Estudos Sobre Filosofia Oriental


Um famoso mestre espiritual aproximou-se do Portal principal do palácio do Rei. Nenhum dos guardas tentou pará-lo, constrangidos, enquanto ele entrou e dirigiu-se aonde o Rei em pessoa estava solenemente sentado, em seu trono.

“O que vós desejais?” perguntou o Monarca, imediatamente reconhecendo o visitante.

“Eu gostaria de um lugar para dormir aqui nesta hospedaria,” replicou o mestre.

“Mas aqui não é uma hospedaria, bom homem,” disse o Rei, divertido, “Este é o meu palácio.”

“Posso lhe perguntar a quem pertenceu este palácio antes de vós?” perguntou o mestre.

“Meu pai. Ele está morto.”

“E a quem pertenceu antes dele?”

“Meu avô,” disse o Rei já bastante intrigado, “Mas ele também está morto.”

“Sendo este um lugar onde pessoas vivem por um curto espaço de tempo e então partem – vós me dizeis que tal lugar NÃO É uma hospedaria?”

 

Como sempre, a simplicidade do pensamento Zen, a apresentação de sua lógica irrepreensível através do conto acima nos leva a refletir acerca da impermanência de todas as coisas. Assim como no conto A tigela, somos levados a pensar sobre qual é o sentido de nos apegarmos tanto a este mundo material se o mesmo não passa de um estado passageiro.

(conto retirado daqui.)

 

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Segue uma anedota famosa concernente ao mestre rinzai Ikkyu, que viveu, aproximadamente, há 03 ou 04 séculos.
Ikkyu era, então, um monge muito jovem que vivia num templo zen, onde vivia também seu irmão. Um belo dia, esse último deixou cair no chão uma tigela da cerimônia do chá, que se quebrou; a tigela era ainda ais preciosa porque fora presente do imperador. O chefe do templo admoestou-o severamente, fazendo chorar o mongezinho.
Ikkyu, todavia, recomendou-lhe que não se preocupasse:
– Tenho sabedoria. Posso encontrar uma solução.
Juntou os pedaços da cerâmica, colocou-os na manga do seu kolomo e foi descansar no jardim do templo, enquanto esperava, pachorrento, o regresso do mestre. Tanto que o avistou, foi ao seu encontro e propôs-lhe um mondo:
– Mestre, os homens nascidos neste mundo morrem ou não morrem?
– Morrem, decerto – respondeu o mestre. – O próprio Buda morreu.
– Compreendo – volveu Ikkyu – , mas no que respeita às outras existências, os minerais ou objetos também estão destinados a morrer?
– É claro! – reponde o mestre – Todas as coisas que têm forma devem morrer necessariamente, quando surge o momento.
– Compreendo – disse Ikkyu. – Em suma, como tudo é perecível, não deveríamos precisar chorar nem lastimar o que já não existe, nem sequer zangar-nos com o destino.
– Está visto que não! Aonde queres chegar? – inquiriu o mestre.
Ikkyu tirou da manga do kolomo os destroços da tigela, que apresentou ao mestre. Este ficou boquiaberto.

(conto retirado de Contos Zen)

E se nos déssemos o tempo para pensar, um pouquinho só, veríamos que nesta grande verdade – a impermanência de todas as coisas – paira o segredo para viver bem o presente. Viver bem o presente não significa tão somente aproveitar tudo no aqui e agora colocando em risco nossa saúde e a própria vida, mas certamente também não significa jogar a felicidade para o futuro. Significa dosar com sabedoria as escolhas do sia-a-dia, levando sempre em conta esta noção – a da impermanência (do trabalho, dos relacionamentos, da vida).

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Chávena de chá

Chávena de chá


Posted By on ago 3, 2008

Chávena da CháUm professor de filosofia foi ter com um mestre zen, Nan-In, e fez-lhe perguntas sobre Deus, o nirvana, meditação e muitas outras coisas. O Mestre ouviu-o em silencio e depois disse.

– Pareces cansado. Escalaste esta alta montanha, vieste de um lugar longíquo. Deixa-me primeiro servir-te uma chávena de chá.

O Mestre fez o chá. Fervilhando de perguntas, o professor esperou. Quando o Mestre serviu o chá encheu a chávena do seu visitante e continuou a enchê-la. A chávena transbordou e o chá começou a cair do pires até que o seu vistante gritou:

– Pára. Não vês que o pires está cheio?

– É exatamente assim que te encontras. A tua mente está tão cheia de perguntas que mesmo que eu responda não tens nenhum espaço para a resposta. Sai, esvazia a chávena e depois volta.

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Mestre zen e a impermanênciaOntem assisti ao filme Jogos do Poder (Charlie Wilson’s War), acerca da ajuda estadunidense ao Afeganistão para derrotar a URSS durante a Guerra Fria. Um bom filme, que nos faz perceber que a História não é uma só. A História são estratos, perceptíveis de forma distinta de acordo com o diferente posicionamento do sujeito em relação a um determinado fato. Interessa a distância do ocorrido, o fato de estar dentro ou fora do acontecido, a intensidade com que ocorreu e também a quantidade e veracidade das informações que efetivamente chegaram ao sujeito que percebe a História.

Mas, neste filme, quase ao final, uma pequena parábola zen é contada e ela ilustra com magna sapiência um fato corriqueiro, que acontece diariamente e transforma a vida de muitas pessoas em um inferno de ansiedade ou depressão por não estarem a par desta noção tão simples e verdadeira que é a impermanência de todas as coisas. Inclusive dos acontecimentos e da História. Ascensão e queda, aquele que está por cima pode muito bem amanhã estar por baixo.

Leia a conto zen com atenção e verifique por si só. Observação: esta não é uma tradução literal do diálogo do filme, mas tão somente a lembrança que hoje tenho do diálogo ouvido entre Charlie e sua assistente Bonnie:

 

Em um pequeno vilarejo, um menino ganha de sua família um lindo cavalo. Ao verem o belo presente dado ao menino, todos à sua volta exclamam:
– Que maravilha!
E o mestre zen: Veremos…
Passa se algum tempo e o menino, ao andar com seu cavalo, cai e quebra a perna. Todos lamentam:
– Que desgraça!
E o mestre zen: Veremos…
Depois de alguns anos, o país entra em guerra, e todos os jovens do vilarejo são convocados para a luta e acabam morrendo, exceto o jovem com a perna enferma. Ao que a família conclui:
– Que maravilha!
E o mestre zen: Veremos…

 

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Cessar de buscar


Posted By on set 27, 2007

[00:10] giorgia: vamos fazer uma experiencia rapida
[00:10] { [ (Signifer animi ) ] }: mas, sabe, eu tenho uma impaciência e uma pacieência ao mesmo tempo
[00:10] { [ (Signifer animi ) ] }: não sei explicar
[00:11] giorgia: nao precisa me falar, mas imagina ai o momento mais feliz da tua vida
[00:11] { [ (Signifer animi ) ] }: ao mesmotempo que quero tudo pra ontem, não me importo se minhas tentativas não dão certo
[00:11] { [ (Signifer animi ) ] }: aí que entra o lado paciente
[00:11] { [ (Signifer animi ) ] }: agora
[00:11] { [ (Signifer animi ) ] }: o momento mais faleiz da minha vida é agora, aqui com você
[00:11] { [ (Signifer animi ) ] }: ops
[00:11] { [ (Signifer animi ) ] }: falei
[00:11] giorgia: isso ta muito zen!!!!
[00:11] giorgia: mas falando sério
[00:11] { [ (Signifer animi ) ] }: mas é verdade
[00:12] { [ (Signifer animi ) ] }: posso LEMBRAR de momentos muito felizes
[00:12] { [ (Signifer animi ) ] }: mas estou sendo sincero
[00:12] { [ (Signifer animi ) ] }: estou 100 % aqui
[00:12] { [ (Signifer animi ) ] }: e AGORA
[00:12] giorgia: então nosso exercicio nao vai funcionar… hehehehe
[00:12] giorgia: porque tu ja ta iluminado!
[00:12] { [ (Signifer animi ) ] }: mas vamos tentar fazer sua experiência
[00:12] { [ (Signifer animi ) ] }: haha
[00:12] giorgia: na verdade, foi uma palestra que eu fui com um psiquiatra que eu amei
[00:12] giorgia: aluno do prof. hermongenes
[00:12] giorgia: ate quero fazer um post sobre isso
[00:13] giorgia: o cara pediu pra gente imaginar o momento mais feliz da vida.
[00:13] giorgia: e esse momento normalmente tem a ver com uma CONQUISTA
[00:13] giorgia: então a gente associa felicidade com CONQUISTAS
[00:13] giorgia: mas ele diz que a felicidade está no fato de que, naquele momento, PARAMOS NOSSA BUSCA
[00:13] giorgia: que a felicidade tem a ver com o FIM DA BUSCA
[00:13] giorgia: e não com a conquista
[00:14] { [ (Signifer animi ) ] }: interessante
[00:14] giorgia: mas a gente confunde
[00:14] giorgia: associa com conquista e continua tentando conquistar coisas e mais coisas
[00:14] giorgia: quando o contentantamento é parar de buscar
[00:14] giorgia: estar contente aqui e agora
[00:14] giorgia: isso vem do vedanta
[00:14] { [ (Signifer animi ) ] }: pior que eu concordo com isso
[00:15] { [ (Signifer animi ) ] }: mas assim como minhas pacientes ansiosas que ganham peso porque não conseguem tapar os buracos deixados pelas angústias do dia-a-dia, eu luto bravamente contra minha consciência do que é melhor para mim
[00:15] giorgia: é super interessante, ne?
[00:15] giorgia: é do Vedanta isso
[00:16] { [ (Signifer animi ) ] }: na verdade, eu preciso justamente isso – parar de buscar
[00:16] giorgia: mas isso é ilumnacao…
[00:17] giorgia: por outro lado, a tua inquietacao é salutar… é isso que vai te permitir chegar no ponto de parar de buscar
[00:17] giorgia: quem nao tem inquietacao, nao chega la nunca
[00:17] giorgia: é um morto vivo…
[00:17] giorgia: é muita sorte ter essa tua inquietacao…
[00:17] giorgia: o professor hermogenes diz que é fome de Deus

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