Into the Wild Na Natureza Selvagem

Na Natureza Selvagem – Into the Wild (2007)

Into the Wild Na Natureza SelvagemAssisti agora há pouco Na Natureza Selvagem, um filme inspirado no livro homônimo, escrito por Jon Krakauer, sobre a vida de Chris McCandless, um jovem que aos 22 anos largou sua estável vida de bom aluno e classe média-alta em busca de liberdade e aventura.

Rebatizando-se Alexander Supertramp (superandarilho), rumou com destino ao longínquo e pouco habitado Alasca, para se embrenhar na mais inóspita Natureza. No caminho, cruzou com as vidas de muitas pessoas que lhe davam carona, casa ou um emprego temporário.

Uma bela fotografia, interessante trilha sonora composta por Eddie Vedder (ele mesmo, do Pearl Jam) e, principalmente, uma facada no coração deste mundo inóspito em que, na verdade, nós vivemos. Um mundo em que muitos vivem se relacionando cada vez mais com coisas e menos com pessoas e com a própria Natureza.

Uma grande mensagem do filme é a que transcrevo abaixo, e deve nos fazer refletir sobre seus vários significados:

"A felicidade só é real se compartilhada."

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Zeitgeist: Addendum

Lembram quando falei aqui sobre o filme Zeitgeist e toda aquela polêmica foi gerada? Pois desde o último dia 2 de outubro está disponível Zeitgeist: Addendum, a continuação do filme. Ainda sem legendas em português, pode ser visto na íntegra clicando no vídeo abaixo. No próximo fim-de-semana estarei fazendo a crítica do filme. Quer me acompanhar e assistir o filme? Já antecipo que está em grande consonância com muitas de minhas idéias, pois critica o sistema monetário atual mostrando sua fragilidade e como o Monetarismo é capaz de gerar sofrimento, miséria, ganância e infelicidade.

Desenferruje seu inglês e assista:

Você pode também ver o filme na íntegra em Português clicando no link Zeitgeist Addendum em Português.
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Mais do que você imagina

Mais do que você imagina – My mom’s new boyfriend (2008)

Mais do que você imaginaMais do que você imagina, mais uma das infelizes traduções de um nome de filme para a língua portuguesa (se bem que “O Novo Namorado de Mamãe” também não seria uma boa escolha…) conta a história da obesa Martha (Meg Ryan) e seu filho Henry (Colin Hanks), oficial do FBI que passa alguns anos fora de casa em uma missão secreta. Quando volta de sua missão e em função da aproximação de Tommy (Antonio Banderas), um suposto ladrão internacional de obras de arte de Marty (ex-Martha, agora dezenas de quilos mais leve), Henry é obrigado a espionar sua própria mãe para tentar desvendar o roubo de uma valiosíssima obra de arte que está para acontecer.

Contando com os novos lábios de Meg Ryan – cuja cirurgia plástica gritou aos olhos do espectador mais desligado, é uma comédia que consegue nos trazer uma mão cheia de risadas. Nenhuma grande surpresa, nada “remarkable” para citar. Nenhum grande drama, nenhuma novidade. Bom acompanhado de pipoca em uma tarde chuvosa sem nada para fazer na companhia de alguém delicioso. Sem este clima todo, seguiria em busca de outra opção.

O Suspeito

O Suspeito – Rendition (2008)

O SuspeitoA trama de O Suspeito mostra um procedimento chamado “Rendição Extraordinária”, que ficou comum nos Estados Unidos após o atentado de 11 de setembro de 2001 que permite ao serviço secreto – CIA e FBI – organizar e executar a extradição involuntária de suspeitos de terrorismo sem a aprovação judicial.

O envio destes suspeitos para prisões em países sem a supervisão judicial americana provocou e – suspeita-se – provoca ainda a tortura, humilhação e violação física e emocional de centenas de indivíduos, subitamente cerceados de sua liberdade sem direito à defesa justa ou mesmo sem acesso a um advogado.

O filme mostra justamente esta realidade, agora interpretada por Alan Arkin, Jake Gyllenhaal, Meryl Streep, Peter Sarsgard e Reese Witherspoon.

Além do bom enredo, que mostra simultaneamente o drama de Isabella El-Ibrahimi (Reese Whiterspoon) tentando desesperadamente encontrar seu marido tendo que enfrentar o hipócrita sistema político norte-americano e, no Cairo, o relacionamento supostamente amoroso entre a filha do inspetor de polícia local e um jovem colega de escola – personagem aparentemente periférico que será a chave para desbaratar o suspense que se instala.

OutlawedO jovem observador da CIA, interpretado por Jake Gyllenhaal, acaba também por mostrar (hollywodianamente) que o dever tem seu limite e a noção de justiça e humanidade devem sempre vencer a obediência cega à hierarquia. Um pouco difícil de acreditar, mas é Hollywood… Diversão acima de tudo.

A direção de Gavin Hood é competente e a sua decisão de incluir no DVD o documentário Outlawed: Extraordinary Rendition, Torture and Disappearances in the "War on Terror" produzido pela Witness, um grupo que usa vídeo e tecnologias online para abrir os olhos das pessoas à violação dos direitos humanos foi extraordinária. O complemento perfeito para o filme, que o torna ainda mais reflexivo e contundente.

Um filme feito por americanos mas que induz ao questionamento das escolhas que tem sido feitas pelos governantes desta nação tão poderosa mas ao mesmo tempo tão cruel.

A Vida dos Outros

A Vida dos Outros – Das Leben Der Anderen (2006)

A Vida dos OutrosVencedor do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, A Vida dos Outros não possui um personagem principal do início ao fim do filme. Existem vários protagonistas que se intercalam em diferentes momentos do filme, fazendo com que a narrativa tenha sempre uma dramaticidade intensa já que todos os personagens são fortes e possuem, graças em parte ao roteiro e em parte graças à direção de Florian Henckel von Donnersmarck, histórias que marcam cada um individualmente como em um romance muito bem escrito.

Ora é o Ministro da Cultura, que na Alemanha Oriental de 1984 manda e desmanda, escolhendo ditatorialmente quem publicará, quem dirigirá, quem atuará as peças teatrais quem rouba a cena, com sua arrogância característica entremeada por sua fragilidade impotente em conhecer o verdadeiro amor de uma atriz que ele admira; noutras é a famigerada atriz, que precisa entregar-se sexualmente ao Ministro da Cultura para poder seguir atuando e tendo os holofotes voltados a si e, ao mesmo tempo em que faz isso escondida de seu verdadeiro amor, o dramaturgo Geord Dreyman, trai a percepção de que a arte já está consigo e não precisa prostituir-se para buscar a arte; ou então vemos as coisas do ponto de vista de Dreyman, que apesar de idealista acabou por acomodar-se às regras dos “vermelhos” e não luta contra as mazelas de sua sociedade; finalmente, temos o capitão Wiesler, espião do Serviço Secreto Alemão, incumbido de vigiar Dreyman a mando do Ministro – que deseja incriminar Dreyman para eliminar seu rival amoroso – acaba por se identificar com a vida do artista e reconhece nele o ideal de vida que queria para si.

Ao contrário de algumas críticas que li por aí, percebi, a partir do momento em que Wiesler se identifica com Dreyman, um crescendo contínuo do filme que, longe de ressaltar apenas personagens planos, traz a verdadeira humanidade às telas – aquela em que um embrulho no estômago nos faz perceber que estamos trilhando o caminho errado e precisamos, de uma forma ou de outra, reajustar o prumo e nos redimir da melhor forma possível.

As cenas seguintes a este insight de Wiesler são todas neste caminho, e abrem espaço para a reflexão em todos nós, acerca das escolhas que fizemos até agora e sobre as possibilidade de novas escolhas, de novos caminhos.

Jogos do Poder

Jogos do Poder – Charlie Wilson’s War (2007)

Jogos do PoderA história não é uma só. A história são estratos, já disse isso em outro lugar.

O filme Jogos do Poder, estrelado por Tom Hanks, Julia Roberts e Philip Seymour Hoffman mostra os bastidores da invasão russa no Afeganistão durante a guerra fria, na década de 80. Os Estados Unidos, receosos em transformar a guerra fria em uma guerra “quente”, ou real, tratavam de auxiliar “por baixo dos panos” os muhajedins afegãos na resistência à invasão russa.

O congressista Charles Wilson (interpretado por Hanks) é um homem que adora um bom uísque e está sempre rodeado por belas mulheres. Os russos jamais poderiam imaginar que este homem seria capaz de, sob pressão de Joane Herring (Julia Roberts), a sexta mulher mais rica do Texas e uma paixão juvenil de Charlie, aumentar a verba anual de auxílio militar ao Afeganistão de 5 milhões para 1 bilhão de dólares, garantindo a chegada de mísseis anti-aéreos, mísseis anti-tanques e toda parafernália bélica necessária para conter a invasão russa.

Baseado no livro de George Crile, roteirizado por Aaron Sorkin (The West Wing) e dirigido por Mike Nichols (A Primeira Noite de um Homem, Closer), Jogos do Poder não é, de forma alguma, um filme de guerra. É, antes disso, um belo drama político com boas doses de muito bom-humor. Não deixa também de ser um filme que faz pensar em como a história que se apresenta diante de nossos olhos pode estar oculta por estes “jogos do poder”. Até que ponto as informações que chegam até nós são filtradas por quem quer que compremos suas idéias, versões ou produtos.

Nota geral do filme: 3,8 de 5 estrelas

 

Zona do Crime

Zona do Crime – La Zona (2007)

Zona do CrimePrimeiro longa-metragem do diretor uruguaio Rodrigo Plá conta a história de Alejandro, um adolecente que vive em La Zona, um rico condomínio residencial fechado na Cidade do México, protegido por forte sistema de segurança privado e cercado de um bolsão de pobreza. Nas primeiras horas de seu aniversário, três garotos da favela vizinha invadem uma das casas do condomínio e, durante o assalto fracassado, a dona da casa, uma mulher idosa é assassinada. A empregada doméstica consegue escapar e avisa os seguranças. Os guardas de La Zona agem rapida e brutalmente, matando a tiros dois dos três rapazes. O terceiro, de nome Miguel escapa mas permanece preso dentro de La Zona.

Atenção: a partir desta parte serão apresentados vários spoilers. Se ainda não viu o filme e não quiser saber antecipadamente algumas informações importantes acerca do roteiro, não continue lendo.

Os moradores acabam por ficar em um dilema: se avisam a polícia do que aconteceu, perdem os privilégios concedidos ao condomínio, que funciona de forma semelhante a um “estado autônomo”. Acabam por fazer a escolha alternativa: a de procurarem por conta o jovem intruso e darem cabo dele.

Alejandro encontra Miguel escondido no porão de sua casa e, de seu relacionamento com o invasor surgem uma série de questionamentos em relação ao comportamento dos adultos e também ao fato dele permanecer sempre preso dentro de La Zona, de onde não sai nem para ir à Escola.

A crítica social é nítida no roteiro e na forma com que Rodrigo Plá dirige o filme, entretanto algumas conexões deixaram de ser bem amarradas no decorrer da narrativa cinematográfica. O menino Alejandro modifica sua percepção de mundo de forma súbita demais, concorrendo para uma percepção surreal da situação, contrastando com a evidente necessidade de realismo que todo resto da trajetória narrativa convoca. Uma hora é o filho riquinho e no instante seguinte é o maior defensor do bandido. Não se trata aqui de nenhuma Síndrome de Estocolmo, tendo em vista que o seqüestrado na verdade era o jovem Miguel, exilado de seu mundo severo mas não tão hostil quanto o que o espera fora do porão da casa de Alejandro.

A Sociedade de Controle está claramente apresentada. Câmeras de segurança vigiam os passos de todos – bandidos e mocinhos. A lei das selvas tem seu lugar na modernidade, e a lei de Talião não é respeitada: ela é amplificada: as duas mortes não pagaram a primeira; precisa-se de mais uma para vingar a morte da velha senhora.

A expectativa de que a situação apresentada possa se tornar cada vez mais comum não vive somente no mundo da ficção: violência e caos urbano são crescentes e a diferença entre quem possui mais e quem tem menos é cada vez maior. O estado de Mal Convulsivo está próximo.

 

Sicko

Sicko – Michael Moore

SickoAcho que a democracia é a coisa mais revolucionária do mundo, mais revolucionária do que idéias socialistas ou de qualquer outra pessoa. Se tiver poder, ele é usado para prover as suas necessidades e as da sua comunidade. E esta idéia de escolha, de que o capital fala constantemente, “tem que ter uma escolha”, a escolha depende da liberdade de escolher.

 

Eu acredito que se as pessoas pobres votassem em pessoas que representassem os seus interesses, seria uma verdadeira revolução democrática. E não querem que isso aconteça, por isso mantém as pessoas oprimidas e pessimistas. Penso que há duas formas nas quais as pessoas são controladas: em primeiro lugar, assustar as pessoas e em segundo, desmoralizá-las. Em uma nação educada, saudável e confiante é mais difícil governar. Acho que há um elemento no pensamento de certas pessoas: não queremos que as pessoas sejam educadas, saudáveis e confiantes porque ficariam fora de controle.

 

1% da população mundial detém 80% da riqueza, é incrível que as pessoas tolerem isso, mas elas são pobres, estão desmoralizadas e estão assustadas, então pensam que o mais seguro é seguir ordens e esperar o melhor.”

 

Para entender essa mensagem libertária cunhada por Tony Benn, ex-integrante do parlamento inglês, é preciso assistir com atenção ao novo documentário de Michael Moore. Ainda sem previsão de lançamento no Brasil, o filme já pode ser baixado via torrent em vários distribuidores pela Internet.

         Michael Moore é daqueles que é idolatrado ou amado, poucas pessoas depois de o conhecerem e a suas idéias conseguem ficar indiferentes a ele. No Brasil, várias pessoas já demonstraram sua aversão a sua forma de produzir documentários, taxando-o de manipulador ou ficcionista.

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Zodíaco

Zodíaco – Zodiac

Zodíaco     Zodíaco é mais um dos filmes que tratam da história real do assassino em série que apavorou San Francisco a partir de 1969. Auto-denominado Zodíaco, o serial killer mandava enigmas para que a policia, os jornalistas e a população tentassem desvendar sua identidade. A investigação policial e de um cartunista do San Francisco Chronicles avança, mas Zodíaco parece estar sempre um passo a frente.

    Um filme longo, que alguns podem considerar maçante – pois não possui grande dose de ação – mas é, em verdade, um suspense muito bem amarrado, daqueles que nos leva a decidir por um assassino, voltar atrás e retomar uma ou outra hipótese, até que – bem próximo ao final, a verdade seja revelada. 

    Uma pedida ótima para os fãs do suspense policial, para um fim-de-semana (como todos) em que não existe nada para ver na TV e quando a chuva é tão forte que não dá pra sair de casa nem ir visitar ou receber visita dos amigos.

    Os astros do filme são Jake Gyllenhaal – o cartunista sabichão, Mark Ruffalo, o investigador esforçado mas que não consegue nada e Robert Downey Jr. no papel do jornalista Paul Avery, ameaçado em público pelo Zodíaco.

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Número 23 – The Number 23

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    Walter Sparrow é um apanhador de cachorros que tem sua vida tranqüila radicalmente mudada ao entrar em contato com um livro chamado "Número 23", em que os acontecimentos parecem refletir aqueles acontecidos em sua vida. Além disso, o livro narra a vida de um personagem que obsessivamente é perseguido pelo número 23, em vários fatos e acontecimentos da sua vida.

    Com Jim Carey no papel de Walter Sparrow e Virginia Madsen como sua esposa Agatha, o suspense dirigido por Joel Schumacher (de O Fantasma da Ópera), Número 23 lembra o filme Janela Secreta, com Johnny Depp, mas isso não estraga a trama.

    Se não podemos esperar um final surpreendente como é de se esperar nos ótimos suspenses, ao menos ele não desagrada. Boa diversão para uma tarde de sábado. (assistido em 14/07/2007)