Do Mito à Razão ao Mito da Razão

By Rafael Reinehr | Terapias de bem-estar

Jul 27
Samuel Hahnemann

Samuel Hahnemann        Criada há mais de 200 anos, por Samuel Hahnemann, a homeopatia usa o princípio das múltiplas diluições e o princípio de quesimilares devem ser tratados com similares, ou seja: dilui-se uma substância igual ou semelhante àquela que causa a enfermidade centenas de vezes até muitas vezes não haverem mais resquícios da mesma em determinada amostra e oferecem-se pequenas quantidades desta substância, acreditando que, desta forma, o organismo reconheceria o semelhante e reagiria a ele de forma positiva, levando ao controle ou cura da doença.

        A Ciência questiona o fato de como uma substância aquosa (ou alcoólica-aquosa) sem nenhum princípio ativo identificável, possa gerar qualquer efeito em um dado organismo. Esta mesma Ciência também clama por ensaios clínicos randomizados bem controlados, aqueles feitos com grande número de pessoas sendo que, para um grupo é dado o medicamento e para o outro uma substância chamada placebo, comumente aceita como uma substância livre de efeitos benéficos ou colaterais (as chamadas “pílulas de farinha”).

 

 Samuel Hahnemann

        A Rede Globo em seu programa dominical Fantástico apresentou há alguns meses uma série que prometia esclarecer ao espectador leigo uma dúvida que há muito assola o mundo científico: afinal de contas, a Homeopatia funciona ou não? Quais são suas bases e as evidências a favor e contra?

        Criada há mais de 200 anos, por Samuel Hahnemann, a homeopatia usa o princípio das múltiplas diluições e o princípio de que similares devem ser tratados com similares, ou seja: dilui-se uma substância igual ou semelhante àquela que causa a enfermidade centenas de vezes até muitas vezes não haverem mais resquícios da mesma em determinada amostra e oferecem-se pequenas quantidades desta substância, acreditando que, desta forma, o organismo reconheceria o semelhante e reagiria a ele de forma positiva, levando ao controle ou cura da doença.

        A Ciência questiona o fato de como uma substância aquosa (ou alcoólica-aquosa) sem nenhum princípio ativo identificável, possa gerar qualquer efeito em um dado organismo. Esta mesma Ciência também clama por ensaios clínicos randomizados bem controlados, aqueles feitos com grande número de pessoas sendo que, para um grupo é dado o medicamento e para o outro uma substância chamada placebo, comumente aceita como uma substância livre de efeitos benéficos ou colaterais (as chamadas “pílulas de farinha”).

        O problema é que, apesar de já ser aceita pela Associação Médica Brasileira como especialidade médica (passível de ser exercida tão somente por alguém graduado anteriormente em Medicina), tais estudos ainda estão em andamento e os poucos realizados não apresentaram força nem capacidade de convencimento suficientes à comunidade científica. Esta mesma  Associação aprovou a homeopatia pelas suas capacidades de beneficiar os pacientes ou para resgatar um mercado que vinha se perdendo aos homeopatas (anteriormente não-médicos) que vinham galgando degraus e enchendo aos borbotões seu consultórios na década de 80?
Do outro lado, os adeptos e praticantes da homeopatia defendem-se afirmando que, embora ainda careçam de comprovação científica, a comprovação prática no dia-a-dia seria impressionante, usando para tal relatos de numerosos casos individuais cujo sucesso da terapêutica variou de discutível a estrondoso.

        Apesar de não se poder demonstrar por A + B os mecanismos exatos de funcionamento da homeopatia, assim como não o podemos fazer com a benzedura, os rituais de pajelança e de outras terapias assim ditas “alternativas” em nosso meio, é fácil visualizar que, para um determinado grupo de pessoas estas influências podem ser positivas. Muito mais crível é a hipótese de que quem está realizando a verdadeira terapêutica não é a benzedura ou a homeopatia, mas tão somente o impacto biopsicoimunológico causado pela relação entre o paciente, seu terapeuta e o meio utilizado por este terapeuta.

        Estão muito bem comprovados – cientificamente – os efeitos do estresse, da depressão, da privação de sono, da má nutrição em nosso organismo. Em tempos onde uma consulta médica alopática dura em média 15 minutos, qualquer outro terapeuta, cujo poder é investido a ele por uma sociedade médica ou mesmo pela sociedade que o acolhe e o denomina como tal (como é o caso das benzedeiras), tem plena capacidade e poderes de produzir efeitos curativos ou paliativos em uma infinidade de doenças.
Por fim, o que tento aqui expressar é que, por mais que esta discussão se acirre, temos que ter clara uma questão, a de que a vida humana na face da terra é constituída de ciclos. De tempos em tempos reiniciamos um novo ciclo, que vai do Mito à Razão e ao primeiro torna, em uma espiral sem fim. Assim é a vida da humanidade: avançando e retrocedendo simultaneamente, seguindo uma direção que não sabemos (e podemos saber?) onde vai dar.

        Vivemos hoje o Mito da Razão, onde a Ciência tenta estabelecer seu reinado absoluto. Os questionamentos estão surgindo e seus questionadores estão cada vez em maior número e força. Mas isto é papo para outra coluna…