Se falará muito sobre como reduzir nossa pegada no mundo, como nos tornarmos carbono-neutros, sobre utilização de meios coletivos e alternativos de transporte, a utilização da bicicleta, o uso de energias renováveis e não poluentes, sobre a redução do consumo para reduzir o impacto na exploração de matérias primas e a produção de lixo, a preservação de espécies em extinção, a criação de reservas para proteção de árvores e matas nativas e mais, muito mais. Será, sem dúvida, um dia muito rico, com idéias brilhantes de um lado e reprodução do senso comum do outro.
Eu, por minha vez, vou deixar aqui apenas uma reflexão, uma pergunta que não quer calar:
Se uma grande nação, ou um conjunto delas, assim como uma grande corporação, ou um conjunto delas, praticam a exploração indiscriminada dos recursos naturais de um país ou região, preocupando-se tão somente com o desenvolvimento econômico imediato, sem previsão e provisão futura, é fácil comcordar-se que isso trata-se de uma violência. Está se roubando o futuro de gerações que ainda estão por vir, e o tamanho dessa violência é incomensurável.
Agora, digamos que um grupo de ativistas radicais resolva usar a força para evitar que estas corporações continuem agredindo, saqueando e violentando o ambiente, impedindo o acesso dos representantes destas corporações e países aos seus locais de trabalho, aos seus locais de reunião, agindo até com violência contra o patrimônio – não contra os indivíduos – destas empresas predatórias. A pergunta é: estes novos atos de violência se justificam, tendo em vista que pretendem impedir a imediata lapidação de um bem da humanidade ou você acha que “toda violência é má, porque é violência”?
Justifico a pergunta rapidamente, para que você possa refletir e responder: nos últimos 40 anos ativistas ecológicos têm insistido em ações pacíficas do tipo passeatas carregando faixas com dizeres de ordem contra a dilapidação da natureza, por vezes com dezenas de milhares de participantes. Entretanto, estas caminhadas não chegaram sequer a arranhar a superfície do status quo, e as corporações estão cada vez mais famintas e ativas na destruição limitada apenas pela capacidade de suas máquinas de produzirem e pelo consumo crescente estimulado por uma mídia hipnótica que manipula nossos desejos em um mundo fragmentado, onde o produto de consumo é deificado. Repito a pergunta: utilizar-se de formas violentas contra o patrimônio de empresas que acreditam que a destruição da natureza por elas imposta é justificada e justificável no intuito de fazê-las “repensar” suas atitudes é algo válido? Existe outra forma de fazê-las parar com suas atividades predatórias? Qual seriam essas formas?
Reflita, e ajude meus netos e os netos
deles, se puder...

(esta postagem está sendo publicada simultaneamente no projeto Nossa Opinião. Confira lá no site a opinião dos outros integrantes do projeto)
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Rafael Reinehr é médico endocrinologista, mas seus olhos vasculham o horizonte em busca de soluções para criar um Mundo Melhor através de iniciativas como a Coolmeia, Ideias em Cooperação.
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Comentários
Enquanto isso não acontece, todo esforço para preservação é um paliativo.
Bem radical, claro... mas sou completamente a favor do "vandalismo", terrorismo poético, protestos... e a guerra civil, cada vez mais, parece ser a única saída...
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