Notas Sobre o Anarquismo – Apontamentos

By Rafael Reinehr | Apontamentos Anarquistas

Jul 17

“Por projetos, eu quero dizer a concepção de uma sociedade futura que inspire o que realmente fazemos, uma sociedade na qual um ser humano respeitável gostaria de viver. Por metas, eu quero dizer as escolhas e tarefas que estão a nosso alcance, e iremos seguir um caminho ou outro, guiados por um projeto que pode estar distante e não ser muito bem acabado.

Um projeto inspirador deve basear-se em alguma concepção de natureza humana daquilo que é bom para as pessoas, de suas necessidades e direitos, dos aspectos de suas naturezas que devem ser estimulados, incentivados e permitidos a florescer para seus benefícios e dos outros. A concepção de natureza humana que é a base de nossos projetos é comumente tácita e incompleta, mas está sempre presente, talvez de maneira implícita, quando preferimos deixar as coisas como estão e cultivar nossos jardins; quando escolhemos trabalhar para atingir pequenas mudanças, ou para chegar às mudanças revolucionárias.

                Isso é verdade em grande medida para as pessoas que se consideram agentes morais e não monstros – que se preocupam com os efeitos daquilo que fazem ou deixam de fazer”

 

Notas Sobre o Anarquismo

Noam Chomsky

 

         Neste livro, Felipe Corrêa coordena um esforço para agrupar o pensamento social libertário de Chomsky. Seguem algumas notas e apontamentos da leitura do livro.

 

         “A responsabilidade do escritor como um agente moral é tentar apresentar a verdade sobre assuntos de significância humana para um público que pode fazer alguma coisa a respeito. Isso é parte do que significa ser um agente moral ao invés de um monstro.” – definição de Chomsky para a inclinação ética do intelectual em qualquer circunstância histórica.

 

         Chomsky nasceu em 1928, na Filadélfia, em berço judeu.

 

         Para Chomsky, as forças de transformação necessitam, para a obtenção de seus propósitos, algo mais que apenas o sentimento comum de indignação e revolta. Não bastam espíritos exaltados e uma crítica geral ao poder. É necessário entender muito bem contra quem se intenta uma investida e em que direção deve-se desferir o primeiro golpe. Chomsky acredita, como Bertrand Russel, na necessidade da criação de condições reais para o surgimento de cidadãos sábios de uma sociedade livre, na qual a liberdade e a criatividade individual prosperarão, e os trabalhadores serão mestres do seu destino, não ferramentas de produção.

 

Chomsky denuncia o “Consenso Fabricado” pela mídia americana, ainda nos primórdios da constituição do país, impedindo qualquer pensamento independente, e afirma que os americanos conduzem seus projetos de classe, alijando a “maioria silenciosa” das decisões importantes. A impossibilidade do acesso de parte expressiva da sociedade ao “pote comum” determinaria o estabelecimento da “tirania” não apenas de um sobre os demais, mas de uma classe, que se faz passar por “povo”.

 

Chomsky busca dois resultados: a identificação do opressor e a preparação pedagógica dos milhares de insurgentes em potencial, ainda anônimos, em meio ao oceano de rostos que compõem a sociedade moderna.

 

Teoria da Jaula, de Chomsky:  garantir, dentro da estrutura do Estado, os direitos dos setores sociais desprotegidos, aumentando ao máximo o interior da “jaula” para a proteção de frações cada vez maiores de cidadãos, ainda expostos a condições terríveis de vida.

 

“Eu penso que só faz sentido procurar e identificar estruturas de autoridade, hierarquias e dominação em todos os aspectos da vida, e desafiá-las se a destruição destas realmente aumentar a extensão da liberdade humana.”

 

 

Notas sobre o Anarquismo

 

Chomsky cita Rudolf Rocker: “…o anarquismo não é um sistema social fixo, fechado, mas uma tendência definida no desenvolvimento histórico humano, que, em contraste com a proteção intelectual de todas as instituições governamentais e clericais, luta para o livre desenvolvimento, sem qualquer bloqueio, de todas as forças individuais e sociais da vida. Mesmo a liberdade é um conceito relativo, não absoluto, visto que ela tende, constantemente, a se tornar mais ampla e afetar círculos mais extensos, das mais variadas maneiras. Para o anarquista a liberdade não é um conceito abstrato e filosófico, mas a possibilidade concreta essencial para todo ser humano levar ao completo desenvolvimento todas as faculdades, capacidades e talentos com os quais a natureza o dotou, e convertê-los em valor social. Quanto menos esse desenvolvimento natural do homem for influenciado pela proteção política ou eclesiástica, mais eficiente e harmoniosa se tornará a personalidade humana, mais ela se tornará a extensão da cultura intelectual da sociedade que foi desenvolvida”.

 

Pode-se argumentar que o anarquismo é utópico, sem forma, primitivo ou incompatível com uma sociedade complexa, mas também pode-se argumentar que em todo estágio da história, nossa preocupação deve ser desmantelar as formas de autoridade e opressão, que sobrevivem de uma época que podem ter sido justificadas pelas necessidades de segurança, sobrevivência ou desenvolvimento econômico, mas que agora contribuem para – ao invés de aliviar – a deficiência cultural e material.

 

Devemos desconfiar de qualquer doutrina de longo alcance que pregue que “a natureza humana”, as “exigências de eficiência” ou a “complexidade da vida moderna” exigem essa ou aquela forma de opressão e regra autocrática.

 

Ainda citando Rocker, Chomsky aufere que o mesmo tomaria por certo “que a libertação séria, final e completa dos trabalhadores é possível apenas sob uma condição: a da apropriação do capital, ou seja, da matéria-prima e de todas as ferramentas de trabalho, incluindo a terra, por todos os trabalhadores”. As organizações de trabalhadores precisam criar “não só as idéias, mas também os fatos do seu próprio futuro”. É necessário que estas organizações personifiquem em si mesmas a estrutura da sociedade futura, já no período pré-revolucionário.

 

Os anarco-sindicalistas estão convencidos de que uma ordem econômica socialista não pode ser criada pelos decretos e estatutos de um governo, mas apenas pela colaboração solidária dos trabalhadores com mão e inteligência em cada ramo especial da produção; ou seja, através da tomada de controle da gestão de todas as fábricas pelos próprios produtores e de forma que os grupos independentes, fábricas e ramos da indústria, sejam membros independentes do organismo econômico geral e sistematicamente mantenham a produção e a distribuição de produtos de acordo com o interesse da comunidade nas bases dos acordos mútuos livres” R. Rocker

 

“Nós agradeceríamos qualquer um que nos apontasse qual função, caso haja, o Estado pode ter numa organização econômica, onde a propriedade privada foi abolida e na qual o parasitismo e o privilégio especial não têm lugar.” Diego Abad de Santillán, pouco antes da Revolução Espanhola

 

Engels, em contraposição frontal às idéias anarquistas, expressou em 1883 suas idéias: “Os anarquistas colocam as coisas de ponta cabeça. Eles declaram que a revolução proletária deve começar acabando com a organização política do Estado (…). Mas destruí-lo num certo momento, seria destruir o único organismo através do qual o vitorioso proletariado pode afirmar seu poder recentemente conquistado, conter seus adversários capitalistas, e colocar em prática a revolução econômica da sociedade sem a qual toda a vitória deverá terminar numa nova derrota e um massacre em massa dos trabalhadores, similar àqueles acontecidos após a Comuna de Paris”.

 

Já para Bakunin  e Fernand Pelloutier, a “Burocracia Vermelha” seria a mentira mais vil e terrível que se possa criar. Isso se comprovou profeticamente na ditadura de Stalin, anos depois.

 

Martin Buber: “Ninguém pode esperar, pela natureza das coisas, que uma pequena árvore que foi transformada em um bastão, produza folhas”

 

Separação entre socialistas autoritários (Marx, Engels) dos socialistas libertários (Bakunin, Proudhorn, Malatesta, Kropotkin).

 

Idéia principal dentro da tradição anarquista, expressa por Bakunin quando escreveu sobre a Comuna de Paris: “Eu sou um amante fanático da liberdade, considerando-a a única condição sob a qual a inteligência, a dignidade e a felicidade humana podem se desenvolver e crescer; não a liberdade formal puramente concedida, proporcionada e regulada pelo Estado, uma mentira eterna que na realidade nada mais representa do que o privilégio de alguns, fundado na escravidão dos demais; não a liberdade fictícia, desgastada, egoísta e individualista exaltada pela escola de J.J.Rousseau e outras escolas do liberalismo burguês, que consideram os desejados direitos de todos os homens, representados pelo Estado, que limita os direitos de cada um – uma idéia que conduz inevitavelmente à redução dos direitos de cada um a zero. Não, eu quero dizer, o único tipo de liberdade que é digno do nome, a liberdade que consiste no completo desenvolvimento de todas as faculdades morais, intelectuais e materiais que estão latentes em cada pessoa; liberdade que não reconhece outras restrições além daquelas determinadas pelas leis de nossa própria natureza individual, que não podem ser consideradas propriamente como restrições, visto que essas leis não são impostas por algum legislador que está de fora, próximo ou acima de nós, mas são intrínsecas e inerentes, formando a base real de nossa existência moral, intelectual e material – elas não nos limitam, mas são as condições imediatas e reais de nossa liberdade.”

 

Com o desenvolvimento do novo e inesperado sistema de injustiça que é o capitalismo industrial, o socialismo libertário é quem preserva e estende a mensagem humanista radical do Iluminismo e os ideais clássicos liberais, que acabaram deturpados numa ideologia para sustentar a ordem social emergente e agora vigente.

 

Marx, em sua discussão acerca da alienação do trabalho, afirma que, “quando o trabalho é externo ao trabalhador (…) não é parte de sua natureza (…) então ele não se satisfaz em seu trabalho, mas nega a si mesmo (…) e é fisicamente consumido e mentalmente rebaixado”; o trabalho alienado transforma “outros em máquinas”.

 

As relações capitalistas de produção, trabalho assalariado, competitividade e a ideologia de “individualismo possessivo” devem ser consideradas fundamentalmente anti-humanas. (entretanto, são características humanas, criadas e mantidas por seres humanos; desta feita, tem-se o ideal anarquista como algo “sobre-humano”?)

 

O anarquismo se opõe à exploração e à dominação do homem pelo homem.

 

Rocker diz que “o socialismo será livre ou ele nunca será”. Desse ponto de vista, o anarquismo deve ser considerado como a tendência libertária do socialismo.

 

Adolph Fischer: “Todo anarquista é um socialista, mas nem todo socialista é necessariamente um anarquista”.

 

Reinehr: O trabalho fragmentado do fordismo acelera a produção e reduz custos, entretanto a economia adquirida é repassada para o bolso do patrão ao invés de para o bolso do consumidor.

 

Marx: Um anarquista coerente deve se opor não somente ao trabalho alienado, mas também à espantosa especialização do trabalho que toma lugar quando os meios para se desenvolver a produção “mutilam o trabalhador num fragmento de ser humano, degradam-no, fazendo com que se torne um mero acessório da máquina, fazem de seu trabalho tamanho tormento, que seu significado essencial é destruído; alienam dele as potencialidades intelectuais do processo de trabalho em proporção real, até que a ciência seja incorporada nele como um poder independente (…)”.

A sociedade de futuro deve estar preocupada em substituir o trabalhador de hoje, reduzido a um mero fragmento de homem, pelo indivíduo completamente desenvolvido, adaptado a uma variedade de trabalhos (…) a quem as diferentes funções sociais (…) são então muitos modos de dar livre extensão às suas próprias faculdades naturais.

 

Chomsky/Reinehr: a tecnologia pode ser utilizada para o benefício do trabalho humano, desde que isenta do controle autocrático da produção por aqueles que fazem do homem um instrumento para servir a seus fins, tendo em vista seus propósitos individuais (sem preocupação com a realidade social circunjacente)

 

Os anarco-sindicalistas procuraram, mesmo sob o capitalismo, criar “livres associações de livres produtores”.

 

O anarquista, atacando o direito de controle burocrático ou privado dos meios de produção, toma em sua defesa aqueles que lutam para trazer a “terceira e última fase emancipatória da história”; a primeira que fez dos escravos, servos; a segunda que fez dos servos, assalariados; e a terceira que abole o proletariado e coloca o controle da economia nas mãos das associações livres e voluntárias de produtores (Fourier, 1848)

 

Willian Paul (1917): “O socialista revolucionário nega que a propriedade estatal possa acabar em algo diferente do que um despotismo burocrático. Nós temos visto porque o Estado não pode controlar a indústria de forma democrática. A indústria somente pode ser democrática e controlada pelos trabalhadores elegendo comissões administrativas industriais diretamente de suas próprias fileiras. O socialismo será fundamentalmente um sistema industrial; seus elementos serão de caráter industrial. Neste caso, aqueles que mantém as atividades sociais e indústrias da sociedade serão diretamente representados nos conselhos locais e centrais da administração social. Desse modo, os poderes desses delegados irão partir daqueles que mantém o trabalho e que estão familiarizados com as necessidades da comunidade. Quando a comissão industrial administrativa central se encontrar, ela irá representar todos os aspectos da atividade social. Conseqüentemente, o Estado politicamente capitalista ou geográfico será substituído pela comissão administrativa industrial do socialismo. A transição de um sistema social para o outro, será a revolução social. O Estado político, por toda a história, significou o governo  dos homens pelas classes dominantes; a República do Socialismo será o governo da indústria, administrada em favor de toda a comunidade. O passado significou a sujeição política e econômica de muitos; o futuro significará a liberdade econômica de todos – será, portanto, uma verdadeira democracia”.

 

Em 1865, Bakunin previu que um elemento na revolução social iria ser “aquela excelente e inteligente parte da juventude que, apesar de pertencer, pelo nascimento, às classes privilegiadas, em suas generosas convicções e suas ardentes aspirações, adota a causa do povo”.

 

Reinehr: como um bom anarquista, não devemos nos preocupar somente com o desenvolvimento do pensamento anarquista e na formulação de um modo de executar a Revolução, mas também precisamos estar atentos às ações espontâneas  das lutas revolucionárias populares, na criatividade social, nos meios utilizados pelo povo para escapar da subjugação pela força do Estado.

 

A Relevância do Anarco-sindicalismo – entrevista

 

A anarquia de Bakunin e Kropotkin pressupõe uma forma de sociedade altamente organizada, com base em unidades orgânicas, comunidades orgânicas. Através de acordos federais, poderia-se estabelecer um tipo de organização social altamente integrada, de alcance nacional ou até mesmo internacional. As decisões seriam tomadas por delegados que fossem sempre parte da comunidade orgânica de onde vêm, para onde retornam e, na qual, de fato, vivem.

 

“Os anarquistas  (…) têm sempre sustentado que o controle democrático da vida produtiva de cada um é o centro de toda libertação humana sincera (…). Quer dizer, enquanto os indivíduos forem forçados a alugar a si mesmos no mercado, para aqueles que estão dispostos a empregá-los, enquanto seu papel na produção for simplesmente o de subservientes instrumentos, então há impressionantes elementos de coerção e opressão que fazem falar de democracia, algo muito limitado, ainda que significativo.”

 

Sociedade libertária que se estendeu por um longo período: os kibutzim israelenses

 

A Revolução Anarquista Espanhola de 1936: a produção continuou efetivamente; os trabalhadores nos campos e nas fábricas provaram ser perfeitamente capazes de gerir seus próprios negócios sem uma coerção vinda de cima (…); foi um testemunho bastante inspirador da capacidade dos trabalhadores pobres para organizarem-se e gerirem seus próprios negócios, com muito êxito, sem coerção ou controle.

 

Thomas Jefferson: “O melhor governo é aquele que menos governa”.

 

Henry David Thoreau: “O melhor governo é aquele que não governa de fato”.

 

Reinehr: já há riqueza suficiente no mundo para que não haja exploração do homem pelo homem. As máquinas já garantiriam hoje que cada trabalhador mantivesse um nível de vida social digno, liberando tempo para empreender o tipo de trabalho criativo que não era possível no início da revolução industrial. O grande impedimento, a meu ver, encontra-se na posse desta maquinaria na mão de poucos, que enriquecem de forma astronômica às custas da exploração de muitos.

 

Rede de conselhos de trabalhadores – representação entre as fábricas, ou entre ramos de indústrias ou entre os ofícios chegando à assembléia de trabalhadores, que podem ser de caráter regional, nacional e internacional. Do simples ao complexo. Numa situação ideal, o representante seria temporário, com delegação mínima de autoridade e representasse em tempo parcial os trabalhadores, devendo continuar a fazer também suas tarefas no local de trabalho ou comunidade a qual pertence.

 

Chomsky: “O Pentágono tem duas tarefas, ambas completamente anti-sociais: a primeira é preservar um sistema internacional, no qual, os chamados “interesses americanos”, que significam essencialmente interesses empresariais, possam prosperar; a segunda é uma tarefa econômica interna, ou seja, o Pentágono foi  o principal mecanismo keynesiano pelo qual o governo intervém para manter o que é ridiculamente chamado de bem-estar da economia pela indução da produção – o que significa produção de gastos.”

“Numa sociedade decente, todos teriam a oportunidade de encontrar trabalho interessante, e a cada pessoa seria permitida a total possibilidade de alcançar seus talentos”.

 

Anarquismo, Marxismo e Expectativas para o Futuro

 

Chomsky cita Rousseau: “Quando eu vejo multidões de selvagens inteiramente despidos, desprezarem a voluptuosidade européia e agüentar fome, fogo, ferro e morte para preservar unicamente sua independência, eu sinto que não é aos escravos que convém refletir sobre liberdade”.

 

Metas e Projetos (Goals and Visions)

 

“Por projetos, eu quero dizer a concepção de uma sociedade futura que inspire o que realmente fazemos, uma sociedade na qual um ser humano respeitável gostaria de viver. Por metas, eu quero dizer as escolhas e tarefas que estão a nosso alcance, e iremos seguir um caminho ou outro, guiados por um projeto que pode estar distante e não ser muito bem acabado.

Um projeto inspirador deve basear-se em alguma concepção de natureza humana daquilo que é bom para as pessoas, de suas necessidades e direitos, dos aspectos de suas naturezas que devem ser estimulados, incentivados e permitidos a florescer para seus benefícios e dos outros. A concepção de natureza humana que é a base de nossos projetos é comumente tácita e incompleta, mas está sempre presente, talvez de maneira implícita, quando preferimos deixar as coisas como estão e cultivar nossos jardins; quando escolhemos trabalhar para atingir pequenas mudanças, ou para chegar às mudanças revolucionárias.

Isso é verdade em grande medida para as pessoas que se consideram agentes morais e não monstros – que se preocupam com os efeitos daquilo que fazem ou deixam de fazer”

 

Chomsky cita uma série de artigos e estudos sobre o programa de propaganda mantido pelo topo da pirâmide de poder, que busca, através de uma “perpétua batalha pela mente dos homens”, doutrinar e disciplinar a ordem econômica e social. Transcrevo a seguir os estudos citados:

1.       Brady, Business as a System of Power (Columbia, 1943)

2.     Alex Carey, Taking the Risk out of Democracy (UNSW, 1995)

3.     Elisabeth Fones-Wolf, Selling Free Enterprise: the Business Assault on Labor and Liberalism 1945-1960 (U. of Illinois Press, 1995)

4.     William Puette, Through Jaundiced Eyes: How Media View Organized Labor (Cornell U. Press, 1992)

5.     William Solomon and Robert McChesney, New Perspectives in U.S. Communication History (Minnesota, 1993)

6.     McChesney, Telecommunications, Mass Media & Democracy (Oxford, 1993)

 

“(…) qualquer estrutura de hierarquia e de autoridade carrega um grande dever de se justificar, quer ela envolva relações pessoais ou uma ordem social maior. Se ela não puder ser justificada – algumas vezes pode – então, é ilegítima e deve ser desmantelada. Quando honestamente colocado e enfrentado, esse desafio raramente pode se sustentar. Os verdadeiros libertários têm como sua tarefa afastar essa hipocrisia de si mesmos.

O poder do Estado e as tiranias privadas são exemplos fundamentais nos limites externos, mas essas questões surgem muito mais em outras formas: nas relações entre pais e filhos, professores e estudantes, homens e mulheres, os que estão vivos agora e as gerações futuras que serão forçadas a viver do resultado daquilo que fazemos; na realidade, quase em todos os lugares. Particularmente o projeto anarquista, em quase toda sua diversidade, esperava o desmantelamento do Estado. Pessoalmente, eu também tenho esse projeto, embora isso vá diretamente contra minhas metas. Por isso a tensão à qual me referi há instantes.”

 

“A autoridade do Estado está agora sob severo ataque nas sociedades mais democráticas, mas não por ela conflitar com o projeto libertário. Justamente o oposto: porque ela oferece (fraca) proteção a alguns aspectos desse projeto. Os governos têm uma importante falha: ao contrário das tiranias privadas, as instituições de poder e autoridade do Estado oferecem ao desprezado público uma oportunidade de desempenhar algum papel, mesmo que limitado, na gestão de seus próprios assuntos. Esse defeito é intolerável para os senhores, que agora sentem, com alguma justificativa, que as mudanças na ordem política e econômica oferecem as perspectivas para a criação de um tipo de “utopia dos senhores”, com perspectivas funestas para a maioria do povo.”

 

Chomsky/Reinehr: primeiro passo: agregar seres humanos cujos valores não são a acumulação e a dominação, mas a independência de mente e de ação, a livre associação em termos de igualdade e a cooperação para atingir metas comuns. Panfletos para contatos. Indústria de panfletos. Faith: No More

 

Ideais denunciados pela imprensa da classe trabalhadora do meio do século XIX, identificados como “o Novo Espírito da Época: Fique Rico, Esquecendo-se de Tudo, Menos de Si Mesmo”.

 

James Buchanan, Prêmio Nobel: “o ideal da sociedade é a anarquia, na qual nenhum homem ou grupo de homens reprime o outro”; “a situação ideal de qualquer pessoa é aquela que permite liberdade completa de ação e impede o comportamento de outros de forma a forçar adesão aos seus próprios desejos. Isso significa dizer que cada pessoa procura ter domínio sobre um mundo de escravos (…)”(Buchanan, The Limits of Liberty: Between Anarchy and Leviathan (Chicago, 1975)

 

“A competição brutal e a cobiça pelo dinheiro estão destruindo nosso senso de comunidade. Quase todos sentem um pouco de medo, depressão ou insegurança” – relato de um padre que foi líder de protestos populares contra o regime comunista na ex-Alemanha Oriental, ao jornal New York Times, em 14 de outubro de 1994 (por Stephen Kinzer).

 

O embargo ilegal dos EUA contra Cuba, que mata de fome e de doenças em nome da “democracia”, foi sumariamente rejeitado em 1994 em Assembléia Geral da ONU, por 101 votos a 2 (EUA e Israel).

 

QED – quod erat demonstrandum – expressão latina usada para indicar o fim de um argumento ou demonstração alegadamente procedente

 

{Como fabricar consensos}

 

Estudo da imprensa operária realizado no meio do século XIX por Norman Ware demonstra como, naquela época, se verificava o declínio do trabalhador industrial como pessoa, a mudança psicológica, a perda da dignidade e da independência dos direitos democráticos e das liberdades, da forma como os valores do capitalismo industrial eram impostos pelo Estado e pelo poder privado, através da violência, quando necessário. Os trabalhadores lamentavam a degradação e a perda daquele respeito próprio que fez dos mecânicos e trabalhadores o orgulho do mundo, a decadência da cultura, das habilidades, das realizações e mesmo da simples dignidade humana assim que foram submetidos ao que chamaram de “escravidão assalariada”; se sentiram como se fossem forçados não a vender o que produziam, mas a si próprios, tornando-se servos e meros objetos dos déspotas. Viam os trabalhadores reduzidos a um estado de servidão no qual uma aristocracia endinheirada pairava sobre eles como uma poderosa avalanche ameaçando de aniquilação qualquer homem que se atrevesse a questionar seu direito de escravizar e oprimir os pobres e infelizes.

 

É pelas pessoas que realizam o trabalho que as horas de trabalho, as condições de emprego, a divisão dos dividendos devem ser determinadas.” – Henry Demarest Lloyd, em um pic-nic de sindicato. “É pelos próprios trabalhadores que os comandantes da indústria devem ser escolhidos, e escolhidos para serem funcionários e não mestres. É pelo bem-estar geral que o trabalho coordenado de todos deve ser feito (…). Isso é a democracia.”

 

A assim chamada esquerda libertária, incluindo-se aí o socialismo utópico e o anarquismo, posiciona-se radicalmente contra as doutrinas dominantes de poder, chamados “esquerda”, “direita” ou “centro”.

 

Aléxis de Tocqueville: “O que se pode esperar de um homem que tenha gasto vinte anos de sua vida fazendo cabeças para alfinetes? O método avança, o artesão regride”. Se a desigualdade permanente de condições sempre for estabelecida, a aristocracia da produção que está crescendo sobre nossos olhos e que é uma das coisas mais cruéis que já existiram no mundo, pode sair de seus limites, significando o fim da democracia”

 

Thomas Jefferson, em seus últimos anos, fez uma distinção entre os aristocratas e os democratas no “experimento democrático”: os aristocratas são aqueles que temem e desacreditam as pessoas, e desejam tirar todo poder delas, colocando-o nas mãos das classes altas. Os democratas, em contraste, identificam-se com as pessoas, têm confiança nelas, estimam e consideram-nas como o depositório mais honesto e seguro do interesse público, se não sempre o mais inteligente.

 

Anos depois, Bakunin previu que uma nova classe de intelectuais seguiria um dos dois caminhos paralelos. Eles buscariam se aproveitar das lutas populares para tomar o poder do Estado em suas mãos, tornando-se a Burocracia Vermelha (União Soviética e países do Leste Europeu) ou poderiam compreender que o poder repousa em outro lugar e oferecer a eles, assim como ao seu clero comprado, servir aos verdadeiros mestres, como os gestores ou defensores que batem no povo com o porrete do povo nas democracias capitalistas de Estado.

 

Anarquismo, Intelectuais e Estado

 

O grande inquisidor, de Dostoievsky: explica que você deve criar mistérios porque de outra forma as pessoas comuns vão entender as coisas e elas devem ficar subordinadas,  então você tem que fazer as coisas parecerem misteriosas e complicadas.

É desta forma que se criou um círculo de intelectuais que mantém seu prestígio utilizando jargões e linguagem incompreensível, fazendo com que as pessoas sintam como se não soubessem nada e tornem-se, desta forma, impotentes. Busca-se desta forma angariar prestígio, através da marginalização de outrem. O que capacita as pessoas a terem estas percepções fantásticas sobre tópicos que ninguém entende muito bem e que elas não conseguem repartir com as pessoas comuns?

 

Idéias vanguardistas são meios das pessoas justificarem seu próprio poder. Gente séria prefere trabalhar junto. Quando você dá aula, você não fica lá de pé, falando enquanto as pessoas copiam e comentam. Você trabalha com as pessoas. O que se faz é trabalhar em conjunto buscando o esclarecimento de todos. O intelectual deve ser um servo trabalhando junto com outras pessoas para tentar adquirir um melhor entendimento das coisas.

 

O fundador do sistema universitário alemão Wilhelm Von Humboldt, além disso um importante lingüista e pensador libertário, observou certa vez que a essência de uma vida verdadeiramente humana é “investigar e criar”. É disso que a educação deveria tratar.

 

Left on Line University – curso universitário de orientação esquerdista pela Internet

 

Noam Chomsky sobre o Anarquismo

 

Reforma e Revolução

 

Aprendemos com outras pessoas, ninguém tem a verdade e nem um discernimento total das coisas. Você busca isso por toda parte, comete seus próprios erros e aprende com os outros.

 

Se você for uma pessoa sensata, acabará construindo  seu pensamento com fragmentos e partes de vários sistemas de crenças, e mais alguns desenvolvidos por você.

 

A tradição anarquista se baseia na constante compreensão da autoridade ilegítima e na busca de sua erradicação. Curiosamente, os próprios anarquistas estão descobrindo atos de autoridade ilegítima que eles mesmo cometeram. Jovens garotos que estavam pensando, corretamente, serem muito corajosos porque se rebelavam contra autoridade, viviam perigosamente e lutavam contra o sistema de poder tiveram, de repente, que se olhar no espelho e dizer: “Bem, eu estou definitivamente oprimindo alguém, e de forma ilegítima”.

 

The Mondragon Co-operative federation: A model for our times?

 

Industrial Workers of the World (IWW) – Wobblies – One Big Union

 

O anarquismo e o “estilo de vida”: “Eu tenho direito a ter o meu próprio estilo de vida e a menos que eu esteja te prejudicando, você não tem o direito de me dizer para não fazer isso”.

 

Algumas Questões sobre o Anarquismo

 

Passos iniciais: gerar organizações participativas e livres, com autogestão e, quando muito, com as responsabilidades delegadas temporariamente.

 

Anarquismo e Poder


                A questão que sempre deve estar em nossas mentes, em relação à autoridade e ao poder é: “porque eu deveria aceitar isso?” A princípio, o poder é ilegítimo caso seja uma relação de autoridade entre seres humanos que se colocam uns sobre os outros. Isto é ilegítimo a princípio e a não ser que você dê um forte argumento para mostrar que está certo, você terá perdido.


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