Category Archives for "Agir localmente"

Fev 09

Cooperativa de Compras Coletivas da Coolmeia

By Rafael Reinehr | Agir localmente , Bem-estar , Coolmeia , Ecologia , Ideias , Nutrição , Saúde da Sociedade , Sociedade , Sustentabilidade e Resiliência

ccccEstando com frequência em Santa Maria, descobri ao falar com o Eduardo Luft que por aqui estão começando o processo de criação de uma Cooperativa de Compras Coletivas, mais ou menos nos mesmos moldes que iríamos desenvolver no Favo Araranguá da Coolmeia.

Ainda não participei de nenhuma reunião presencial com o grupo que está organizando a Associação por aqui, mas resolvi resgatar, lá da Rede Social Cooperativa da Coolmeia o documento que registra alguns apontamentos da CCCC – Cooperativa de Compras Coletivas da Coolmeia.

Como iria funcionar:

O foco inicial da Cooperativa é a compra de produtos alimentícios em formato “a granel” com 3 objetivos principais:

1. Ecológico/Ambiental: para reduzir a utilização excessiva de embalagens plásticas e de todos os tipos que recebemos quando compramos os produtos nos supermercados

2. Econômico: para se beneficiar da economia individual e familiar quando se compra produtos em grandes quantidades, direto dos distribuidores. A estimativa de redução de preço é de 30-40%.

3. Educativo/Pedagógico: a experiência de fazer parte de uma cooperativa e decidir coletivamente sobre como esta deve funcionar acende a noção de co-responsabilidade que todos devemos ter para com os recursos existentes, quer sejam eles domésticos, locais ou globais. No processo, questiona-se o próprio consumo e questões como valor-de-uso X valor-de-mercado.

Etapas necessárias:

1. Definição das pessoas interessadas

2. Busca e seleção da Cesta de Produtos iniciais

3. Busca e seleção de fornecedores, seguindo os critérios:

– produtos orgânicos/de agricultura familiar

– produtos produzidos à menor distância possível da cidade-sede da Associação

– produtos de qualidade

– produtos baratos

(podemos criar um índice para selecionar os produtos que nos satisfaçam, que satisfaçam a todos)

4. Definir um local de entrega dos produtos, que será o ponto de encontro para dividi-los nas porções individuais

– Em uma fase inicial, pode ser a casa de alguém, e um dia da semana escolhido para a partilha (já que nessa fase tudo será voluntário)

– Em um segundo momento (ou desde o princí­pio) pode-se adicionar um pequeno valor percentual adicional sobre a compra para poder alugar um espaço físico e/ou contratar uma pessoa para ficar neste local em certos dias da semana para partilhar os produtos. Ou idealmente, podemos alugar/escolher um local e fazer uma escala entre os próprios cooperados para cuidar do local, mantendo um livro de controle de estoque detalhado, onde se anota que produto foi para quem, de acordo com critérios pré-estabelecidos

5. Formalização da Cooperativa

6. Criação de algo como o “Supermercado do Povo” -(http://www.thepeoplessupermarket.org/) – em que as pessoas fazem parte do supermercado, podendo trabalhar em troca de alimentos

Este é apenas um esboço inicial de um modelo que pode ser experimentado localmente e replicado em outras comunidades, caso seja bem sucedido.

Da mesma forma, a Cooperativa de Compras Coletivas pode, a partir de certo ponto:

1. Estabelecer uma demanda fixa de certos produtos e estimular produtores locais a produzirem estes alimentos, evitando que os mesmos percorram longas distâncias para chegar até aqui (Agricultura Suportada pela Comunidade)

2. Passar a realizar compras coletivas de bens duráveis, que sejam interessantes para a comunidade ou para os indivíduos componentes da Cooperativa

3. Criar um Fundo de Suporte Alimentar, com um valor percentual das compras coletivas, visando beneficiar pessoas em risco da comunidade, como crianças, idosos, moradores de rua e outras pessoas necessitadas.

Quem quiser se juntar ao processo de co-criação da Cooperativa de Compras Coletivas (ou nome a ser definido) em Santa Maria (tanto como produtor ou como consumidor, preencha os dados abaixo e entraremos em contato para informar das próximas reuniões).

Se você deseja criar uma Cooperativa de Compras Coletivas em sua localidade, mas não sabe por onde começar, entre em contato também! Vamos trocar figurinhas e ajudá-lo a revisar o passo-a-passo necessário para criar tua Cooperativa e gerar acesso a alimentos saudáveis e orgânicos em tua comunidade.

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Fev 03

Comida Livre – Mapa dos Alimentos Livres do Mundo

By Rafael Reinehr | Agir localmente , Coolmeia , Ecologia , Efervescências , Ideias , Novidades! , Saúde da Sociedade , Sociedade , Sustentabilidade e Resiliência

A ideia do Comida Livre nunca foi muito humilde não: tínhamos, Arthur e eu, pensando em criar um mapa que pudesse mapear desde novas mudas de árvores plantadas em ambientes urbanos (ou, porque não, rurais), mas também e principalmente, mapear hortas coletivas, hortas comunitárias, hortos medicinais, PANCs (Plantas Alimentícias Não Convencionais), locais em que fossem jogadas bombas de sementes e pontos de descarte de alimentos não comercializados.

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Esse portal seria tão mais importante quanto fosse se tornando mais difícil o acesso ao alimento. Hoje, apesar de todas as críticas que temos à sociedade industrial, ainda se consegue comida de forma suficiente em um país como o nosso, Brasil. Com a escassez do petróleo, o aumento dos custos de produção e distribuição dos alimentos que se seguirá nas próximas décadas, o acesso a alimentos de qualidade irá se tornar mais e mais difícil.

Mapear a Comida Livre, em primeiro lugar por uma questão de locavorismo e de soberania alimentar, mas também para defender a permanência e a existência de árvores e espaços que produzem os alimentos localmente em nossas cidades vai se tornar uma questão de “advocacia”, quando os mecanismos repressivos neofascistas começarem a ampliar seu controle para cima desse tipo de alimento que, inevitavelmente, tentará ser proibido nos anos que virão. Na Espanha, ao invés de incentivar a  produção de energia a partir do Sol, as pessoas são taxadas e desincentivadas a fazê-lo, em alguns estados dos EUA, é proibido coletar água da chuva, na Nova Zelândia, é proibido cultivar verduras e legumes em seu próprio jardim… E é só o começo.

Então, fique atentx! E aceite meu convite: visite o Comida Livre e mapeie tudo que for alimentício perto de onde você mora, estuda, trabalha. E monitore a continuidade desse alimento livre na sua cidade, além de incentivar o surgimento de mais hortos medicinais e hortas coletivas, bem como pequenas sacadas e até vasos ou latas comestíveis!

E Compartilhe essa ideia!

Fev 01

Tudoteca: um Espaço de Convivência, Compartilhamento e Cooperação

By Rafael Reinehr | Agir localmente , And Now, For Something Completely Different... , Coolmeia , Ecologia , Efervescências , Ideias , Quase-Idéias , Saúde da Sociedade , Sociedade , Sustentabilidade e Resiliência , Uncategorized

Imagine se você não precisasse mais se preocupar em trabalhar para juntar dinheiro para comprar coisas, e você as tivesse à sua disposição, quando precisasse, próximo da sua casa, pelo tempo que você precisar, a uma fração do custo de adquiri-la. E, mesmo que você não tivesse dinheiro, você também pudesse usufruir destas “coisas” que você necessita?

Então, isso já é possível, dentro do conceito de Tudoteca.

A Tudoteca é uma ideia que tive lá pelos idos de 2007-2008 e foi inspirada em dois conceitos: o de Cohousing (que também me inspirou a criar a Coolmeia, naqueles anos) e o conceito de Tool Library, que vim a conhecer lá por 2011-12, e ajudou a aperfeiçoar o modelo da Tudoteca.

Bem, e o que é exatamente, para quê serve e como funciona essa tal de Tudoteca? Explico. Pega um café, suco, água, mate gelado ou um chimarrão e presta atenção vivente, que a história é boa de se ouvir!

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In Boulder, Colorado the Tool Library looks much like a hardware store and even rents out tools to contractors to help subsidize rental costs and membership fees for the general public.

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Imagine um lugar no qual você possa pegar emprestado “quase” qualquer utensílio de uso eventual para sua casa, local de trabalho, viagem, festa… Um local no qual estariam disponíveis para empréstimo desde ferramentas de uso eventual como furadeiras, serras elétricas, escadas de vários tamanhos, aspiradores de pó, lava-jatos portáteis, ferramentas de mão como martelos, serrotes, chaves de fenda, de boca, alicates, tornos… Além disso você poderia pegar emprestado louças, talheres, copos e toalhas de mesa para aquela festa de formatura do seu filho ou aniversário da sua filha (que se fossem alugados custariam os olhos da cara!)… E você também poderia pegar emprestados livros, revistas, CDs, DVDs, roupas, um freezer, frigobar, chaleiras, liquidificadores, microondas, forno elétrico, batedeira, panificadora… Quer acampar? Para quê comprar se você pode pegar emprestada uma barraca, lanterna, uma churrasqueira portátil, um par de rádio-transmissores de longo alcance, varas de pescar…

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Padarias-comunitarias

Nesse mesmo espaço, encontraríamos também uma padaria comunitária, na qual os membros do coletivo que irá autogerir a Tudoteca se revezariam na produção, distribuição e eventual comercialização do excedente lá produzido. Poderíamos também ter um refeitório ou restaurante comunitário, que ofereceria refeições produzidas com alimentos orgânicos produzidos por pequenos agricultores das redondezas. O mesmo sistema de rodízio e escala de trabalho aqui também se aplicaria. E que tal um café funcionando no mesmo espaço, o dia inteiro, para quem está de passagem e quer encontrar um amigo enquanto lê um livro ou escuta uma música na vitrola que está à disposição dos associados?

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E se, além disso, na Tudoteca também tivesse uma lavanderia coletiva, em que as máquinas pudessem ser usadas em troca de alguns “pontos de crédito” dos associados? E, ainda mais, se tivéssemos uma pequena Brinquedoteca para as crianças poderem se divertir enquanto os pais trabalham ou circulam pela Tudoteca?

brinquedoteca

Não seria macanudo tudo isso num mesmo lugar, agradável, aconchegante e efervescente cultural e socialmente, recebendo vez ou outra oficinas, seminários, rodas de conversa, encontros de aprendizagem informais, apresentações musicais e artísticas, saraus, cineclubes, fotoclubes, green drinks, pecha kucha nights, stand ups?

E o mais legal de tudo isso: poderia participar quem tem grana, quem tem coisas sobrando e mesmo quem não tem grana nenhuma, só um pouco de tempo para trocar. Como assim? Explico:

Tudoteca, para se tornar sustentável, funcionaria como uma associação horizontal e autogerida.

Opção 1: Se você tem grana, você paga digamos 39,90 ao mês por 300 créditos, 59,90 por mês por 500 créditos ou 79,90 por mês por 800 créditos e pode trocar estes créditos por X dias dos produtos W, Y e Z que você precisa naquele mês. Se não quer pagar mensalidade, você pode se associar e, por cada 1 real você comprar 5 créditos para poder emprestar algum bem ou serviço determinado (digamos que você só está na Tudoteca pelo maravilhoso pão de arroz integral sem glúten que a Daiane faz…)

Opção 2: Se você não tem grana, mas tem “coisas” que estão paradas na sua casa, você pode doar estas coisas para a Tudoteca – por exemplo uma parafusadeira, uma guitarra e um amplificador que você não toca mais, um jogo Banco Imobiliário e 2 decks de Super Trunfo e um secador de cabelo que sua ex-namorada esqueceu no seu apartamento – e em troca delas, você ganha créditos e passa a usá-los para emprestar coisas das quais você realmente precisa.

Opção 3: Tá! Mas eu não tenho grana e também não tenho nada para doar. Sou um estudante universitário pé-rapado, sou morador de rua, tenho um emprego que mal dá pra sustentar minha família. E agora. Preciso de uma furadeira só por um dia pra consertar algumas coisas lá em casa. Neste caso, você pode oferecer algo que todos seres vivos (enquanto vivos) temos: tempo! Você pode oferecer um sábado pela manhã da sua vida para ajudar a alcançar os objetos para quem for na Tudoteca pegá-los, pode ajudar na padaria ou no restaurante comunitários, pode ajudar na limpeza, buscando nossos hortifrutigranjeiros orgânicos ou mesmo cuidando das crianças na Brinquedoteca. Em troca do seu tempo, você ganha os créditos que você vai trocar pelo que você quiser. Sempre que eles acabarem, não tem problema: só oferecer o seu tempo novamente!

Ei, mas espera aí! Vai ter gente trabalhando na Tudoteca em troca de créditos e depois vai vender por fora para ganhar uns trocos. Mercado Negro! Pode isso? Sabe que só pensei nisso agora, nesse exato instante? Eu, Rafael, não vejo problema nisso. Mas e o resto das pessoas do coletivo, o que pensam? Acho que esse é um dos assuntos que deve ser deliberado coletivamente, bem como outros detalhes que devem ser registrados em uma Carta de Princípio e em uma Bases da Unidade (que também podemos chamar de Termos de Uso) da Tudoteca.

Tá, e essa grana que vai entrar na Tudoteca, pra quê serve? Vai enriquecer alguém? Nããão! O dinheiro que entrar será usado em parte para consertar e repor equipamentos, peças e ampliar o acervo de bens e serviços da Tudoteca, uma parte será reservada na forma de um Fundo de Emergência para os Associados, em caso de catástrofes naturais ou épocas de crise (estão vendo as nuvens negras da tempestade se aproximando no horizonte?) e uma parte será reservada para um Fundo de Multiplicação de Tudotecas, para criar a Tudoteca 2, a Tudoteca 3, a Tudoteca 4 e assim por diante, nas comunidades que forem se apresentando e demonstrando desejo de possuir uma na vizinhança.

E aí? Gostou da ideia? Supimpa né? Valeu, obrigado! Também acho! 🙂

Ah! tem outras ideias que já foram desenvolvidas pensando na expansão e no “espalhamento” de Tudotecas por todos os cantos do Brasil e do Mundo.

Quer saber quais são elas e fazer parte do time que vai planejar a instalação da primeira Tudoteca no Brasil? Coloca teu nome e e-mail aí embaixo que entramos em contato!

Agora, se você se empolgou de verdade e quer fazer parte do time que vai fazer as Tudotecas se espalharem pelo mundo, vá direto para o nosso Mapeamento de Ativos e Necessidades e apresente-se!

 

Ago 09

Plantações urbanas para crianças

By Rafael Reinehr | Agir localmente

Uma ótima ideia, que a Coolmeia apoia e deveria existir em cada bairro de nossas cidades. O vídeo está em inglês, mas o resumo é:
Vamos usar nossos espaços baldios – em pequenas ou grandes cidades – e dar às nossas crianças, a nossa vizinhança – a oportunidade de se reconectar com a terra e vamos recomeçar a produzir nossos próprios alimentos, de forma orgânica, localmente.
Ecofit Agir Localmente
Jan 17

Ecofit – uma coisa leva a outra

By Rafael Reinehr | Agir localmente

Ultimamente – e cada vez mais – muitas pessoas percebem que é importante mudar sua relação com a Natureza, com as pessoas e com tudo o que nos cerca, incluindo-se aí as relações com o mundo do trabalho e do consumo.

Hoje durante o banho, depois de uma deliciosa partida de tênis que abriu todos meus poros com o amigo e colega Ricardo Aliano, tive uma idéia que pretendo por em prática já. Chamei-a de “Atitude Ecofit“.

Ecofit Agir Localmente

Como há cerca de um ano tenho jogado o campeonato estadual de tênis amador, com freqüência preciso comprar calções e camisetas para participar destes jogos e para treinar. É usual comprarmos roupas de marcas consagradas como Nike, Reebok, Adidas, Head e outras, pois são aquelas que vestem melhor e encontram-se disponíveis nas lojas de produtos esportivos da cidade.

Pois saí do banho decidido a mudar isso. Quase nem me sequei direito para vir ao computador e bolar um nome e um logo para dar corpo à idéia, que vos apresento a seguir:

Quanto ganha um funcionário da Nike na Indonésia por camiseta manufaturada? Nove centavos de dólar? Algo equivalente a 25 centavos de real? Pois bem. E o impacto ambiental proporcionado pelo transporte desta camiseta até o Brasil, certamente não é desprezível. Avião, navio, caminhão…

E se, ao invés disso, eu procurasse uma costureira local (ou facção local) mostrasse a ela(es) o modelo da camiseta e do calção que mais me agrada e pedisse para ela confeccionar três ou quatro calções e camisetas de acordo com minhas especificações, bordando o logotipo aí em cima apresentado?

E se eu não parasse por aí, mas em uma próxima janta da turma do tênis divulgasse a iniciativa e tentasse trazer alguns dos colegas para que também tomassem atitude similar?

Cada vez mais, o estímulo à produção e consumo local de bens e serviços se torna uma franca necessidade. Desta forma, além de estarmos reduzindo o impacto ambiental do nosso consumo, estaremos humanizando nossas relações com o que consumimos, favorecendo diretamente uma pessoa da qual estamos encomendando um bem ou serviço e ainda por cima reproduzindo um conceito mais próximo de um mundo sustentável e justo, tirando o poder da máquina capitalista e devolvendo-o ao humano.

Prometo publicar aqui uma foto dos primeiros calções e camisetas da “Atitude Ecofit“. “Eco” porque é uma atitude preocupada com o meio-ambiente. “Fit” porque cai bem, veste bem, adequa-se, encaixa-se, é apropriada, está de acordo e é conveniente para servir a um bem maior, o da manutenção da Natureza e da vida em sociedade.