Marc Pierrot – Sobre o individualismo

Posted By Rafael Reinehr on jul 15, 2007 | 1 comment


Marc Pierrot nasceu em Nevers, na França em 23 de junho de 1871 e morreu em 19 de fevereiro de 1950. Doutor em Medicina e propagandista do anarquismo, escreveu este ensaio sobre Individualismo e Anarquismo em 5 partes, das quais 3 foram resgatados neste livro do Index Librorum Proibitorum que chegou às minhas mãos. Os apontamentos ainda não estão completos, pois deixei o livro em meu consultório. Tratarei de atualizá-lo durante a semana, assim que concluir meus apontamentos. À carga: Marc Pierrot nasceu em Nevers, na França em 23 de junho de 1871 e morreu em 19 de fevereiro de 1950. Doutor em Medicina e propagandista do anarquismo, escreveu este ensaio sobre Individualismo e Anarquismo em 5 partes, das quais 3 foram resgatados neste livro do Index Librorum Proibitorum que chegou às minhas mãos. Os apontamentos ainda não estão completos, pois deixei o livro em meu consultório. Tratarei de atualizá-lo durante a semana, assim que concluir meus apontamentos. Em realidade, ninguém obedece de bom grado à moral oficial; obedecem-na muito por educação e por hábito, um pouco por medo; porque há policiais e juizes que obrigam a gente pobre (mas não os poderosos), a respeitar a moral legal. Se formos ao fundo das coisas percebemos que agimos segundo nosso prazer, nosso prazer individual. É aí onde a tese individualista tem verdadeiramente seu todo o seu valor. Nas condições sociais atuais constrangidos que somos pelas coerções de toda espécie que pesam sobre nós, agimos ordinariamente por interesse. Mas este último móvel não é mais do que uma deformação do prazer. Verifico que cinicamente, hipocritamente ou naturalmente, os homens agem impelidos pelo móvel do prazer. Que é o prazer? Há antes de tudo os prazeres materiais imediatos, que correspondem às nossas necessidades físicas. Mas isto não é tudo, há outros prazeres afetivos ou morais. Pode-se notar que quando um homem se desenvolveu suficientemente para gozar os prazeres intelectuais ou artísticos, ela não os renunciará tão facilmente, apesar das declarações de pretensos pessimistas sobre a felicidade dos ignorantes. Pode-se também notar que os homens (e mesmo os animais) sacrificam em geral os prazeres materiais aos prazeres afetivos. Estes últimos parecem prevalecer sobre todos os outros. O amor aos filhos, o amor propriamente dito, prevalecem certamente em potência de prazer sobre os outros gozo. É fato de experiência. Assim nasce o altruísmo. A bondade (ou generosidade) é o verdadeiro prazer de um indivíduo bem desenvolvido. A moléstia, a velhice, as desgraças tornam os homens mais egoístas. O egoísmo é um sinal de fraqueza, é um meio de defesa para os fracos. A solidariedade altruísta, como necessidade de expansão é o mais elevado sinal de nosso valor individual. É portanto o individualismo em mais alta potência. Este altruísmo: a necessidade de felicidade para todos, se sublima num desejo idealista. Este idealismo é que é o verdadeiro determinismo dos anarquistas. O anarquismo não renuncia ao desenvolvimento físico, intelectual e artístico dos indivíduos. A revolta pode ser necessária contra uma tirania familiar, necessária contra a tirania patronal e estadista. A experiência, digo eu, mostra que é preciso usar moderadamente dos prazeres materiais, primeiro para não embotar o prazer, depois para evitar os efeitos nocivos dos excessos. Além disso, a recordação má, que alguns chamam remorsos estraga-nos os prazeres imediatos mal escolhidos. Sobretudo, os prazeres superiores (intelectuais, artísticos, idealismo) fazem mais que a experiência e a razão; eles nos livram do domínio exclusivo dos prazeres materiais.Os que têm a vida largamente assegurada, os que podem satisfazer seus prazeres, esses não têm motivo para roubar, por exemplo, e de matar para roubar; podem deixar de fazer coisas imorais, mais facilmente do que os que são perseguidos pela miséria e o desejo de triunfar. Não se pode comparar a educação dada a uma criança miserável e abandonada à que recebe uma criança cercada de afeições dos seus. A educação não basta para assegurar o triunfo da idéia. Para chegar a uma sociedade fundada sobre o apoio mútuo, onde o desenvolvimento dos indivíduos se poderia fazer livremente, onde haveria harmonia e equilíbrio entre todos os gozos, que esperança poderemos nós ter? Como poderemos conceber a realização do nosso ideal? Como nos desembaraçar de todos os constrangimentos materiais e morais que pesam sobre nós? Só podemos ter esperança agrupando os que sofrem. É por isso que a propaganda que se dirige aos trabalhadores.àqueles cujo esforço é explorado por uma classe parasita, só esta propaganda parece fecunda. A solidariedade dos interesses vem sustentar as aspirações idealistas dos indivíduos. E para exaltar essas aspirações idealistas, para arrastar a massa a uma revolta geral, para mudar a mentalidade dos homens sujeita atualmente à obediência de um lado e à baixeza dos interesses de outro, é preciso suscitar cada vez mais os sentimentos de indignação e de justiça, é preciso chegar até a paixão. Esta crise passional ou revolucionária é necessária para elevar os homens acima deles menos, acima de seus interesses imediatos; ela é necessária para os heroísmos da ação e para transformar a moral atual; é necessária para assegurar a coesão e ação conjunta. E só a revolução num esforço geral de paixão pode transformar o meio econômico e fazer desaparecer as coerções materiais e morais que pesam sobre os indivíduos. A propaganda se serve do raciocínio para despertar as aspirações que dormem em cada um, para desembaraçar os indivíduos dos preconceitos que os prendem, para exaltar os sentimentos de liberdade e de justiça, e o espírito de revolta, para dar força às reivindicações. É preciso que o trabalho útil, o trabalho necessário (de que se não podem libertar os homens, pois que nossa vida depende dele) é preciso que este trabalho não seja mais explorado por uma classe parasita. Guizot disse, há muito tempo, esta simples palavra que caracteriza toda a moral burguesa: “enriquecei-vos”. Esta moral se tem expandido cada vez mais francamente nos países de civilização capitalista. É a moral americana, a moral de Roosevelt, a moral do êxito. Os individualistas burgueses à moda de Roosevelt desprezam os fracos, os incapazes O êxito justiça tudo. Ora, será o triunfo uma prova de força? O insucesso será prova de incapacidade? Será o arrivismo uma patente de excelência? Pode-se triunfar na vida e triunfa-se comumente graças à sorte de um lado, graças à velhacaria, à brutalidade, à falta de escrúpulos de outro. Um político, um ministro, nem de atividade. Um presidente da República e uma tênia têm para mim o mesmo valor moral. Um chefe de indústria, um presidente de trust são tão nocivos como um conquistador.

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1 Comment

  1. Ele é DEUS e Acabou.
    INDIVIDUALISMO É UMA DECISÃO POR PARTE DE UM PODER INDESCUTIVEL. ESSA DECISÃO SÓ PODE SER TOMADA PELO NOSSO SENHOR DEUS POIS A PALAVRA DELE SE REZUME EM UM SÓ MANDAMENTO QUE É: AMAI-VOS UNS AOS OUTROS, COMO EU VOS AMEI. ENTRE NÓS SERES VIVENTES HA UMA NECESSIDADE DE NOS RELACIONAR-MOS NOSSAS VIDAS FAZEM PARTE DE UM RELACIONAMENTO CONSTANTE,QUE PENA QUE EXISTEM PESSOAS QUE ACHAM QUE NÃO PRCISAM DE NINGUEM OU SEJA DE SE RALACIONAR COM OUTRAS PESSOAS, MAS SÓ ELE NOSSO DEUS TEM O PODER DE SER INDIVIDUALISTA E VOCÊ VERÁ NO DIA DO JULGAMENTO FINAL

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