Quase-Idéias


O mundo online é um espaço poderoso para colaboração e aprendizado.

Ele resolve questões como distâncias, necessidade de deslocamento físico e reduz a pegada ecológica. Ainda não é capaz de substituir, é bem verdade, o calor da proximidade humana, mas seus pontos positivos são cada vez mais apreciados por comunidades de inovação, aprendizagem e cooperação.

A ferramenta básica do processo de interação e aprendizado compartilhado é o diálogo. No diálogo, o “aprendizado coletivo toma lugar e dele um senso de harmonia crescente, companheirismo e criatividade pode surgir” Bohm, Factor, and Garrett.

A metodologia a seguir é uma adaptação para a atmosfera online da estratégia chamada The World Café, criada por Juanita Brown e David Isaacs. A abordagem do “Café Mundial” ajuda a criar uma atmosfera dialógica imediatamente. Não seria fabuloso conduzir Cafés online e adentrar no poder da diversidade, auto-organização e participação?

Questões sobre Criar um World Café Online

Meu objetivo com este artigo é ajudar a recriar a atmosfera do World Café em um ambiente online, usando uma ferramenta de audioencontros associados a algumas ferramentas de co-criação simultânea de textos, imagens e gráficos, e então integrar o conhecimento gerado em um processo de investigação apreciativa. (http://21stcenturyappreciativeinquiry.com/innovations/appreciative-inquiry-model/)

Qual Plataforma e Conjunto de Ferramentas necessitaremos?

O primeiro desafio é encontrar a plataforma correta. A nossa escolha recaiu sobre uma ferramenta de audioencontros que permite um grande número de usuários simultâneos conectados, a um custo baixo e com a possibilidade de criação de vários ambientes de diálogo separados. Esta ferramenta se chama Team Speak, e usaremos o servidor do Ágora.CC para ilustrar nosso exemplo.

O que é o Ágora.CC e como usar?

O Ágora.CC é uma ferramenta de audioconferência muito usada para comunicação em games, mas raramente usada como ferramenta de comunicação fora desse mundo. Para instalar a ferramenta em seu computador, acesse o link http://agora.cc/tutorial.html e siga as instruções oferecidas.

OBS: a utilização do servidor do Ágora.CC é gratuita, desde que seu uso seja pautado por conversações voltadas para a produção de Bem Comum; se o seu foco for diferente, você pode contratar um servidor próprio ou utilizar um servidor público aberto, gratuitamente.

Como se pode capturar o conhecimento gráfico?

Em um World Café tradicional, em cada mesa estão dispostos papéis, canetas e eventualmente uma grande área para desenhar, escrever, rabiscar. Enquanto uma pessoa fica na mesa e as outras movem-se entre várias outras mesas para compartilhar e aprender novas ideias, usar uma área gráfica ajuda a gerar a memória do grupo. Ainda, depois que os grupos se moveram por várias mesas, uma sessão com o grupo todo é usada para coletar as ideias das várias conversações. A recomendação é de que a coleta coletiva também seja conduzida graficamente.

Quais são as plataformas para a criação de desenhos compartilhados?

Existem várias. Uma bem interessante é o Twiddla, ferramenta que conjuga compartilhamento de documentos, imagens, conversa por áudio e desenho colaborativo, entre outras funcionalidades. Um exemplo pode ser visto emhttp://www.twiddla.com/785853

(em construção)

Como pode o movimento entre mesas virtuais ser facilitado?

Ajudar pessoas a localizar um tópico de interesse e se mover entre mesas virtuais é um desafio. Em configurações com grandes grupos, Open Space Technology oferece um formato para ajudar as pessoas a se auto-organizar em torno de suas paixões e interesses. De fato, a ideia de auto-organização pode prover certas respostas sobre como ajudar a facilitar o movimento nas mesas no cyberespaço. Entretanto, os conceitos que fazem um World Café funcionar é limitado ao número de participantes em uma mesa a quatro, no máximo cinco. Isso oferece um espaço de conversação suficiente para todos presentes participarem de uma forma mais equânime.

É importante, no início, apresentar claramente as regras de bom funcionamento, que seguem abaixo:

1) Setting: Convide todos participantes do World Café Online a baixarem o software Team Speak 3 e, em um horário previamente marcado, comparecer na seção de World Café dentro do Ambiente virtual do Ágora.CC. Atualmente existem por lá a sala principal, onde deverão se reunir todos os participantes e mais 10 salas, que poderão abrigar até 10 grupos de discussão simultâneos (ou 11, se algum dos grupos permanecer na sala principal)

2) Boas-vindas e Introdução: o Facilitador (ou facilitadores) começam com boas-vindas calorosas e uma introdução do processo do World Café, explicando que os participantes serão divididos em grupos mais ou menos iguais para tentar responder uma questão ou achar uma solução para um determinado problema ou debater acerca de um tópico comum.

3) Debates em Pequenos Grupos: O processo começa com o primeiro de 3 ou mais sequências de 15 ou mais minutos de conversação dentro dos grupos virtuais criados no Ágora.CC. Ao final do tempo estabelecido, cada membro do grupo se move para um grupo virtual diferente. Pode-se escolher deixar um “representante da mesa” em cada sala, que irá dar as boas-vindas ao próximo grupo e brevemente irá lhes informar sobre o que aconteceu na sequência anterior.

4) Questões: cada round é antecedido por uma pergunta desenhada para o contexto e propósito desejados para o World Café. A mesma pergunta pode ser usada por mais de um round, ou elas podem ser montadas uma em cima da outra para guiar a conversa para uma determinada direção.

5) Colheita: Após os pequenos grupos (e/ou entre os rounds/sequências, como desejado) os indivíduos são convidados a retornar à sala principal e compartilhar seus insights ou outros resultados surgidos das conversações com o resto do grupo. Esses resultados são refletidos visualmente de várias formas, mais frequentemente usando mapas mentais, páginas como etherpads ou então sistemas de desenho colaborativo como o Twiddla.

E agora que você já sabe como organizar um Café Online, quais são suas perguntas?

Referências:

1. http://21stcenturyappreciativeinquiry.com/innovations/creating-world-cafe-online-open-questions/

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III CarnavalSofia 2012

III CarnavalSofia 2012


Posted By on fev 17, 2012

Nos próximos dias 21 e 22 de fevereiro, das 14:00 de terça até o fim do dia de quarta, estará acontecendo o III CarnavalSofia – uma deliciosa experiência filoecobiblioenogastronômicosófica para o qual você está convidado a comparecer!

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flyer gentilmente criado por Mariana Schetini

21/02/2012

>>> a partir das 14:00 – Ignição: uma pessoa, uma ideia, um debate em torno de uma ideia – funciona assim: um dos participantes traz uma ideia livre e a apresenta verbal ou audiovisualmente pelo tempo que julgar adequado, em seguida se inicia um debate em torno da mesma. Tudo regado a petiscos, vinhozinho (salve Baco!) e cerveja ou refrescos gelados.

>>> na sequência da tarde, quando e se houver vontade – faremo um mutirão bibliogastronômico do CEHLA – Centro de Estudos Humanistas, Libertários e Anarquistas – traga seu notebook para ajudar a catalogar o acervo de livros da biblioteca, enquanto conversamos e exercitamos o halterocopismo e nos preparamos para o jantar de confraternização logo a seguir.

 

22/02/2012

>>> a partir das 14:00 – um prólogo sobre o Ágora.cc – um espaço-artefato pensado para integrar a multitude de redes e movimentos sociais que estão redesenhando o mundo que conhecemos

>>> uma conversa sobre a Biblioteca de Rio dos Anjos e sua (em breve) inauguração

>>> depois do debate informal, segue a festança em um clima de Open Space, em que cada um pode inscrever um assunto para debatermos enquanto comemos, bebemos e nos coinspiramos.

Ambos os dias acontecem em um clima informal. Se quiser venha de chinelo e bermudas ou saia, traga algo para comer ou beber se quiser para seu consumo e/ou para compartilhar. Se não quiser ou puder trazer, haverá comes e bebes da mesma forma.

Página do Evento no facebook: http://www.facebook.com/events/372612226084818/


Mas o que é um CarnavalSofia?


Um CarnavalSofia é um encontro de pessoas caracterizado pelo desejo comum de troca de conhecimento, geralmente de cunho filosófico, mas que também pode ser político, antropológico, social, ecológico ou artístico. Neste encontro, o grupo de pessoas reúne-se em uma residência, ou clube ou outro local determinado para conversar e debater sobre assuntos de interesse previamente combinados ou então decididos na hora. Se o encontro for artístico, além de conversar, é claro que podem ser feitas experimentações musicais, teatrais, cinematográficas e trabalhos coletivos de pintura, escultura ou dança, por exemplo.

Um CarnavalSofia permite, além da mera discussão teórica, a organização, durante os dias de Carnaval, de um ato para consolidar o que está sendo discutido. Um exemplo simples seria a organização e aplicação, em 4 ou 5 dias, de uma campanha de conscientização na cidade ou no bairro acerca da coleta seletiva de lixo, o planejamento e realização de um curta-metragem, o aprendizado coletivo de uma técnica qualquer (fotografia, pintura, serigrafia, superadobe, pátina provençal, um detergente ecológico), etc.

Detalhe fundamental: um CarnavalSofia só é um CarnavalSofia se ele for realizado durante… …a semana de Carnaval!

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Hoje recebi da Suzana Priz, pela lista de e-mails da Coolmeia, um texto em que, ao bater com o título, me inspirou uma ideia: e se, ao invés de nos reunirmos sempre do mesmo jeito, em salas fechadas, sentados em cadeiras ou poltronas, ou mesmo ao ar livre, mas sempre sentados, passemos a realizar alguns encontros em movimento, conversando enquanto caminhamos?

Pois acho que vou propor este tipo de atividade para os membros da Coolmeia e também aqui na minha cidade, para o coletivo APonte! e outros grupos. Quem sabe dialogando enquanto oxigenamos melhor nossos cérebros, caminhando, encontramos uma maneira de realizar melhores pactos, melhores acordos, tomamos melhores decisões pensando coletivamente?

Segue abaixo o texto enviado pela Susana mais cedo. Vale muito a leitura, uma reflexão cara que todos nós precisamos fazer.

Um passeio socrático

Frei Betto

Ao  viajar pelo Oriente mantive contatos com monges do Tibete, da Mongólia, do  Japão e da China. Eram homens serenos, comedidos, recolhidos e em paz nos seus mantos cor de açafrão.

Outro dia, eu observava o movimento do aeroporto de São  Paulo: a sala de espera cheia de executivos com telefones celulares,  preocupados, ansiosos, geralmente comendo mais do que deviam. Com certeza, já  haviam tomado café da manhã em casa, mas como a companhia aérea oferecia um  outro café, todos comiam vorazmente. Aquilo me fez refletir: ‘Qual dos dois  modelo produz felicidade?’

Encontrei  Daniela, 10 anos, no elevador, às nove da manhã, e perguntei: ‘Não foi à  aula?’ Ela respondeu: ‘Não, tenho aula à tarde’. Comemorei: ‘Que bom, então de  manhã você pode brincar, dormir até mais tarde’. ‘Não’, retrucou ela, ‘tenho tanta coisa de manhã…’. ‘Que tanta coisa?’, perguntei. ‘Aulas de inglês, de balé, de pintura, piscina’, e começou a elencar seu programa de garota robotizada. Fiquei pensando: ‘Que pena, a Daniela não disse: ‘Tenho aula de  meditação!’

Estamos construindo  super-homens e super-mulheres, totalmente equipados, mas emocionalmente infantilizados.

Uma progressista cidade do  interior de São Paulo tinha, em 1960, seis livrarias e uma academia de ginástica; hoje, tem sessenta academias de ginástica e três livrarias! Não  tenho nada contra malhar o corpo, mas me preocupo com a desproporção em  relação à malhação do espírito. Acho ótimo, vamos todos morrer esbeltos: ‘Como  estava o defunto?’. ‘Olha, uma maravilha, não tinha uma celulite!’ Mas como  fica a questão da subjetividade? Da espiritualidade? Da ociosidade amorosa?

Hoje, a  palavra é virtualidade. Tudo é virtual.. Trancado em seu quarto, em Brasília, um homem pode ter uma amiga  íntima em Tóquio, sem nenhuma preocupação de conhecer o seu vizi­nho de  prédio ou de quadra! Tudo é virtual. Somos místicos virtuais, religiosos virtuais, cidadãos virtuais. E somos também eticamente virtuais….

A  palavra hoje é ‘entretenimento’. Domingo, então, é o dia nacional da imbecilização coletiva. Imbecil o apresentador, imbecil quem vai lá e se apresenta no palco, imbecil quem perde a tarde diante da tela. Como a  publicidade não consegue vender felicidade, passa a ilusão de que felicidade é  o resultado da soma de prazeres: ‘Se tomar este refrigerante, calçar este tênis, ­ usar esta camisa, comprar este carro, você chega lá!’ O problema é  que, em geral, não se chega! Quem cede desenvolve de tal maneira o desejo, que  acaba­ precisando de um analista. Ou de remédios. Quem resiste, aumenta a  neurose.

O grande desafio é começar a ver o quanto é bom ser livre de todo esse condicionamento globalizante, neoliberal, consumista. Assim, pode-se viver melhor. Aliás, para uma boa saúde mental, três requisitos são indispensáveis: amizades,  auto-estima, ausência de estresse.

Há uma  lógica religiosa no consumismo pós-moderno. Na Idade Média,  as cidades adquiriam status construindo uma catedral; hoje, no Brasil,  constrói-se um shopping center. É curioso: a maioria dos shoppings centers tem linhas arquitetônicas de catedrais estilizadas; neles não se pode ir de qualquer maneira, é preciso vestir roupa de missa de domingo. E ali dentro sente-se uma sensação paradisíaca: não há  mendigos, crianças de rua, sujeira pelas  calçadas…

Entra-se naqueles claustros  ao som do gregoriano pós-moderno, aquela musiquinha de esperar dentista.  Observam-se os vários nichos, todas aquelas capelas com os veneráveis objetos  de consumo, acolitados por belas sacerdotisas. Quem pode comprar à vista, sente-se no reino dos céus. Se deve passar cheque pré-datado, pagar a crédito,  entrar no cheque especial, sente-se no purgatório. Mas se não pode comprar, certamente vai se sentir no inferno… Felizmente, terminam todos na  eucaristia pós-moderna, irmanados na mesma mesa, com o mesmo suco e o mesmo  hambúrguer do Mc Donald…

Costumo  advertir os balconistas que me cercam à porta das lojas: ‘Estou apenas fazendo um passeio socrático. Diante de seus olhares espantados, explico: ‘Sócrates, filósofo grego, também gostava de descansar a cabeça percorrendo o centro  comercial de Atenas. Quando vendedores como vocês o assediavam, ele respondia:

“Estou apenas observando quanta coisa existe de que não preciso para ser feliz!”

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Uma coisa que gosto muito é de compartilhar ideias e sonhos.

Tenho muitos de ambos e gosto de encontrar pessoas que também os tem. Mais ainda se estas pessoas estão dispostas a transportar as ideias e sonhos para a realidade.

Outro dia pensei como seria bom organizar um café matinal semanal, lá em casa – ou no sábado, ou no domingo -, todas as semanas, para trocar sonhos e planejar sua realização.

Quem sabe daqui a algum tempo consiga organizar isto…

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Hoje decidi algo importante,

que deverá mudar minha vida nos próximos anos: vou, decididamente, deixar a Medicina dormir. Com isso quero dizer que vou começar a buscar mais intensamente situações e condições que me permitam dedicar, cada vez mais, ao que vem me interessado nos últimos anos: Cooperação, Comunicação, Conhecimento e a Convergência destas matérias.

Vou tentar buscar alguma forma de sustentar este desejo,

me aliar a instituições ou projetos que permitam que eu dedique meu tempo à pesquisa, divulgação e implementação das ideias e ideais que temos desenvolvido e apresentado na Coolmeia, incluindo aí iniciativas educativas, de economia solidária, de sustentabilidade e de despertar individual.

Ainda não faço ideia de como farei para realizar esta “necessidade” nos próximos anos, mas logo depois de atender a alguns compromissos pré-assumidos para este ano, estarei começando a planejar e traçar novos rumos. Deseje-me sorte e eficiência.

Convergencia

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