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Rafael Reinehr é médico endocrinologista, anarquista, escritor, permacultor, ativista oikos-socio-ambiental e polímata ma non troppo.

Mar 31

Tudoteca inscrita no Buckminster Fuller Institute Challenge!

By rafaelreinehr | Boas Novas , Coolmeia

“Fazer o mundo funcionar para 100% da humanidade no menor tempo possível através da cooperação espontânea sem ofensa ecológica ou desvantagens para qualquer um”. – R. Buckminster Fuller

Esse era o sonho e o desafio do visionário, designer, arquiteto, inventor e escritor estadunidense Richard Buckminster Fuller. Para além de uma visão de um mundo aprimorado pelo design inteligente, Bucky, como era chamado, deixou um instituto que, há 10 anos desafia todos os cidadãos do mundo a criarem uma abordagem sistêmica para entender e intervir nas complexas e inter-relacionadas crises de larga escala que tem impacto social e ambiental.

Vencer o Fuller Challenge requer qualidades raras e muita obstinação

Os vencedores são aqueles capazes de apresentar uma rara combinação de pensamento pragmático, visionário, abrangente e antecipatório, e abordam questões tão amplas quanto mobilidade urbana, recuperação de costas e inovação em embalagens biodegradáveis.

Neste ano, o projeto da Tudoteca – que idealizei em 2007-2008 no lumiar do surgimento da Coolmeia – foi inscrita e está concorrendo!

buckminster fuller challenge

Se você deseja saber mais sobre a Tudoteca, existem dois caminhos:

  1. Leia o artigo que escrevi sobre ela aqui: http://reinehr.org/uncategorized/tudoteca-um-espaco-de-convivencia-compartilhamento-e-cooperacao/
  2. Entre em contato pelo formulário abaixo, solicitando maiores informações ou, então, expressando seu desejo em colaborar com o projeto. Toda ajuda é bem-vinda!

PS: Se não te importas em ler em inglês, fique à vontade para conhecer um pouco mais sobre a Tudoteca:

  1. Tudoteca – A space of conviviality, sharing and cooperation

  2. Tudoteca:  Seven Reasons Why

Mar 27

Óleo de Coco: Mocinho ou Bandido? Posicionamento Oficial da ABRAN, da SBEM e da ABESO

By rafaelreinehr | Medicina e Saúde , Posicionamento Oficial

Saiu hoje o posicionamento oficial da ABRAN (Associação Brasileira de Nutrologia) a respeito da prescrição de óleo de coco. Este posicionamento se junta ao que a SBEM (Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia) e a ABESO (Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica) já haviam realizado em 2016.

Veja na íntegra ambos posicionamentos:

óleo de coco

Posicionamento da ABRAN sobre o óleo de coco:

Obtido a partir da polpa do coco fresco maduro (espécie Cocos nucifera L.), o óleo de coco é composto por ácidos graxos saturados (mais de 80%) e ácidos graxos insaturados (oléico e linoléico). Os ácidos graxos saturados caprílico, láurico e mirístico possuem entre 6 e 12 átomos de carbono e por isso são chamados de ácidos graxos de cadeia média. Os demais ácidos graxos saturados são capróico, cáprico, palmítico e esteárico. As gorduras láuricas, como o óleo de coco, são resistentes à oxidação não enzimática e, ao contrário de outros óleos e gorduras, apresentam temperatura de fusão baixa e bem definida. Em virtude de suas propriedades físicas e resistência à oxidação, o óleo de coco é muito empregado no preparo de gorduras especiais para confeitaria, sorvetes, margarinas e substitutos de manteiga de cacau [1, 2].

Considerando-se que o óleo de coco tem sido divulgado, especialmente na imprensa leiga, como integrante de uma dieta preventiva para doenças crônicas, como quadros neuro-degenerativos, obesidade e dislipidemia, bem como para outras funções tais como imunomodulação e tratamento antimicrobiano, a Associação Brasileira de Nutrologia considera que deve se posicionar sobre o assunto:

  1. Quando o óleo de coco é comparado a óleos vegetais menos ricos em ácido graxo saturado, recente revisão mostrou que ele aumenta o colesterol total (particularmente o LDL-colesterol) o que contribui para um maior risco cardiovascular [3].
  1. Tem sido reportado que o óleo de coco possui atividade antibacteriana, antifúngica, antiviral e imunomoduladora, porém tais estudos são predominantemente experimentais, notadamente in vitro, não havendo estudos clínicos demonstrando esse efeito. Assim, faltam ainda evidências suficientes para recomendar o óleo de coco como agente antimicrobiano ou imunomodulador [4].
  1. Até o momento, não existem estudos clínicos que tenham abordado o efeito de óleo de coco na função cerebral de indivíduos saudáveis ou portadores de alteração cognitiva [5]. Enfatiza-se também que não existem evidências clínicas de que o óleo de coco possa proteger ou atenuar doenças neuro-degenerativas, como a doença de Alzheimer [6].
  1. Um número muito pequeno de estudos, com resultados controversos, tem relatado os efeitos do óleo de coco sobre o peso corporal em seres humanos. Estudo observacional de populações de ilhas do Pacífico consumindo grandes quantidades de cocos revelou que os Tokelauanos, que consumiam quantidades mais elevadas de coco (63% de energia derivada do coco versus 34% na dieta de Pukapukan), eram mais pesados e tinham pregas de pele subescapulares maiores [7]. Em um ensaio controlado randomizado, 40 mulheres (20-40 anos) foram instruídas a consumir diariamente 30 mL de óleo de coco ou de soja (placebo) por 12 semanas. Os grupos também foram instruídos a caminhar por 50 minutos por dia e a seguir um padrão alimentar saudável, e ambos os grupos consumiram aproximadamente 10% menos calorias do que no início. Apenas o grupo de óleo de coco apresentou circunferência de cintura reduzida no final do estudo (redução de 1,4 cm) e uma tendência ao aumento de insulina circulante. Embora os autores tenham usado recordatório alimentar de 24 horas no início e no final do período de estudo, as quantidades exatas de óleo de coco consumido pelos indivíduos não foram precisadas [8]. Examinando pequena amostra (13 mulheres e 7 homens) com 24-51 anos e índice de massa corporal médio de 32,5 kg/m2, prévio estudo (sem grupo controle) mostrou que o consumo de óleo de coco virgem (30 mL/dia/4 semanas) foi associado a redução da circunferência da cintura (2,61 ± 2,17 cm) em indivíduos do sexo masculino [9]. Examinando o efeito na saciedade, pequeno estudo (n=18) mostrou que não existe efeito de uma refeição rica em ácidos graxos de óleo de coco sobre o apetite ou ingestão alimentar [10]. No geral, não existem evidências suficientes para concluir que o consumo de óleo de coco leva à redução de adiposidade.

Sendo assim, considerando-se inclusive a robusta associação entre consumo de ácidos graxos saturados e o risco de doenças cardiovasculares e a ausência de grandes estudos bem controlados relativos ao óleo de coco em humanos,

a ABRAN recomenda que:

  1. o óleo de coco não deve ser prescrito na prevenção ou no tratamento da obesidade;
  2. o óleo de coco não deve ser prescrito na prevenção ou no tratamento de doenças neuro-degenerativas;
  3. o óleo de coco não deve ser prescrito como nutriente antimicrobiano;
  4. o óleo de coco não deve ser prescrito como imunomodulador.

Associação Brasileira de Nutrologia

Referências: 

[1] Martins JSSantos JCO. Estudo comparativo das propriedades de óleo de coco obtido pelos processos industrial e artesanal. Blucher Chemistry Proceedings vol 3, 2015.

[2] Marina AM, Che Man YB, Nazimah SAH, Amin I. Chemical Properties of Virgin Coconut Oil. J Am Oil Chem Soc 86:301–7, 2009.

[3] Eyres L, Eyres MF, Chisholm A, Brown RC. Coconut oil consumption and cardiovascular risk factors in humans. Nutr Rev 74(4):267-80, 2016

[4] DebMandal M, Mandal S. Coconut (Cocos nucifera L.: Arecaceae): in health

promotion and disease prevention. Asian Pac J Trop Med 4(3):241-7, 2011.

[5] Lockyer, S, Stanner S. Coconut oil–a nutty idea?. Nutrition Bulletin, 41(1), 42-54, 2016

[6] Fernando WMADB, Martins IJ, Goozee KG, Brennan CS, Jayasena V, Martins RN. The role of dietary coconut for the prevention and treatment of Alzheimer’s disease: potential mechanisms of action. Br J Nutr, 114(1), 1-14, 2015.

[7] Prior IA, Davidson F, Salmond CE, Czochanska Z. Cholesterol, coconuts, and diet on Polynesian atolls: a natural experiment: the Pukapuka and Tokelau island studies. Am J Clin Nutr, 34(8), 1552-61, 1981.

[8] Assunção ML, Ferreira HS, Santos EAF, Cabral Jr R, Florêncio MMT. Effects of dietary coconut oil on the biochemical and anthropometric profiles of women presenting abdominal obesity. Lipids, 44:593–601, 2009

[9] Liau KM, Lee YY, Chen CK, Rasool AHG. An open-label pilot study to assess the efficacy and safety of virgin coconut oil in reducing visceral adiposity. ISRN Pharmacology, doi:10.5402/2011/949686, 2011.

[10] Poppitt SD, Strik CM, MacGibbon AKH, McArdle BH, Budgett SC, McGill AT. Fatty acid chain length, postprandial satiety and food intake in lean men. Physiol Behav, 101:161–7, 2010.

Posicionamento da SBEM e ABESO sobre o óleo de coco:

Posicionamento oficial da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) e da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (ABESO) sobre o uso do óleo de coco para perda de peso.

Considerando que muitos nutricionistas e médicos estão prescrevendo óleo de côco para pacientes que querem emagrecer, alegando sua eficácia para tal propósito;

Considerando que não há qualquer evidência nem mecanismo fisiológico de que o óleo de côco leve à perda de peso;

Considerando que o uso do óleo de côco pode ser deletério para os pacientes devido à sua elevada concentração de ácidos graxos saturados, como ácido láurico e mirístico;

A SBEM e a ABESO posicionam-se frontalmente contra a utilização terapêutica do óleo de coco com a finalidade de emagrecimento, considerando tal conduta não ter evidências científicas de eficácia e apresentar potenciais riscos para a saúde.

A SBEM e a ABESO também não recomendam o uso regular de óleo de coco como óleo de cozinha, devido ao seu alto teor de gorduras saturadas e pró-inflamatórias. O uso de óleos vegetais com maior teor de gorduras insaturadas (como soja, oliva, canola e linhaça) com moderação, é preferível para redução de risco cardiovascular.

Dr. Alexandre Hohl
Presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia

Dra. Cintia Cercato
Presidente da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica

E você, o que pensa dessa polêmica? Respeita as evidências científicas apresentadas? No que você acredita? Se você for comentar, ajudaria muito que você apresentasse sua formação e grau de conhecimento sobre o assunto, bem como as fontes consultadas.

 

Referências:

Posicionamento da ABRAN: http://abran.org.br/sem-categoria/posicionamento-oficial-da-associacao-brasileira-de-nutrologia-respeito-da-prescricao-de-oleo-de-coco/

Posicionamento da SBEM e ABESO: https://www.endocrino.org.br/polemica-do-oleo-de-coco/

Mar 26

Fadiga Adrenal – Suas Bases Científicas e o Uso Indiscriminado do Termo

By rafaelreinehr | Guest Post - Convidado Especial

O convidado de hoje na nossa Seção  Guest Post | Convidado Especial é o colega endocrinologista Flávio Cadegiani, que fez um belo trabalho de revisão da literatura sobre FADIGA ADRENAL e irá nos esclarecer alguns pontos polêmicos, que estão sendo espalhados de forma inconsequente e desprovida de base científica em algumas mídias sociais.

Diga lá Cadegiani, o que sabemos, de fato, (e o que ainda não sabemos) sobre a fadiga adrenal? Ao leitor, uma boa leitura. Deixe sua opinião nos comentários.

cansaço, sonolência, fadiga adrenal

FADIGA ADRENAL: de uma vez por todas, uma doença que NÃO EXISTE (da forma como ela é “vista” hoje)

Pessoal, tenho visto nossa publicação sendo motivo de discussões acaloradas no mundo inteiro e de muitas “críticas de (supostos) experts”, por isso venho a público colocar um ponto final sobre a situação.

Antes de mais nada, três dados para a leitura:

1. Para realizar nosso estudo, eu li TODAS as fontes de “adrenal fatigue”, desde o livro mais famoso, do Jim Wilson (Adrenal Fatigue: The 21st Century Stress Syndrome), até o livro do Michael e Dorine Lam (Adrenal Fatigue Syndrome), todas as publicações, encartes, livros “técnicos”, assisti a aulas nos Estados Unidos, de todas as sociedades que clamam pela existência desta suposta doença. E sempre com a cabeça (muito) aberta.

2. Ficou claro que os “grandes críticos” ou não leram, ou não entenderam, ou não quiseram entender (afinal, gera-se uma grande frustração a descontração de uma suposta doença que você tanto propagou; é esperado que se lute até o fim para que ela “permaneça”, apesar de todas as evidências contra).

3. Eu de fato acredito que ainda demoramos muito para diagnosticarmos disfunção ou redução da função das adernais. Por isso, aqui eu convoco a todos os interessados a entenderem como de fato pesquisar essa disfunção, quando desconfiarem que a adrenal é de fato a causa dos sintomas (inclusive convoco a todos os críticos a repensarem sobre isso; afinal a preocupação de ir até o final para solucionar a vida do paciente, acabar com um sofrimento, isso sim grande parte dos meus críticos tem uma real preocupação, e eu os parabenizo por isso).

Análise crítica dos estudos científicos

Então vamos tratar de alguns aspectos que foram “duramente criticados” (injustamente, por mera falta de leitura ou de compreensão), e como nós nos cercamos de todos os lados para não dar espaço para as críticas (para aqueles que de fato lerem com imparcialidade):

1. Nós não fomos apenas atrás do diagnóstico de insuficiência adrenal tal como visto pela endocrinologia. Se fosse assim, não teríamos encontrado nada. Pelo contrário, nós fomos atrás de absolutamente todas as formas, inclusive aquelas não oficialmente reconhecidas pelas sociedades de Endocrinologia, que designasse em algum aspecto redução da função adrenal, ou então “cansaço” ou então “fadiga” das adrenais, e aceitamos todos, mas todos os métodos propostos para tentar avaliar, incluindo os “mais exóticos”. Não foi a toa que conseguimos encontrar quase 3.500 artigos, e conseguimos selecionar 58 desses estudos, apesar de os grandes “apoiadores da doença” não serem exatamente “academicistas” (ok, concordo que a academia as vezes é muito conservadora, e por isso estou aqui! hehe). Por isso, saibam, o que tinha falando de redução adrenal ou qualquer coisa que pudesse vir a ser fadiga adrenal, nós colocamos, e não só “Doença de Addison”. Afinal, “fadiga adrenal”, como os próprios livros & textos & aulas & palestras clamam, gera disfunção, resposta anômala, perda do ritmo, e redução da responsividade das adrenais. Fomos muito abertos a encontrar dados, porque achamos no mínimo precoce a The Endocrine Society soltar uma nota falando que “fadiga adrenal” não existe sem antes fazer uma pesquisa ampla.

2. Encontramos muitos marcadores alterados de função adrenal. Sim, encontramos! Métodos distintos dos preconizados pela Endocrinologia, mas se os autores mostraram resultados significativamente diferentes entre “fadigados” e “não fadigados”, não podemos ignorar essa alteração. Contudo, porém, associação NÃO MOSTRA CAUSALIDADE (uma lógica simples e intuitiva do pensamento científico). Ou seja, o fato de encontramos um cortisol salivar alterado, por exemplo, não significa que a adrenal seja a culpada do problema; ela pode ser, e normalmente é, uma consequência de uma alteração. E você trata a consequência ou a real causa?

3. Um erro sistemático dos trabalhos e também um equívoco muito comum da medicina que foge do padrão mais elevado é esquecer (de propósito?) que um sintoma pode ser decorrente de muitas doenças. Isso se chama diagnósticos diferenciais. Só que na fadiga, o diagnóstico induzido por sites e livros funciona assim: “você tem fadiga? etc? etc? então você deve ter fadiga adrenal!” como se não houvesse outras patologias que levassem a esses sintomas. Aliás, quando um sintoma dá o diagnóstico de uma doença, chamamos de patognomônico, é de extrema valia para a medicina porque ajuda a diagnosticar, só que infelizmente não é comum. Aí, os trabalhos esqueciam que “precisam excluir outras causas”. E pasmem, fadiga tem mais de 200 diagnósticos possíveis! Por que só a adrenal (a glândula da conspiração) leva a culpa?

Cortisol Awakening Response

4. Um grande achado foi um Cortisol Awakening Response (CAR – resposta do cortisol ao acordar) reduzido em fadigados. Aí todos os que estudaram um pouco mais usam esse método, ou do ritmo de cortisol salivar (eu me recuso a discutir sobre o uso de cortisol sérico basal para diagnóstico, porque absolutamente nenhum trabalho mostrou correlação). Só que existe um detalhe importantíssimo que invalida completamente esse método. O CAR é a resposta de cortisol ao despertar, que deveria fisiologicamente aumentar algo como 30% a 70% nos 30 a 60 minutos seguintes ao despertar. Só que quem dorme mal já acorda com o cortisol mais elevado, e com isso, esse “aumento fisiológico” não ocorre porque ele já acordou com o cortisol mais alto; além disso, em termos percentuais, mesmo que se tenha um aumento, como o cortisol ao despertar já está mais alto, atingir um aumento proporcional de 30% ou mais (afinal, o aumento em percentual de aumento depende dos níveis absolutos do cortisol ao despertar) é quase impraticável. Mas aí um erro muito claro: quem é o culpado, a adrenal (as adernais) ou a má qualidade do sono? E aí, quem você precisa tratar?

5. Corticoides, mesmo em doses baixas, dão sensação de bem estar em qualquer pessoa. Por isso, costuma satisfazer o paciente do médico que o prescreve, porque este já se sente melhor no curto prazo, com ou sem problema nas adrenais. Só que existem consequências, como doenças do coração, obesidade, diabetes e fraturas, mesmo em doses baixas, como eu coloquei no estudo. E como ele melhora qualquer pessoa, ele não funciona como teste terapêutico (do tipo: tá vendo como suas adrenais eram o problema? afinal, você melhorou repondo o cortisol!), mas funciona como uma ótima ferramenta de marketing médico (viu como te ajudei a melhorar?).

6. Voltando à relação de causa, absolutamente nenhum trabalho foi capaz de mostrar que a adrenal era de fato a causa da fadiga e dos sintomas, dos 58 que investigamos. Por isso, NINGUÉM PODE AFIRMAR QUE FADIGA ADRENAL EXISTE. Simples assim.

7. Porém, isso não impede de usar o CAR, por exemplo, como marcador de melhora. Então, eventualmente, em um paciente com o CAR reduzido, melhorando-se o aspecto do sono, manejo do estresse, etc, e este apresentando um aumento do CAR, significa sim que ele provavelmente apresentou melhora da função adrenal como resposta à melhora do sono e à melhora global (vejam, mais uma vez, as adrenais como consequência, e não causa, dos problemas e dos sintomas).

E o cansaço excessivo? Posso usar corticoides?

8. De fato um cortisol mais baixo pode estar associado a mais cansaço (no caso extremo, a insuficiência adrenal clínica, o cansaço é uma característica chave). Porém, mais uma vez, a falha de resposta adrenal é uma consequência de desajustes, e não causa dos problemas. A boa medicina corrige o que gerou o problema, e não o reflexo deste problema. Por isso, recomendo tratar o que gera a “disfunção adrenal”.

9. Os suplementos do “adrenal support” ou “suporte adrenal” que NÃO TENHAM CORTICOIDE podem eventualmente ajudar na regularização do ciclo sono-vigília, do estresse, etc, e se estes cursarem com melhora das respostas adrenais, não vejo impedimento algum para usa-las. Afinal, se o paciente melhorar com algum tratamento que não tenha riscos e que não “artificialize” o funcionamento hormonal do corpo, ou que não deixe o corpo funcionando somente a base de hormônios externos, mesmo que “naturais” ou “bioidênticos”, é muito melhor (até para não criar dependência dos hormônios).

10. Ok, concordo que nós da endocrinologia por vezes esperamos demais para diagnosticar insuficiência adrenal (ou “fadiga adrenal extrema” ou qualquer expressão que usem para designar redução de função adrenal). Mas existem métodos adequados e comprovados para demonstrar problemas na adrenal (vejam que eu fujo do que me clamam por buscar “somente a insuficiência adrenal da Endocrinologia retrógrada” – que jeito horrível de nos chamar, até porque me acho super moderno hehehe) antes da insuficiência franca e grave das adrenais, e mostrando que as adernais são de fato CAUSA do problema (que aí sim merecem ser tratadas). Aqui cabe um outro artigo enorme para discorrer sobre as formas de diagnóstico.

11. Em resumo, não adianta, qualquer ladainha que venha em forma de crítica em tudo que já vi e ouvi após nossa publicação (até carta pro editor, que obviamente não deu em nada, porque não existe justificativa plausível) não invalida nosso trabalho; aliás, só fortalece o que fizemos. E nós fomos fundo, abertos a aprender (e eu confesso que aprendi, e muito). Agora, sejam científicos de fato, questionem, e não sejam levados por puro marketing e poder de oratória. E não é porque concordamos em alguns aspectos com determinado profissional (ou palestrante, ou autor de livro) que precisamos seguir cegamente a todas suas recomendações.

Conclusão

Sejam vocês mesmos. Usem o melhor de cada informação que vocês obtém, mas sempre questionem, seja quem for. A Endocrinologia clássica, ou melhor, científica, é de longe a que mais estuda, a com melhor embasamento de fato, a que traz as verdadeiras respostas e a que resolve os problemas quando eles realmente existem. Concordo que precisa melhorar em alguns aspectos, principalmente no tratamento baseado no paciente, e não no guideline ou no médico, mas isso é uma questão de tempo.

Um grande abraço a todos!

Dr. Flávio A. Cadegiani, M.D., PhD in progress

Médico Endocrinologista e Metabologista / Endocrinologist (RQE 12.397)

Título de Especialista em Endocrinologia e Metabologia pela SBEM / Board Certified in Endocrinology and Metabolism by the Brazilian Society of Endocrinology and Metabolism

Mestre e Doutorando em Endocrinologia Clínica pela Universidade Federal de São Paulo / Escola Paulista de Medicina (Unifesp/EPM) / Master Degree and PhD in progress in Clinical Endocrinology at Federal University of São Paulo

Residência Médica em Endocrinologia e Metabologia / Fellowship in Endocrinology and Metabolism

Residência Médica em Medicina Interna / Medical residency in Internal Medicine (RQE 12.397)

Pós-graduação em nutrologia (ABRAN) / Specialization in Medical Nutrition

Formado pela Universidade de Brasília (UnB) / Graduated by University of Brasilia (UnB)

Fellowship em Síndrome da Fadiga Crônica pela University of Miami (UM) / Fellowship in Chronic Fatigue Syndrome – University of Miami (UM)

Membro especialista da The Endocrine Society (Endocrine Society) / Specialist member of The Endocrine Society

Membro especialista da AACE (American Association of Clinical Endocrinologists) / Specialist member of the American Association of Clinical Endocrinologists

Membro especialista da TOS (The Obesity Society) / Specialist member of The Obesity Society (TOS)

Membro da ABESO (Associação Brasileira para Estudos da Obesidade) / Member of Brazilian Association for Obesity Studies)

Médico CRM/DF 16.219 / CREMESP 160.400

O que é RQE?

RQE é o registro, perante os conselhos regional e federal de medicina, que atestam sua especialidade como verdadeira, seja ela por residência médica ou por prova de título de especialista, ou por ambas, a depender da especialidade. Este é o número que garante que seu médico é especialista de verdade na área que você busca. Os QREs estão disponíveis nos sites dos CRMs e do CFM.

Saiba mais sobre o que é ser um Endocrinologista neste link.

Artigo do Dr. Frederico Lobo sobre Fadiga Adrenal

Nota de Esclarecimento da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia sobre Fadiga Adrenal

Mar 25

Massa de Espinafre com Molho Tom-Gencurpim (picante!)

By rafaelreinehr | Caldeirão de Sabores , Gastronomia

Uma boa receita para quem gosta de molhos picantes e com sabor marcante!

Massa de Espinafre:

Para a massa, basta pegar o espinafre (um maço) e bater no liquidificador ou na centrífuga e depois coar.

Se você usa ovos, use 100g de farinha de trigo grano duro para cada 1 ovo. Depois de amassar um pouco é só ir incluindo o suco de espinafre e polvilhar um pouco mais de farinha, pois a água do espinafre vai exigir mais farinha.

Se quiser manter a massa vegana, dá pra substiruir o ovo por linhaça dourada. Para saber como fazer isso, dá uma checada aqui neste link.

Se preferir evitar o glúten, fique à vontade para trocar a farinha de trigo pela de arroz, mas não sei o resultado! Nunca fiz!

Molho Tom-Gercunpim

Esse nome esquisito veio dos principais ingredientes do molho. Vamos a eles:

Azeite de oliva extra-virgem
Saquê, vinco branco ou cachaça para deslassar
1 Cebola picada
1 colher de sopa de Alho picado
2 latas de tomates cereja (ou cerca de 40 a 50 unidades de tomates cerejas frescos bem maduros)
Gengibre fresco picado a gosto
Açúcar de palmeira
Pimenta do reino
1/2 Pimenta dedo de moça desidratada (pode ser fresca também) bem picadinha
Sal a gosto
Pasta de curry vermelho
Manjericão fresco (ou liofilizado)
Salsinha fresca picada
Pimentões das cores que você dispor/desejar, cortados em fatias finas

Refogue a cebola e o alho no azeite de oliva, logo a seguir adicione o gengibre picadinho e a pimenta. Coloque 1 colher de sopa de saquê ou outra bebida alcoólica para realçar o sabor. Quando o álcool evaporar, adicione os pimentões, mexa e tampe. Adicione o açúcar de palmeira e a pasta de curry. Mexa e deixa cozinhar por cerca de 3 a 5 minutos, para amolecer os pimentões. Adicione os tomates cerejas, esmague os para que todos fiquem com a casca perfurada (facilita para amolecer e cozinhar bem). Adicione o sal, a pimenta do reino a gosto e o manjericão. Deixe apurar o gosto em fogo baixo, por vários minutos (10 a 15 minutos), mexendo de vez em quando, para não grudar no centro. Prove o molho e corrija o sal. Quando estiver pronto, desligue o fogo e adicione a salsa picada finamente. Misture tudo e, com o molho ainda quente, jogue o conteúdo do molho sobre a massa já cozida al dente.

Aproveite! Bom apetite! Se fizer a receita e gostar, comente e compartilhe! Se tiver alguma ideia ou sugestão para torná-la ainda melhor, deixe sua sugestão nos comentários!

 

 

Mar 19

Aaaaarg.fail, Sci-hub, LibGen, TAL, LBRY e outros repositórios livres para artigos científicos, livros e mídias variadas

By rafaelreinehr | Blogs e Internet , Cibercultura

Somos contemporâneos de uma época de Transição. Mais uma delas, por sinal. Vislumbramos o surgimento da Internet com toda sua potência e possibilidades, a liberação de criações antes  privadas, tornadas acessíveis a todos com acesso à WWW (Napster, Audiogalaxy, Torrents). Aaron Swartz morreu defendendo o conhecimento livre, aos 26 anos.

Esta postagem não tem o intuito de recuperar toda a história das lutas pelo OKN (Open Knowledge, ou Conhecimento Livre), mas traz algumas das ferramentas atuais que podem ser utilizadas por quem deseja se aperfeiçoar a partir do conhecimento acessível e compartilhado na web.

Vamos a elas:

Aaaaarg.org –  http://aaaaarg.fail: Originalmente conhecida como aaarg.org, um acrônimo para Artists, Architects, and Activists Reading Group, foi criada por Sean Dockray e após vários processos, precisou mudar de domínio mais uma vez, hoje sendo hospedada em http://aaaaarg.fail. Trata-se de um grande repositório de livros de ciências humanas, arte contemporânea, teoria crítica, artigos científicos, teses, anotações e trabalhos que dificilmente são encontrados em qualquer outro lugar. Para não perder contato, se eles precisarem mudar de endereço mais uma vez, siga-os no twitter em https://twitter.com/aaaarg

Sci-Hubhttp://sci-hub.cc: Criado pela neurocientista russa Alexandra Elbakyan, o Sci-hub é, na verdade, um script que “desbloqueia” e libera o acesso a milhões de artigos científicos de várias revistas e editoras espalhadas pelo mundo. Seu objetivo é “remover todas as barreiras no caminho da ciência”.

Library Genesishttp://libgen.io: Um gigantesco repositorio de livros, revistas, quadrinhos, pinturas e artigos científicos. Diversão garantida por dias e dias e dias e dias…

LBRY – https://lbry.io: Criada por Jeremy Kaufman, pretende ser o futuro do compartilhamento digital. Uma biblioteca digital descentralizada onde cada um é dono do seu próprio conteúdo e pode distribui-lo gratuitamente ou de forma paga, sem publicidade ou custos de intermediação. Inicia em ABRIL DE 2017. Quer ser um dos primeiros a conhecer? Acessa por aqui: https://lbry.io/get?r=B6IVb

TAL – The Anarchist Libraryhttp://teias.org/tal: A Biblioteca Anarquista é o maior repositório de textos anarquistas e libertários da atualidade, em várias línguas. A versão brasileira ainda está em construção. Se você deseja contribuir com ela, deixe um comentário!

Se você quer saber um pouco mais sobre o conceito de RECURSOS EDUCACIONAIS ABERTOS (REA em português e OER (Open Educational Resources) em inglês), leia meu capítulo sobre o assunto no livro Recursos Educacionais Abertos – Práticas Colaborativas e Políticas Públicas. O capítulo chama-se Recursos Educacionais Abertos na Aprendizagem Informal e no Auto-didatismo e pode ser lido AQUI.

Se você conhece outras plataformas que espalham o conhecimento livre, compartilhe nos comentários! Elas serão adicionadas ao texto do artigo.

Gostou deste artigo? COLABORE para que possamos fazer mais: http://reinehr.org/viva-o-mecenato/

Referências: 

  1. https://www.memoryoftheworld.org/blog/2014/10/28/aaaaarg-org/
  2. https://monoskop.org/Aaaaarg
  3. https://monoskop.org/The_Public_School
  4. https://pt.wikipedia.org/wiki/Aaron_Swartz
  5. https://pt.wikipedia.org/wiki/Alexandra_Elbakyan
  6. https://twitter.com/LBRYio
  7. https://lbry.io/news/20000-illegal-college-lectures-rescued
  8. https://www.youtube.com/watch?v=DjouYBEkQPY
  9. Recursos educacionais abertos na aprendizagem informal e no autodidatismo
  10. http://www.livrorea.net.br/livro/home.html
Mar 10

É Assim Que Se Aprende Endocrinologia! Nutriendocrinologia, Cursos Caça-Níqueis e Outros Desvios Éticos Aos Quais Você Precisa Ficar Atento

By rafaelreinehr | Medicina e Saúde

Como se forma um endocrinologista?

Quando você vai ao Endocrinologista, e ele solicita alguns exames, estabelece um diagnóstico e lhe sugere um tratamento, por trás dele existem 10 anos de estudo e aperfeiçoamento (6 anos na Faculdade de Medicina, 2 anos na residência de Medicina Interna e 2 anos na residência de Endocrinologia e Metabologia). Somente os estágios de residência (4 anos), exigem cerca de 11.500 horas de dedicação entre atendimentos ambulatoriais, pacientes internados, realização de procedimentos, rounds de discussão de pacientes e casos clínicos, estudos e plantões, muitos plantões!

Além disso, é importante lembrar que  para fazer Medicina, é necessário um concurso público. Para fazer Medicina Interna, mais um concurso público, com funil bem mais apertado. E para fazer Endocrinologia ainda mais um concurso público, com pouquíssimas vagas, onde somente os melhores entram.

Somente quem realiza residência médica em Endocrinologia e Metabologia ou é aprovado em uma prova anual de proficiência em Endocrinologia que tem direito ao RQE – Registro de Especialista, um número que deve estar presente em toda e qualquer publicidade e carimbo do médico. Fique atento(a)!

E um “nutriendocrinologista”?

Enquanto isso, vemos proliferar pelo Brasil uma onda de “cursos de formação” de “nutriendocrinologistas”, especialistas em “modulação hormonal”, criadores de síndromes inexistentes como “fadiga adrenal” e “hipotireoidismo com hormônios normais”, que são claramente atraídos pela existência de um público que está sempre em busca de algo novo e que não tem, necessariamente, a criatividade suficiente para se defender de pessoas cuja maior preocupação é não a saúde das pessoas mas aquela do seu próprio bolso.

Estes cursos de formação, alguns deles “aprovados pelo MEC” (pois tem o número suficiente de doutores que o MEC exige, entre outros parâmetros), são criados para beneficiar em primeiro lugar aqueles que os ministram (já que são cobrados altos valores para garantir a participação) e muitas vezes são realizados à distância, com um encontro presencial mensal. Para entrar? Basta pagar. Nenhuma seleção pública.

No outro dia, vi uma postagem de uma profissional da saúde se vangloriando de ter concluído um destes cursos, realizado por um “proeminente” médico, conhecido por sua visão polêmica em assuntos como “óleo de côco”, colesterol, dieta do hCG, no qual ela havia realizado 360 horas e havia sido certificada como “nutriendocrinologista”, palavra que em verdade não significa NADA, pois não é área de atuação reconhecida nem pelo MEC, nem pelo CFM, nem pela SBEM nem por nenhuma entidade internacional médica ou de saúde.

Como ocorrem os desvios éticos?

O que acontece a seguir? O próximo passo é começar a alimentar seu blog e Instagram com conteúdos relacionados à Nutrição e Endocrinologia, exaltando a sua “pós-graduação realizada em tal instituto ou com Dr. X”. O leitor incauto não consegue facilmente discernir entre alguém que realmente conhece a fundo todos os meandros e implicações endocrinológicas e metodológicas (o Médico Endocrinologista) daquele formado em cursos de final de semana (o “nutriendocrinologista”). Como nos lembra o doutor em Psicologia Moral Jonathan Haidt, nosso cérebro tende a se afixar primariamente às aparências e depois busca justificativas racionais para aceitá-las, ao invés de primariamente buscar discernir com cuidado sobre aquilo que se apresenta perante aos nossos olhos.

Assim, fica um alerta: se você realmente se preocupa com a sua saúde, busque ir além da superficialidade da internet. Descubra se o médico com o qual você está se consultando realmente dedicou – e continua dedicando – boa parte da vida para bem cuidar de você.

Descubra se o médico é um especialista de verdade

Entre na página do Conselho de Medicina do seu Estado, coloque o nome do médico que você quer saber mais (ou o CRM dele) e descubra se ele tem registro de especialista – ou se ele está enganando você com falsas promessas.

Por exemplo, as páginas dos Conselhos Regionais de Medicina do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina são as seguintes:

RS: Médicos Ativos no RS

SC: Busca Médicos em SC

Na figura abaixo:

“Isso é com que se parece aprender Endocrinologia”

“Assim a 17-alfa-hidroxilase age na progesterona que se torna 17-alfa-hidroxi-progesterona que pode ou receber a 21-hidroxilase para se tornar 11-desoxicortisol ou receber 17,20-liase para se tornar a androstenediona”

“Eu estou confuso”

“Oh, desculpe! É um pouco complicado no começo. Mas eu trouxe comigo este diagrama que vai ajudar!”

Uma excelente jornada em busca do seu médico de confiança!

Glossário:

RQE: O RQE nada mais é que o Registro de Qualificação de Especialista. Trata-se de uma certificação, criada pelo Conselho Federal de Medicina, que tem a função de deixar claro quando um profissional da saúde é especialista em alguma área. Após a criação do RQE, tornou-se vedado aos médicos a auto divulgação como especialista, ainda que tenham sido aprovados no Exame de Título de Especialista. O RQE é emitido pelo Conselho Regional de Medicina de cada Estado. Para os médicos, o RQE é essencial para transmitir aos pacientes mais segurança e credibilidade, pois através dele fica comprovada a sua capacidade de especialização em sua área, reconhecida pelo CRM. Para os pacientes: antes de se consultar com qualquer profissional de medicina que se denomine especialista, cheque se o mesmo possui RQE. Trata-se de uma maneira simples e eficaz de evitar fraudes e profissionais despreparados.

hCG: Gonadotrofina Coriônica Humana, utilizada sem embasamento científico adequado como auxiliar no processo de emagrecimento. Existem estudos demonstrando que seu uso pode ser deletério à saúde. Vide http://www.endocrino.org.br/media/uploads/PDFs/posicionamento_oficial_hcg_sbem_e_abeso.pdf

CFM: Conselho Federal de Medicina – Regulamenta o Exercício da Medicina no Brasil – http://portal.cfm.org.br

CRM: Conselho Regional de Medicina – todo Estado tem o seu, monitora e regulamenta a atividade dos médicos em nível estadual

MEC: Ministério da Educação e Cultura

SBEM: Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (http://endocrino.org.br) – Entidade Associativa que reúne médicos endocrinologistas de todo país, organiza eventos científicos e promove o esclarecimento da população quanto a assuntos relacionados à Endocrinologia e Metabologia e suas sub-especialidades.

 

Out 24

Encontrando pessoas genuínas e singulares… Criando um Agora melhor para todos…

By rafaelreinehr | Bem-estar , Medicina e Saúde , Medictando

Bem, quem me conhece sabe do meu idealismo… Um pouco dele pode ser visto aqui, no meu convite aberto escrito em 01/01/2012 no texto Eu tive um sonho.

Mas construir uma realidade melhor para nossa espécie e para os demais seres vivos que harmonizam conosco nesse planeta não é tarefa para uma pessoa só. Mas como já dizia a Margaret Mead: “Nunca duvide que um pequeno grupo de cidadãos conscientes possa mudar o mundo. Afinal, foi isso o que sempre aconteceu“.

E cá estamos nós, buscando reunir pessoas que pensem e atuem “fora da caixa”, ou seja, que não se sujeitam a repetir os mesmos e velhos processos mastigados e desgastados de outrora, mas que buscaram por si e que galgaram através da experiência, do conhecimento e da observação atenta um caminho novo, singular e harmônico para si e para as pessoas ao redor. Quer seja em pequenos ou grande atos, estamos unidos por uma teia invisível que nos leva ao Bem Comum.Se você está lendo este texto é porquê, provavelmente, está atendendo ao meu convite feito na Rede Dots. Relembrando o que escrevi lá:

 

“Queridx dot, cheguei há algum tempo e depois de observar, resolvi tomar coragem e me apresentar.

Sou o Rafael, médico endocrinologista, fundador da Coolmeia Ideias em Cooperação e do Medictando & ZenNature, iniciativas voltadas à promoção do Bem Comum, à educação em Saúde, Qualidade de Vida, Bem-estar e Felicidade e à distribuição de produtos para o Bem viver, respectivamente.

Passo aqui para solicitar seu auxílio em algo que pode trazer um bem danado para o nosso mundão. Como médico “um pouco diferente” que sou, estou sempre à procura de profissionais das áreas de saúde, bem-estar, qualidade de vida e felicidade “fora da caixa”, fora desse sistema industrial insano no qual vivemos e, se não tomarmos atitude, morreremos.

O que quero de vocês é simples: quero indicações de médicos, nutricionistas, psicólogos, fisioterapeutas, dentistas, bioconstrutores, arquitetos, designers sociais, economistas, cientistas políticos, antropólogos, cicloativistas, ativistas socioambientais, defensores de energias limpas e renováveis, recicladores, terapeutas e curadores de todos os tipos e todo tipo de pessoa preocupada com o bem-estar geral da humanidade e do planeta que, entretanto, mantenham um olhar crítico sobre a própria prática, sem torná-la hermeticamente fechada.

Quero fazer a estas pessoas o convite de tornarem-se colunistas do Medictando e ampliarem o bem que produzimos, para que possamos chegar a cada vez mais pessoas.

Posso contar com você para isso? Se este convite ressoar e fizer sentido para você, marque as pessoas que julgar que possam se interessar ou envie um e-mail para info@medictando.com

Vais me deixar muito feliz e ajudar muito ma minha jornada para deixar este mundo melhor para nossos filhos.

Namastê.”

Bem, se você já está decidida(o) a participar do Medictando, aqui vai o link para o Formulário no qual você pode fazer sua inscrição para a criação de sua coluna: Vou Ser Colunista do Medictando.

Se você, por outro lado, quer saber mais antes do começar, siga lendo!

Antes de mais nada, saiba que eu ADORARIA (de verdade! mesmo!) poder falar individualmente com cada uma das pessoas que levantou o dedo ou que foi indicada a partir daquela postagem no grupo Dots, mas a resposta foi tão mais maravilhosa do que eu podia esperar e, mesmo extasiado e imensamente feliz, sei que não poderei fazer isso em um curto período de tempo, e como não queria deixar ninguém esperando, a solução que tive foi esta: a de criar uma postagem que comunicasse de forma coletiva A que viemos, quem somos e, a partir dela, iniciar um fluxo de conversações mais lento e orgânico, como deve ser. Sem pressa, cultivando horizontes e resgatando potências poéticas da vida no caminho.

A riqueza das respostas ainda está me energizando mesmo depois de vários dias, e sou imensamente grato ao Universo e à Natureza por estar tendo esta chance de apresentar meu trabalho a você, agora.

O Medictando é um portal de Educação em Saúde, Qualidade de Vida, Bem-estar e Felicidade. Ele surgiu a partir de uma inquietação e de uma busca. De uma incompletude. A história é mais ou menos assim:

Em uma das múltiplas derivações possíveis deste sonho, surgiu o Medictando, um espaço de aprendizagem sobre Saúde, Bem-estar, Qualidade de Vida e Felicidade. Uma plataforma na qual pudéssemos colecionar e remixar conhecimentos ancestrais e de vanguarda, científicos e intuitivos, oriundos da experiência dos laboratórios, dos consultórios, das conversas de vizinha e dos pés de mangueira. Um ambiente no qual pudéssemos meditar sobre a prática do medicar.

Uma percepção mais detalhada para saber a que viemos, pode ser lida no Nossa Visão. Mas não é só isso. Siga lendo!

O Medictando é um portal cuja missão é produzir 80 a 90% de seu conteúdo e distribui-lo de forma gratuita, para que o maior número de pessoas possíveis possam se beneficiar. Para garantir a sustentabilidade da nossa iniciativa, escolhemos dois caminhos:

  1. Criar uma série de cursos, oficinas, livros, materiais de apoio (CDs, DVDs), palestras que eventualmente podem ter um custo e, desta forma trazer justo e verdadeiro benefício também para o criador desta dádiva que é o conteúdo gratuito.
  2. Criar um “braço econômico”, através de um marketplace, uma vitrine de produtos orgânicos, saudáveis e sustentáveis, oriundos do comércio justo, que não maltratem os animais e respeitem a harmonia do humano e da Natureza. Essa vitrine chama-se ZenNature (natureza zen) e está neste momento convidando produtores parceiros para exporem e distribuirem seus produtos através da nossa plataforma.

Hoje, o investimento mensal para manutenção do Medictando (jornalista, designer gráfico, social media, anúncios, servidor e demais custos) é custeado por mim. No futuro, o próprio site e seus mecanismos de sustentabilidade econômica deverão se tornar, também, autossustentáveis. Acreditamos no propósito e no caminho, e com trabalho, apoio mútuo e dedicação, os frutos sobrevirão, no justo e adequado tempo.

No momento, toda colaboração é muito bem-vinda (tanto na forma de produção de conteúdo (artigos, podcasts, vídeos, cursos online (temos estrutura para disponibilizar estes cursos para os produtores de conteúdo) quanto na forma de auxílio em todas as instâncias da plataforma – gestão, revisão, deliberação criativa, tradução, arte, design, produção audiovisual…).

Conheça o site visitando http://medictando.com

Nossa página no face está em https://facebook.com/medictando

Também estamos no twitter, no Youtube, no Instagram e mui timidamente no Periscope.

Sem muito alarde, mas com foco, amor e perseverança, temos o pequeno sonho de nos tornarmos um dos melhores produtores de conteúdo sobre Saúde, Qualidade de Vida, Bem-estar e Felicidade do Brasil até 2020 e, quem sabe, um dos mais significativos do planeta até 2031 (já estamos caminhando, com tempo te conto todas as iniciativas já em andamento!)

Tão logo os recursos disponíveis passem a se tornar excedentes, passaremos a remunerar toda e qualquer função dentro do Medictando. Mas fica um alerta!!! Já participei de vários projetos online desde 2002 e isso (a perspectiva de remuneração) não pode ser fator determinante para que você decida participar deste projeto! O fator determinante sempre deverá ser o de buscar produzir o máximo de Bem Comum a partir da sua ação intencional neste planeta.

Se você está de acordo com isto, não perca tempo e preencha o formulário abaixo, falando mais sobre Você e sobre sua Coluna:

Formulário de Participação no Medictando

Se você gostaria de participar do Medictando de outra maneira que não através de uma coluna, por favor envie um e-mail (info@medictando.com) e explique como você se vê colaborando! Estou muito atento!

A partir destas respostas, e se houver interesse verdadeiro em participar, estarei entrando em contato individualmente para conversar sobre os detalhes particulares de cada um!

Espero que esta mensagem te traga o bem,

Namastê.

Rafael Reinehr
Segunda-feira, 24 de outubro de 2016.

 

Out 07

Revelando Quem Eu SouL – Quando medito sobre o que faço

By rafaelreinehr | Bem-estar , Buscando a si mesmo , Efervescências , Novidades!

O video abaixo é um “retrato histórico de um homem”, ele cria uma espécie de “foto em movimento” de um momento bem específico no tempo. Um registro de um estágio da evolução, da caminhada em busca da coerência de um ser humano. O documento audiovisual foi criado pelo Pedro Céu (http://pedroceu.com), a quem sou muito grato. Te convido a assistir.

Jul 01

Pequeno guia para o futuro médico, por Rafael Reinehr

By rafaelreinehr | Bem-estar , Buscando a si mesmo , Novidades! , Quase Filosofia

Pedras harmonia

Hoje estou completando 40 anos de idade. Como gosto de dizer, estou chegando ao final do primeiro quarto da minha vida. Vamos aos 120 faltantes!

Nos últimos anos, questionei meu próprio lugar na profissão que escolhi, lá nos meus 16 ou 17 anos: a Medicina.

Muito deste questionamento adveio da desilusão  em relação à indústria da Medicina: a mecanização e desumanização do atendimento, o farmacocentrismo do tratamento, diagnósticos cada vez mais superficiais em função de uma atenção cada vez menor ao que os sinais e sintomas do paciente tem a nos dizer, a falta de desejo verdadeiro dos próprios pacientes em buscar a melhora de suas condições (ou pelo menos a motivação insuficiente em realizar as mudanças de hábito de vida necessárias a uma vida saudável) e a consciência de que as ferramentas que me haviam sido passadas na Medicina Alopática Ocidental eram, apesar de poderosas, francamente insuficientes para cumprir a missão à qual havia sido designado.

Mas, curiosamente, nos últimos 2 anos, começou a surgir uma percepção diferente de como eu poderia gerar uma reação a este modelo medicocêntrico e recuperar o “tesão” pela promoção da saúde, de uma forma nunca antes experimentada por mim nestes últimos 16 anos de formado.

Essa reação veio na forma de duas iniciativas. A primeira delas, o Medictando, um portal de Educação em Saúde, Qualidade de Vida, Bem-estar e Felicidade. Em resumo, um portal que tem como missão ajudar as pessoas a Bem Viver; a segunda, a ser lançado ainda neste mês de julho, a ZenNature, um espaço onde efetivamente o bem viver é representado pelos produtos que consumimos e que trazemos para dentro de nossa casa, para nossa família e para dentro dos nossos corpos.

Para bem além do conceito de “ausência de doença”, a abordagem de saúde que busco promover é aquela inspirada pelo Benson-Henry Institute, de Boston: criar as condições para que cada ser humano atinja sua potência plena na face da terra, enquanto um ser vivo integral em suas dimensões física, mental, emocional, social e espiritual.

Passei quatro décadas aprendendo. É hora de devolver ao Universo um pouco da sabedoria que me foi concedida, ao mesmo tempo em que sigo, continua e dedicadamente, absorvendo e aprendendo com todo estímulo possível que me é ofertado.

E em breve, tenho um convite muito muito especial a te fazer. Vou te convidar a participar junto comigo desse sonho e desse caminho, como meu apoiador ou minha apoiadora, lá na página do Patreon que estou criando para possibilitar que esta jornada, que esta aventura seja a mais intensa, duradoura, profunda e abrangente possível. Te quero parte dessa tribo de pessoas que acreditam no humano como força propulsora de sua própria vontade, como catalisador da mudança de um estado atual para outro, melhor.

Estou preparando um texto, que vou transformar em vídeo, para te explicar melhor como você pode me ajudar! Fique atento(a) nos próximos dias!

Pedras equilíbrio harmonia

Para que este escrito aqui não se transforme em um romance, me despeço recuperando aqui um pequeno textículo que escrevi em 21/08/1998, quando ainda era estudante do nono semestre de Medicina da UFRGS. Creio que ele serve como ponte para o momento atual que vivo e que vivi naquela época, há 18 anos:

Pequeno guia para o futuro médico

  1. O médico ocupa-se com um único organismo, o sujeito humano, em luta para preservar sua identidade em circunstâncias adversas;
  2. Curiosidade intelectual é essencial; apenas o médico curioso pode progredir em relação à doença do paciente assim como na ciência da Medicina;
  3. A prática da Medicina é uma arte tanto quanto uma ciência; a habilidade de um médico em ajudar um paciente depende não apenas de seu conhecimento mas da maneira que ele o utiliza;
  4. As ferramentas mais importantes do médico continuam sendo seus olhos, mãos e ouvidos; as capacidades básicas em cuidar de pacientes requerem inspeção, palpação e, mais importante, a escuta atenciosa;
  5. Nem sempre se pode curar uma pessoa, mas sempre podemos confortá-la;
  6. Tornar-se médico não é apenas completar a faculdade e a residência: é antes de mais nada escolher por um modo de vida, permeado e determinado por questões morais e éticas, para o resto da vida;
  7. Cada palavra que pregamos, cada ato que realizamos, irradia de nossos corpos e vai se espalhar, distribuindo à Natureza nossos sentimentos, sentimentos esses que são por ela captados e devolvidos integralmente. Só quando todos nos dermos conta disso poderemos, finalmente, curar uma pessoa. Até lá, nos resta seguir aprendendo.

 

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