Coolmeia no Social Capital World Forum 2012, em Gotemburgo

Segue o vídeo com minha apresentação (em inglês) no SCWF 2012, em Gotemburgo – Suécia:

(minha parte começa em 28min e 24 segundos, mas não deixe de assistir a primeira parte, com Justo falando sobre a experiência do Nuestra Escuela, em Porto Rico, uma experiência de educação libertadora)

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Sobre minha “saída” da Coolmeia

Amigos, gostaria de comunicar minha “saída” da Coolmeia.

Pelos próximos 2 meses a 3 meses, estarei deixando de participar ativamente das atividades da nossa rede, retirando-me para um período sabático. Um período em que espero refletir sobre nosso trabalho – tanto como seres individuais como coletivos, pertencentes a uma pequena rede mas também um teia muito maior de indivíduos e forças -, sobre nossas intenções, sobre nossas esperanças, caminhos e resultados.

Tenho acompanhado de perto uma série de movimentos contemporâneos, tenho revisitado alguns movimentos historicamente relevantes que discutem democracia, participação, colaboração, liberdade, autonomia, vida em sociedade, igualdade, justiça social e, de repente, senti uma necessidade de sintetizar um pouco da minha experiência e os estímulos que tenho recebido, de todas as frontes, nestes últimos anos como ativista social.

Espero, assim, conseguir trazer um pouco de ordem para meus pensamentos e, muito mais do que ideias, espero poder vir carregado de flores para ajudar a enfeitar o caminho que temos construído juntos.

Continuarei, entretanto, dando suporte às ferramentas de interação da rede e também fazendo alguns trabalhos “automáticos” de divulgação interna e manutenção estrutural, sem entretanto dedicar várias horas por semana à rede.

Nem preciso dizer o quão angustiado me sinto com esta decisão, pois deposito grande esperança nas pessoas que compõe esta rede. Temos seres humanos incríveis fazendo parte da Coolmeia. Por enquanto, ainda não achamos, aqui, uma via pela qual possamos colaborar mais ativamente e deixar fortes e claras pegadas para que outros possam seguir. Mas não consigo deixar de ver que temos um potencial incrível de ajudar a promover a mudança de que precisamos em direção a um mundo mais convivial, cooperativo, sustentável e resiliente.

A quem ainda não leu, recomendo fortemente a leitura: http://www.coolmeia.org/pdf/Coolmeia-v1.0.pdf (pelo menos as primeiras 16 páginas – cerca de 15-20 minutos de leitura)

E a todo momento, precisamos lembrar que a Coolmeia não deve buscar apenas produzir soluções PARA as pessoas. A Coolmeia deve construir soluções COM as pessoas e mostrar que, mesmo que não possamos mudar este mundo, pelo menos podemos construir outro. E como disse, há muitos anos, o gênio Buckminster Fuller:

Você nunca muda a realidade lutando contra ela. Para mudar algo você cria um novo modelo que torna o modelo existente obsoleto.

Desejo aos amigos que seguem navegando um ótimo tempo aqui e em suas vidas pessoais. Nos falamos logo mais.


Rafael Reinehr
Coolmeia, Ideias em Cooperação
Uma incubadora de ideias e soluções altruístas
http://coolmeia.org/bemcomum

O que estou fazendo: http://reinehr.org/em-transe.pdf

twitter: @r4re – twitter.com/r4re
Skype: rafael.reinehr

Reflorestamento

Gente Legal Conectada com Gente Legal

Há muito tempo atrás eu me questionava: porque afinal de contas, com tanta informação à nossa disposição, ainda assim cometíamos erros banais e insistíamos nos mesmos erros de sempre?
 
A resposta a essa pergunta não é simples e não é uma só.
 
Um dos motivos pelos quais isso acontece é justamente pela SOBRECARGA DE INFORMAÇÃO. Somos atacados de todos os lados por milhares de fontes de dados buscando cada uma sua sobrevivência em nossa consciência. Aparentemente, temos condições limitadas de lidar com este influxo de dados e pouco do que recebemos realmente é internalizado e assimilado pelos seres humanos em suas vidas práticas.
 
Muitos sabemos o quanto um animal sofre durante sua criação e abate para nos alimentar, mas poucos adaptam suas vidas para interromper este ciclo. Muitos conseguem perceber a amplitude das escolhas energéticas que fazem, mas poucos de fato abrem mão do ar condicionado no carro ou no local de trabalho, ou pelo menos falham em reduzir sua utilização.
 
Bem, isto posto: temos um primeiro problema, a sobrecarga de informação, que nos leva a um segundo motivo pelo qual seguimos insistindo nos mesmos erros: um sistema perceptivo avariado.
 
Vivemos em uma época em que não nos é dado tempo para aprender tampouco para explicar. A velocidade assustadora de todas as coisas imprime em cada um de nós – como regra geral – uma mensagem de que precisamos “ler” tudo superficialmente para que possamos assimilar mais, e mais, e mais, e mais coisas…
 
Na verdade, estamos assimilando cada vez menos, e menos, e menos, e menos… Como exemplo, publiquei há alguns dias em meu blog a oferta de enviar gratuitamente alguns DVDs que adquiri do filme Earthlings (Terráqueos) e expliquei no texto que, para receber os DVDs, bastava acessar um link e informar o e-mail. Entretanto, um leitor do blog deixou um comentário dizendo:
 
Gostaria de receber os tres DVDs, qual seria o procedimento?
 
Ou seja, a leitura foi feita com tanta desatenção que acabou por prejudicar o leitor, que não chegou onde queria e, de certa forma, também me prejudicou, pois tive que utilizar do meu tempo para lhe explicar, novamente, sobre como proceder.
 
É importante perceber que me refiro aqui não somente em relação a “leituras” que fazemos de textos escritos, mas de conversas com amigos, professores, programas de tevê e até de anúncios publicitários.
 
O que urge, é uma espécie de Reforma da Percepção, que leve a uma Reforma do Pensamento e, finalmente, à Reforma das Atitudes de que tanto precisamos.
 
E o caminho que sugerimos? Aprendizado e aperfeiçoamento constantes, compartilhamento do que aprendemos com as pessoas que estão à nossa volta, quer seja ativamente ou através do exemplo e prática diária das mudanças que vamos assimilando, aos poucos, uma a uma.
 
Como disse o Denis Russo Burgieman em seu artigo da Vida Simples deste mês, “Não espere que a solução para os problemas do mundo venha dos governos ou das grandes empresas. Ela virá de gente legal conectada com mais gente legal conectada com mais gente legal.”
 
É isso aí Denis. A conclusão a que você chegou ao citar o Re:Vision (um projeto que visa construir coletivamente um quarteirão sustentável em Dallas, no Texas) aplica-se perfeitamente à Coolmeia. Foi assim que ela foi idealizada: como um quanta no espaço e no tempo, uma miríade de TAZes, de Zonas Autônomas Temporárias em que pessoas legais, conectadas com outras pessoas legais conectadas com mais pessoas legais conseguissem, juntas, encontrar as soluções e praticar as ações que de fato mudassem desde já o mundo em que vivemos.
 
Você sente que é por aí também? Então junte-se a nós! Temos muito trabalho a fazer!

Reflorestamento

A escolha

Um pequeno passo para o homem, um gigantesco salto para a humanidade

Esta significativa e memorável frase dita por Neil Armstrong após deixar o módulo lunar Apolo 11 ao pisar pela primeira vez na Lua, em 20 de julho de 1969, poderia ser repetida diariamente por cada um de nós.

Naquela época excitante, em que escritores de ficção científica animavam adolescentes e adultos com seus exercícios futuristas e, de fato, as previsões do começo do século começavam a tornar-se realidade, tudo era belo, esplendoroso e um futuro mágico se descortinava.

No final da década de 60, eram pouquíssimas as vozes que alertavam sobre o uso desenfreado dos bens naturais, a possibilidade de extinção da raça humana, mudanças climáticas e whatsoever.

Hoje em dia este panorama mudou. Enchentes nos noticiários viraram assustadora regra, degelo nos polos, na Patagônia, Groenlândia e nas áreas de gelo perene das altas montanhas. Apesar do forte lobby financeiro, político e – veja só – até científico que visa minimizar o problema, o fato é que estamos caminhando rapidamente para um caminho sem volta.

Quando falo em caminho sem volta, não me refiro ao planeta. Este irá se adaptar mais uma vez, como tem feito há bilhões de anos. O que talvez não consigamos mais fazer é salvar nossa própria espécie. Irei falar sobre este assunto com mais detalhe no futuro, citando alguns estudos e previsões científicas que andei verificando.

Hoje, entretando, quero congraçar-me com o lançamento da Coolmeia – Ideias em Cooperação, esta incubadora de ideias e ações altruístas, preocupadas com mudanças humanas, sociais e ambientais efetivas. Como dito em sua Carta de Princípios, a Coolmeia não busca ser a detentora de todas as respostas, mas busca isso sim, encontrar respostas que sejam satisfatórias ao nosso equilíbrio e harmonia com outros seres vivos (humanos e não-humanos) em nosso ambiente comum.

E cada um pode fazer a sua parte. E pode fazer todos os dias, ou pelo menos todas as semanas. Se 1% de nós brasileiros (um milhão e oitocentas mil pessoas), utilizarmos pelo menos 1% do nosso tempo (15 minutos por dia) para pensar em soluções ou aplicar as que já se encontram por aí, estaremos dando uma guinada significativa em direção às mudanças que necessitaremos para enfrentar as consequências do que temos plantado nos últimos 2 séculos.

Hoje acordei uma hora mais cedo para cumprir com o que me programei: plantar uma árvore e vir de bicicleta para o consultório. Sobre a bicicleta, não é um fato ocasional, tenho vindo com alguma frequência, mas neste dia não poderia deixar de vir. Mesmo com a chuva que veio e sem encontrar minha mochila e ter que deixar alguns pertences importantes em casa.

Sobre a árvore, aí embaixo estão as fotos. Plantei duas sementes de Pinus koraiensis, um tipo de pinheiro cujos frutos são os pinoles, pequenos pinhões extremamente deliciosos que podem acompanhar vários pratos.
 

A escolha
A escolha do lugar
As sementes
As sementes de Pinus koraiensis
O plantio
O plantio
O aconchego
O aconchego da semente, em uma nutritiva terra preta

Como diz um ditado chinês: ”É com um passo que se começa uma jornada de 100 quilômetros”. Vamos fazer nossa parte, cada qual com o tanto que conseguir a cada dado momento da vida.

 

Coolmeia e o Dia 22 de Abril: Dia Mundial da Terra

Coolmeia - Ideias em CooperaçãoEstamos há apenas seis dias do lançamento oficial da Coolmeia e as coisas estão esquentando: a comunidade no Ning está ficando afinadinha – ainda sem atividades intensas em função dos preparos iniciais como a criação de Tutoriais para facilitar a vida de quem chega, bem como recomendações de boas práticas e convívio, para manter uma organização adequada.

Se em uma casa em que mora uma família que se conhece há anos já é fácil encontrar bagunça, imagine em uma em que novas pessoas chegam todos os dias?

Quem me acha perfeccionista, realmente não me conhece. Confesso que já fui, mas hoje apenas me preocupo em estabelecer um padrão mínimo de organização que possibilite uma comunicação adequada entre os membros e que também lhes permita encontrar as ferramentas que estarão em breve dispobíveis por lá, não somente nos próximos meses como daqui a anos a fio. Então, esta fase de preparação não é nada mais nada menos do que uma etapa necessária a ser cumprida. E já dura mais de 9 meses. E vai nascer! Dia 22 de abril está aí!

E o que estamos preparando para o dia 22 de Abril? Bem, não haverá festa, nem coquetel de lançamento, muito menos fogos de artifício. Será mais ao "nosso estilo", digamos assim. No próximo dia 22 de Abril, no mesmo dia em que a iniciativa Coolmeia – Ideias em Cooperação será lançada, comemora-se desde 1970 o Dia Mundial da Terra. É um momento de reflexão, uma oportunidade para olhar para o mundo ao nosso redor e repensar nossas escolhas e atitudes para com os outros e com nosso planeta.

Já defini duas atitudes simples a serem realizadas no dia 22: tratarei de ir de bicicleta ao trabalho e também plantarei uma ou duas árvores, com o compromisso de seguir cuidando delas depois. E você, o que poderá fazer neste Dia Mundial da Terra?

Sempre lembro, quando me vem à cabeça atitudes positivas, quer sejam elas simples ou mais dispendiosas, uma citação de B. K. Jagdish:

"Nossos pés deixam pegadas na areia do tempo. Se estivermos no caminho errado, muitos nos seguirão, desviando-se do que é correto. Quando pensamos que uma ação é só por aquele momento e esquecemos que ela deixa um rastro atrás de si, não estamos sendo responsáveis.
Todas as nossas ações afetam os seres humanos, dando-lhes alívio ou tristeza. Podemos fortalecê-los ou não. Podemos causar ferimentos ou curas. Podemos gerar conflitos ou resolvê-los. Podemos criar cataclismas ou algo nobre para a sociedade.
"

Espetacular, não? Em poucas linhas, resume todo um sentido que podemos dar para uma vida (ou para uma nova vida).

Hoje, agradecendo a dois gentis comentários que foram feitos à Coolmeia pela Rita Braune e pela Nelida Campela, escrevi em resposta sobre a Coolmeia e alguns de seus objetivos:

"…a Coolmeia em si vai tratar disso: mostrar para as pessoas que as amarras que elas imaginam que lhes prendem ao Estado, ao consumo, à rotina e ao conforto podem ser mais fracas do que pensam.

Podemos criar uma vida plena de significados, longe da anestesia das grandes ilusões modernas. Às vezes, precisamos de alguém que nos dê a mão, caminhe ao nosso lado ou mesmo, lá de longe, nos dê um "aceno libertário": um chamado, um exemplo, um ponto de partida ou uma luz que nos ajude a iniciar um novo caminho."

Quer me dar a mão?

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Meu Lugar

A Coolmeia já tem data oficial de lançamento

A Coolmeia – Ideias em Incubação já tem data oficial de lançamento e abertura ao público: 22 de abril de 2009.

Nos próximos 45 dias, ainda estaremos dando aquela "guaribada" para deixar a casa pronta para receber nossos visitantes.

Meu LugarUma novidade já posso anunciar desde hoje: a Coolmeia disponibilizará um sistema de "blogs locais" ou comunitários, onde qualquer pessoa poderá "cantar sua aldeia", como diria Tolstói. Assim, notícias, eventos, conversações e insights gerados por cada um em sua comunidade terão um local apropriado para dar vazão.

Desde a reforma da pracinha local organizada em mutirão, passando pelas festas da vizinhança, até uma rua esburacada ou um terreno baldio que precisa ser limpo, todas estes acontecimentos locais terão um lugar próprio, provisoriamente chamado de Meu Lugar. Explico com mais detalhes à medida que tudo for estruturado.

A ideia não é original: foi baseada no The Local, iniciativa do New York Times, que está realizando uma experiência parecida em algumas regiões de Nova Iorque. Se vai dar certo por aqui? Hummm, ainda não sei! O que sei é que vou tentar!

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