GATTACA

By Rafael Reinehr | Blogosfera

Jun 20

De onde viemos, para onde vamos. Guanina, Adenina, Timina, Timina, Adenina, Citosina, Adenina.

        O futuro da blogosfera brasileira: até onde concorremos? Concorrência na blogosfera brasileira: mito ou realidade? Essas perguntas estão sendo respondidas (ou lidas), no exato instante que escrevo, por quem sabe uma, duas ou 10 dezenas de pessoas mundo afora. A força dos memes como esse para o qual fui convidado pelo amigo Wagner Fontoura, do Boombust é inegável. Reproduz-se tal qual um vírus; ou um príon. Desta vez, não serei eu a dar uma de Nelfinavir, ou Valaciclovir ou outro Antiviral. 

De onde viemos, para onde vamos. Guanina, Adenina, Timina, Timina, Adenina, Citosina, Adenina.

        O futuro da blogosfera brasileira: até onde concorremos? Concorrência na blogosfera brasileira: mito ou realidade? Essas perguntas estão sendo respondidas (ou lidas), no exato instante que escrevo, por quem sabe uma, duas ou 10 dezenas de pessoas mundo afora. A força dos memes como esse para o qual fui convidado pelo amigo Wagner Fontoura, do Boombust é inegável. Reproduz-se tal qual um vírus; ou um príon. Desta vez, não serei eu a dar uma de Nelfinavir, ou Valaciclovir ou outro Antiviral.

         Para responder a este meme, vou me basear em algo que escrevi há algum tempo, mas que, com nova roupagem, diz muito acerca do tema em questão e me leva onde quero chegar. À carga:

“Nem sempre temos inspiração para escrever. Às vezes, não temos vontade de escrever sobre aquele tema da moda, sobre o assunto polêmico ou sobre o que quer que seja.

Nessa hora, nos pegamos fitando ao largo, percebendo a pilha de blocos de rascunho à nossa direita; os livros enfileirados na estante, esperando que sua solidão seja encerrada com uma visita nossa; as revistas, os CDs, os papéis no lixo; um violão estático retribui o olhar, como se perguntasse:

-"O que está havendo com você? Cadê aquela sua energia de tempos atrás? Você trabalhou muito para ter cada um de nós, e agora, é isso que merecemos? Ficarmos de lado, jogados a um canto, esquecidos?"

Compromissos se avolumam, a vida adulta chega com toda força e tira nossas defesas. Chegamos a um tempo onde tudo parece se transformar na busca por uma pretensa "estabilidade".

Trabalhamos horas incontáveis no afã de encontrar um ponto no futuro onde poderíamos, se quiséssemos, nunca mais trabalhar; nossa situação econômica assim nos permitiria.

Passamos a ir dormir pensando no que fazer no dia seguinte, nos trabalhos e nos compromissos. Muitas vezes, esquecemos de dar toda atenção que aquela pessoa que se encontra ali, bem pertinho e que divide conosco nossas angústias, merece.”

Feita esta introdução, passarei a caminhar em direção aos pontos de convergência com o meme ao qual fui “desafiado”.

         A competição existe. Ela é um fato. Uma vez que vemos olhos atentos às notícias fresquinhas para serem replicadas em seus blogs, para, por sua vez, manter a “clientela” satisfeita. Vemos manipulações bem estruturadas para auxiliar os mecanismos de busca a levar mais “pára-quedistas” (potenciais compradores dos produtos anunciados que caem por acaso em determinado site, em resposta a um clique no link da ferramenta de busca). Percebemos formações de comunidades de probloggers, blogueiros unidos com o intuito estrito ou parcial de gerar renda com seus blogs. Percebemos leitura aprofundada e comentários acerca de casos de sucesso na Inglaterra, Austrália e Estados Unidos. Passamos a conhecer um fenômeno chamado “niche blogging”, ou Blogagem em Nichos – sendo que os mais bem sucedidos (e também disseminados) em geral são os que tratam de tecnologia. Somos testemunhas de ânimos acirrados, discussões e querelas entre pessoas por migalhas, por falhas na comunicação. Ruídos na comunicação, como diria Habermas.

         É inegável que competição vai existir, principalmente quando existe uma redundância na utilização de nichos e termos parecidos. Existem, entretanto – e é aí que está a grande sacada – uma quantidade absurda de espaços não explorados por esta nova indústria – a da monetização da Blogosfera. Cada um precisará, ao mesmo tempo, encontrar algo sobre o qual goste e saiba falar e, ainda, que seja algo raro ou que seja um dos pioneiros.

         Como no mercado tradicional, existirá também uma saturação de determinados nichos, que farão, naturalmente, todos empobrecerem (ou melhor, fará com que ninguém receba o suficiente para valer o esforço). O que vemos hoje, entretanto, são repetições das histórias de sucesso: já que deu certo com ele, vai dar certo comigo também. A realidade, apesar de simples,  nem sempre á tão simplista. Se abrires uma locadora de DVDs a uma quadra de uma outra locadora de DVDs porque ouviste falar que o proprietário de lá ganha 5000 reais por mês. O mais provável é que o mais antigo passará a ganhar 3000 ou 3500 e o novato fique com a parcela de 1500 a 2000 reais, em um primeiro momento, se tanto.

         Voltando a Blogosfera e à competição, tenho opinião bem formada em relação à competição e concorrência, em um âmbito geral:

         Não fui feito para o mundo empresarial. Sou adepto da COLABORAÇÃO e COOPERATIVIDADE. Não gosto de ganhar quando sei que alguém vai perder. Agora, gosto de ganhar quando todos com quem trabalho ganham também (e quando, de um ponto de vista ecológico, posso fazer isso de forma sustentada sem pisar sobre ninguém).

         Peço ajuda a alguns amigos, que sintetizaram melhor do que eu poderia algumas opiniões das quais partilho:

Devemos escrever para nós mesmos, é assim que poderemos chegar aos outros
Eugène Ionescu

Se queres ser universal, fala da tua aldeia
Leon Tolstoi

Só existe um êxito: a capacidade de levar a vida que se quer.”
Cristopher Morley

 "Não sofremos de falta de comunicação, mas ao contrário, sofremos com todas as forças que nos obrigam a nos exprimir quando não temos grande coisa a dizer".
Gilles Deleuze

Não sei se fui poético em demasia, mas expressei minha opinião da forma mais pessoal que pude. Ao final, a Blogosfera é este “laboratório onde se misturam em uma panela de expressão tanto o resultado das forças sociais e culturais que nos estimulam a pensar, agir e escrever o que pensamos, agimos e escrevemos quanto os subversivos que vivem de explosões de espírito ou já souberam se desvencilhar em parte destas "forças poderosas" que nos "obrigam" exprimir algo que não mereceria ser dito. Aqui, nos congraçamos todos. E fodam-se os pseudo-intelectuais de plantão…"

Rafael Reinehr

 

Para terminar, leia isto.

E isto:

 

A mediocridade do talento

"Quem entre nós não tem talento? Mesmo aqueles que nada têm, têm talento até os políticos – até os jornalistas… Fique pois dito de uma vez para sempre: quem me disser que eu tenho talento, ofende-me; quem me disser que sou um homem de talento, aflige-me.
Renego o vosso talento; despejo-o com os jornais na latrina. Falo-vos claro; para mim o talento não é senão o grau sublime da mediocridade. O talento é aquela forma superior de inteligência que todos podem compreender, apreciar e amar. O talento é aquela mistura saborosa de facilidade, de espírito, de lugares-comuns afetados, de filiteísmo um tanto brilhante que agrada às senhoras, aos professores, aos advogados, aos mundanos, às famosas pessoas cultas, em suma, a todos os que estão meio por meio entre o céu e a terra, entre o paraíso e o inferno, a igual distância da animalidade profunda e do gênio grande."

Giovanni Papini, em "Um homem liquidado"

 

OBS: trechos entre aspas excetuando-se os das citações assinadas são de autoria de Rafael Reinehr, publicados previamente na revista literária Simplicíssimo.

OBS 2: assistam GATTACA

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