Fadiga Adrenal – Suas Bases Científicas e o Uso Indiscriminado do Termo

O convidado de hoje na nossa Seção  Guest Post | Convidado Especial é o colega endocrinologista Flávio Cadegiani, que fez um belo trabalho de revisão da literatura sobre FADIGA ADRENAL e irá nos esclarecer alguns pontos polêmicos, que estão sendo espalhados de forma inconsequente e desprovida de base científica em algumas mídias sociais.

Diga lá Cadegiani, o que sabemos, de fato, (e o que ainda não sabemos) sobre a fadiga adrenal? Ao leitor, uma boa leitura. Deixe sua opinião nos comentários.

cansaço, sonolência, fadiga adrenal

FADIGA ADRENAL: de uma vez por todas, uma doença que NÃO EXISTE (da forma como ela é “vista” hoje)

Pessoal, tenho visto nossa publicação sendo motivo de discussões acaloradas no mundo inteiro e de muitas “críticas de (supostos) experts”, por isso venho a público colocar um ponto final sobre a situação.

Antes de mais nada, três dados para a leitura:

1. Para realizar nosso estudo, eu li TODAS as fontes de “adrenal fatigue”, desde o livro mais famoso, do Jim Wilson (Adrenal Fatigue: The 21st Century Stress Syndrome), até o livro do Michael e Dorine Lam (Adrenal Fatigue Syndrome), todas as publicações, encartes, livros “técnicos”, assisti a aulas nos Estados Unidos, de todas as sociedades que clamam pela existência desta suposta doença. E sempre com a cabeça (muito) aberta.

2. Ficou claro que os “grandes críticos” ou não leram, ou não entenderam, ou não quiseram entender (afinal, gera-se uma grande frustração a descontração de uma suposta doença que você tanto propagou; é esperado que se lute até o fim para que ela “permaneça”, apesar de todas as evidências contra).

3. Eu de fato acredito que ainda demoramos muito para diagnosticarmos disfunção ou redução da função das adernais. Por isso, aqui eu convoco a todos os interessados a entenderem como de fato pesquisar essa disfunção, quando desconfiarem que a adrenal é de fato a causa dos sintomas (inclusive convoco a todos os críticos a repensarem sobre isso; afinal a preocupação de ir até o final para solucionar a vida do paciente, acabar com um sofrimento, isso sim grande parte dos meus críticos tem uma real preocupação, e eu os parabenizo por isso).

Análise crítica dos estudos científicos

Então vamos tratar de alguns aspectos que foram “duramente criticados” (injustamente, por mera falta de leitura ou de compreensão), e como nós nos cercamos de todos os lados para não dar espaço para as críticas (para aqueles que de fato lerem com imparcialidade):

1. Nós não fomos apenas atrás do diagnóstico de insuficiência adrenal tal como visto pela endocrinologia. Se fosse assim, não teríamos encontrado nada. Pelo contrário, nós fomos atrás de absolutamente todas as formas, inclusive aquelas não oficialmente reconhecidas pelas sociedades de Endocrinologia, que designasse em algum aspecto redução da função adrenal, ou então “cansaço” ou então “fadiga” das adrenais, e aceitamos todos, mas todos os métodos propostos para tentar avaliar, incluindo os “mais exóticos”. Não foi a toa que conseguimos encontrar quase 3.500 artigos, e conseguimos selecionar 58 desses estudos, apesar de os grandes “apoiadores da doença” não serem exatamente “academicistas” (ok, concordo que a academia as vezes é muito conservadora, e por isso estou aqui! hehe). Por isso, saibam, o que tinha falando de redução adrenal ou qualquer coisa que pudesse vir a ser fadiga adrenal, nós colocamos, e não só “Doença de Addison”. Afinal, “fadiga adrenal”, como os próprios livros & textos & aulas & palestras clamam, gera disfunção, resposta anômala, perda do ritmo, e redução da responsividade das adrenais. Fomos muito abertos a encontrar dados, porque achamos no mínimo precoce a The Endocrine Society soltar uma nota falando que “fadiga adrenal” não existe sem antes fazer uma pesquisa ampla.

2. Encontramos muitos marcadores alterados de função adrenal. Sim, encontramos! Métodos distintos dos preconizados pela Endocrinologia, mas se os autores mostraram resultados significativamente diferentes entre “fadigados” e “não fadigados”, não podemos ignorar essa alteração. Contudo, porém, associação NÃO MOSTRA CAUSALIDADE (uma lógica simples e intuitiva do pensamento científico). Ou seja, o fato de encontramos um cortisol salivar alterado, por exemplo, não significa que a adrenal seja a culpada do problema; ela pode ser, e normalmente é, uma consequência de uma alteração. E você trata a consequência ou a real causa?

3. Um erro sistemático dos trabalhos e também um equívoco muito comum da medicina que foge do padrão mais elevado é esquecer (de propósito?) que um sintoma pode ser decorrente de muitas doenças. Isso se chama diagnósticos diferenciais. Só que na fadiga, o diagnóstico induzido por sites e livros funciona assim: “você tem fadiga? etc? etc? então você deve ter fadiga adrenal!” como se não houvesse outras patologias que levassem a esses sintomas. Aliás, quando um sintoma dá o diagnóstico de uma doença, chamamos de patognomônico, é de extrema valia para a medicina porque ajuda a diagnosticar, só que infelizmente não é comum. Aí, os trabalhos esqueciam que “precisam excluir outras causas”. E pasmem, fadiga tem mais de 200 diagnósticos possíveis! Por que só a adrenal (a glândula da conspiração) leva a culpa?

Cortisol Awakening Response

4. Um grande achado foi um Cortisol Awakening Response (CAR – resposta do cortisol ao acordar) reduzido em fadigados. Aí todos os que estudaram um pouco mais usam esse método, ou do ritmo de cortisol salivar (eu me recuso a discutir sobre o uso de cortisol sérico basal para diagnóstico, porque absolutamente nenhum trabalho mostrou correlação). Só que existe um detalhe importantíssimo que invalida completamente esse método. O CAR é a resposta de cortisol ao despertar, que deveria fisiologicamente aumentar algo como 30% a 70% nos 30 a 60 minutos seguintes ao despertar. Só que quem dorme mal já acorda com o cortisol mais elevado, e com isso, esse “aumento fisiológico” não ocorre porque ele já acordou com o cortisol mais alto; além disso, em termos percentuais, mesmo que se tenha um aumento, como o cortisol ao despertar já está mais alto, atingir um aumento proporcional de 30% ou mais (afinal, o aumento em percentual de aumento depende dos níveis absolutos do cortisol ao despertar) é quase impraticável. Mas aí um erro muito claro: quem é o culpado, a adrenal (as adernais) ou a má qualidade do sono? E aí, quem você precisa tratar?

5. Corticoides, mesmo em doses baixas, dão sensação de bem estar em qualquer pessoa. Por isso, costuma satisfazer o paciente do médico que o prescreve, porque este já se sente melhor no curto prazo, com ou sem problema nas adrenais. Só que existem consequências, como doenças do coração, obesidade, diabetes e fraturas, mesmo em doses baixas, como eu coloquei no estudo. E como ele melhora qualquer pessoa, ele não funciona como teste terapêutico (do tipo: tá vendo como suas adrenais eram o problema? afinal, você melhorou repondo o cortisol!), mas funciona como uma ótima ferramenta de marketing médico (viu como te ajudei a melhorar?).

6. Voltando à relação de causa, absolutamente nenhum trabalho foi capaz de mostrar que a adrenal era de fato a causa da fadiga e dos sintomas, dos 58 que investigamos. Por isso, NINGUÉM PODE AFIRMAR QUE FADIGA ADRENAL EXISTE. Simples assim.

7. Porém, isso não impede de usar o CAR, por exemplo, como marcador de melhora. Então, eventualmente, em um paciente com o CAR reduzido, melhorando-se o aspecto do sono, manejo do estresse, etc, e este apresentando um aumento do CAR, significa sim que ele provavelmente apresentou melhora da função adrenal como resposta à melhora do sono e à melhora global (vejam, mais uma vez, as adrenais como consequência, e não causa, dos problemas e dos sintomas).

E o cansaço excessivo? Posso usar corticoides?

8. De fato um cortisol mais baixo pode estar associado a mais cansaço (no caso extremo, a insuficiência adrenal clínica, o cansaço é uma característica chave). Porém, mais uma vez, a falha de resposta adrenal é uma consequência de desajustes, e não causa dos problemas. A boa medicina corrige o que gerou o problema, e não o reflexo deste problema. Por isso, recomendo tratar o que gera a “disfunção adrenal”.

9. Os suplementos do “adrenal support” ou “suporte adrenal” que NÃO TENHAM CORTICOIDE podem eventualmente ajudar na regularização do ciclo sono-vigília, do estresse, etc, e se estes cursarem com melhora das respostas adrenais, não vejo impedimento algum para usa-las. Afinal, se o paciente melhorar com algum tratamento que não tenha riscos e que não “artificialize” o funcionamento hormonal do corpo, ou que não deixe o corpo funcionando somente a base de hormônios externos, mesmo que “naturais” ou “bioidênticos”, é muito melhor (até para não criar dependência dos hormônios).

10. Ok, concordo que nós da endocrinologia por vezes esperamos demais para diagnosticar insuficiência adrenal (ou “fadiga adrenal extrema” ou qualquer expressão que usem para designar redução de função adrenal). Mas existem métodos adequados e comprovados para demonstrar problemas na adrenal (vejam que eu fujo do que me clamam por buscar “somente a insuficiência adrenal da Endocrinologia retrógrada” – que jeito horrível de nos chamar, até porque me acho super moderno hehehe) antes da insuficiência franca e grave das adrenais, e mostrando que as adernais são de fato CAUSA do problema (que aí sim merecem ser tratadas). Aqui cabe um outro artigo enorme para discorrer sobre as formas de diagnóstico.

11. Em resumo, não adianta, qualquer ladainha que venha em forma de crítica em tudo que já vi e ouvi após nossa publicação (até carta pro editor, que obviamente não deu em nada, porque não existe justificativa plausível) não invalida nosso trabalho; aliás, só fortalece o que fizemos. E nós fomos fundo, abertos a aprender (e eu confesso que aprendi, e muito). Agora, sejam científicos de fato, questionem, e não sejam levados por puro marketing e poder de oratória. E não é porque concordamos em alguns aspectos com determinado profissional (ou palestrante, ou autor de livro) que precisamos seguir cegamente a todas suas recomendações.

Conclusão

Sejam vocês mesmos. Usem o melhor de cada informação que vocês obtém, mas sempre questionem, seja quem for. A Endocrinologia clássica, ou melhor, científica, é de longe a que mais estuda, a com melhor embasamento de fato, a que traz as verdadeiras respostas e a que resolve os problemas quando eles realmente existem. Concordo que precisa melhorar em alguns aspectos, principalmente no tratamento baseado no paciente, e não no guideline ou no médico, mas isso é uma questão de tempo.

Um grande abraço a todos!

Dr. Flávio A. Cadegiani, M.D., PhD in progress

Médico Endocrinologista e Metabologista / Endocrinologist (RQE 12.397)

Título de Especialista em Endocrinologia e Metabologia pela SBEM / Board Certified in Endocrinology and Metabolism by the Brazilian Society of Endocrinology and Metabolism

Mestre e Doutorando em Endocrinologia Clínica pela Universidade Federal de São Paulo / Escola Paulista de Medicina (Unifesp/EPM) / Master Degree and PhD in progress in Clinical Endocrinology at Federal University of São Paulo

Residência Médica em Endocrinologia e Metabologia / Fellowship in Endocrinology and Metabolism

Residência Médica em Medicina Interna / Medical residency in Internal Medicine (RQE 12.397)

Pós-graduação em nutrologia (ABRAN) / Specialization in Medical Nutrition

Formado pela Universidade de Brasília (UnB) / Graduated by University of Brasilia (UnB)

Fellowship em Síndrome da Fadiga Crônica pela University of Miami (UM) / Fellowship in Chronic Fatigue Syndrome – University of Miami (UM)

Membro especialista da The Endocrine Society (Endocrine Society) / Specialist member of The Endocrine Society

Membro especialista da AACE (American Association of Clinical Endocrinologists) / Specialist member of the American Association of Clinical Endocrinologists

Membro especialista da TOS (The Obesity Society) / Specialist member of The Obesity Society (TOS)

Membro da ABESO (Associação Brasileira para Estudos da Obesidade) / Member of Brazilian Association for Obesity Studies)

Médico CRM/DF 16.219 / CREMESP 160.400

O que é RQE?

RQE é o registro, perante os conselhos regional e federal de medicina, que atestam sua especialidade como verdadeira, seja ela por residência médica ou por prova de título de especialista, ou por ambas, a depender da especialidade. Este é o número que garante que seu médico é especialista de verdade na área que você busca. Os QREs estão disponíveis nos sites dos CRMs e do CFM.

Saiba mais sobre o que é ser um Endocrinologista neste link.

Artigo do Dr. Frederico Lobo sobre Fadiga Adrenal

Nota de Esclarecimento da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia sobre Fadiga Adrenal

Massa de Espinafre com Molho Tom-Gencurpim (picante!)

Uma boa receita para quem gosta de molhos picantes e com sabor marcante!

Massa de Espinafre:

Para a massa, basta pegar o espinafre (um maço) e bater no liquidificador ou na centrífuga e depois coar.

Se você usa ovos, use 100g de farinha de trigo grano duro para cada 1 ovo. Depois de amassar um pouco é só ir incluindo o suco de espinafre e polvilhar um pouco mais de farinha, pois a água do espinafre vai exigir mais farinha.

Se quiser manter a massa vegana, dá pra substiruir o ovo por linhaça dourada. Para saber como fazer isso, dá uma checada aqui neste link.

Se preferir evitar o glúten, fique à vontade para trocar a farinha de trigo pela de arroz, mas não sei o resultado! Nunca fiz!

Molho Tom-Gercunpim

Esse nome esquisito veio dos principais ingredientes do molho. Vamos a eles:

Azeite de oliva extra-virgem
Saquê, vinco branco ou cachaça para deslassar
1 Cebola picada
1 colher de sopa de Alho picado
2 latas de tomates cereja (ou cerca de 40 a 50 unidades de tomates cerejas frescos bem maduros)
Gengibre fresco picado a gosto
Açúcar de palmeira
Pimenta do reino
1/2 Pimenta dedo de moça desidratada (pode ser fresca também) bem picadinha
Sal a gosto
Pasta de curry vermelho
Manjericão fresco (ou liofilizado)
Salsinha fresca picada
Pimentões das cores que você dispor/desejar, cortados em fatias finas

Refogue a cebola e o alho no azeite de oliva, logo a seguir adicione o gengibre picadinho e a pimenta. Coloque 1 colher de sopa de saquê ou outra bebida alcoólica para realçar o sabor. Quando o álcool evaporar, adicione os pimentões, mexa e tampe. Adicione o açúcar de palmeira e a pasta de curry. Mexa e deixa cozinhar por cerca de 3 a 5 minutos, para amolecer os pimentões. Adicione os tomates cerejas, esmague os para que todos fiquem com a casca perfurada (facilita para amolecer e cozinhar bem). Adicione o sal, a pimenta do reino a gosto e o manjericão. Deixe apurar o gosto em fogo baixo, por vários minutos (10 a 15 minutos), mexendo de vez em quando, para não grudar no centro. Prove o molho e corrija o sal. Quando estiver pronto, desligue o fogo e adicione a salsa picada finamente. Misture tudo e, com o molho ainda quente, jogue o conteúdo do molho sobre a massa já cozida al dente.

Aproveite! Bom apetite! Se fizer a receita e gostar, comente e compartilhe! Se tiver alguma ideia ou sugestão para torná-la ainda melhor, deixe sua sugestão nos comentários!

 

 

Aaaaarg.fail, Sci-hub, LibGen, TAL, LBRY e outros repositórios livres para artigos científicos, livros e mídias variadas

Somos contemporâneos de uma época de Transição. Mais uma delas, por sinal. Vislumbramos o surgimento da Internet com toda sua potência e possibilidades, a liberação de criações antes  privadas, tornadas acessíveis a todos com acesso à WWW (Napster, Audiogalaxy, Torrents). Aaron Swartz morreu defendendo o conhecimento livre, aos 26 anos.

Esta postagem não tem o intuito de recuperar toda a história das lutas pelo OKN (Open Knowledge, ou Conhecimento Livre), mas traz algumas das ferramentas atuais que podem ser utilizadas por quem deseja se aperfeiçoar a partir do conhecimento acessível e compartilhado na web.

Vamos a elas:

Aaaaarg.org –  http://aaaaarg.fail: Originalmente conhecida como aaarg.org, um acrônimo para Artists, Architects, and Activists Reading Group, foi criada por Sean Dockray e após vários processos, precisou mudar de domínio mais uma vez, hoje sendo hospedada em http://aaaaarg.fail. Trata-se de um grande repositório de livros de ciências humanas, arte contemporânea, teoria crítica, artigos científicos, teses, anotações e trabalhos que dificilmente são encontrados em qualquer outro lugar. Para não perder contato, se eles precisarem mudar de endereço mais uma vez, siga-os no twitter em https://twitter.com/aaaarg

Sci-Hubhttp://sci-hub.cc: Criado pela neurocientista russa Alexandra Elbakyan, o Sci-hub é, na verdade, um script que “desbloqueia” e libera o acesso a milhões de artigos científicos de várias revistas e editoras espalhadas pelo mundo. Seu objetivo é “remover todas as barreiras no caminho da ciência”.

Library Genesishttp://libgen.io: Um gigantesco repositorio de livros, revistas, quadrinhos, pinturas e artigos científicos. Diversão garantida por dias e dias e dias e dias…

LBRY – https://lbry.io: Criada por Jeremy Kaufman, pretende ser o futuro do compartilhamento digital. Uma biblioteca digital descentralizada onde cada um é dono do seu próprio conteúdo e pode distribui-lo gratuitamente ou de forma paga, sem publicidade ou custos de intermediação. Inicia em ABRIL DE 2017. Quer ser um dos primeiros a conhecer? Acessa por aqui: https://lbry.io/get?r=B6IVb

TAL – The Anarchist Libraryhttp://teias.org/tal: A Biblioteca Anarquista é o maior repositório de textos anarquistas e libertários da atualidade, em várias línguas. A versão brasileira ainda está em construção. Se você deseja contribuir com ela, deixe um comentário!

Se você quer saber um pouco mais sobre o conceito de RECURSOS EDUCACIONAIS ABERTOS (REA em português e OER (Open Educational Resources) em inglês), leia meu capítulo sobre o assunto no livro Recursos Educacionais Abertos – Práticas Colaborativas e Políticas Públicas. O capítulo chama-se Recursos Educacionais Abertos na Aprendizagem Informal e no Auto-didatismo e pode ser lido AQUI.

Se você conhece outras plataformas que espalham o conhecimento livre, compartilhe nos comentários! Elas serão adicionadas ao texto do artigo.

Gostou deste artigo? COLABORE para que possamos fazer mais: http://reinehr.org/viva-o-mecenato/

Referências: 

  1. https://www.memoryoftheworld.org/blog/2014/10/28/aaaaarg-org/
  2. https://monoskop.org/Aaaaarg
  3. https://monoskop.org/The_Public_School
  4. https://pt.wikipedia.org/wiki/Aaron_Swartz
  5. https://pt.wikipedia.org/wiki/Alexandra_Elbakyan
  6. https://twitter.com/LBRYio
  7. https://lbry.io/news/20000-illegal-college-lectures-rescued
  8. https://www.youtube.com/watch?v=DjouYBEkQPY
  9. Recursos educacionais abertos na aprendizagem informal e no autodidatismo
  10. http://www.livrorea.net.br/livro/home.html

É Assim Que Se Aprende Endocrinologia! Nutriendocrinologia, Cursos Caça-Níqueis e Outros Desvios Éticos Aos Quais Você Precisa Ficar Atento

Como se forma um endocrinologista?

Quando você vai ao Endocrinologista, e ele solicita alguns exames, estabelece um diagnóstico e lhe sugere um tratamento, por trás dele existem 10 anos de estudo e aperfeiçoamento (6 anos na Faculdade de Medicina, 2 anos na residência de Medicina Interna e 2 anos na residência de Endocrinologia e Metabologia). Somente os estágios de residência (4 anos), exigem cerca de 11.500 horas de dedicação entre atendimentos ambulatoriais, pacientes internados, realização de procedimentos, rounds de discussão de pacientes e casos clínicos, estudos e plantões, muitos plantões!

Além disso, é importante lembrar que  para fazer Medicina, é necessário um concurso público. Para fazer Medicina Interna, mais um concurso público, com funil bem mais apertado. E para fazer Endocrinologia ainda mais um concurso público, com pouquíssimas vagas, onde somente os melhores entram.

Somente quem realiza residência médica em Endocrinologia e Metabologia ou é aprovado em uma prova anual de proficiência em Endocrinologia que tem direito ao RQE – Registro de Especialista, um número que deve estar presente em toda e qualquer publicidade e carimbo do médico. Fique atento(a)!

E um “nutriendocrinologista”?

Enquanto isso, vemos proliferar pelo Brasil uma onda de “cursos de formação” de “nutriendocrinologistas”, especialistas em “modulação hormonal”, criadores de síndromes inexistentes como “fadiga adrenal” e “hipotireoidismo com hormônios normais”, que são claramente atraídos pela existência de um público que está sempre em busca de algo novo e que não tem, necessariamente, a criatividade suficiente para se defender de pessoas cuja maior preocupação é não a saúde das pessoas mas aquela do seu próprio bolso.

Estes cursos de formação, alguns deles “aprovados pelo MEC” (pois tem o número suficiente de doutores que o MEC exige, entre outros parâmetros), são criados para beneficiar em primeiro lugar aqueles que os ministram (já que são cobrados altos valores para garantir a participação) e muitas vezes são realizados à distância, com um encontro presencial mensal. Para entrar? Basta pagar. Nenhuma seleção pública.

No outro dia, vi uma postagem de uma profissional da saúde se vangloriando de ter concluído um destes cursos, realizado por um “proeminente” médico, conhecido por sua visão polêmica em assuntos como “óleo de côco”, colesterol, dieta do hCG, no qual ela havia realizado 360 horas e havia sido certificada como “nutriendocrinologista”, palavra que em verdade não significa NADA, pois não é área de atuação reconhecida nem pelo MEC, nem pelo CFM, nem pela SBEM nem por nenhuma entidade internacional médica ou de saúde.

Como ocorrem os desvios éticos?

O que acontece a seguir? O próximo passo é começar a alimentar seu blog e Instagram com conteúdos relacionados à Nutrição e Endocrinologia, exaltando a sua “pós-graduação realizada em tal instituto ou com Dr. X”. O leitor incauto não consegue facilmente discernir entre alguém que realmente conhece a fundo todos os meandros e implicações endocrinológicas e metodológicas (o Médico Endocrinologista) daquele formado em cursos de final de semana (o “nutriendocrinologista”). Como nos lembra o doutor em Psicologia Moral Jonathan Haidt, nosso cérebro tende a se afixar primariamente às aparências e depois busca justificativas racionais para aceitá-las, ao invés de primariamente buscar discernir com cuidado sobre aquilo que se apresenta perante aos nossos olhos.

Assim, fica um alerta: se você realmente se preocupa com a sua saúde, busque ir além da superficialidade da internet. Descubra se o médico com o qual você está se consultando realmente dedicou – e continua dedicando – boa parte da vida para bem cuidar de você.

Descubra se o médico é um especialista de verdade

Entre na página do Conselho de Medicina do seu Estado, coloque o nome do médico que você quer saber mais (ou o CRM dele) e descubra se ele tem registro de especialista – ou se ele está enganando você com falsas promessas.

Por exemplo, as páginas dos Conselhos Regionais de Medicina do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina são as seguintes:

RS: Médicos Ativos no RS

SC: Busca Médicos em SC

Na figura abaixo:

“Isso é com que se parece aprender Endocrinologia”

“Assim a 17-alfa-hidroxilase age na progesterona que se torna 17-alfa-hidroxi-progesterona que pode ou receber a 21-hidroxilase para se tornar 11-desoxicortisol ou receber 17,20-liase para se tornar a androstenediona”

“Eu estou confuso”

“Oh, desculpe! É um pouco complicado no começo. Mas eu trouxe comigo este diagrama que vai ajudar!”

Uma excelente jornada em busca do seu médico de confiança!

Glossário:

RQE: O RQE nada mais é que o Registro de Qualificação de Especialista. Trata-se de uma certificação, criada pelo Conselho Federal de Medicina, que tem a função de deixar claro quando um profissional da saúde é especialista em alguma área. Após a criação do RQE, tornou-se vedado aos médicos a auto divulgação como especialista, ainda que tenham sido aprovados no Exame de Título de Especialista. O RQE é emitido pelo Conselho Regional de Medicina de cada Estado. Para os médicos, o RQE é essencial para transmitir aos pacientes mais segurança e credibilidade, pois através dele fica comprovada a sua capacidade de especialização em sua área, reconhecida pelo CRM. Para os pacientes: antes de se consultar com qualquer profissional de medicina que se denomine especialista, cheque se o mesmo possui RQE. Trata-se de uma maneira simples e eficaz de evitar fraudes e profissionais despreparados.

hCG: Gonadotrofina Coriônica Humana, utilizada sem embasamento científico adequado como auxiliar no processo de emagrecimento. Existem estudos demonstrando que seu uso pode ser deletério à saúde. Vide http://www.endocrino.org.br/media/uploads/PDFs/posicionamento_oficial_hcg_sbem_e_abeso.pdf

CFM: Conselho Federal de Medicina – Regulamenta o Exercício da Medicina no Brasil – http://portal.cfm.org.br

CRM: Conselho Regional de Medicina – todo Estado tem o seu, monitora e regulamenta a atividade dos médicos em nível estadual

MEC: Ministério da Educação e Cultura

SBEM: Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (http://endocrino.org.br) – Entidade Associativa que reúne médicos endocrinologistas de todo país, organiza eventos científicos e promove o esclarecimento da população quanto a assuntos relacionados à Endocrinologia e Metabologia e suas sub-especialidades.