Monthly Archives: maio 2015

Mai 19

Saúde – parte IV (de VIII)

By rafaelreinehr | Medicina e Saúde , Medictando

A vida é uma série de mudanças naturais e espontâneas. Não resista a elas – isso só criará sofrimento. Deixe a realidade ser realidade. Deixe as coisas fluirem naturalmente da forma que quiserem.” – Lao Tzu

Ria, respire e vá devagar.” – Thich Nhat Hahn

desapego

Como é costume aqui na Medic(t)ando, seguimos nesta edição com mais algumas palavras e significados que estão atrelados ao conceito de Saúde, talvez de uma forma subversiva, nem sempre óbvia ao primeiro olhar.

A primeira reflexão diz respeito à mudança, e a ir com o fluxo. A mudança é, talvez, a mais inevitável e frequente característica que nos acompanha, desde antes do nosso nascimento até após nossa morte. E mesmo sabendo disso, temos dificuldades para aceitar ou nos adaptar aos fluxo daquilo que se renova sem nossa influência. Para beber vinho em uma chávena cheia de chá é necessário, primeiro, deitar fora o chá para depois beber o vinho. Essas são as mudança sobre as quais temos controle. Mas nem sempre estamos com o controle da chávena de chá, temos acesso ao vinho ou somos tolerantes a ele. Essas variáveis, muitas vezes, são indiferentes ao nosso poder e, neste caso, precisamos aprender a ir com o fluxo.

Alteridade é o segundo conceito que precisamos associar com saúde. Alteridade é compreender o outro usando sua própria lente, e não somente a nossa. Temos o injusto hábito de olhar para o mundo somente com as lentes que desenvolvemos durante a vida, e nem sempre nos dispomos a tirá-las e passar a enxergar as situações que nos sucedem em nossas relações utilizando o ponto de vista alheio. Além de nos trazer aprendizado, acaba por ser a solução de muitos problemas.

Existe uma parábola zen que nos ensina muito sobre o “Olhar sob diversas perspectivas”, nosso terceiro conceito de hoje:

O velho Mestre pediu a um jovem triste que colocasse uma mão cheia de sal em um copo d’água e bebesse.

Qual é o gosto? – perguntou o Mestre.

Ruim – disse o aprendiz.

O Mestre sorriu e pediu ao jovem que pegasse outra mão cheia de sal e levasse a um lago.

Os dois caminharam em silêncio e o jovem jogou o sal no lago, então o velho disse:

Beba um pouco dessa água.

Enquanto a água escorria do queixo do jovem, o Mestre perguntou:

Qual é o gosto?

Bom! – disse o rapaz.

Você sente o gosto do sal? – Perguntou o Mestre.

Não – disse o jovem.

O Mestre então sentou ao lado do jovem, pegou sua mão e disse:

A dor na vida de uma pessoa é inevitável. Mas o sabor da dor depende de onde a colocamos. Então, quando você sofrer, a única coisa que você deve fazer é aumentar a percepção das coisas boas que você tem na vida.

Deixe de ser um copo. Torne-se um lago.

O quarto conceito é a “descolonização do imaginário”, que trata justamente de nos libertar, trazendo-nos de volta à singularidade roubada pelas forças normalizadoras e homogeneizadoras que subvertem o pensamento, fazendo-nos acreditar nos ideais que o sistema estabelecido propaga. Questionar as informações prontas, fáceis e mastigadas e aprender a reconhecer as falácias das informações que chegam até nós fazem parte da manutenção de um “status saudável” individual e social.

Finalmente, o quinto item da pauta de hoje: Desapego. Ter desapego é deixar ir. É não nos deixar possuir por aquilo que possuimos. Mais: é não valorizar o ter acima do ser. É desligar-se do excesso de ligação às coisas, aos bens, às relações.

Na próxima edição, seguimos com as noções sobre Decrescimento, Generosidade, Compartilhar e Agir conforme a própria natureza. Até lá!

Mai 19

06/06/2003 – #026 – O Elo Perdido

By Rafael Reinehr | Editoriais , Simplicíssimo

slizstacks

Ontem, quando cheguei em casa do trabalho, destruído, a primeira coisa que fiz foi sentar no sofá, esticar nas pernas e… …assistir à TV. Estava passando na TVE uma reportagem muito interessante sobre a vida do nosso futuro imortal, Moacyr Scliar. Como é bom ver uma pessoa tão grande e tão humilde e simples ao mesmo tempo. Inspirações ao dirigir, ser caseiro, família, sem regras de tempo para criar… Começou escrevendo de si, menino do Bom Fim; depois do seu bairro e seus acontecimentos; de sua religião, de sua profissão; de quem admirava e com quem conviveu. Como disse Armindo Trevisan na reportagem, parafraseando Tchekov “Se queres ser universal, canta a tua aldeia“. Assim é Scliar. Há alguns anos, 1997, se não me engano, fiz um curso de Antropologia de Culturas Urbanas e História da Ciência Não Ocidental com o Ruben Oliven, o Ivan Izquierdo e o Moacyr Scliar. Pude então conhecer um pouco mais desse médico e escritor que até então era um ícone distante para mim. Continua a ser um ícone, mas um pouquinho mais próximo. Descobri que podemos tocar nele e apertar sua mão. Não cai pedaço nem nos transformamos em coisa alguma. Foram 4 meses de curso e muito aprendizado. Essa edição tem um quê de especial também por mais dois motivos: o primeiro deles é o fato de que cada vez mais chegam sugestões, críticas e comentários ao Simplicíssimo. Um exemplo disso é a presença do ilustre Dr. Rogério Amoretti, diretor técnico do Grupo Hospitalar Conceição (se não me engano, segundo maior complexo de atendimento em saúde pública do país, atrás apenas do complexo da USP em São Paulo), comentando o editorial da última edição. Vale a pena conferir. O segundo motivo é o anúncio de que o site do Simplicíssimo ficará pronto este fim de semana. Estamos aguardando o envio, por parte dos autores das edições anteriores, de fotos e outros “enfeites” para sua página individual. A festa de lançamento do site está confirmada. Em breve estaremos divulgando local, data e as bandas que estarão “animando a festa”! Contamos com a presença maciça dos assinantes e de seus “anexos” (“cônjuges”e amigos inclinados a essa psicodelia literária). Grande abraço e até breve. Bem breve.

Rafael Luiz Reinehr

Mai 12

Saúde – parte III (de VIII)

By rafaelreinehr | Medicina e Saúde , Medictando

impermanencia
Ser sustentável é manter-se através das gerações, de forma a manter um estado de equilíbrio que possa ser aproveitado por tempo indeterminado. Manter completamente a integridade física é algo, até agora, inimaginável. Sabemos que o corpo sofre degenerescência, envelhece. Ser sustentável, entretanto, refere-se também a fazer escolhas saudáveis, como alimentar-se com produtos orgânicos que, além de nutrirem mais e melhor, vem sem os terríveis agrotóxicos, indutores de cânceres e uma leva de doenças de todos os tipos, não só a partir do que comemos mas também da contaminação das águas que ingerimos e até do ar que respiramos ou entra em contato com nossa pele. Refere-se a usar menos o automóvel e usar mais a bicicleta ou transportes coletivos, ajudando a poluir menos e melhorar o ar que respiramos e, no caso da bicicleta, nossa aptidão cardiovascular. É fazer escolhas que nos levem além de um pensamento imediatista focado no lucro, até um outro focado na regeneração dos recursos naturais e humanos.
 
Resiliência é uma palavra muito interessante. Ela é utilizada na física, na psicologia, na engenharia e também pode ser usada no campo da saúde, quando nos referimos à manutenção ou retorno a um estado de homeostase, de equilíbrio. Sem resiliência, adoecemos. Falta de resiliência é sinônimo de incapacidade de se adaptar a mudanças no ambiente externo ou em nosso próprio corpo. Entender o conceito de resiliência pode nos ajudar a compreender porque algumas pessoas entregam-se mais facilmente quando algo lhes tira do equilíbrio e outras conseguem retornar ao estado de saúde mais prontamente.
 
Felicidade é, para muitos, sinônimo de saúde. Ser feliz é não querer nada mais do que se tem. Apesar de ser um sentimento individual, pode ser irradiado e contaminar outras pessoas. Em linhas gerais, a felicidade é realmente contagiosa e pode ajudar a melhorar não só a saúde de uma pessoa mas também de uma comunidade, de uma população.
 
Associamos felicidade com conquistas, mas a felicidade está no fato de que, naquele momento, paramos de buscar. Felicidade tem a ver com o Fim da Busca. Aquele que não busca já alcançou. Nada o tira do equilíbrio. 
 
Um conceito muito curioso que está atrelado a um estado de espírito saudável é o de impermanência. Pessoas que compreendem que as coisas vem e vão, inexoravelmente, conseguem minimizar o sofrimento quando ocorrem perdas de qualquer tipo, desde a perda de um familiar até a perda de um dente. 
 
Uma pitoresca parábola budista conta que em um pequeno vilarejo, um menino ganha de sua família um lindo cavalo. Ao verem o belo presente dado ao menino, todos à sua volta exclamam:
– Que maravilha!
E o mestre zen: Veremos…
Passa-se algum tempo e o menino, ao andar com seu cavalo, cai e quebra a perna. Todos lamentam:
– Que desgraça!
E o mestre zen: Veremos…
Depois de alguns anos, o país entra em guerra, e todos os jovens do vilarejo são convocados para a luta e acabam morrendo, exceto o jovem com a perna enferma. Ao que a família conclui:
– Que maravilha!
E o mestre zen: Veremos…
 
Essa história, e o conceito de impermanência, nos lembram de viver o presente, sem deixar para amanhã e, mais importante, sem viver com o pensamento fincado no passado ou somente focando no futuro.. Conseguir isso também garante nossa saúde por mais tempo.
 
No próximo artigo buscaremos entender expressões como Mudança, Ir com o Fluxo, Alteridade, Olhar sob diversas perspectivas, Descolonização do Imaginário e Desapego significam saúde, sob vários aspectos..
Mai 12

30/05/2003 – #025 – Orçamento participativo

By Rafael Reinehr | Editoriais , Simplicíssimo

orcamento-participativo

Nesta “capital do Fórum Social Mundial” ouve-se tanto (e fala-se tanto) em orçamento participativo… Eu mesmo, conhecendo por jornais e tevê já fui analista da referida forma de distribuição dos recursos públicos. Falar com conhecimento parco é fácil. Também é fácil errar o palpite. Sempre achei o Orçamento Participativo a oitava maravilha do mundo. Uma idéia genial, daquelas que você sempre gostaria de ter tido (tipo a idéia da Grande Cooperativa Mundial – Simplicíssimo edição # 003 ). Ora bolas: quem melhor do que as próprias pessoas que vivem no ambiente a ser favorecido pelos benefícios para escolher o que priorizar e o que postergar (sempre lembrando que os recursos são limitados). Essa idéia de perfeição sumiu a alguns dias atrás. Trabalho no Hospital Nossa Senhora da Conceição, hospital vinculado ao Ministério da Saúde e portanto órgão federal. Agora, como PT liderando o executivo e “mandando” no Hospital, decidiram implantar, pela primeira vez o “Orçamento Participativo” no Hospital. Bem, lá fui eu me candidatar a uma das 13 vagas para delegado da Gerência de Residência Médica para votar o Orçamento Participativo. Essa parte foi fácil: o número de candidatos era igual ao número de vagas! Pulando algumas etapas, chegamos ao dia da grande assembléia! Um dia inteiro reunidos em um galpão para votar entre as mais de 80 propostas feitas pelas diferentes gerências do hospital, que representavam funcionários das gerências de administração, informática, apoio (UTI, bloco cirúrgico, obstetrícia), pacientes externos (emergência e ambulatório), SADTS (exames), internação, residência médica e G8 (outras gerências). A apresentação de praticamente todas propostas foi realmente comovente. Pudemos ver a precariedade de diversas áreas do Hospital, muitas vezes distante da área em que trabalhamos. Fiquei sabendo que chove dentro do almoxarifado e na lavanderia, podo em risco material de valor estocados no primeiro e arriscando contaminação através de secreções que existem em roupas e lençóis que vão para a segunda. Pessoas trablaham em condições bem abaixo do mínimo aceitável, condições que dificilmente um “adicional por insalubridade” conseguiria compensar. Na UTI, sala de recuperação, salas de cirurgia, emergência, internação, a falta de equipamentos em quantidade necessária à demanda do hospital e o uso de equipamentos comprados há mais de 20 anos, quebrados e adaptados com esparadrapos e fitas adesivas mostra a precariedade das condições de atendimento, expondo em risco o profissional que atende o paciente mas, sobretudo, a própria vida do paciente, que não tem acesso às melhores condições de tratamento de sua enfermidade. O serviço de informática está limitado por centrais e servidores lotados que não comportam a expansão de terminais necessários à ampliação do atendimento que vem ocorrendo com o crescimento do Hopital, o que provoca lentidão no processamento de dados, agendamento de consultas, realização e resultados de exames e assim por diante. Não existem condições adequadas de estocagem da comida, tanto no refeitório para os funcionários quanto da comida oferecida aos pacientes, pois as câmaras refrigeradoras estão com vazamento, e a situação já foi inclusive verificada pela vigilância sanitária que exigiu mudanças por parte do Hospital. O serviço de residência médica que traz importante verba para o Hospital (já que a tabela do SUS é sobretaxada em 50% graças a presença de programas de residência médica no Hospital) sofre de terrível descaso, pois não são feitas assinaturas de jornais científicos nem aquisição de livros novos na medida necessária; não existe sala de aula equipada com materiais didáticos necessários ao pleno desenvolvimento das atividades técnico-científicas. Não existe, no andar de internação, equipamento mínimo necessário funcionando para atendimento seguro e correto de uma parada cardíaca por parte dos médicos residentes, causando a morte de pessoas e frustração por parte da equipe médica e de enfermagem. A situação no Hospital que faço residência, acreditava eu, era ruim. Agora sei que é calamitosa. O Orçamento Participativo me fez ver, de forma ampliada a real situação que vive meu Hospital: Necessários mais de 3 milhões de reais para resolução nas necessidades URGENTES, que não podem esperar de maneira alguma, sendo que somente 1,5 milhões são disponíveis para o ano de 2003. Essa situação certamente pode ser ampliada a um macronível, quer seja ele municipal, estadual ou federal. Vemos assim que as soluções que ora imaginava serem possíveis com a “revolução do Orçamento Participativo”, na verdade são apenas remédios paliativos, que pobremente aliviam os sintomas. Na conclusão, várias áreas acabaram ficando sem nada. Zero. Null. Gar nichs! Outras foram realmente privilegiadas. Democracia? Cartas marcadas? Conchavos e poiticagem? Eu estava lá e vi (e ouvi) com meus próprios olhos (e ouvidos)… A esperança ainda sobrevive, mas seu foco, para mim, desviou-se um pouco da idéia de Orçamento Participativo… Pelo menos a experiência que vivi não foi satisfatória… Quem sabe com outras regras e estruturação menos vinculada ao “tudo ou nada” e garantindo ao menos pequenas melhorias a áreas importantes mas com pouca participação seria uma solução… As mudanças virão… Até lá, tente não ficar doente…

Rafael Luiz Reinehr

Mai 10

Minhas três mamães

By Rafael Reinehr | Do lado esquerdo do peito , Família & Amigos

Hoje é, novamente mais uma vez denovo, Dia das Mães. Todo ano tem. Todo ano podemos comemorar essa data que, de fato, pode ser celebrada todos os dias, a cada encontro com aquela a quem chamamos de “Mãe”.

Posso dizer que fui abençoado triplamente pois, ao invés de uma, tenho três mães.

A primeira, minha mãe biológica, a mãe que me pôs no mundo, me amamentou, cuidou de mim nos primeiros anos, precisou se afastar um pouco em função do trabalho mas depois retomou seus cuidados, com muito amor, carinho e zelo durante a adolescência, início da vida adulta e até agora.

A segunda, a mãe dela, minha avó, que foi o pulso firme da minha infância e também o carinho constante, aquela quem fazia as comidas mais gostosas e, quando a teimosia vinha e eu saia da mesa sem comer nada, me preparava uma torrada alguns minutos depois, para que eu não ficasse sem comer nada.

A terceira, minha tia, irmã da minha mãe, que foi quem me ensinou a ler com três aninhos e meio, sempre me estimulou e esteve presente, dando carinho e apoio incondicional, inclusive financeiro, para auxiliar em meus estudos e caminhada, até há pouco tempo atrás.

É claro que as poucas linhas acima não conseguem nem de perto resumir o carinho, boas recordações e bons desejos que tenho para com minhas três mães, mas servem para lembrar, neste dia simbólico, o quanto as estimo.

Minhas três mães, um Feliz Dia das Mães para vocês!

tres-maes

Mai 05

Saúde para quem precisa

By rafaelreinehr | Medicina e Saúde , Medictando

“Polícia para quem precisa
Polícia para quem precisa
de Polícia…”
Titãs

 

    Para começar, bom dia caro leitor. Comunico que acabo de colocar fora o artigo que tinha escrito para esta edição, em função dos últimos acontecimentos nesta Terra brasilis.

    Enquanto escrevo estas linhas, os noticiários estão literalmente pegando fogo: jamais na história deste país, por tantos dias seguidos e em tantas cidades, ocorreram aglomerações de tantos cidadãos protestando por tantas causas justas e necessárias. Uma heterogeneidade de métodos, desde passeatas e protestos pacíficos até depredação de patrimônio público e privado, entretanto, tornam difícil uma análise fácil das mobilizações como um todo.

    Neste mesmo momento, uma série de decisões importantes relacionadas à saúde da Nação e da população são tomadas: desde a votação da PEC 37, que visa eliminar a capacidade do Ministério Público Federal de investigar crimes e lutar contra a impunidade em nosso país, passando pela aprovação na Comissão de Direitos Humanos da Câmara do que foi chamado de “Cura Gay”, ou seja, a possibilidade de psicólogos proporem tratamento para a homossexualidade, indo contra ao próprio Conselho Federal de Psicologia que proíbe que a homossexualidade seja vista como doença e, mais recentemente, a aprovação do Ato Médico no Senado, que reserva exclusivamente aos profissionais médicos a prerrogativa de diagnosticar, prescrever medicamentos, realizar cirurgias, internações e altas hospitalares.

    Um pouco antes, a notícia da vinda de médicos cubanos para responder à uma demanda de cidades isoladas do país, nas quais existe uma demanda significativa por profissionais médicos que não é atendida pelos médicos formados em nosso país, gerou polêmica e é criticada por uns e aplaudida por outros.

    Meditando sobre a complexidade inerente a cada situação, em seus múltiplos pontos de vista possíveis, observando beneficiados e prejudicados, lados fortes e fracos da equação, os interesses claros e obscuros por trás de cada medida, escolhi as posições que devo ocupar. Como ser político que sou, minha saúde e qualidade de vida – entendida pela imbricada teia de variáveis que constituem o que é ser saudável para bem além do corpo, incluindo as variáveis ambientais e sociais – dependem também das decisões que são tomadas em relação a quem vai monitorar a criminalidade organizada e a corrupção ativa em meu país, em perceber se os cidadãos com os quais convivo estão ficando mais ou menos tolerantes com a diversidade, em me dar conta de quais são, de fato, as pessoas que podem cuidar de minha saúde física e mental, bem como de meus amigos, familiares e pessoas que prezo e, também, em como está garantida, por lei, pelo mercado ou pela facilidade de acesso, o meu contato a profissionais qualificados para promover e restituir minha saúde.

    Para cada variável, podem existir prós e contras, mas nem sempre podemos ser duais. Não podemos ao mesmo tempo permitir e não permitir algo. Temos que nos posicionar. Eu tomei minha posição. Você tomou a sua?

(publicado originalmente em 2013 na Revista DOC)

Mai 05

23/05/2003 – #024 – Poesia prá quê?

By Rafael Reinehr | Editoriais , Simplicíssimo

Não há, ó gente ó não, luar como esse do sertão…

Quando conseguimos parar nossas vidas, descer delas, dar uns passos e olhar para ela, ali, inerte, podemos aprender muito. Podemos aprender que velocidade em excesso não é bom. A pressa é realmente inimiga da perfeição.

Contemplação é necessária para que possamos perceber que fomos feitos também para gozar a vida, não somente construir futuros desenfreadamente sem usufruir. Volta e meia nos deparamos com problemas em nossa existência. Desde os mais simples: dívidas a pagar, prazos de entrega ou realização de compromissos, até mais importantes como casamento, aposentadoria, falecimento de entes próximos, etc. Nesses momentos, alguns de nós têm a percepção de que estão em um beco sem saída, encurralados, sem opções. Esse é um momento bom para parar tudo, dar uns passos atrás (ou ao lado) e observar nossas vidas.

Crises vitais e problemas são, na verdade, grandes aliados: são ferramentas que nos dão a oportunidade de recomeçar ou incrementar nossas atitudes positivas frente à vida. Momentos de amargura e sofrimento são inerentes à condição humana. Não podemos esquecer disso em nenhum momento. Recarregar as energias é a pedida!

Atravessar precipícios em pinguelas cambaleantes e mergulhar em águas gélidas faz parte do nosso caminho. Sabemos disso, entretanto queremos negar tal aspecto da existência. Contos de fadas são contos de fadas. Vidas reais são as nossas vidas. Objetivos existem e devem ser atingidos, principalmente quando norteados por princípios éticos e morais bem delimitados. Vamos dar o tempo que nossos atos precisam para colher os frutos.

Rafael Luiz Reinehr

A tristeza é só um esquecimento. Você esqueceu que foi criado pela luz e para a luz, Mas agora está no escuro, Que é só o meio do caminho” – Cleber Saffi – 29/04/03

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Mai 04

Uma possível – e esperançosa – agenda de postagens

By Rafael Reinehr | Efervescências , Novidades!

agenda-reinehr

Como já fiz em outros tempos de blogagem, na qual conseguia postar até 3 postagens por dia (sem filhos, sem tantos compromissos assumidos), organizei uma série de “grandes temas” sobre os quais deverei escrever em meu weblog.

Nem todos os dias conseguirei criar dois posts novos, alguns serão requentados de publicações minhas em outros portais, revistas ou sites, outros ainda são originais guardados nas gavetas e HDs por aí.

Pensei na seguinte distribuição de temas ao longo da semana:

Segundas:

* Literatura
* Sociedade

Terças

* Simplicíssimo
* Saúde e Bem-estar

Quartas

* Ecologia/Sustentabilidade
* Indicação de blog/site

Quintas

* Fotografia/Fotos de Quinta
* O Pensador Selvagem

Sextas

* Tecnologia
* Cinema

Sábados

* Comunidade
* Música

Domingos

* Faça você mesmo
* Gastronomia

Outras postagens variadas intercalam-se com estas, quando houver vontade, necessidade ou urgência nas ruas, corações e espíritos!

Mai 03

Pla tom yam haeng – Peixe frito com molho “tom yam”

By Rafael Reinehr | Caldeirão de Sabores , Gastronomia

Esta receita de peixe ao molho tailandês picante aprendi com o amigo médico e chef de cozinha Vinicio Mucilo Neto. É um dos meus pratos preferidos até hoje. Simplesmente amo o sabor deste molho!

A receita abaixo serve 8 pessoas. Vamos lá!

pla-tom-yam

Ingredientes:

Peixe
2400g de peixe branco (linguado, congrio)
08 colheres de sopa de farinha de trigo misturada com 2 colheres de chá de sal e 2 colheres de pimenta do reino
16 colheres de sopa de óleo (qualquer tipo, menos de oliva)
2 talos de capim cidró cortado em rodelas finíssimas
2 colheres de sopa de gengibre picado e frito
2 colheres de sopa de folhas de limão tailandês (Kafir) cortada em tiras finas e frita

Molho
04 colheres de sopa de óleo (qualquer tipo, menos azeite de oliva)
02 talos de capim cidró cortado em rodelas finíssimas
02 colheres de sopa de gengibre cortado em tiras finas
04 folhas de limão tailandês (Kafir) picada fina
02 pimentas dedo de moça cortada em rodelas finas
02 colheres de sopa de molho de ostras
250 ml de creme de leite (nata)
250ml de caldo de frango natural
02 colheres de sopa de molho de peixe
02 colheres de sopa de açúcar de palmeira
03 colheres de suco de limão

Preparo:

Peixe:
Cobrir o filé de peixe com a mistura de farinha e fritar até dourar. Secar em papel toalha.
Coloque o peixe num prato e o cubra com capim cidró, gengibre e folhas de limão frito
Coloque o molho num canto do prato e sirva imediatamente
Servir com arroz tailandês

Molho:
Em fogo baixo frite o capim cidró, gengibre, folhas de limão tailandês e rodelas de pimenta até dourar e soltar aroma. Acrescente o molho de peixe, açúcar de palmeira, molho de ostras e nata e misture sem parar. Acrescente o suco de limão e, aos poucos, o caldo de frango até chegar numa consistência de molho normal.

Bom apetite!

Mai 02

O que é o Estado?

By Rafael Reinehr | Anarquia e Escritos Libertários , Apontamentos Anarquistas , Saúde da Sociedade , Sociedade

Em tempos de repressão policial e estatal, é sempre bom refletir e estar atento aos fatos.

Tradução livre de artigo retirado da “Irish Anarchist Review”, edição 11, retirado de postagem ao Movimento de Solidariedade aos Trabalhadores da Irlanda (Workers Solidarity Movement).

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“O que é o Estado?

Mas o que é o estado? Nós conhecemos o estado por suas cortes, polícia, exército, governo e burocracia em geral. Ele se arroga ao monopólio da força legítima, um “direito” de te cobrar, multar, taxar, prender ou mesmo atirar em você e te torturar. O estado é um mecanismo pelo qual uma minoria pode manter um controle desproporcionalmente enorme sobre uma maioria. Um número relativamente pequeno de pessoas pode desencadear uma guerra que envolve milhões de pessoas, decidir qual gênero é permitido a você beijar, governar o que é permitido a você escrever em um artigo e em grande parte subsidiar atividades ecologicamente destrutivas. Fundamentalmente isso envolve um grupo de estranhos dizendo a você o que fazer ou então atacando um outro grupo de estranhos.

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Meu Guardador de Propriedade

Ao contrário da crença popular, o estado não existe para proteger a todos do mal ou prover os serviços necessários que de outra forma não poderiam ser providos. Ao invés disso, ele existe para preservar e melhorar a posição de grupos dominantes na sociedade. O estado-nação capitalista é primariamente uma ferramenta para perpetuar o sistema existente de propriedade privada – no qual uma pessoa pode possuir escritórios, apartamentos, fábricas e a terra mesmo que não consigam utilizá-la – e assim manter a gigante distribuição desigual de riqueza em nossa sociedade. Em um mundo extremamente carente, a força é necessária para parar os sem teto de tomarem casas, para parar os famintos de tomarem comida. Crucialmente o estado reenforça uma situação na qual a vasta maioria é excluída do controle da capacidade produtiva da sociedade. Isso permite a uma classe capitalista muito pequena “alugar” o resto da população em troca de salários (trabalho assalariado) e, fazendo assim, alcançar grande riqueza e poder.

O capitalismo e o estado tem uma relação simbiótica, e cresceram juntos ao longo de centenas de anos. Quando o capitalismo está encrencado (ou mesmo quando não está) o estado começa a resgatá-lo através de financiamentos, quebras de taxas, subsídios ou mesmo tomando controle direto sobre grandes setores da indústria. Em tempos nos quais o sistema está sob ameaça devido a pressões populares, as forças armadas do estado podem restarurar a ordem como uma última opção.”

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