Como virar Doutor sem fazer Doutorado

Hoje descobri uma forma de virar Doutor sem fazer Doutorado. Pensei em guardar para mim a informação, afinal de contas, é ima informação valiosa.

Existem duas formas principais. A primeira funciona assim (foi assim comigo hoje):

Você pega sua namorada (ou namorado) e vai a uma pizzaria. Estaciona se carro, deixa que o cuidador da pizzaria estacione seu carro. Ao chegar, você é recebido e logo encaminhado à mesa de sua escolha. Logo depois de fazer a escolha da pizza, a magia acontece. O garçom vem e pergunta:

“- O que vai ser hoje doutor?”

Uau! Como ele sabia? Me impressionei!

Dali a alguns instantes, observando a mesa ao lado, onde uma moça e sua filha estavam fazendo o pedido:

“- Já escolheu, doutora?”

E na mesa ao fundo, um senhor também com seu filho:

“- Servido doutor?”

Nunca havia visto tamanha profusão de doutores em um espaço tão pequeno fora de encontros e eventos científicos!

Tá. Sei. Você não costuma ir à pizzarias? Ainda quer ser Doutor? Tem uma forma mais fácil, desde que você saiba dirigir e more em uma cidade grande. Funciona assim:

Você pega seu carro e vai, de preferência, até o centro da cidade. Depois da briga para achar uma vaga, você estaciona o carro e logo, logo aparece o paraninfo para lhe dar o Diploma:

“-Bem cuidado doutor! Pó dexá comigo que não tem trêta!”

Pronto! Você é o mais novo Doutor da área! Aproveite seu título!

A Pré-História do Escrever Por Escrever – Joe Volume

Hoje pela manhã estava fuçando em arquivos antigos de uma pasta chamada “O Passado está Aqui” que tenho em meu HD e me deparei com alguns textos que me renderam muitas gargalhadas.

Em uma pasta chamada Joe Volume, encontrei os primeiros rabiscos de um projeto de uma espécie de “jornalzinho” ou fanzine, que, sem saber, seria o avô deste Escrever Por Escrever.

O Joe Volume foi idealizado em julho de 1998 mas a primeira edição só saiu efetivamente em grande escala (10 impressões em HP Deskjet 695C) em julho de 2000.

Sempre fui muito autocentrado. Naquela época então, meu umbigo era meu universo. Tínhamos uma banda chamada The Brains, que era a chamada principal da capa. Nem havíamos gravado nosso CD ainda, mas já pensávamos em espalhar as fitas-demo (em uma época em que elas ainda eram usadas) mundo afora.

Em julho de 2000 saiu então a primeira edição impressa, com textos que estavam guardados desde 1998, acredite quem quiser! O objetivo do e-zine era ser impresso por conta própria, xerocado, lido por quem tivesse interesse e/ou passado adiante para quem pudesse ter. Eu imaginava que alguém poderia ter interesse nas minhas viagens.

Sinceramente, creio que também não estava muito preocupado na aceitação do fanzine, mas muito mais no próprio processo criativo e nos benefícios que ele me trazia.

Aí embaixo vemos a primeira página do fanzine, que foi originalmente impressa em folha tamanho carta e distribuida entre amigos e conhecidos.

Na mesma época, em 3 de junho de 2000, surgia o Escrever Por Escrever “Versão HD”. Na ocasião eu tinha um Notebook que comprei com dinheiro da minha bolsa de iniciação científica. Dois anos inteiros guardando e ainda tive uma ajudinha de minha tia Solange. Naquele Toshiba modelo não me lembro qual, brotaram as primeiras palavras que, em forma de diário, levariam à criação do Escrever Por Escrever como vemos hoje. As primeiras palavras escritas fazem até hoje o título introdutório ao site (transcrevo na íntegra os primeiros 2 dias do “Escrever Por Escrever em HD”

{03/06/2000 – Sábado – 23:28}

Certo dia ouvi dizer, em uma aula de Introdução à Filosofia que houve um certo escritor grego que escrevia cerca de 500 linhas por dia. Ao final da vida, havia escrito cerca de 700 livros. Bem, quanto à qualidade de seus escritos, não ponho a mão no fogo mas, certamente, foi esta uma idéia interessante! Há algum tempo já havia me surgido a idéia de escrever um livro que tratasse de assuntos de interesse da maioria das pessoas, como convívio social, política, bem-viver, virtude, justiça, sentido da vida e de nossas ações e humanismo em geral. Depois de vários textos isolados escritos e arquivados em meu computador, peguei a idéia daquele escritor grego e resolvi escrever um pouquinho todos os dias, de forma contínua, sem correções posteriores ao texto já escrito, mas com a possibilidade de corrigir informações ou idéias em novos escritos subseqüentes. Com certeza meu objetivo não é escrever 500 linhas por dia, mas apenas aquilo que minha criatividade ou a necessidade de expressar ou deixar registrado exigisse. Assim foi que surgiu este (para você que está lendo o livro pronto, se é que isto se tornou um livro) livro: repentinamente e ao mesmo tempo muito aos poucos. Hoje tive a idéia de colocar a data em que escrevi cada passagem e também o horário de começo e de término do escrito. Acho que isso pode ser interessante para quem ler, pois dará a noção de tempo e, quem sabe, de história, já que pretendo relatar junto com minhas idéias, leituras, citações e demais rabiscos alguns acontecimentos cotidianos atuais, tanto meus como de outras pessoas, pessoas que fazem a história.

Acho que uma coisa interessante a fazer no princípio desses meus escritos é localizar o leitor sobre quem está com ele conversando (prometo que a minha biografia será curta [pelo menos nesse momento!]). Meu nome é Rafael Luiz Reinehr, nasci na cidade de Agudo, Estado do Rio Grande do Sul, na Região Sul do Brasil, maior país da América do Sul (e, dizem alguns, país emergente do ponto de vista econômico [agora até quer fazer parte do G8!]). Estudei lá na minha cidadezinha até os 14 anos, quando vim para Porto Alegre para fazer o segundo grau e aumentar minhas chances de entrar na faculdade via Vestibular. Entrei em meu primeiro Vestibular na Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, concluí a faculdade, passei no concurso de residência médica no Hospital Nossa Senhora da Conceição e agora estou trabalhando como residente de primeiro ano nesse hospital. No começo desse ano prestei novo Vestibular, desta vez para Filosofia e, mesmo sem estudar nada relativo ao meu ensino primário e secundarista, passei em 5o lugar, novamente na UFRGS. Agora estou cursando 2 cadeiras deste curso nos fins-de-tarde de Segunda a Quinta-feira. Além disso, gostaria de deixar expresso aqui o meu gosto pela música. Tenho uma banda chamada The Brains, e estou tentando aprimorar meu conhecimento e habilidades musicais. Bom, chega de autobiografia por enquanto.

Bom, tenho que escolher um assunto para começar a falar. Estou aqui no meu quarto deitado na cama de lado, me arriscando a desenvolver uma escoliose, teclando em meu Notebook com a televisão ligada em um canal brasileiro. Isso me traz uma impressão que gostaria de deixar registrada: a falta de uma maior programação cultural e educativa em nossa televisão, que atualmente se baseia em programas de auditório com animadores, apresentação de artistas musicais, de telenovelas, programas que apresentam escândalos e besteirol dos mais variados tipos. É rara a quantidade de programas com uma qualidade mínima que nos traz alguma informação ou mensagem útil ou ao menos não agressiva e fútil. Não que eu não goste de programas divertidos, que dêem prêmios aos participantes e que tenham apresentações artísticas de qualquer forma, mas esses que aí estão, além se serem em número excessivo e ocuparem a parte nobre da programação, são vulgares e de muito mau gosto. Uma coisa que é importante ser dita agora e vale para todas as coisas que escreverei daqui para diante é que tudo isso trata-se apenas de uma opinião pessoal e não necessariamente corresponde ao que é verdadeiramente bom, verdadeiramente belo, verdadeiramente justo e verdadeiramente verdadeiro. Esse conjunto de verdades é o que estou (entre outras coisas) buscando. Mas não se esqueçam que tenho 23 anos e não sou nenhum mestre chinês ou lama tibetano, por isso não aspiro conhecer a verdade sobre as coisas, ainda mais agora! {04/06/2000 – Domingo – 00:32}

{04/06/2000 – Domingo – 19:50}

Chega de falar em televisão por enquanto mesmo porque, lendo hoje o que eu escrevi nessa madrugada não fiquei muito contente. Acho que não consegui expressar em minhas palavras o que penso. Já estou sentindo o cheiro de um hambúrguer que minha mãe está fazendo lá na cozinha. Faz cerca de 2 meses que estou morando com minha mãe novamente, depois de 6 anos em que morei sozinho. Agora ela se separou do meu padrasto e então, dei o meu apartamento para ele para podermos ficar com esse apartamento no qual estamos agora, que é bem melhor. PS: daqui a pouco, quando chegar minha janta, vou interromper meus escritos, mas volto logo a seguir…

Acho que não preciso ficar dando essas justificativas… Se for analisar bem, acho que só escrevi aquele “PS” para justificar porque, provavelmente, escrevi/escreverei tão pouca coisa em tão pouco tempo. Não vou mais fazer isso (muito) daqui para a frente.

Uma pessoa que admiro bastante hoje em dia é Luís Fernando Veríssimo. É incrível como ele consegue transmitir tanta espirituosidade em suas crônicas, opiniões e colunas – e com tanta inteligência. Acho que ele é, de certa forma uma inspiração para mim. Outra pessoa que esses dias descobri que escreve muito bem seus pensamentos é o Tarso Genro. Em um Zero Hora de outro dia, ele escreveu com muito sentimento sobre um passageiro de ônibus que solicitou ao motorista que parasse o ônibus, desceu e ajudou um velhinho (ou velhinha) que queria atravessar a rua em uma esquina movimentada. Incrível como de uma simples observação corriqueira do dia-a-dia se consiga escrever sobre sentimentos tão profundos como a fraternidade, altruísmo e compaixão.

Por que muitas pessoas são más? Ou melhor: por que tantas pessoas são más intencionalmente? Será que elas leram “A República” de Platão e simpatizaram com as idéias de Trasímaco que dizia que a virtude, a moral era justamente o contrário do que bom-senso o determina? Para ele, o que fazia um homem virtuoso era a esperteza, a fraude, a vitória pela força, pela trapaça, pois só esse tipo de homem realmente se dá bem na vida. Você compartilha dessa forma de pensar? Eu não. Volto a falar mais sobre isso outra hora.

Amanhã vou começar a ler a “Crítica da Razão Pura” de Immanuel Kant pela terceira vez. Dessa vez eu vou até o fim! Além desse livro, também estou lendo “Por que ler os Clássicos” de Ítalo Calvino e “Os Analectos” de Confúcio. Acho que uma coisa interessante que eu poderia fazer era tecer alguns comentários sobre trechos que eu achasse interessante desses livros. Vou fazer isso!

Uma coisa interessante em relação a Confúcio é a sua extrema atualidade, sua modernidade. Apesar de ter vivido de 551 a 479 a.C., suas mensagens políticas e humanas são mais do que aplicáveis aos nossos dias. Deixe-me incluir algumas coisas que constatei das leituras dos capítulos 1 a 4 do seu “Os Analectos”:

Montesquieu, no século XVIII, desenvolveu noções que recuperaram o ponto de vista de Confúcio de que um governo de ritos (bom senso, costumes) é preferível a um governo de leis; Montesquieu considerava que um aumento da atividade de promulgação de leis não era um sinal de civilização mas, ao contrário, indica um colapso da moralidade social. É sua a famosa afirmação: “Quand un peuple a de bonnes moeurs, les lois deviennent simples” [Quando um povo tem bons costumes, as leis se tornam simples].

Segundo Confúcio, um rei lidera por seu poder moral {lembrar Thomas Hobbes  contrato social}. Se ele não consegue oferecer um exemplo moral, ele perde o direito à lealdade de seus ministros e à confiança de seu povo. O trunfo último do estado é a confiança do povo em seus dirigentes: quando essa se perde, o país está condenado.

Na China, por mais de 2000 anos, existiu o governo dos eruditos, onde o império era dirigido pela elite intelectual, elite essa que tinha acesso ao poder político através de exames do serviço civil, aberto para todos. É interessante notar que esse foi o sistema de governo mais aberto, flexível, justo e sofisticado conhecido na História até hoje.

“O importante não é a pessoa acumular informações técnicas e habilidades especializadas, mas desenvolver sua própria humanidade. Educação não se refere a ter, mas a ser”.

“Guia-o por meio de manobras políticas, contém-no com castigos: o povo se tornará dissimulado e desavergonhado. Guia-o pela virtude, contém-no pelo ritual: ele desenvolverá um senso de vergonha e um senso de participação”

“O membro da elite moral prega apenas o que pratica. Ele considera mais o todo do que as partes. O homem pequeno considera mais as partes do que o todo.”

“Estudar sem pensar é fútil; pensar sem estudar é perigoso”

“O membro da elite moral busca a virtude; o homem pequeno busca terra. O membro da elite moral busca a justiça; o homem pequeno busca vantagens.”

Quando ler mais, comento mais essa e outras obras que nossos governantes e legisladores não leram ou leram e esqueceram… {04/06/2000 – Domingo – 21:26}

Esse foi, para mim, certamente um grande passo na organização de meus pensamentos. Me ajudou a me colocar de volta na rota do mundo. Me fez sentir realmente trilhando um caminho. Seguindo uma meta. Ali, no Escrever Por Escrever, eu poderia despejar toda minha crítica, meus sentimentos, dúvidas, aprendizados, questionamentos e novos conhecimentos adquiridos, criando uma espécie de Painel Rafael Reinehr.

E assim foi, até 24 de setembro de 2002, uma terça-feira, o dia do último registro no “Escrever Por Escrever no HD”. Era o fim? Ainda não…

Um mês depois, em 25 de outubro de 2002, surgia o e-zine Simplicíssimo. Um projeto não mais de um, mas de vários. Dizem que duas cabeças pensam melhor do que uma, então por que não várias cabeças pensando consoante ou mesmo dissonantemente?

O começo foi difícil, ô se foi. Difícil fazer com que as pessoas mandassem textos com a regularidade exigida. Acabou acontecendo que nas primeiras edições, a maior parte dos textos eram meus. Hoje acho extremamente divertido voltar lá naquelas primeiras edições e ler os textos que escrevíamos. Muitos continuam tendo um grande valor, pois são atemporais. Outros, nem tanto!

O sítio permaneceu como e-zine, sendo enviado a uma lista que começou com amigos, depois amigos de amigos e finalmente com desconhecidos que passaram a “assinar” o e-zine e recebê-lo semanalmente. Em 26 de junho de 2003, finalmente, surgiu o site do Simplicíssimo. Era a edição de número 29 do e-zine.

Olhando para trás: 3 comentários em 1 dos textos. Nos demais, zero! Claro que na época nem tínhamos sistemas de comentários. Acho que eles foram criados lá pela edição de número trinta e poucos, mas isso não vem ao caso.

Dois anos e meio de e-zine, quase 2 anos de site. E uma história inteira antes disso. Daqui pra frente, algo em vista?

Com certeza! Os próximos 2 meses estão preparando muitas mudanças. O Simplicíssimo vai mudar de casa, o Escrever Por Escrever vai mudar de casa… Já antecipo, está ficando tudo um brinco!

Quando estréia a “nova casa”? Hehehe! Primeiro de Julho, é claro!

Kinema und Video – Super Size Me – A Dieta do Palhaço

Morgan Spurlock e seu documentário-panfleto estavam há meses na minha lista de “filmes que tenho de assistir”.

No cinema, não pude assistir então há cerca de 2 semanas loquei em DVD e, para minha surpresa, ganhei mais do que havia esperado.

Para os desavisados, em Super Size Me O diretor, roteirista e ator principal Morgan Spurlock passa 30 dias comendo somente no McDonald´s (café da manhã, almoço e janta).

Assim como nos documentários de Michael Moore, Spurlock usa muita sátira e manipulação de imagens e entrevistas para atingir seu resultado, mas o fato é, mesmo não tendo um valor intrínseco como documento (como se espera de um “documentário”), o filme atinge seu objetivo quando nos faz pensar na responsabilidade que temos não somente para nossa própria saúde e bem-estar quando das crianças em nossa família, ainda desprotegidas e completamente entregues à maciça encantadora publicidade realizada pelas grandes redes de fast-food.

Em uma cena do filme, são mostradas várias imagens de figuras importantes a crianças de cerca de 5 a 6 anos, incluindo-se aí Abraham Lincoln, Jesus Cristo, George Bush e, é claro, Ronald McDonald. Adivinhem qual foi a única que todas as crianças acertaram?

Além do interesse no “comicomentário” por seu efeito garantido nos músculos abdominais que se contraem com freqüência a cada nova gargalhada, o DVD traz alguns extras que não foram incluídos na versão “cinema” (talvez por isso mesmo lhes chamam de “extras”). Uma entrevista com John Robbins, que escreveu “A Diet for a New America” é um dos pontos fortes e não deve ser menosprezada. O cara traz dados alarmantes sobre como são produzidos os alimentos industrializados e seus efeitos em nosso organismo.

O documentário também vale por seu perfil educativo e pela tendência (sincera, acredito eu) de tentar informar que nossas crianças estão ficando cada vez mais cedo e em maior número, obesas. Isso começa pela redução dramática nas atividades físicas no âmbito escolar e também pelos alimentos que as escolas escolhem oferecer aos jovens.

Se quiser escutar a música-tema do filme, que fica engraçadíssima depois de ver as imagens do mesmo, clica aqui. É um arquivo .zip com a música do Toothpick.

Pela originalidade da idéia, é um filme que o Kinema Und Video classifica com a nota 4, quase se aproximando do 4 e 1/2, podemos dizer. (veja a legenda abaixo).

Nota 5: Deixe o que estiver fazendo (mesmo que seja salvar o mundo) e vá assistir! Agora!
Nota 4: Gostoso que nem sorvete de flocos e cafuné na nuca. Dá até pra assistir duas vezes.
Nota 3: Veja no cinema se estiver em dia promocional ou se gostar da pipoca. Do contrário, loque em DVD ou baixe da Internet.
Nota 2: Filme para Sessão da tarde. Só assista se não tiver nada, nada, nada melhor para fazer.
Nota 1: Não vale seu tempo. Leia um livro.
Nota 0: Só pagando (muito) bem e com isenção de impostos vitalícia e hereditária.

Escrita com Luz – O Envelope Azul

A imagem acima foi capturada em um Nikon D100 com lente Sigma 55-200mm f/3.5-6.3 em dezembro de 2004, em Silveira Martins – RS, durante as gravações do curta-metragem “O Envelope Azul”. Retrata a atriz Lauren Montserrat, filha de uma grande amiga, Dra. Sílvia Kleinert Londero e de um grande amigo, Dr. Flávio Londero.

A atriz representa Laura, uma jovem freira com seus dilemas existenciais em busca de paz de espírito, esta difícil de encontrar devido a um conflito com seu passado.

A imagem foi trabalhada no Photoshop, com alguns ajustes no contraste, brilho, saturação e finalmente uma reviravolta com o filtro Liquify.

* * *

Nota do Plantão EpE: mais uma do Nemo Nox: o figura supercriativa lançou ontem, dia 17, mais uma novidade: A Casa das Mil Portas, um espaço onde vários blogueiros se reúnem para publicar seus microcontos. Para quem não sabe, microcontos são pequeníssimos contículos com no máximo 50 letras (pela definição do Nemo).

Vale a pena conferir!

Troféu Fabulástico – Entrevista com Nemo Nox

É com grata satisfação que o Escrever Por Escrever começa hoje uma série de entrevistas com figuras que se distinguem por sua vida na world wide web. O primeiro nome da lista não poderia também deixar de ser o primeiro em outro aspecto: como ele mesmo conta, foi o primeiro brasileiro a criar um weblog em português, em março de 1998. Além deste pioneirismo, nosso entrevistado de hoje também revela sua extrema inventividade, criatividade e originalidade em um dúzia de outras criações textuais e visuais que poderão ser conhecidas seguindo os linques citados na entrevista.

Para conhecer um pouco mais sobre as origens da blogosfera e também sobre a origem e o caminho deste homem, o Escrever Por Escrever orgulhosamente traz Nemo Nox.

EpE – Bom dia, Nemo. Posso lhe chamar assim?

NN – É como todos me chamam. 🙂

EpE – Vamos começar com alguns dados biográficos.
Nome, idade, local de nascimento e moradia atuais,
profissão.

NN – Nemo Nox, 42 anos, nascido em Santos, morando em
Alexandria, nos EUA. Ex-fotógrafo, ex-professor
de desenho, ex-lavador de pratos, ex-publicitário,
ex-cineasta, ex-crítico de cinema, ex-diretor de
comerciais, ex-tradutor, ex-jogador de snooker,
ex-mediatecário, ex-webmaster, ex-diretor de
conteúdo web, ex-etc, e ameaça deixar de ser
ex a qualquer momento.

EpE – Conte-nos sobre sua pré-história. Fale do
Nemo Nox antes do “Por Um Punhado de Pixels”.

NN – A minha história na internet começa por volta
de 1995, quando retornei da Europa e comecei a
criar coisas em BBS e logo em seguida na web.
Publiquei crônicas, organizei eventos literários,
e fiz um modesto site pessoal, até que fui
convidado a escrever para o site Trix, de Santa
Catarina. Depois de alguns meses como freelancer,
fui contratado como editor-chefe da sucursal São
Paulo em 1998, e foi nessa época que fiz o meu
primeiro weblog. Saindo do Trix, publiquei uma
revista de cultura online, a Esfera, durante três
anos. A seguir comecei a trabalhar como webmaster
no BOL, e foi nessa época que nasceu o PPP.

EpE – Sabemos que você já morou em Santos, Porto
Alegre, Rio de Janeiro, Madri, Londres, Lisboa,
São Paulo, Miami e agora mora próximo a Washington
DC. Algum lugar tem a preferência de seu coração?

NN – Eu sempre acho coisas boas nas cidades onde moro,
ou não ficaria por lá. As que deixaram mais saudades
talvez sejam Madrid, onde morei, e Stockholm, onde
passei algumas semanas em férias.

EpE – Qual a origem do nome de seu blógue? Quando
surgiu?

NN – O primeiro post é de 01/01/2001. O nome é uma
homenagem ao filme Por um Punhado de Dólares,
do Sergio Leone, com Clint Eastwood.

EpE – Em seu weblog o tema central é cultura em geral.
Você vê esse seu “diário” somente como um arquivo das
coisas que vocÊ faz ou também como forma de ampliar a
visão de outras pessoas, dos seus leitores, por exemplo?

NN – Escrevo em primeiro lugar para mim mesmo, como
um registro das coisas que faço. Sempre tive
cadernos de anotações quase em estilo weblog,
a diferença maior é que agora faço isto em
público. E claro que tenho consciência de que
existe um leitor do outro lado, mas não moldo
o weblog para agradar a um determinado tipo
de público, e não tenho a pretensão de ser
didático ou educativo, quando muito acho que
o PPP pode ser útil com alguma dica de filme
ou de livro para alguém que compartilhe o meu
gosto por essas coisas.

EpE – A que você atribui seu sucesso na Blogosfera?

NN – Eu não considero o PPP um grande sucesso. Em
termos de visitação, é bem menos popular que
vários outros que contam com o apoio de um
portal (aparecer na capa do UOL, por exemplo,
faz uma diferença gigantesca) ou que já têm
um blogueiro famoso (ter o nome conhecido em
jornais, revistas e televisão ajuda muito na
hora de fazer um weblog novo).

EpE – Conte um pouco mais sobre seu outros sites,
Esfera, Pijama Selvagem e o Burburinho.

NN – A Esfera foi uma tentativa de fazer uma revista
de cultura online fora dos moldes que estavam
sendo usados por todos na época. Evitávamos os
mesmo assuntos que apareciam em outros sites e
fazíamos nossa própria pauta sem preocupação com
ganchos. Acho que a fórmula funcionou, pois o
site ganhou vários prêmios (Melhor Site de
Notícias do Mês da Starmedia, Que Página Legal
do ZAZ, Top Cadê, etc) e foi escolhido pela
Folha de S. Paulo como o “site cabeça” n°1.

O Pijama Selvagem surgiu de uma oferta criada pela
Esfera. Fiz contato com muitos quadrinistas e
cronistas que pediam para publicar seus trabalhos
no site. Mas a Esfera era uma revista “sobre” e
não “de”, ou seja, publicávamos entrevistas e
comentários sobre quadrinhos, filmes, livros, etc,
mas não os próprios quadrinhos, filmes, etc. Então
criei o Pijama Selvagem para abrigar esses trabalhos.

O Burburinho é o meu ezine atual, já com mais de
três anos de idade, uma evolução do modelo da Esfera
mas com nova proposta tanto em formato como em linha
editorial, mais ágil e mais pessoal.

EpE – E o Diário da Metrópole, o primeiro blógue em
língua portuguesa. Está adormecido ou foi aposentado
de vez?

NN – O site só continua online (partes dele) por
curiosidade histórica, não tenho intenção de
o ressuscitar.

EpE – Como ficaria composto seu top 10 da Blogosfera?

NN – Mudaria todos os dias. Em inglês, os que eu
leio sempre são o Jason Kottke e o Rex Sorgatz.
Em português, o Pedro Doria e o Hernani Dimantas.
Mas visito dezenas de outros com menos regularidade.

EpE – Em sua opinião, o que é preciso para fazer um bom blog?

NN – Em primeiro lugar, escrever bem. Conheço pessoas
cheias de boas idéias mas que são incapazes de
fazer um post bacana porque lhes falta domínio
da escrita. Em segundo lugar, ter o que dizer.
Não basta escrever bem se só fala de banalidades,
ou repete o que todos já sabem, sem qualquer dica
ou reflexão original. Em terceiro lugar, escrever
com freqüência. Weblog desatualizado é weblog
abandonado. Um layout limpinho também ajuda.
Tem muito mais, é claro, isto é só o básico.

EpE – Qual seu posicionamento político-ideológico?

NN – Não estou alinhado com partidos ou ideologias
rígidas. Tenho fortes tendências anti-autoritárias,
não gosto de fronteiras, não gosto de burocratas,
não gosto de igrejas, não gosto de censores.

EpE – Apesar de morar aí nos States, achas que o Brasil
tem solução? Se tiver, lasca aí:

NN – Declarem guerra aos EUA, rendam-se, sejam
anexados, passem a usar o dólar como moeda
nacional, votem contra a turma do Bush na
próxima eleição. Parece um bom plano?
🙂

EpE – Como você sente a atual onda de anti-americanismo
morando aí nos Estados Unidos?

NN – Não vejo onda de anti-americanismo, a não
ser por parte de pessoas pouco esclarecidas.
O que há, por todo o mundo, inclusive nos
EUA, é uma onda contra as políticas atuais
dos republicanos que estão no poder.

EpE – Sua vida pessoal: és casado, amarrado, descabelado…

NN – Solteiro.

EpE – Quais são as atividades que fazes em seu tempo livre?

NN – Que tempo livre?

EpE – Quais seus artistas e músicas preferidas?

NN – http://www.nemonox.com/ppp/topcds.html

EpE – Tocas algum instrumento ou tem vontade de aprender?

NN – Quando era criança, comprei uma flauta doce
e um livro de música, aprendi a ler partituras
e a tocar algumas coisas. Isto tudo foi útil
em duas ocasiões. Uma vez, em Londres, sem
emprego, passei uns dias tocando flauta nos
corredores do metrô em troca de algumas moedas.
Bem mais tarde, em Lisboa, fui contratado para
trabalhar numa orquestra porque era o único
candidato que sabia ler partituras. Mas não
sou músico, gosto mesmo é de ouvir.

EpE – Quais seus diretores e filmes preferidos?

NN – http://www.nemonox.com/ppp/topmovies.html

EpE – Quais seus autores e obras preferidos?

NN – http://www.nemonox.com/ppp/topbooks.html

EpE – Existe alguma intenção em publicar um livro de sua autoria?

NN – Tenho um livro de contos ameaçando ficar pronto
há uns tempos, mas tem faltado tranqüilidade para
terminá-lo. Em breve, prometo. (Se aparecer uma
editora interessada eu termino mais rápido.)

EpE – Quais são seus principais projetos para os próximos 5 anos?

NN – Eu não faço planos a longo prazo.
Nem sei o que estarei fazendo daqui a um ano.

Amplexos nemonoxianos,

Nemo Nox
por um punhado de pixels
http://www.nemonox.com/ppp

Erudicto é o Arrôto do Culto – Fábula Fabulosa

Era uma vez, em um distante reino encantado onde vivia uma linda menina,
chamada Branca de Neve. Sua melhor amiga era uma princesa chamada Bela
Adormecida. O único problema de Bela Adormecida é que ela era muito
dorminhoca.

Um lindo dia, enquanto Branca de Neve colhia feijões em seu pé de feijão
gigante, ela viu uma cena que jamais iria esquecer: um lenhador com seu
machado em riste correndo atrás de um menino de madeira que gritava:

-“Não fui eu, não fui eu quem comeu a Casa de Chocolate!” – e a cada vez que
dizia isso seu nariz crescia mais e mais.

Nisso, resolveu voltar para casa e, não mais que de repente, surgiu em sua
frente o Lobo Mau, com sua Harley-Davidson envenenada, convidando-a para
fazer um piquenique na casa da vovozinha.

Branca de Neve não pode aceitar, pois tinha que ir na casa da Cinderela para
se prepararem para o Baile que iria rolar logo mais, em comemoração ao
desaniversário do Gigante, organizado pela “socialáite” Alice.

Ao chegar na casa de Cinderela, que estava de dar uma arrumadinha nos móveis
e tirando a poeira dos estofados (para ajudar sua querida madrasta), Branca
de Neve deparou-se com uma visita ilustre: era Gepetto, que acompanhado de
seus netos João e Maria, havia trazido um lindo cesto de maçãs para
Cinderela, enviados pela sua amiga Bruxa Má.

Enquanto Cinderela terminava de se arrumar, Branca de Neve assistia a dois
documentários no Discovery Channel: um sobre a vida das baleias e tudo que
poderia ser encontrado em seus estômagos e outro sobre um tornado que havia
derrubado a casa de três porquinhos.

Quando estavam prestes a sair rumo ao baile, toca a campainha. Na porta,
uma menininha com chapeuzinho vermelho oferecendo enciclopédias de quinta
categoria e conjuntos com 7 anõezinhos de gesso para jardim.

Como estavam com pressa para encontrar Joãozinho do Pé de Feijão e o
Príncipe Encantado, não puderam comprar nada nem dar atenção à pobre menina,
que enfurecida jogou-se no pescoço de Branca de Neve, dando uma chave de
braço daquelas de legítimo lutador de jiu-jitsu, tendo que ser tirada dali
pelo Saci Pererê, que surgiu do nada para acudir a alva garota.

No fim das contas, nem preciso dizer, o baile lá no Country Club estava “tri
da massa” e todos viveram felizes para sempre.

Escrito em 21/07/2003 e lido por Kátia Suman no Sarau Elétrico “Fábulas”, em
22/07/2003. Publicado na edição de número 36 do Simplicíssimo, em 15/08/2003

The Sound Of My Bossa Nova – BR6 – Música Popular Brasileira A Cappella

Um dos melhores grupos vocais a capella braisileiros. Isso facilmente se comprova ouvindo Música Popular Brasileira A Cappella, o mais recente trabalho do sexteto.



Reunindo pérolas como Eu Sei que Vou te Amar (Tom e Vinícius), Linha de Passe (João Bosco e Aldir Blanc), Upa Neguinho (Edu Lobo e Gianfrancesco Guarnieri) e O Barquinho (Roberto Menescal e Ronaldo Bôscoli), todas interpretadas exclusivamente com a voz, o grupo encanta e hipnotiza.


Mas se você espera ouvir apenas laiá-laiá, espere: você também encontrará em Música Popular brasileira A Capella o som de contrabaixo, bumbo, caixa, tamborim, surdo, pandeiro, cuíca e até pratos, isso sem contar com os metais, todos imitados perfeitamente pelas boquinhas do grupo.


Ao fim da segunda audição, você certamente estará como eu, cantando “Bangaouêêêê… Bangaouêêêêê…”

Você pode ouvir trechos das músicas aqui e se gostar, pode comprar o CD por aqui ou direto aqui.

Se o som realmente lhe apetecer ou se o sítio da Biscoito Fino lhe trouxer outras surpresas que seu ímpeto consumista o levar a adquirir, não esqueça do amigo aqui que lhe deu a dica e na hora de comprar indique o código 129342 e eu ganho 5% do valor da sua compra para seguir comprando lá no Biscoito. Ah! E a cada compra que você fizer, você ganha 10% em Bi$coitos para suas próprias compras (cada Bi$coito vale 1 real).

Até segunda próxima com a crítica do novo CD da Ludov.

Quebra-Cuca – Crise de família

Hoje temos mais um jogo do tipo “atravessar o rio”, mas com 2 variações: através de um toco de árvore e com tempo envolvido!

O jogo se chama Crise de Família e seu objetivo é levar toda ela para o outro lado do rio. Entretanto, existe um porém (isso é pleonasmo?): eles necessariamente necessitam da lanterna, que dura somente 30 segundos.

Clique no botão indicado para jogar:

Todos os botões marcados com “verde-fosforescente” são gratuitos. Vale a pena experimentar.

Se você for bem-sucedido, já sabe o que lhe espera:

E agora? Quebre a cuca!

Troféu Fabulástico – Google Fight

O Google Fight é o brinquedinho de apostas da Era do Oráculo Google.

Desde o princípio, o Google chamava a atenção pela quantidade enorme de termos que encontrava e também pela velocidade das buscas, geralmente na casa dos milissegundos.

Agora surgiu o Google Fight, onde você pode rapidamente comparar o número de vezes que palavras ou personalidades são citadas no Google.

No site você encontra uma lista de “lutas” clássicas, como bill gates x linus torvalds, america x iraq, luke skywalker x darth vader e também uma série de lutas engraçadas, como por exemplo oj simpson x homer simpson, googlefight x waste of time, microsoft x the law, fat and ugly x thin and sexy e uma ótima: my girlfrend x pamela anderson!

Você pode inclusive fazer uma competição entre blogueiros, ou quem sabe entre times de futebol ou o que mais der na telha. Vale a pena experimentar! Claro, não é um brinquedo para horas a fio de entretenimento, mas garante alguns minutos de diversão em tardes chuvosas, ao menos!