Category Archives for "Efervescências"

Retomada de atividades no blog.
abr 24

Retomando as atividades do blog

By rafaelreinehr | Efervescências , Novidades!

Depois de um longo tempo de entressafra

– ou poderíamos chamar de hibernação, ou pousio, termo que prefiro – estou voltando à carga com este blog, mantendo o nome original que utilizei tanto em uma série de escritos livres redigidos a partir de 2000 quanto no blog que iniciou em 14 de dezembro de 2003: Escrever Por Escrever

As postagens linkadas acima podem dar uma luz sobre o nome do blog. Mas não espere muita luz. Uma nesga, talvez.

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O fato é que, depois de tanto tempo expressando-me “coletivamente”, através da Coolmeia, Ideias em Cooperação – depositei lá boa parte das minhas criações, do meu ímpeto, da minha energia, vontade, potência – decidi me posicionar como indivíduo novamente. Como criador, como autor, como ser singular que sou.

De forma alguma isso significa que abandono meus ideais coletivos, de convivialidade, solidariedade e busca de Bem Comum. Apenas significa que tenho uma verve e uma pulsão minha, que voltarei a expressar, sempre que isto for melhor do que apresentado para e em nome de um coletivo.

Nas primeiras semanas, estarei “requentando” uma série de escritos que andei publicando aqui e acolá nestes anos todos (no Simplicíssimo, n’O Pensador Selvagem, n’o Mutatis Mutandis, na Revista DOC, na Coolmeia e outros artigos escritos e nunca publicados. Entremeando este “revival”, artigos novos, fresquinhos, destilando um pouco das percepções que se construíram nos últimos anos e que, em muito, aperfeiçoaram (ou pelo menos “remoldaram”) minha visão de mundo.

Convido você, amici, a compartilhar desta jornada, adicionando, sempre que tiver vontade, suas impressões acerca dos assuntos abordados e, até, sugerindo pautas ou então participando como articulista convidado.

Novas seções e colunas irão surgir, algumas serão reativadas e a maioria ficará na história. Vez ou outra, no processo de revisar os artigos antigos, vou repostá-los para torná-los “vivos” mais uma vez, sempre que a seriedade, atualidade ou o humor fizerem com que esta vontade se faça premente.

Sem mais, seja bem-vindx ao Escrever Por Escrever. Sinta-se em casa. Críticas construtivas e sugestões serão sempre bem-vindas. Mau humor, trollagens e depreciações gratuitas, bem como discriminações de qualquer tipo serão sumariamente amputadas.

😉

[harmonia]

dez 31

2014, o ano do jeito que eu precisava; 2015, o ano de entrar no fluxo

By Rafael Reinehr | Quase Filosofia

Esse ano não aconteceu do jeito que eu queria…

Mas provavelmente, deve ter sido do jeito que eu precisava…

Essa reflexão que serviu para mim, talvez tenha servido para você também. Muitas das escolhas que fazemos não são as mais sábias, ou mesmo que sejam, não são bem compreendidas por quem convive conosco.

As mudanças que se imprimem sobre nossas vidas nem sempre são controláveis ou contornáveis: respondem a várias variáveis e são determinadas pelo ambiente, por outras pessoas, por fatos e eventos distantes e sim, uma parte delas cabe a nós determinar.

Quem acha que, a qualquer momento, tem a situação toda sob controle, ainda não sofreu com a força do vento.

Que em 2015 tenhamos a sabedoria de andar com o fluxo, de ouvir e aprender, de se aquietar mas também de irromper e agir na hora certa. Que possamos conviver com a maior dádiva que temos que é o Agora, com nosso maior presente que é o Presente. Não vamos deixar para depois…

Neste mesmo ano que me trouxe perdas e afastamentos, foi também riquíssimo em encontros, reaproximações e novas possibilidades.

Que os ventos da mudança continuem soprando e nos levem até as praias paradisíacas que só nos sonhos mais desviantes conseguimos imaginar.

Ficam os votos de um excelente início de 2015 a todxs meus amigxs, familiares e conhecidxs. As portas do Solar das Lagartixas, da Fazenda Bom Encontro e do Aconchego das Dores estarão abertas para todxs.

Um abraço fraterno, solidário e libertário,

Feliz 2015.

Rafael Reinehr

 

O que aconteceu com o cristal?
set 28

O que aconteceu com o cristal?

By Rafael Reinehr | Quase Filosofia

(esta história relaciona-se com uma passagem bem particular da minha vida, e qualquer semelhança com a realidade não é mera coincidência).

O que falta responder?

Falta descobrir o que aconteceu com o cristal. O cristal quebrou? Ou ele está envolto em uma grossa camada de barro, oculto embaixo dela? Se quebrou, não tem como ser consertado. Não tem mais como ser “aquele cristal” de antes. Sem jeito. Se está coberto de barro, basta lavá-lo, cuidadosa e persistentemente. O barro vai sair e o cristal continuará lá, lindo e transparente.
Mas a complexidade da imaginação humana consegue, ainda encontrar mais soluções além destas duas que surgem à primeira vista (aceitar a perda do cristal ou tirar-lhe a sujeira).
Podemos adquirir outro cristal ou então, ao invés disso, podemos “remixar o cristal”. Adquirir outro cristal pode ser o caminho mais fácil. Nos desapegamos do cristal antigo e buscamos, quer seja em um antiquário ou então em uma loja qualquer, um cristal para substituir aquele que quebrou. O novo cristal é a negação do antigo. É a busca de outra história, mesmo que seja repetindo os mesmos caminhos (queremos, novamente, um cristal).
Mas existe ainda uma quarta solução, advinda da cultura japonesa, chamada Kintsugi. Kintsugi é a arte de reconstruir cerâmicas quebradas com uma resina misturada com pigmentos de ouro, prata ou platina. (Veja algumas imagens em http://www.pinterest.com/egurian/kintsugi-repaired-in-gold/). A filosofia por trás do Kintsugi nos ensina que o quebrar e reparar se torna uma parte da história do objeto, ao invés de simplesmente rejeitá-lo.
O Kintsugi pode se relacionar à filosofia japonesa do “no mind”, que encompassa os conceitos de desapego, aceitação da mudança e destino como aspectos da vida humana.
Significa respeitar e abraçar amorosamente a história do objeto, e buscar o novo através de novos caminhos – já não precisamos de um cristal perfeito, mas valorizamos a história daquele cristal que a partir de agora, é único, não mais “fabricado em série”.
Saberemos ser artesãos de nossas próprias vidas? Ou buscaremos outros cristais, outras histórias, para logo ali na frente descobrir que estamos repetindo o mesmo padrão de sempre?

A resposta encontra-se dentro de cada um, e somente cada um de nós consegue submergir e resgatá-la.

Bom mergulho!

(este texto foi escrito para uma pessoa muito especial, que está em um caminho de descoberta, compreensão e busca de si mesma, mas serve como reflexão para cada um de nós, em nossas próprias buscas pessoais)

Viena, 18 de setembro de 2014.

 

dez 31

O ano da empatia

By Rafael Reinehr | Quase Filosofia

Está no ar um grande sensação de que tem algo sobrando e, ao mesmo tempo, tem algo faltando.

A cada dia, mais e mais pessoas estão deixando de morder o anzol da máquina publicitária, que vende como ideal uma vida repleta de posses, pautada por um consumo infinito que, ao mesmo tempo, consome todo o nosso dia. Exemplos advindos dos quatro cantos do mundo mostram como é possível construir uma vida mais significativa, baseada em laços de solidariedade, apoio mútuo, confiança, empatia e gratidão.

Estamos progressivamente mais antenados com as vantagens mas também com as limitações que uma vida altamente tecnológica nos impõe. Ao mesmo tempo, temos nossas distâncias encurtadas, toda comunicação acontece de forma extremamente rápida. O mundo em uma casca de noz. Ao mesmo tempo, a hiperinformação nos deixa mais confusos e estabanados do que nunca. Não sabemos como processar tantos dados e estímulos. Estamos sofrendo de fadiga de escolha. Todas as escolhas que aqueles que dizem nos governar tem sistematicamente feito, não tem ajudado a reduzir a injustiça, a violência, a opressão e a desigualdade e, em alguns casos, tem feito aumentar. A percepção deste “abandono” por parte das instituições oficiais, que estão mais preocupadas em se autogovernar e se autossustentar do que prover as necessidades – mesmo as básicas – à população que outrora nelas confiava, tem gerado uma “corrida às montanhas”, uma busca de alternativas por parte de um grupo de pessoas que não irá esperar o barco afundar para depois telefonar de seu micoPhone encomendando um par de salva-vidas furado da China.

Estas pessoas estão se organizando em coletivos, movimentos, redes e grupos de afinidades através das planícies, colinas e urbes. Estão decididamente criando novas-velhas formas de se relacionar, baseadas em uma série de princípios libertários, que negam a opressão, a dominação e a hierarquia para fundar uma nova base, horizontal, colaborativa, empática e entremeada pela confiança mútua, há muito perdida na sociedade contemporânea. Este retorno a práticas ancestrais precisa ser celebrado.

Junte-se a nós no Solar das Lagartixas para um jantar e potluck comunal. No dia 22 de janeiro iremos cozinhar um jantar vegano simples, mas encorajamos outros a trazerem coisas para comer: frutas, vegetais para cozinhar ou comer crus, pães e queijos, vinhos e sucos, sobremesas ou o que desejar.

— Será um momento para compartilhar alguns momentos juntos, fora dos espaços nos quais nos encontramos sempre instrumentalizando, profissionalizando e racionalizando nosso tempo, relações, decisões e vidas.

— Um tempo para comer, falar, encontrar uma o outro, para diretamente se contrapor à fragmentação social, individualismo e solidão que vemos em qualquer lugar para o qual olhamos.

— Para nos mover em direção a nos sustentarmos coletivamente fora das nossas relações individuais com o mercado e o estado; para conquistar uma maior autonomia material coletivamente Isso significa iniciar e prosseguir com uma série de práticas e relações; ser consistente e confiável; estabelecer uma fundação forte para uma nova forma de vida. Isso é parte de uma estratégia para resistir ao que nossas vidas se tornarão se não nos organizarmos.

Nós queremos uma política que leve a sério nossa prória realidade como base para a auto-organização. Uma política que reconheça que se organizar coletivamente ao redor das nossas necessidades com amigos, camaradas, amantes, vizinhos, colegas de trabalho e membros da família se tornará a base para as nossas comunas. Nossa habilidade de sobrepujar a degradação trazida pela atual crise social, política, econômica e ambiental se dá na medida da nossa capacidade para sermos solidários e do nosso desejo em estarmos auto-organizados.

Em 2014, mostraremos que nossa capacidade de comunicação e articulação está mais vicejante do que nunca. E é só o começo.

22 de janeiro de 2014, 20 horas
Solar das Lagartixas
Rua Sergipe, 339
Jardim das Avenidas
Araranguá – SC
(Sacola mágica estará recebendo contribuições espontâneas para a Coolmeia)

Ou em qualquer local e horário perto de você. Inspire-se: conspire!
Referências:

 Referências:  1. Inspiração para convite: jantar de solstício do The Base, NY - dezembro de 2013 2. BAUWENS, M. - Reestruturando a economia com a empatia em seu centro  - bclog.p2pfoundation.net/restructuring-the-economy-with-empathy-as-its-center/2013/12/29 3. Center for Building a Culture of Empathy - http://cultureofempathy.com/
iogurte caseiro
set 08

Fazendo iogurte caseiro em casa

By Rafael Reinehr | Cotidianices

Ontem/hoje fiz meu primeiro iogurte caseiro com sucesso!

Flavorizei com leite de côco e côco ralado, e ficou muito bom!

A receita? Não tem nenhum mistério: 1 litro de leite esquentado por 2 minutos mo microondas. A este leite, misturar um pote de iogurte natural cremoso em temperatura ambiente. Colocar em um pote vedado e, no meu caso, coloquei dentro de um isopor. A Sung, uma amiga, falou que alternativamente dá pra enrolar em uma toalha de mesa, que dá o mesmo efeito.

Depois de 10 horas, ainda não tinha ficado com a consistência de iogurte. O que fiz foi aquecer por mais um minuto e meio e voltei a colocar no isopor. Hoje pela manhã estava pronto.

PS: lembre-se de guardar um pouco do iogurte que você fez para “ativar” o próximo litro de leite!

morte e renascimento
set 02

Samsara

By Rafael Reinehr | Quase Filosofia

Samsara (sânscrito-devanagari: संसार: , perambulação) pode ser descrito como o fluxo incessante de renascimentos através dos mundos.

Na maioria das tradições filosóficas da Índia, incluindo o Hinduísmo, o Budismo e o Jainismo, o ciclo de morte e renascimento é encarado como um fato natural. Esses sistemas diferem, entretanto, na terminologia com que descrevem o processo e na forma como o interpretam. A maioria das tradições observa o Samsara de forma negativa, uma condição a ser superada. Por exemplo, na escola Advaita de Vedanta hindu, o Samsara é visto como a ignorância do verdadeiro eu, Brahman, e sua alma é levada a crer na realidade do mundo temporal e fenomenal. (Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Samsara)

Este clip é um vídeo de 6 minutos de um filme de 100 minutos, filmado em 25 países e que explora muitos outros aspectos da experiência humana.

Filmado em 70mm (!!!), é um dos poucos do gênero no mundo.

Coerências e contradições
jul 19

Coerência

By Rafael Reinehr | Quase-Idéias

Certa vez alguém disse a Walt Whitman:

“Whitman, você insiste em se contradizer; num dia você diz uma coisa, em outro dia você diz justamente o oposto..” Walt Whitman riu e disse: “Sou imenso, tenho em mim todas as contradições.” Apenas mentes pequenas são coerentes e, quanto mais estreita for a mente, mais coerente ela é… Quando a mente é vasta, tudo está presente.” Tao, Osho a partir de Chuang Tzu

(daqui: https://cirandas.net/fernandanagem/diario-sobre-o-mundo…./coerencia)

Pessoalmente, sou alguém muito incoerente, mas que se esforça para diminuir este “grau de incoerência”. Cheguei até, no ano passado, a conceitualizar um “Mapa Coerencial”, no qual poderíamos apontar e acompanhar nossas incoerências e tratar de dirimi-las, quando possível – ou aprender a lidar com elas, quando não for possível eliminá-las…

Essa reflexão, a partir de Whitman e Osho, pode quebrar algumas nozes…

circulo-de-trialogos-27
fev 18

Círculo de Triálogos

By Rafael Reinehr | Quase-Idéias

Um triálogo é uma conversa a três. Um “diálogo a três” = triálogo.

 
Um Círculo de Triálogos é uma metologia de conversação informal para acelerar o processo para facilitar a apreciação democrática de opiniões e a tomada de decisão em coletivos, em encontros com várias pessoas e também uma maneira de aproximar membros de um grupo ou comunidade. É uma adaptação livre do método de Conversação Informal chamado World Café.
 
Apreciação democrática: em Assembléias tradicionais, geralmente apenas poucas pessoas tomam a palavra e monopolizam o tempo e o espectro de conversação. Em Círculos de Triálogos (que podem ser presenciais ou online (através do Ágora.CC, Skype, Hangouts ou outras ferramentas de conversação online), como são limitadas a três pessoas, todos tem chance de se expressarem e terem suas opiniões apreciadas.
 

O Círculo de Triálogos: 

 
Etapa 1 – Explica-se o funcionamento do Círculo de Triálogos
 
Etapa 2 – Os presentes dividem-se em grupos de três para conversarem sobre um problema ou uma questão em particular.  Pode-se determinar um tempo para esta etapa. Apenas em caso de sobrar 1 ou 2 membros, estes reunem-se em grupos de 4 ou então observam e circulam em vários grupos, se assim desejarem.
 
circulo-de-trialogos-27
 
Etapa 3 – Cada grupo elege um delegado que irá apresentar as conclusões do grupo em um “concílio” novamente com 3 membros, para nova rodada de deliberações. Todos os membros do grupo (os 9) poderão participar e se expressar, mas é desejável que um delegado fique no “vértice” do triângulo como responsável pela comunicação, a partir dos apontamentos e deliberações daquele grupo. Após um determinado tempo, este concílio chega a suas conclusões, registra-as em texto, imagens, áudio ou vídeo, escolhe um novo delegado (entre os 3 ou entre os 9) para uma próxima rodada.
 
Etapa 4 – Nova rodada de debate, incluindo o “segundo nível de delegados”, buscando sempre aperfeiçoar as conclusões, incluindo as ideias de todos os níveis de deliberação. Esta etapa e posteriores similares só serão necessárias em grupos com mais de 26 participantes. Do contrário, se pode realizar na rodada anterior, um ciclo inicial de triálogos e uma rodada de tetrálogo ou pentálogo para a deliberação final.
 
Observações importantes: é recomendável registrar, apontar, rabiscar as ideias no momento em que surgirem, para gerar um recordatório do Círculo de Triálogos. Estes apontamentos de todos os membros podem, depois, ser compartilhados em alguma ferramenta online para arquivamento e pesquisa posterior. Nem sempre haverá tempo para descrever com detalhes e granularidade todas as ideias que surgirem, então estes serão importantes para buscar, oportunamente, algum conteúdo que valha ser retomado em outros encontros.
 
Dica: também pode-se usar os Triálogos Livres como formas de ignição de ideias, para brainstorm livres em espaços e comunidades abertas à livre cooperação e co-criação. Membros  destes coletivos podem ser estimulados a espontaneamente organizarem Triálogos Livres durante a semana para, em momentos de encontros maiores, já terem algum embasamento melhor sobre uma determinada questão, e assim ajudarem no bom andamento da rede ou coletivo em questão. Isso pressupõe a presença de uma característica humana sem sempre muito abundante: a pró-atividade!