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Os Médicos chegaram ao fundo do poço sem fundo

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Medicina - Acordando com a Adrenal
15 de maio de 2007

Os MÉDICOS chegaram ao fundo do poço.


O "Diário de Natal" publicou uma carta patética sobre o aviltamento da

profissão médica, caracterizado pela desvalorização do "Coeficiente de

Honorários" em 308% nos últimos nove anos, o que representa um decréscimo no

valor recebido pelos profissionais, se calculado em dólar, em 351%.

O documento, mais que uma reclamação, uma seríssima denúncia do ponto a que

chegaram os médicos, grande parte dos quais à beira da insolvência

financeira, leva assinatura do Dr. Paulo Ezequiel, funcionário das

Secretaria de Saúde Municipal e Estadual, no Rio Grande do Norte, e que

recebeu a imediata solidariedade de outros nove médicos da rede Estadual,

que também é a carta aberta.

A repercussão foi tão grande, que por conta própria médicos do Brasil

inteiro passaram a retransmitir a carta para colegas e amigos, via e-mail.

É a seguinte a íntegra do documento:


"Médicos, companheiros de profissão, como descemos...

Quando meu pai, médico, aposentou-se há nove anos, disse que estava fazendo

aquilo porque a profissão médica havia chegado ao fundo do poço e não

aguentava ver a classe descer mais do que aquilo.

Nesses nove anos os salários e até o CH (coeficiente de honorários), criado

para proteger o trabalho médico, desvalorizou 308,68% se comparado ao

salário mínimo ( e nós pagamos salários baseados no mínimo aos

funcionários)

; desvalorizou 73,47% pelo IBG que mede o índice de preços ao
consumidorinflação), índice este que sabemos ser maquiado pelo Governo
Federal.
Se "dolarizarmos" nossas perdas, elas chegam a 351,81%. Como descemos...
Inicialmente fizemos cortes no orçamento, depois aumentamos a carga de
trabalho, passando a dar mais plantões. Cortamos férias, nos tornamos
"clientes especiais" dos bancos, inicialmente eventuais, hoje cativos..
Não temos tempo s equer para nos organizar. Como descemos!
Não podemos lutar sequer na Justiça, pois o Judiciário jamais votaria a
nosso favor, mesmo que estejamos certos. Os juízes já votaram seu próprio
aumento salarial e, se votassem o nosso, poderia não sobrar para eles.
Em 1994 um médico recebia R$ 755,00 e um promotor público R$ 1.300,00.
Hoje, o médico recebe os mesmos R$ 755,00 e o promotor mais de R$ 8.000,00.
Que diferença de responsabilidade ou de um curso faz com que ocorra tal
disparidade? Sem falar de vereadores, auditor fiscal e outros cargos que,
devido ao seu poder de autogestão dos salários foram evoluindo
exponencialmente, enquanto nós retrocedemos

Como descemos! E a culpa, de quem é? De nós mesmos! Nós, que deixamos a
coisa ocorrer sem reagir. Talvez devido à celebre frase:
"Medicina é sacerdócio!". Mas até os padres, hoje em sua maioria vivem bem,
comem bem, dormem bem, têm carro, vestem-se bem, viajam.
A culpa é nossa por t ermos aceitado dar plantões em condições mínimas!
Sem água? Compramos água.
Comida ruim? Compramos comida.
Não há material? Improvisa Tudo em prol da continuidade do serviço e do
paciente.
A culpa é nossa por termos criado uma cooperativa médica que pode proteger a
todos, menos ao médico.
Veja uma diária hospitalar hoje e há oito anos. Quem protege quem? Os planos
de saúde aprenderam que não temos tempo para reclamar e pagam o que querem,
quando querem e se quiserem. Como descemos!
Chegamos no nosso carrinho, cara de cansados, exaustos, na verdade,
maltrapilhos e somos atendidos pelo gerente do plano de saúde: bem dormido,
gravata, perfumado e de carrão zero às nossas custas. Burros de cangalha é o
que somos!
O Governo também aprendeu que não temos força para cobrar o que é de
direito: retira gratificações, suspende pagamentos. É como se fôssemos
isentos de obrigações financeiras. .
Coitados de nós! Como descemos!!!!
Temos medo de pedir um orçamento a um pintor ou pedreiro.
Estamos apertados para pagar o colégio dos nossos filhos.
Achamos que se continuarmos assim, vamos acabar pagando para trabalhar.
Estamos enganados! Já estamos pagando, pois as noites em claro nos renderam
doenças e problemas de saúde que nossa aposentadoria do Estado de R$ 400,00
somados ao INSS de R$ 800,00, mais talvez uma previdência privada, não
conseguem cobrir.
Pagamos, porque a nossa ausência em casa na busca de manter um "padrão de
vida",não tem preço. Nossos filhos estão à mercê de drogas e maus exemplos,
devido ao abandono.

E como dizer aos nossos filhos para estudarem, pois vale a pena ? Eles vêem
o exemplo do pai que estudou tanto, fez tantos cursos, passou tantos
concursos e tem uma qualidade de vida tão ruim. E aí vem o "Big Brother", as
novelas e pessoas que vivem melhor, até de forma ilícita. É difícil fazê-los
compreender que os que nos mantêm em nossa profissão, o que nos alimenta a
alm a e o espírito são duas coisas: o amor pela prática médica e a
incapacidade que temos de reverter todo o investimento que fizemos à mesma.
Se o medo é de pagarmos para trabalhar, pode ficar ciente de que já estamos
fazendo isso! Acho que deveríamos ser mais radicais e não aceitarmos
imposições, pois sabemos que estamos totalmente certos !
Temos que ganhar melhor para atendermos melhor a nossos pacientes.
Temos que dormir bem, para atendermos melhor a nossos pacientes.
Temos que estudar e nos atualizar, para atendermos melhor a nossos
pacientes. Queira ou não, tudo isso depende de remuneração !"

ESTÁ NA HORA DE TODOS OS MÉDICOS DO BRASIL SE UNIREM POR MELHORES CONDIÇÕES
DE TRABALHO E REMUNERAÇÃO DIGNA , ATUALIZADA !!!!!!
CHEGA DE SERMOS ESCRAVOS, HUMILHADOS !!
SEM UNIÃO, NADA CONSEGUIREMOS !!
UM JUIZ SALVA A VIDA DE ALGUÉM ? ENTÃO PORQUE ESTA DISPARIDADE DE SALÁRIOS
EM RELAÇÃO AO NOSSO ??

LEMBREM-SE QUE SOMOS NÓS QUEM TEMOS A CAPACIDADE DE SALVAR VIDAS, E VIDAS
NÃO TEM PREÇO !!

José Augusto Freire

Neurosurgeon

Cuiabá – MT - Brazil

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