TAZ – Zona Autônoma Temporária – Hakim Bey – A Ânsia de Poder como Desaparecimento (parte VI de VII)

Posted By Rafael Reinehr on jan 6, 2009 | 6 comments


Hakim Bey visualiza a TAZ como uma “tática de desaparecimento”. Em suas palavras:

“Quando os teóricos discursam sobre o desaparecimento do social, eles se referem, em parte, à impossibilidade da “Revolução Social”, e em parte à impossibilidade do “Estado” – o abismo do poder, o fim do discurso do poder. Neste caso, a questão anarquista deveria ser: porque se importar em enfrentar um “poder” que perdeu todo o sentido e se tornou pura Simulação? Tais confrontos resultarão apenas em perigosos e terríveis espasmos de violência dos cretinos cheios de merda na cabeça que herdaram as chaves de todos arsenais e prisões.”

E ainda:

“A partir da minha interpretação, o desaparecimento parece ser uma opção radical bastante lógica para o nosso tempo, de forma alguma um desastre ou uma declaração de morte do projeto radical. Ao contrário da interpretação niilista e mórbida da teoria, a minha pretende miná-la em busca de estratégias úteis para a contínua “revolução de todo dia”: a luta que não pode cessar mesmo com o fracasso final da revolução política ou social, porque nada, exceto o fim do mundo, pode trazer um fim para a vida cotidiana, ou para as nossas aspirações pelas coisas boas, pelo Maravilhoso.”

FlutuandoPara dar um exemplo bastante “radical” e heterodoxo em relação ao pensamento vigente, Bey utiliza-se da Educação para exemplificar seu ponto-de-vista:

“Zerzan e Black, independentemente um do outro, notaram “elementos de recusa” que, de alguma forma, talvez possam ser percebidos como sintomáticos de uma cultura radical de desaparecimento, parcialmente inconsciente e parcialmente consciente, que influencia mais pessoas do que qualquer idéia anarquista ou de esquerda. Esses gestos são feitos contra instituições, e nesse sentido são “negativos” – mas cada gesto negativo também sugere uma tática “positiva” para substituir, em vez de simplesmente refutar, a instituição desprezada.
Por exemplo, o gesto negativo contra o ensino é o “analfabetismo voluntário”. Como eu não compartilho da adoração que os liberais sentem pela alfabetização como uma forma de melhoria social, não posso concordar com os suspiros de desalento ouvidos por toda parte por causa desse fenômeno: simpatizo com as crianças que se recusam a ler livros e todo o lixo contido neles. Porém existem alternativas positivas que fazem uso da mesma energia de desaparecimento. A educação oferecida em casa e o aprendizado de um ofício, tanto quanto a vadiagem, resultam na ausência da prisão escolar.”

Um gesto negativo em grande escala contra a política consiste simplesmente em não votar – nos países em que isso é permitido – ou votar em branco, nos países em que o voto é compulsório. Novamente, existem paralelos positivos: a formação de redes e conexões de pessoas com interesses afins, redes sociais de ajuda mútua, cooperativas, que são uma alternativa viável para a política tradicional.

Toda a série TAZ – Zona Autônoma Temporária:

TAZ – Zona Autônoma Temporária – Hakim Bey – Utopias Piratas (parte I de VII)

TAZ – Zona Autônoma Temporária – Hakim Bey – Esperando pela Revolução (parte II de VII)

TAZ – Zona Autônoma Temporária – Hakim Bey – Psicotopologia da Vida Cotidiana (parte III de VII)

TAZ – Zona Autônoma Temporária – Hakim Bey – A Internet e a Web (parte IV de VII)

TAZ – Zona Autônoma Temporária – Hakim Bey – Fomos para Croatã (parte V de VII)

TAZ – Zona Autônoma Temporária – Hakim Bey – A Ânsia de Poder como Desaparecimento (parte VI de VII)

TAZ – Zona Autônoma Temporária – Hakim Bey – Caminhos de Rato na Babilônia da Informação (final)

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6 Comments

  1. escola de redes
    Por favor, se é que posso me intrometer, onde se encontra a comunidade “escola de redes”?

    E sobre o texto. O que faltaria para “desaparecer” não seria o sustento que nos faz depender do mundo do cotidiano?

    Existe a idéia de criar uma rede de cooperação. Mas entra no assunto que comentei no post anterior onde falo sobre a corrupção desse sistema de cooperação gerando guerra.

    O que pensar?

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    • Escola das Redes
      Segue o link, Keyne: http://escoladeredes.ning.com

      Sobre a guerra – esta sua preocupação – ela já está aí, Keyne. Não há guerra pior do que esta que é travada todo dia por um trabalhador dirigindo-se a um trabalho que não é seu, que não controla. Um títere moldado desde a tenra idade pelos pais, depois pela escola, depois por um serviço militar, um CPF, título de eleitor, televisão e igreja, que se desloca dia após dia da casa para o trabalho para sua casa sem questionar, de fato, o sistema no qual se insere. Existe guerra pior?

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  2. escoladeredes
    Rafael,

    Creio que vc vai achar interessante conhecer a ciência das redes, que estuda exatamente a propagação e a transformação social (meu objeto de estudo) tem uma comunidade chamada escola de redes, dê uma olhada lá!
    Creio que várias coisas vão te interessar.

    Abraços

    Clara

    PS. Continue escrevendo, pensando, questionando!

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    • Irei lá…
      …tão logo Chronos o permita! E já estou interessado antes mesmo de lá chegar!

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  3. Convite
    olá

    gostaria q vc revelasse quais livros te marcaram em 2008, talvez os Top5 ([url]http://www.jefferson.blog.br/2009/01/os-5-melhores-livros-de-2008.html[/url]), seja num post no seu blogue ou seja num comentário no meu. o q me diz?

    1 abraço

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