TAZ – Zona Autônoma Temporária – Hakim Bey – A Ânsia de Poder como Desaparecimento (parte VI de VII)

By Rafael Reinehr | Apontamentos Anarquistas

jan 06
Flutuando

Hakim Bey visualiza a TAZ como uma “tática de desaparecimento”. Em suas palavras:

“Quando os teóricos discursam sobre o desaparecimento do social, eles se referem, em parte, à impossibilidade da “Revolução Social”, e em parte à impossibilidade do “Estado” – o abismo do poder, o fim do discurso do poder. Neste caso, a questão anarquista deveria ser: porque se importar em enfrentar um “poder” que perdeu todo o sentido e se tornou pura Simulação? Tais confrontos resultarão apenas em perigosos e terríveis espasmos de violência dos cretinos cheios de merda na cabeça que herdaram as chaves de todos arsenais e prisões.”

E ainda:

“A partir da minha interpretação, o desaparecimento parece ser uma opção radical bastante lógica para o nosso tempo, de forma alguma um desastre ou uma declaração de morte do projeto radical. Ao contrário da interpretação niilista e mórbida da teoria, a minha pretende miná-la em busca de estratégias úteis para a contínua “revolução de todo dia”: a luta que não pode cessar mesmo com o fracasso final da revolução política ou social, porque nada, exceto o fim do mundo, pode trazer um fim para a vida cotidiana, ou para as nossas aspirações pelas coisas boas, pelo Maravilhoso.”

FlutuandoPara dar um exemplo bastante “radical” e heterodoxo em relação ao pensamento vigente, Bey utiliza-se da Educação para exemplificar seu ponto-de-vista:

“Zerzan e Black, independentemente um do outro, notaram “elementos de recusa” que, de alguma forma, talvez possam ser percebidos como sintomáticos de uma cultura radical de desaparecimento, parcialmente inconsciente e parcialmente consciente, que influencia mais pessoas do que qualquer idéia anarquista ou de esquerda. Esses gestos são feitos contra instituições, e nesse sentido são “negativos” – mas cada gesto negativo também sugere uma tática “positiva” para substituir, em vez de simplesmente refutar, a instituição desprezada.
Por exemplo, o gesto negativo contra o ensino é o “analfabetismo voluntário”. Como eu não compartilho da adoração que os liberais sentem pela alfabetização como uma forma de melhoria social, não posso concordar com os suspiros de desalento ouvidos por toda parte por causa desse fenômeno: simpatizo com as crianças que se recusam a ler livros e todo o lixo contido neles. Porém existem alternativas positivas que fazem uso da mesma energia de desaparecimento. A educação oferecida em casa e o aprendizado de um ofício, tanto quanto a vadiagem, resultam na ausência da prisão escolar.”

Um gesto negativo em grande escala contra a política consiste simplesmente em não votar – nos países em que isso é permitido – ou votar em branco, nos países em que o voto é compulsório. Novamente, existem paralelos positivos: a formação de redes e conexões de pessoas com interesses afins, redes sociais de ajuda mútua, cooperativas, que são uma alternativa viável para a política tradicional.

Toda a série TAZ – Zona Autônoma Temporária:

TAZ – Zona Autônoma Temporária – Hakim Bey – Utopias Piratas (parte I de VII)

TAZ – Zona Autônoma Temporária – Hakim Bey – Esperando pela Revolução (parte II de VII)

TAZ – Zona Autônoma Temporária – Hakim Bey – Psicotopologia da Vida Cotidiana (parte III de VII)

TAZ – Zona Autônoma Temporária – Hakim Bey – A Internet e a Web (parte IV de VII)

TAZ – Zona Autônoma Temporária – Hakim Bey – Fomos para Croatã (parte V de VII)

TAZ – Zona Autônoma Temporária – Hakim Bey – A Ânsia de Poder como Desaparecimento (parte VI de VII)

TAZ – Zona Autônoma Temporária – Hakim Bey – Caminhos de Rato na Babilônia da Informação (final)

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