Monthly Archives: abril 2009

Reflorestamento
Abr 27

Gente Legal Conectada com Gente Legal

By Rafael Reinehr | Boas Novas

Há muito tempo atrás eu me questionava: porque afinal de contas, com tanta informação à nossa disposição, ainda assim cometíamos erros banais e insistíamos nos mesmos erros de sempre?
 
A resposta a essa pergunta não é simples e não é uma só.
 
Um dos motivos pelos quais isso acontece é justamente pela SOBRECARGA DE INFORMAÇÃO. Somos atacados de todos os lados por milhares de fontes de dados buscando cada uma sua sobrevivência em nossa consciência. Aparentemente, temos condições limitadas de lidar com este influxo de dados e pouco do que recebemos realmente é internalizado e assimilado pelos seres humanos em suas vidas práticas.
 
Muitos sabemos o quanto um animal sofre durante sua criação e abate para nos alimentar, mas poucos adaptam suas vidas para interromper este ciclo. Muitos conseguem perceber a amplitude das escolhas energéticas que fazem, mas poucos de fato abrem mão do ar condicionado no carro ou no local de trabalho, ou pelo menos falham em reduzir sua utilização.
 
Bem, isto posto: temos um primeiro problema, a sobrecarga de informação, que nos leva a um segundo motivo pelo qual seguimos insistindo nos mesmos erros: um sistema perceptivo avariado.
 
Vivemos em uma época em que não nos é dado tempo para aprender tampouco para explicar. A velocidade assustadora de todas as coisas imprime em cada um de nós – como regra geral – uma mensagem de que precisamos “ler” tudo superficialmente para que possamos assimilar mais, e mais, e mais, e mais coisas…
 
Na verdade, estamos assimilando cada vez menos, e menos, e menos, e menos… Como exemplo, publiquei há alguns dias em meu blog a oferta de enviar gratuitamente alguns DVDs que adquiri do filme Earthlings (Terráqueos) e expliquei no texto que, para receber os DVDs, bastava acessar um link e informar o e-mail. Entretanto, um leitor do blog deixou um comentário dizendo:
 
Gostaria de receber os tres DVDs, qual seria o procedimento?
 
Ou seja, a leitura foi feita com tanta desatenção que acabou por prejudicar o leitor, que não chegou onde queria e, de certa forma, também me prejudicou, pois tive que utilizar do meu tempo para lhe explicar, novamente, sobre como proceder.
 
É importante perceber que me refiro aqui não somente em relação a “leituras” que fazemos de textos escritos, mas de conversas com amigos, professores, programas de tevê e até de anúncios publicitários.
 
O que urge, é uma espécie de Reforma da Percepção, que leve a uma Reforma do Pensamento e, finalmente, à Reforma das Atitudes de que tanto precisamos.
 
E o caminho que sugerimos? Aprendizado e aperfeiçoamento constantes, compartilhamento do que aprendemos com as pessoas que estão à nossa volta, quer seja ativamente ou através do exemplo e prática diária das mudanças que vamos assimilando, aos poucos, uma a uma.
 
Como disse o Denis Russo Burgieman em seu artigo da Vida Simples deste mês, “Não espere que a solução para os problemas do mundo venha dos governos ou das grandes empresas. Ela virá de gente legal conectada com mais gente legal conectada com mais gente legal.”
 
É isso aí Denis. A conclusão a que você chegou ao citar o Re:Vision (um projeto que visa construir coletivamente um quarteirão sustentável em Dallas, no Texas) aplica-se perfeitamente à Coolmeia. Foi assim que ela foi idealizada: como um quanta no espaço e no tempo, uma miríade de TAZes, de Zonas Autônomas Temporárias em que pessoas legais, conectadas com outras pessoas legais conectadas com mais pessoas legais conseguissem, juntas, encontrar as soluções e praticar as ações que de fato mudassem desde já o mundo em que vivemos.
 
Você sente que é por aí também? Então junte-se a nós! Temos muito trabalho a fazer!

Reflorestamento

A escolha
Abr 22

Um pequeno passo para o homem, um gigantesco salto para a humanidade

By Rafael Reinehr | Boas Novas

Esta significativa e memorável frase dita por Neil Armstrong após deixar o módulo lunar Apolo 11 ao pisar pela primeira vez na Lua, em 20 de julho de 1969, poderia ser repetida diariamente por cada um de nós.

Naquela época excitante, em que escritores de ficção científica animavam adolescentes e adultos com seus exercícios futuristas e, de fato, as previsões do começo do século começavam a tornar-se realidade, tudo era belo, esplendoroso e um futuro mágico se descortinava.

No final da década de 60, eram pouquíssimas as vozes que alertavam sobre o uso desenfreado dos bens naturais, a possibilidade de extinção da raça humana, mudanças climáticas e whatsoever.

Hoje em dia este panorama mudou. Enchentes nos noticiários viraram assustadora regra, degelo nos polos, na Patagônia, Groenlândia e nas áreas de gelo perene das altas montanhas. Apesar do forte lobby financeiro, político e – veja só – até científico que visa minimizar o problema, o fato é que estamos caminhando rapidamente para um caminho sem volta.

Quando falo em caminho sem volta, não me refiro ao planeta. Este irá se adaptar mais uma vez, como tem feito há bilhões de anos. O que talvez não consigamos mais fazer é salvar nossa própria espécie. Irei falar sobre este assunto com mais detalhe no futuro, citando alguns estudos e previsões científicas que andei verificando.

Hoje, entretando, quero congraçar-me com o lançamento da Coolmeia – Ideias em Cooperação, esta incubadora de ideias e ações altruístas, preocupadas com mudanças humanas, sociais e ambientais efetivas. Como dito em sua Carta de Princípios, a Coolmeia não busca ser a detentora de todas as respostas, mas busca isso sim, encontrar respostas que sejam satisfatórias ao nosso equilíbrio e harmonia com outros seres vivos (humanos e não-humanos) em nosso ambiente comum.

E cada um pode fazer a sua parte. E pode fazer todos os dias, ou pelo menos todas as semanas. Se 1% de nós brasileiros (um milhão e oitocentas mil pessoas), utilizarmos pelo menos 1% do nosso tempo (15 minutos por dia) para pensar em soluções ou aplicar as que já se encontram por aí, estaremos dando uma guinada significativa em direção às mudanças que necessitaremos para enfrentar as consequências do que temos plantado nos últimos 2 séculos.

Hoje acordei uma hora mais cedo para cumprir com o que me programei: plantar uma árvore e vir de bicicleta para o consultório. Sobre a bicicleta, não é um fato ocasional, tenho vindo com alguma frequência, mas neste dia não poderia deixar de vir. Mesmo com a chuva que veio e sem encontrar minha mochila e ter que deixar alguns pertences importantes em casa.

Sobre a árvore, aí embaixo estão as fotos. Plantei duas sementes de Pinus koraiensis, um tipo de pinheiro cujos frutos são os pinoles, pequenos pinhões extremamente deliciosos que podem acompanhar vários pratos.
 

A escolha
A escolha do lugar
As sementes
As sementes de Pinus koraiensis
O plantio
O plantio
O aconchego
O aconchego da semente, em uma nutritiva terra preta

Como diz um ditado chinês: ”É com um passo que se começa uma jornada de 100 quilômetros”. Vamos fazer nossa parte, cada qual com o tanto que conseguir a cada dado momento da vida.

 

Sport Club Internacional Campeão Invicto do Gauchão 2009
Abr 19

Internacional Campeão Gaúcho Invicto de 2009

By Rafael Reinehr | Futebol

Sport Club Internacional Campeão Invicto do Gauchão 2009 

Mais uma vez, não teve pra ninguém: o glorioso Sport Club Internacional de Porto Alegre sagrou-se bicampeão gaúcho neste dia 19 de abril de 2009, vencendo por históricos 8 a 1 o esforçado time do Caxias do Sul.

Depois de já ter conquistado a Taça Fernando Carvalho sem nenhuma derrota, que corresponde ao primeiro turno do Gauchão, o time do Beira Rio venceu também invicto a Taça Fábio Koff, sagrando-se, com 18 vitórias e três empates – um desempenho arrasador, que contou inclusive vitória sobre o arqui-rival Grêmio durante o torneio – Campeão Gaúcho Invicto de 2009.

Parabéns Colorado de ases celeiro!

A propósito, eu não estava no estádio, mas meu amigo Eduardo Sabbi estava. Quer ver ele? Então acha ele aqui: Gigafoto do Internacional (imperdível!!!)

Abr 16

Coolmeia e o Dia 22 de Abril: Dia Mundial da Terra

By Rafael Reinehr | Boas Novas

Coolmeia - Ideias em CooperaçãoEstamos há apenas seis dias do lançamento oficial da Coolmeia e as coisas estão esquentando: a comunidade no Ning está ficando afinadinha – ainda sem atividades intensas em função dos preparos iniciais como a criação de Tutoriais para facilitar a vida de quem chega, bem como recomendações de boas práticas e convívio, para manter uma organização adequada.

Se em uma casa em que mora uma família que se conhece há anos já é fácil encontrar bagunça, imagine em uma em que novas pessoas chegam todos os dias?

Quem me acha perfeccionista, realmente não me conhece. Confesso que já fui, mas hoje apenas me preocupo em estabelecer um padrão mínimo de organização que possibilite uma comunicação adequada entre os membros e que também lhes permita encontrar as ferramentas que estarão em breve dispobíveis por lá, não somente nos próximos meses como daqui a anos a fio. Então, esta fase de preparação não é nada mais nada menos do que uma etapa necessária a ser cumprida. E já dura mais de 9 meses. E vai nascer! Dia 22 de abril está aí!

E o que estamos preparando para o dia 22 de Abril? Bem, não haverá festa, nem coquetel de lançamento, muito menos fogos de artifício. Será mais ao "nosso estilo", digamos assim. No próximo dia 22 de Abril, no mesmo dia em que a iniciativa Coolmeia – Ideias em Cooperação será lançada, comemora-se desde 1970 o Dia Mundial da Terra. É um momento de reflexão, uma oportunidade para olhar para o mundo ao nosso redor e repensar nossas escolhas e atitudes para com os outros e com nosso planeta.

Já defini duas atitudes simples a serem realizadas no dia 22: tratarei de ir de bicicleta ao trabalho e também plantarei uma ou duas árvores, com o compromisso de seguir cuidando delas depois. E você, o que poderá fazer neste Dia Mundial da Terra?

Sempre lembro, quando me vem à cabeça atitudes positivas, quer sejam elas simples ou mais dispendiosas, uma citação de B. K. Jagdish:

"Nossos pés deixam pegadas na areia do tempo. Se estivermos no caminho errado, muitos nos seguirão, desviando-se do que é correto. Quando pensamos que uma ação é só por aquele momento e esquecemos que ela deixa um rastro atrás de si, não estamos sendo responsáveis.
Todas as nossas ações afetam os seres humanos, dando-lhes alívio ou tristeza. Podemos fortalecê-los ou não. Podemos causar ferimentos ou curas. Podemos gerar conflitos ou resolvê-los. Podemos criar cataclismas ou algo nobre para a sociedade.
"

Espetacular, não? Em poucas linhas, resume todo um sentido que podemos dar para uma vida (ou para uma nova vida).

Hoje, agradecendo a dois gentis comentários que foram feitos à Coolmeia pela Rita Braune e pela Nelida Campela, escrevi em resposta sobre a Coolmeia e alguns de seus objetivos:

"…a Coolmeia em si vai tratar disso: mostrar para as pessoas que as amarras que elas imaginam que lhes prendem ao Estado, ao consumo, à rotina e ao conforto podem ser mais fracas do que pensam.

Podemos criar uma vida plena de significados, longe da anestesia das grandes ilusões modernas. Às vezes, precisamos de alguém que nos dê a mão, caminhe ao nosso lado ou mesmo, lá de longe, nos dê um "aceno libertário": um chamado, um exemplo, um ponto de partida ou uma luz que nos ajude a iniciar um novo caminho."

Quer me dar a mão?

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Abr 15

Internet Symphony, Eroica, por Tan Dun – só através da internet mesmo!

By Rafael Reinehr | Só observando...

O vídeo abaixo mostra uma "mashup", uma mistura de uma série de vídeos enviados por milhares de músicos internautas de vários países, tocando diversos instrumentos musicais e compondo assim a bela e colaborativa "Sinfonia Internética".

Repare nos instrumentos pouco usuais dentro da música clássica.

 

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Abr 14

A Terceira Onda – O Conhecimento – Alvin Toffler

By Rafael Reinehr | Entre Aspas

Na Primeira Onda, ou sociedades agrárias, a principal forma de capital era a terra. Se eu cultivasse a minha terra, você não podia cultivar a sua plantação na mesma terra ao mesmo tempo. Era ou você ou eu, nunca ambos. O mesmo era – e ainda é – verdade para o capital nas economias industriais da Segunda Onda. Você e eu não podemos usar a mesma linha de montagem ao mesmo tempo. Tudo isso se inverte nas economias da Terceira Onda, nas quais o conhecimento é a principal forma de capital. Você e eu podemos usar o mesmo conhecimento ao mesmo tempo e, se o usarmos com criatividade, podemos até mesmo gerar mais conhecimento.
 

O texto acima, retirado do site da amiga Clara Alvarez, é um excerto da obra do futurista Alvin Toffler. Recomendo a leitura de A Terceira Onda, livro do autor, como um exercício de raciocínio futurista. Vários insights são garantidos, mesmo que não concordemos com todas suas asserções e apostas.
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Bulgari William Da Foe Ben Stiller Save The Children
Abr 13

Uma parte desta compra fará você se sentir bem

By Rafael Reinehr | O Mundo às Avessas

O texto a seguir foi traduzido do original de Sasha Dichter, Diretor de Desenvolvimento de Negócios do Acumen Fund, um fundo global sem fins lucrativos que investe em empreitadas para combater a pobreza nos países em desenvolvimento:

Sempre tive para mim como “dignas” as campanhas beneficentes “amarradas” (“uma parte desta compra irá para a caridade”) mas pensava que seria um comentário tão óbvio que o deixava passar.  Até hoje.  Me deparei com uma gigantesca campanha de 6 páginas da Bulgari na revista Vanity Fair. Passeei pelas seis bonitas fotos em preto-e-branco com estrelas de cinema que eu admiro, começando com Isabela Rosselini, e citações como “Vamos dar um futuro melhor às nossas crianças” e “Toda criança merece educação”. OK, você ganhou minha atenção.
Na sexta página há um pesado anel de prata estilo Senhor dos Anéis usado pelas estrelas do cinema. Compre um “anel de prata Bulgari criado especialmente para a campanha para ajudar a educação de crianças… Uma parte dos lucros irá ajudar a reescrever o futuro de milhões de crianças” com o dinheiro sendo dado à ONG Save the Children.

Bulgari William Da Foe Ben Stiller Save The Children

Uma campanha “amarrada” similar que o NY Times relatou no ano passado, foi a campanha da Product(Red) que gastou 100 milhões de dólares em publicidade para arrecadar 18 milhões para o Fundo Global de Combate à SIDA, Malária e Tuberculose.
Obviamente eu não tenho problemas com grandes companhias doando para a caridade, nem acho que a Save The Children deve ser questionada, já que fazem um trabalho maravilhoso e é absolutamente válido lhes dar suporte. E palmas para os artistas de cinema por darem suporte a uma causa válida.

É a parte onde se diz “parte dos lucros” que me pega. Bulgari está aparentemente doando 1 milhão de euros e arrecandando 9 milhões de euros com esta campanha, e 50 euros do custo de 290 euros do anel irá para o Save the Children. Isto advindo de uma companhia com vendas de mais de 1 bilhão de euros em 2008.

Sim, é muito melhor do que nada. Mas é muito menos do que poderíamos fazer. É uma mentalidade do “não-sacrifício”. Claro, é bom para o Save the Children, pela ajuda na percepção da importância da educação, e é bom para a Bulgari. Mas quando eu olho para todos os recursos que foram utilizados neste anúncio da Vanity Fair, eu tenho a certeza de que a Save the Children está ficando com as migalhas deixadas em cima da mesa.

Para iniciantes, até onde eu sei, o anúncio de 6 páginas da Vanity Fair custa cerca de 85 mil dólares por página, ou um total de 510 mil dólares (este é minha primeira vez lendo um cartão de preços… alguém corrija-me se eu estiver errado). Assim, incomoda-me o fato da doação se constituir de migalhas de uma torta muito maior.

Além disso existe algo que não cheira bem acerca dos compradores da Bulgari, que por definição são ultra-ricos, usando um anel de 300 euros para dizer “Eu estou fazendo algo para melhorar a educação de crianças pobres nos países em desenvolvimento”, e o valor total de sua doação para o Save the Children é de 50 euros!

Finalmente, existe uma questão central aqui: Me deixa enjoado imaginar um efeito angelical para uma marca ultra-premium como Bulgari às expensas de pobres crianças nos países em desenvolvimento.

Eu gostaria de ver um painel completamente diferente, e charity:water nos dá o exemplo. Eles permitem que você compre um recipiente de água de 20 dólares, com 100% do valor sendo doado à caridade. Pague 10 vezes mais, porque todos podemos fazer mais e dar mais, e todo o dinheiro irá para a caridade. Doar é importante, não é um passe livre ou um erro de arredondamento em sua última compra.

Se 10x o preço está situado em um patamar muito alto, pelo menos peça às campanhas “amarradas” que doem o valor total do produto à caridade. Este deveria ser o mínimo. É 100% transparente, é mais honesto, e força a multinacional a colocar sua pele no jogo. Ademais, imagine o que acontece dentro da companhia quando eles promovem um produto que não lhes dá um tostão de lucro? Eu aposto que eles ganham mais – e não menos – energia, entusiasmo, criatividade e sacrifício. As pessoas lutariam para trabalhar neste projeto.

Alguém aí fora poderia por favor criar um logo/marca/padrão “100% para a caridade” para servir de exemplo aqui?

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Abr 11

O trabalho como causa da degenerescência intelectual, por Paul Lafarge

By Rafael Reinehr | Entre Aspas

Uma estranha loucura se apossou das classes operárias das nações onde reina a civilização capitalista. Esta loucura arrasta consigo misérias individuais e sociais que há dois séculos torturam a triste humanidade. Esta loucura é o amor ao trabalho, a paixão moribunda do trabalho, levado até ao esgotamento das forças vitais do indivíduo e da sua progenitora. Em vez de reagir contra esta aberração mental, os padres, os economistas, os moralistas sacrossantificaram o trabalho. Homens cegos e limitados, quiseram ser mais sábios do que o seu Deus; homens fracos e desprezíveis, quiseram reabilitar aquilo que o seu Deus amaldiçoara. Eu, que não confesso ser cristão, economista e moralista, recuso admitir os seus juízos como os do seu Deus; recuso admitir os sermões da sua moral religiosa, econômica, livre-pensadora, face às terríveis conseqüências do trabalho na sociedade capitalista.
Na sociedade capitalista, o trabalho é a causa de toda a degenerescência intelectual, de toda a deformação orgânica.
                                                                        (Paul Lafargue em "O direito à preguiça")

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Cradle to Cradle Berço à Berço
Abr 09

Cradle to Cradle – Remaking the Way We Make Things

By Rafael Reinehr | Sustentabilidade e Resiliência

“A Natureza não tem um problema de design. As pessoas tem.”

Cradle to Cradle Berço à Berço

Recebi há alguns dias o livro Cradle to Cradle – Remaking the Way We Make Things (Berço à Berço – Refazendo a Forma que Fazemos as Coisas), de William McDonough & Michael Braungart. Nele, o arquiteto Bill e o químico Michael apresentam uma renovada visão acerca do manejo industrial, reutilização de “lixo” e a implicação de um novo “design” de produtos no futuro de nosso planeta e modo de viver.

O livro começa com uma bela dedicatória: “A nossas famílias e a todas as crianças de todas as espécies em todos os tempos”, demonstrando de cada a que veio e qual sua sustentação: um respeito a todos os seres vivos de nosso mundo.
Feito em um novo material chamado Durabook, o livro é a prova de água, altamente durável, não é feito de árvores e reciclável. A primeira impressão que tive é: “Bem, então deve ser feito de algum derivado tóxico do petróleo”. A leitura do livro sugere que não.

Dê uma espiadela no Sol.
Olhe a Lua e as estrelas.
Vislumbre a beleza dos verdes da Terra.
Agora, pense.
Hildegard von Bingen

William, ainda estudante de arquitetura, acompanhou um professor ao Vale do Rio Jordão, e presenciou a engenhosidade das tendas feitas pelos beduínos a partir do pêlo de dromedários. Tais tendas eram capazes de fornecer sombra ao mesmo tempo que puxavam o ar quente para cima e para fora, proporcionando frescor ao seu habitante. Quando chovia, suas fibras se encharcavam e ficavam tensas como couro, protegendo da chuva. Eram fáceis de carregar e fáceis de reparar, sendo que o substrato para seu conserto andava juntamente com o bando nômade: os próprios dromedários. Um exemplo perfeito de design localmente relevante, culturalmente rico em contraste flagrante com os utilizados ao nosso redor, geralmente plenos de produtos tóxicos, ou que degradam a natureza ou que demandam altos gastos de energia.
Um dia, cansou-se de produzir prédios e produtos trabalhando pesado para “causar menos males”. Decidiu que era hora de utilizar seu conhecimento para desenhar produtos completamente “positivos”.

Michael, por sua vez, foi diretor do capítulo de química do Greenpeace e posteriormente fundou a EPEA (Agência de Encorajamento à Proteção Ambiental). Apesar de saber tudo sobre os componentes e potenciais efeitos danosos dos plastificadores, PVC, metais pesados e outros produtos utilizados na indústria – como o próprio Cromo utilizado na pigmentação do couro – sua visão analítica (e não sintética) lhe impedia de ter uma visão de abundância, criatividade, prosperidade e mudança do mundo.

Foi a partir do encontro de ambos em 1991 que a efervescência das ideias tomou seu lugar e iniciaram a desenhar em conjunto um mundo em que, ao invés do couro dos sapatos – imerso em crômio não passível de reaproveitamento – se desenvolvesse um produto confortável capaz de ser 100% reaproveitado; em um sistema em que produtos e embalagens possam ser queimados de forma segura sem a necessidade de fornos especiais que certamente liberam resíduos no ar; um mundo em que os carros fossem silenciosos, não gerassem nem poluição ambiental tampouco sonora, e assim por diante.

Este livro é o resultado de mais de uma década de descobertas e criações que agora são utilizadas por várias empresas ao redor do mundo. Uma série de exemplos que mostram do que o gênio humano é capaz quando o esforço é despreendido na direção correta.
Ao final do primeiro capítulo, os autores trazem uma comparação interessante, que traduzo aqui:

“Todas as formigas do planeta, tomadas juntas, tem uma biomassa maior que a dos humanos. Formigas tem sido incrivelmente industriais por milhões de anos. Ainda assim, sua produtividade alimenta plantas, animais e o solo. A indústria humana está em plena agitação há pouco mais de um século e mesmo assim já trouxe o declínio de praticamente todo ecossistema do planeta. A Natureza não tem um problema de design. As pessoas tem.”

Leitura recomendadíssima. Five stars out of five.

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Earthlings - Terráqueos
Abr 08

Círculo do DVD – Earthlings (Terráqueos)

By Rafael Reinehr | Ideias

               Recebi, na semana que passou, os 3 DVDs do filme Earthlings (Terráqueos), que havia encomendado. Ei, espera lá: 3 DVDs? Explico: acredito que o assunto do filme – a exploração dos animais para uso como mascotes, alimentação, pesquisa médica e cosmética, vestuário e entretenimento precisa ser compreendida pelo maior número de pessoas possíveis. Com certeza, não será distribuindo 3 DVDs que conseguirei fazer isso, mas é um começo.

 

Earthlings - Terráqueos

 

Não espero, com esta atitude, fazer com que as pessoas parem de ter seus animais de estimação – apenas observem a origem dos mesmos e percebam se o mesmo está vindo de um sistema que explora a natureza ou desrespeita a vida animal. Da mesma forma, não consigo (ainda) visualizar um mundo completamente vegano, mas consigo tentar perceber um mundo mais solidário com a vida de outros terráqueos, outros animais, em que o caminho que a carne leva para chegar ao consumidor é levado em conta.

A brutalidade – melhor seria dizer crueza – das cenas apresentadas deixa claro para qualquer pessoa que assisti-lo do que nós, humanos, somos capazes. A percepção de que o que fazemos com os animais se reproduz em nossas vidas nos outros campos – familiar, social, profissional – dá relevância ainda maior ao filme-documentário narrado por Joaquin Phoenix.

Câmeras escondidas mostram em detalhes o que acontece “nos fundos” de pet stores, criadouros de animais, comércio de peles e couro, indústrias do esporte e entretenimento, fazendas pecuaristas e abatedouros. Todas as práticas que acontecem diariamente nestes estabelecimentos são esmiuçadas e mostradas à luz do sol para quem se interessa em entender a relação entre o Homem, a Natureza, os Animais e os interesses econômicos.

Dos 3 filmes, dois deles estarão circulando entre pessoas que tem interesse em assisti-lo e divulgá-lo em sua localidade. Se você faz parte e quer receber o filme em sua casa, gratuitamente, comunique acerca do seu desejo na Comunidade da Coolmeia no Ning, informando e-mail para contato. Estarei pegando então seus dados de endereço para envio do DVD. Sua única responsabilidade será não deixar a corrente terminar e encaminhar, às suas custas, o DVD para uma outra pessoa após assisti-lo.

Se você tem um blog ou é jornalista, divulgue esta iniciativa.

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