Sicko - Michael Moore |
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| Cinema - Ando Vendo | ||||||||
| 25 de julho de 2007 | ||||||||
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Eu acredito que se as
pessoas pobres votassem em pessoas que representassem os seus interesses, seria
uma verdadeira revolução democrática. E não querem que isso aconteça, por isso
mantém as pessoas oprimidas e pessimistas. Penso que há duas formas nas quais
as pessoas são controladas: em primeiro lugar, assustar as pessoas e em
segundo, desmoralizá-las. Em uma nação educada, saudável e confiante é mais
difícil governar. Acho que há um elemento no pensamento de certas pessoas: não
queremos que as pessoas sejam educadas, saudáveis e confiantes porque ficariam
fora de controle.
1% da população
mundial detém 80% da riqueza, é incrível que as pessoas tolerem isso, mas elas
são pobres, estão desmoralizadas e estão assustadas, então pensam que o mais
seguro é seguir ordens e esperar o melhor.”
Para entender essa mensagem libertária cunhada por Tony Benn, ex-integrante do parlamento inglês, é preciso assistir com atenção ao novo documentário de Michael Moore. Ainda sem previsão de lançamento no Brasil, o filme já pode ser baixado via torrent em vários distribuidores pela Internet. Michael Moore é daqueles que é idolatrado ou amado, poucas pessoas depois de o conhecerem e a suas idéias conseguem ficar indiferentes a ele. No Brasil, várias pessoas já demonstraram sua aversão a sua forma de produzir documentários, taxando-o de manipulador ou ficcionista. A história dos documentários, entretanto, foi sempre, desde Jean Rouch ou mesmo antes, com Flaherty, uma história de construção ou reconstrução de uma história. É virtualmente impossível – Einstein mesmo já demonstrou – tornar-se totalmente isento frente ao objeto de estudo. Michael Moore faz aquilo que muitos gostariam de fazer mas não têm coragem. Isso machuca o âmago de quem se ressente facilmente. Não importa o que digam, virei fã do gordinho bonachão mas de humor feroz e ácido desde sua inesquecível atuação na entrega do Oscar de Melhor Documentário que ganhou por Tiros em Columbine em 2003, quando lembrou a todos, em plena cerimônia de entrega do Oscar, que se vivia naquela época tempos fictícios, onde uma eleição fictícia levou um homem fictício (George Bush) ao poder, e este havia criado uma guerra fictícia e enviado soldados americanos para lá.
Desta vez, Michael Moore mostra o absurdo que virou o sistema de “managed care” (cuidados gerenciados de saúde), onde grandes empresas gerenciam a verba que ganham de seus associados e tratam de gastar o mínimo possível buscando ampliar seus lucros, negando, por vezes, tratamentos essenciais e fundamentais ao americano médio, que não tem nem mesmo a opção de escolher seu médico. Em contraponto, Michael Moore mostra como funciona a saúde do Canadá, na Inglaterra, na França e em Cuba. As lágrimas vêm aos olhos várias vezes durante o documentário, pois com freqüência somos lembrados das vilezas que nossa raça humana é capaz de impetrar a si mesmo. O poder e a capacidade destrutiva do capital e de seus asseclas é assustadora.
É neste contexto que a frase de introdução desta resenha se encaixa. Veja o filme e escute pérolas como esta, saídas da boca de Moore:
“Foi difícil reconhecer que no fim das contas estamos todos no mesmo barco e que, independentemente das nossas diferenças, nadamos ou vamos ao fundo em conjunto. É assim que parece ser em todo lado. Tomam conta uns dos outros, quaisquer que sejam as suas divergências. Sabem, quando vemos uma boa idéia vinda de outro país, nós a adotamos. Se construírem um carro melhor, nós o dirigimos, se fizerem um vinho melhor, nós o bebemos. Por isso, se arranjaram uma forma melhor de tratar os doentes, de ensinar os seus filhos, de cuidar dos seus bebês, de serem simplesmente bons uns para os outros, então qual é nosso problema? Porque não conseguimos fazer isso? Eles vivem num mundo de “nós” e não “eu”. Nunca conseguiremos consertar nada enquanto não mudarmos esta coisa básica. As forças no poder esperam que isso nunca venha a acontecer.”
Assista e emocione-se, se ainda tem coração.
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“Acho que a democracia
é a coisa mais revolucionária do mundo, mais revolucionária do que idéias
socialistas ou de qualquer outra pessoa. Se tiver poder, ele é usado para
prover as suas necessidades e as da sua comunidade. E esta idéia de escolha, de
que o capital fala constantemente, “tem que ter uma escolha”, a escolha depende
da liberdade de escolher.










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