

– Estou cansado de chorar e sofrer e perder e me conter e de ouvir e ocultar e viver.

Ao que lhe respondia prontamente Assíndeto:

– Pois então, chorando, sofrendo, perdendo, contendo, ouvindo, ocultando, enfim, sentindo é que vou levando a vida assim, feliz!

Pleonasmo trabalhava no depósito de lixo da comunidade. Lá tinha o que fazer em abundância. Como não tinha estudo, ficava repetindo o que os outros diziam e, ainda, repetia a si mesmo para reforçar suas idéias. Bradava:

– Naquele dia em que roubaram os galináceos do padre Metáfora, vi claramente visto o ladrão.

Ou ainda, nos dias em que bebia um pouco além de sua capacidade de metabolizar o álcool:

– Não vejo a hora de entrar pra dentro de minha casa e subir para cima até meu quarto e capotar na cama.

Pleonasmo era apaixonado por Iteração, cujo apelido carinhoso era Repetição, com a qual tinha muitas afinidades de idéias:

– Como é triste, triste mesmo e muito triste este mundo, não achas, Pleonasmo? Não quero um mundo assim, pobre assim, triste assim…

Pessoa estranha era a professora Anáfora: tinha o cacoete de começar todas suas explicações com “se”:

– Se você somar dois mais dois, temos quanto Subjetivo?

– Se as nuvens são feitas de vapor d’água, quais são os elementos que formam a nuvem, Oração Subordinada?

– Se você cantasse

Se você gritasse

Se você urrasse

Se você esperneasse, alguém te ouviria!

O arquiteto Anacoluto, esposo de Anáfora, era um sujeito quase incompreensível. Suas frases pareciam sem seguimento, davam a impressão de não conter uma ordem lógica:

– Estamos aqui, a construir este prédio. E veja, o Sol desce calmamente no horizonte enquanto a humanidade desfalece prematura. As pessoas, os tijolos…

O melhor amigo de Anacoluto, Hipérbato, parecia ter saído daqueles livros de antigamente pois falava de forma invertida, o que todos achavam muito engraçado:

– Pois então, Lutinho, te dizia, é a liberdade, branca que nos põe a caminho.

Um dos lugares que os amigos mais gostavam de ir nos fins-de-semana era a casa de campo de Hipérbato. Lá, vim a conhecer o caseiro, que se chamava Aliteração. Já na chegada, fomos extremamente bem recebidos:

– Faz favor, feche o ferrolho! Fico feliz fazendo faisão com feijão para a família se fastiar!

A esposa de Aliteração, dona Silepse, fazia um faisão com feijão de deixar a boca, os olhos e os ouvidos abertos. Era uma pessoa muito compreensiva e sensível, sabia o que seu marido queria dizer só pelo olhar.

– Benhê, leva um casaco para seu Anacoluto e dona Anáfora, já que o casal esqueceram que vai esfriar. Aproveita e leva um para seu Hipérbato, que é um criança e se resfria fácil. Se não, eles vão pensar que a gente somos sem alma e inútil.

Nas bibliotecas e cafés filosóficos da comunidade, se concentrava a nata do pensamento da Aldeia: os filósofos, físicos, cientistas sociais e outros teóricos.

A mais antiga representante do grupo, a filósofa Ironia era quem mais questionava o grupo. Era um ponto de interrogação em pessoa. Vivia dizendo o contrário do que pensava, satirizando e questionando o comportamento dos outros com a intenção de ridicularizar.

– E então caro amigo Eufemismo, deves sentir-se bem com seu belo par de novos chifres.

– Não fale deste jeito, Ironia. Eu e minha esposa, desde sempre nos entendemos muito bem. Nos últimos tempos apenas descobri que a compreensão dela é um pouco mais ampla.

Ao qual intrometeu-se o químico Hipérbole:

– Se eu estivesse em seu lugar Eufemismo, já haveria de ter posto fim à minha vida. Setecentas mil vezes eu teria dado cabo à minha vida. Sofrimento igual nem em um milhão de mundos.

Ao que Antítese, poeta que tudo percebe, frente e verso, e que também por lá estava, retrucou (parafraseando Camões):

-“Amor é fogo que arde sem se ver;

É ferida que dói e não se sente;

É um contentamento descontente;

É dor que desatina sem doer.”

Outros membros da Confraria das Idéias são o músico Apóstrofe, o inventor Gradação e a contadora de histórias Prosopopéia.

Apóstrofe adorava em suas canções interromper a música para invocar alguém ou algo:

– Tempestade! Tempestade!

Quantas vidas já ceifaste

Neste lamaçal que tua água produz

Tempestade! Tempestade!

Que cruel consegues ser

Ao esconder do Sol a luz.

Gradação é uma pessoa que poderíamos chamar de fatalista: tinha tudo previamente determinado, seguindo uma seqüência pré-estabelecida até a plenitude ou até o vazio:

– Não há porque lutar contra a morte, inequívoca verdade que transforma nossa beleza em corpo em degradação, em cinza, em pó, em lembrança, em nada.

Prosopopéia era “contadora de histórias” em uma organização não-governamental que auxiliava crianças com câncer. E como era boa no seu trabalho! Fazia as pedras andarem, dava vida a suas histórias. Contava assim:

– Enquanto a noite dormia, em cada esquina os paralelepípedos preparavam a revolução; os postes, outrora sempre quietos, arrepiavam-se ao ouvir as notícias que voavam velozmente por entre os becos…

Havia ainda na comunidade mais duas figuras interessantíssimas que não poderia deixar de lhe fazer conhecer.

O primeiro deles, Metonímia, era um político de prestígio, governante da Aldeia inclusive (pelo que consta, têm os cidadãos desta Aldeia memória curta, sendo que Metonímia aproveitava esta característica para, ao final de cada mandato eleitoral, mudar de nome para conseguir a reeleição).

Seus comícios eram impagáveis, tive oportunidade de presenciar um:

– Meu povo, minhas cabeças! Venho até vós levantando minha bandeira em torno de uma bandeira comum: nossa amada Aldeia! Cheguei aqui pela primeira vez a vapor, mas lhes digo, como seu representante maior: preciso fosse, viria até de vela! Pelo povo linguageense, faria brandir meu ferro se necessário para defender a honra e a terra deste chão que tanto prezo!

No canto do palanque, outra personalidade única: o padre Metáfora, chefe maior da Igreja na comunidade, mestre em transportar para uma coisa o nome da outra:

Em suas missas, dizia:

– Este é o corpo de Cristo: Comei! Tomai: este é o sangue de Cristo! Seu sofrimento foi o pagamento de nossos pecados…

Agora, enquanto termino de escrever esta carta para você, meu amigo, lembro ainda do motorista do táxi que me trouxe até o aeroporto. Chamava-se Catacrese:

– E então, para onde vamos? Vais avionar, transatlanticar ou onibiar?

Realmente um povo muito estranho. Costumes esquisitos que não havia visto igual em nenhuma de minhas viagens, exceto, talvez, no Brasil.

Te mando outra carta depois de melhor conhecer meu próximo destino: Utopia.

Um abraço sincero e afetuoso,

Neurótico Lunático Anônimo

Até breve, Henrique!

O Henrique, do E Deus Tornou-se Visível e do Hora Absurda está deixando a vida blogueira de lado.

Quem não conhece este português de Leiria, deve agora mesmo conhecer seus dois blógues para não deixar passar muitos dos brilhantes pensamentos deixados em escrita nas suas 2 casas.

Quanto a você, Henrique, ainda espero que estejas nos fazendo de bobos e que retornes em breve depois de calma a tormenta.

Fica, de qualquer forma, o desejo de um presente e futuro esplendorosos para você e para aqueles a quem queres bem. Tenho por certo, por conhecer sua idéia de mundo, que o que lhe aguarda em frente é o melhor possível.

Um forte abraço amigo meu.