Hakim Bey utiliza a seguinte nomenclatura:“Nesse ponto de evolução da web, e considerando nossas exigências por algo que seja palpável e sensual, devemos considerar a web fundamentalmente como um sistema de suporte, capaz de transmitir informações de uma TAZ a outra, ou defender a TAZ, tornando-a “invisível” ou dando-lhe garras, conforme a situação exigir. Porém mais do que isso: se a TAZ é um acampamento nômade, então a web ajuda a criar épicos, canções, genealogias e lendas da tribo. Ela fornece as trilhas de assalto e as rotas secretas que compõe o fluxo da economia tribal. Ela até mesmo contém alguns dos caminhos que as tribos seguirão só no futuro, alguns dos sonhos que eles viverão como sinais e presságios.”
“Por uma característica de sua própria natureza, a TAZ faz uso de qualquer meio disponível para concretizar-se – pode ganhar vida tanto numa caverna quanto numa cidade espacial – mas, acima de tudo, ela vai viver, agora ou o quanto antes, sob qualquer forma, seja ela suspeita ou desorganizada. Espontaneamente, sem preocupar-se com ideologias ou anti-ideologias. Ela vai fazer uso do computador porque o computador existe, mas também usará poderes tão completamente divorciados da alienação e da simulação que lhe garantirão um certo paleolitismo psíquico, um espírito xamânico primordial que vai “infectar” até a própria net. Porque a TAZ é uma intensificação, um excesso, uma abundância, um potlach, a vida vivida em vez de sobrevivida, e não pode ser definida como tecnológica ou anti-tecnológica. Ela se contradiz, como alguém que verdadeiramente despreza fantasmas e aparições, porque deseja ser, a qualquer custo ou prejuízo para a “perfeição” ou imobilidade final.”
Toda a série TAZ - Zona Autônoma Temporária:
TAZ - Zona Autônoma Temporária - Hakim Bey - Utopias Piratas (parte I de VII)
TAZ - Zona Autônoma Temporária - Hakim Bey - Esperando pela Revolução (parte II de VII)
TAZ - Zona Autônoma Temporária - Hakim Bey - Psicotopologia da Vida Cotidiana (parte III de VII)
TAZ - Zona Autônoma Temporária - Hakim Bey - A Internet e a Web (parte IV de VII)
TAZ - Zona Autônoma Temporária - Hakim Bey - Fomos para Croatã (parte V de VII)
TAZ - Zona Autônoma Temporária - Hakim Bey - A Ânsia de Poder como Desaparecimento (parte VI de VII)
TAZ - Zona Autônoma Temporária - Hakim Bey - Caminhos de Rato na Babilônia da Informação (final)
Rafael Reinehr é médico endocrinologista, mas seus olhos vasculham o horizonte em busca de soluções para criar um Mundo Melhor através de iniciativas como a Coolmeia, Ideias em Cooperação.
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Comentários
Mas, para ser mais claro, todas as propostas libertárias tem algo em comum: não há um plano pronto ou perfeito para todas as situações. Sabe-se o que está errado (opressão, exploração, propriedade dos meios de produção, censura, violência, etc), então lute-se para acabar com isso. Mas, antes de mais nada, aja. Faça acontecer. Ficar elocubrando , antecipando problemas só conseguirá fazer uma coisa: te deixar imóvel, que é justamente o que quem toma conta do sistema quer.
Onde a moral se sustenta? Naquilo que não desejaríamos que acontecesse com nós mesmos? Desta forma não faríamos com o outro? Mas se uma dessas pessoas for simplesmente diferente e gostar de fazer algo que o outro não gosta causando assim a divergência e por fim a corrupção, gerando guerra?
Consideramos matar algo brutal, mas e o leão, por exemplo, que mata por fome? É a sua natureza brutalidade? Ou seria apenas cadeia alimentar? Bastando apenas deixá-lo viver em sua natureza e cabendo aos seres humanos portadores da "racionalidade" ser diferente?
E o que dizer sobre a loucura, quando o ser humano deixa de ser sociável e é rotulado como doido? O que dizer sobre todas as pessoas presas em hospícios por serem de natureza diferente? O que dizer sobre os altistas? Os esquizofrênicos ... Seria mesmo um problema médico ou apenas uma divergência de natureza? O que dizer sobre pensamentos alegóricos que não seguem a lógica?
O que dizer quando forças que vão além de nosso entendimento nos obrigam a seguir destinos na qual não queríamos? Imagine a extinção de uma espécie por eventos ecológicos, o que dizer sobre isso? Brutalidade ou curso natural?
O que fazer quando tudo o que dizemos parece não ter objetivo? O que dizer quando a vida nos apresenta como solução, talvez, o silêncio interior e nada mais?
Apesar de por em dúvida, vibro com este ideal, mas me iludo ao pensar assim. Será que pode clarear minha mente?
Gosto de pensar, mas sempre sou levado ao enjoo pelos meus própios pensamentos
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