Category Archives for "Literatura"

Ago 05

Estamos nos inspirando e contagiando pelo melhor que o humano tem a oferecer?

By rafaelreinehr | Experimentalismo , Literatura

Esta postagem é a quinta de 13 postagens da série Exercício de Escrita Criativa e Produtividade, que propus em 28 de junho último. Acompanhe todos os artigos, compartilhe – se achar interessante – e comente se houver algo a acrescentar.

Na postagem de hoje, deveria deixar que “Uma grande foto me inspire”. Vamos às correções e ajustes:

  1. “Hoje”, deveria ser 31 de julho, segunda-feira. Estou publicando este texto em 05 de agosto, sábado. Vida corrida, pois.
  2. Ao invés de “uma foto”, estou publicando “duas fotos”, transgredindo mais uma vez minhas próprias regras
  3. Eu poderia ter escolhido uma magnífica imagem de natureza, um por-do-sol maravilhoso, uma mamão passarinho dando comida a seus filhotinhos, etc. – mas escolhi essa. Veremos porquê em breve.
  4. Subverter regras e normas – quando elas não trazem mal às pessoas ou, pelo contrário, podem trazer benefício, é comigo mesmo, então, sem mais delongas, simbora!

Veja as duas fotos abaixo:

Imagem de um buraco em uma avenida de Fukuoka que foi consertado em uma semana

Em 8 de novembro de 2016, um buraco de mais de 30 metros apareceu, em uma avenida da cidade de Fukuoka, no Japão. Um vazamento do esgoto pode ter sido a causa inicial. Um vídeo mostrando a expansão do buraco pode ser visto aqui.

Em 2 dias o sistema de esgoto, gás e eletricidade que passava por ali já havia sido consertado e, em seguida, coberto por 6200 metros cúbicos de areia e cimento pelos obstinados e eficientes trabalhadores japoneses. Em uma semana (foto da direita, de 15 de novembro de 2016), a rua já estava liberada para o uso do público.

Ver esta foto e ouvir esta história – bastante real, diga-se de passagem – me impele a uma imediata comparação com as obras realizadas em nossa maltratada terra brasilis. Como motorista, e atualmente fazendo cerca de 3000km por mês a bordo de um automóvel, posso dizer que conheço bem o chão e o asfalto pelo qual tenho passado. Tenho acompanhado várias histórias muito tristes de descaso, como a história da morosidade da duplicação da BR-101 Sul, o a lenga-lenga de meses para o conserto da ponte em Novo Cabrais, e a superlentidão no início do conserto da ponte em Nova Santa Rita, no Rio Grande do Sul, isso sem contar o descaso completo na cobertura asfáltica na região de Agudo e Paraíso do Sul, e nas vias urbanas de Santa Maria, também no Rio Grande do Sul.

Quando vejo o descaso dos órgãos públicos, estatais, governamentais; quando vejo a displiscência e falta de respeito dos executores das obras, a inépcia, o baixo conhecimento, capacidade intelectual e empenho dos operários e seus gerentes penso: em quem temos nos inspirado para viver a vida que vivemos? Estaremos nos inspirando e nos contagiando pelo melhor que o humano tem a oferecer? Ou pelo pior?

Qual das frases temos usado com mais frequência quando vemos algo errado acontecendo?

“Se todo mundo faz assim, porque eu não poderia fazer também”

ou…

“Não é porque eles fazem assim que eu também agirei do mesmo modo.”

E o que temos dito (e feito) quando vemos bons exemplos à nossa frente?

 

“Puxa! Que impressionante! Curti!”

ou…

“Fantástico! Vamos reunir a galera e fazer também?”

Bem, isso resume um pouquinho de um desânimo que anda me consumindo, de leve, mas cronicamente… Este olhar para fora e para o mundo e ver uma multidão de humanos passivos no que diz respeito a boas ações e prontamente ativos quando diz respeito a praticar atos individualistas, consumir e promover ações em benefício próprio. O cansaço tem batido à porta. Mas não tem jeito não: a gente bate a poeira e usa aqueles exemplos de pessoas íntegras, honestas, dedicadas e ocupadas em criar faíscas e fogueiras criativas, de bondade e generosidade para reanimar nossa própria chama.

Essa duas fotos, ao mesmo tempo em que me entristecem profundamente quando as coloco lado a lado com a sociedade e cultura brasileiras, me enche de esperança pois sei que há, guardada no humano, uma potência fantástica para produzir beleza, solidariedade, sustentabilidade e compaixão.

Ainda não sei como podemos tornar estas características dominantes em nossa espécie, mas faço questão de continuar vivo e continuar tentando.

 

Seja a mudança que você quer ver no mundo - Gandhi
Jul 24

Seja a mudança que você quer ver no mundo – Mahatma Gandhi

By rafaelreinehr | Experimentalismo , Literatura

Esta postagem é a quarta de 13 postagens da série Exercício de Escrita Criativa e Produtividade, que propus em 28 de junho último. Acompanhe todos os artigos, compartilhe – se achar interessante – e comente se houver algo a acrescentar.

Nesta semana, me comprometi a comentar sobre uma citação poderosa.

Quem me conhece, sabe que sou colecionador de citações. Crio algumas também, como por exemplo:

“A riqueza de um ser humano é medida à justa equivalência do tempo no qual ele está fazendo exatamente aquilo que quer fazer.”

– Rafael Reinehr, 13 de novembro de 2010

Tenho várias citações, frases e passagens que fazem muito sentido para mim. Veja algumas delas no texto Eu tive um sonho, que escrevi em 01 de janeiro de 2012.

Gosto muito também desta, de B. K Jagdish:

 “Nossos pés deixam pegadas na areia do tempo. Se estivermos no caminho errado, muitos nos seguirão, desviando-se do que é correto. Quando pensamos que uma ação é só por aquele momento e esquecemos que ela deixa um rastro atrás de si, não estamos sendo responsáveis.
Todas as nossas ações afetam os seres humanos, dando-lhes alívio ou tristeza. Podemos fortalecê-los ou não. Podemos causar ferimentos ou curas. Podemos gerar conflitos ou resolvê-los. Podemos criar cataclismas ou algo nobre para a sociedade.

Mas a que quero comentar hoje, é uma passagem que sempre me laça, e me ajuda a ver a pequeneza atual do meu ser. Ou do meu “estar”. Ela é atribuída a Mahatma Gandhi, e fala assim:

“Seja a mudança que você quer ver no mundo”

Nessa frase existem muitos sentidos sensacionais sendo sintetizados simultaneamente (perdoem pela aliteração!). Podemos depreender que, se quisermos mudar o mundo, devemos começar por aquilo que, em primeira e última instância temos acesso e – até certo ponto – controle: nós mesmos. Ela é um grito, um apelo pela coerência em nossas vidas e contra a hipocrisia. Ela nos convida a refletir sobre como estamos vivendo e se estamos aplicando na prática aquilo que professamos e que desejamos para o outro, para a Natureza.

Se você quer alcançar, caminhe.

Se você quer um mundo melhor, comece por ti. Abrace as tuas imperfeições e as lapide, de forma a te tornar uma pessoa melhor. Te tornando alguém melhor estarás, através do teu exemplo, inspirando aqueles ao teu redor a fazer o mesmo. Assim, estarás mudando o mundo, algumas pessoas por vez, algumas ações a cada tempo possível.

Ao longo da vida, passei por vários momentos em que desejei, profundamente, me tornar “a mudança que quero ver no mundo”. Só desejo não é o suficiente. Precisamos de uma dose extremamente grande de autodeterminação, perseverança e, muitas vezes, até da ajuda de outras pessoas, por mais paradoxal que isso possa parecer.

Sim, é possível adentrarmos um processo introspectivo de autoconhecimento e sairmos de lá “quase iluminados” mas, ao mesmo tempo em que isso gera “faróis” que podem ajudar a guiar a humanidade em meio às Tempestades, não é mais o que almejo para mim. Já tive essa fase, de buscar ser um “guru” que inspira multidões. Isso começou a passar quando tive o insight da Coolmeia (veja também aqui) – a percepção de que a verdadeira mudança, no tempo da minha existência, viria a partir de um esforço coletivo, e não de um ultradesenvolvimento individual.

Um texto que coaduna com esta minha forma de pensar foi escrito por Michel Bauwens, fundador da P2P Foundation, e pode ser encontrado aqui e aqui.

No país no qual resido atualmente, o Brasil, vivemos em um profundo estado de desesperança com a classe que desgoverna o país. Como anarquista, nenhuma novidade no front. A novidade é que mais pessoas perceberam o navio sem timão no qual estão navegando. Estar à deriva é algo delicioso, quando é feito de forma voluntária, por prazer e escolha própria. Não quando se espera uma certa ordem e um porto seguro para desembarcar. Entretanto, é justamente nestes momentos – de crise – que temos oportunidade de fazer alçar vôo empreendimentos que transportam nossa visão de mundo – integrativa, sistêmica, dinâmica, ecológica e interdependente – a uma camada maior da população, estabelecendo um novo estrato de pessoas conscientes e prontas para, do seu modo e a seu tempo, subverterem a realidade atual que lhes oprime e a dialogar com um outro mundo possível, com perspectivas poderosas e libertadoras.

E não quero deixar passar este momento.

Deixei passar vários. Algumas possibilidades me passarão por entre os dedos, por falta de recursos econômicos, habilidades de comunicação e pelo fato de eu não contar com o dom da onipresença e da vida eterna (não enquanto ser vivo preso a esta estrutura material humana, pelo menos…).

Enquanto vivo minhas pequenas, diria até microrrevoluções – mudando e aprimorando minhas relações com as pessoas ao meu redor, preservando as que me elevam e fazem bem, e deixando de lado aquelas que me consomem, geram conflito e drenam energia vital que poderia estar sendo usada de forma positiva em prol do bem comum – sigo atento ao mundo “exterior”, absorvendo conhecimento e devolvendo-o modificado pelo prisma da minha visão.

Espero que minha tradução do mundo e da vida possa ser adequadamente internalizada e que eu possa me aproximar dessa coerência desejada e desejável: a de me transformar na mudança que desejo para o mundo.

Nesse ínterim, enquanto reflito sobre as mudanças que precisam ser feitas – no meu ambiente interno, na minha casa, comunidade de afinidade familiar, de amizade ou mesmo online e nos recônditos mais distantes do meu alcance ou mesmo visão – lembro de um texto que escrevi há 11 anos atrás, quando o conteúdo de meus blogs que mantinha desde 2002 mais ou menos foram migrados para cá, para o reinehr.org.

Este texto se chama Um Processo, e fala, em essência, sobre mudança. E de lá, tiro uma auto-citação que nos lembra sobre algo muito importante: viver a dádiva do presente, do momento atual.

“A perspectiva de uma vida que deve ser vivida dia-a-dia já foi conquistada há algum tempo. Ainda resisto e teimo em, vem ou outra, programar demasiadamente o futuro. O futuro é agora.”

O futuro é agora. Me ajuda a revelar o colorido que existe por trás de cada ser humano?

“Mesmo o mais embotado ou desbotado ser vivente tem em si, ao menos de forma latente, um arco-íris. Por vezes não conseguimos enxergar isto nos outros ou inclusive em nós mesmos… Porque nem sempre as cores revelam-se facilmente.”

Seja mais uma vez bem-vindo(a) à série de 13 textos sobre Escrita Criativa e Produtividade. Toda segunda-feira, no http://reinehr.org nos próximos 3 meses.

Até breve, obrigado por me acompanhar até aqui.

# # #

Segue a lista de todos os artigos da série e quando eles foram/serão publicados:

  1. Contar uma história pessoal (03 de julho): Qual é a coisa mais desconfortável para se escrever? O que é realmente difícil para o Rafael?
  2. Descrever um evento histórico (10 de julho): O Dia em que o Big Ben soou pela primeira vez
  3. Revisar um livro, filme ou disco (17 de julho): Os Desafios à Força de Vontade, de Kelly McGonical
  4. Comentar sobre uma citação poderosa (24 de julho): Seja a mudança que você quer ver no mundo
  5. Deixar que uma grande foto me inspire (31 de julho)
  6. Comentar sobre algo que está nas notícias (7 de agosto)
  7. Reportar sobre um diálogo interessante que tive (14 de agosto)
  8. Oferecer uma explicação passo-a-passo para fazer algo (21 de agosto)
  9. Oferecer uma lista de recursos (sobre algo interessante ou útil) (28 de agosto)
  10. Responder às questões da minha audiência (4 de setembro)
  11. Tornar uma tarefa aparentemente muito difícil algo fácil (11 de setembro)
  12. Explicar as razões que me fizeram tomar uma dada decisão (18 de setembro)
  13. Escrever um guia sobre algo popular (25 de setembro)

Kelly Mcgonical - Os desafios à força de vontade
Jul 17

Resenha: Os Desafios à Força de Vontade, de Kelly McGonical

By rafaelreinehr | Experimentalismo , Literatura

Esta postagem é a terceira de 13 postagens da série Exercício de Escrita Criativa e Produtividade, que propus em 28 de junho último. Acompanhe todos os artigos, compartilhe – se achar interessante – e comente se houver algo a acrescentar.

Minha missão de hoje é resenhar um livro, um filme ou um disco. Vejo novos filmes todas as semanas, estou sempre em busca de novas bandas e músicas para conhecer, mas nas últimas semanas estou realmente dedicado à leitura diária dos microbooks traduzidos e resumidos pelo 12 minutos, plataforma da startup brasileira que está revolucionando a forma de acessar, de forma rápida e prática, uma série de best sellers de várias áreas do conhecimento.

Buscando livros que pudessem auxiliar meus tutorandos do 7P – Programa de Emagrecimento Sustentável em 7 Passos, encontrei um livro bastante útil, que vai direto ao ponto no que diz respeito à força de vontade que precisamos para atingir nossos maiores objetivos: Os Desafios à Força de Vontade, de Kelly McGonical.

Direcionado a todos aqueles que já tentaram fazer uma dieta mas que desistiram, que tentaram economizar dinheiro mas acabaram gastando em coisas supérfluas e que não conseguem resistir aos impulsos em geral, “Os Desafios à Força de Vontade” nos leva a uma jornada que ensina como a força de vontade funciona e também nos mostra alguns truques para aumentar nosso autocontrole, tendo resultados melhores em nossas vidas.

Os Três componentes da força de vontade

Kelly nos ensina que a força de vontade é composta por 3 poderes: “Eu não vou”, “Eu vou” e “Eu quero”.

“Eu não vou” é nossa habilidade de dizer não mesmo quando nosso corpo quer dizer sim. Ele representa nossa capacidade de resistir à tentação. Resistir a um chocolate, ao cigarro, a uma compra por impulso a uma pessoa bonita desconhecida. Você consegue definir qual é, hoje, seu desafio “Eu não vou” mais importante ao se perguntar: que hábito está atrapalhando minha saúde, felicidade ou carreira e do qual eu deveria abrir mão?

O segundo componente da força de vontade é o poder do “Eu vou”, ou seja, a capacidade de fazer o que não gostamos agora, para colhermos melhores resultados no futuro. Este poder “Eu vou” nos ajuda a executar tarefas desagradáveis mas fundamentais para atingir nossos objetivos, como estudar para passar em uma prova ou realizar uma série de trabalhos braçais, chatos ou automáticos para preparar o terreno para algo importante que faremos depois. Podemos encontrar nosso desafio “Eu vou” mais importante ao nos perguntar: que hábito eu deveria parar de adiar para melhorar minha vida?

E, ainda, existe o poder “Eu quero”, ou seja, a capacidade de lembrar o que realmente queremos; aquilo que é melhor para nós mesmos no longo prazo, para além das tentações imediatas. Para que possamos resistir ao presente, precisamos de objetivos claros de longo prazo para guiar nossas ações. Podemos encontrar nosso desafio “Eu quero” ao perguntar: qual é meu principal objetivo de longo prazo, no qual eu deveria focar minha energia? E qual (ou quais) desejo(s) imediato(s) estão me impedindo de alcançar este objetivo?

A Meditação pode nos ajudar a ter mais autocontrole

O mundo é cheio de estímulos e distrações: links para clicar, séries para assistir, festas e eventos a frequentar… Quando nossa mente está preocupada, uma tentação imediata pode surgir e atrapalhar nossos objetivos de longo prazo.

Um estudo foi realizado para comprovar esta teoria: estudantes foram orientados a lembrarem de um número de telefone enquanto decidiam entre qual lanche comeriam durante o experimento: um chocolate ou uma fruta. Os estudantes distraídos pela tarefa escolheram o chocolate 50% mais vezes do que o grupo ao qual não foi dada nenhuma tarefa de memorização.

A neurociência já demonstrou que existe uma maneira eficaz para lidar com as distrações: através da meditação. A meditação cultiva uma autoconsciência momento a momento, que nos ajuda a perceber quando não estamos atentos e focados e, dessa forma, reorganizar nossa energia nas tarefas cotidianas.

Os benefícios já começam a surgir após 3 horas de prática acumulada e, após 11 horas, já existem mudanças positivas duradouras no cérebro. Quando as distrações parecem esmagadoras, respirar profundamente e focar a concentração no objetivo de longo prazo podem quebrar o ciclo de distração e retomar o controle sobre os impulsos.

Sempre que nossa mente está preocupada, perdemos força de vontade. Desta forma, devemos evitar tomar decisões enquanto estivermos distraídos e devemos aumentar nossa autoconsciência através da meditação. Isso nos ajuda a cultivar sucessos, um atrás do outro.

Seu instinto natural é capaz de vencer as tentações

Existe um instinto natural que chamamos de “Resposta de pausa e plano”, que permite que nosso foco seja voltado para conflitos internos entre nosso “eu racional” e nosso “eu impulsivo”, promovendo um desaceleramento para que possamos controlar nossos impulsos momentâneos.

E como podemos aumentar este estímulo de força de vontade, para desacelerar nossas mentes e tomar decisões melhores? Basicamente, fazemos isso prestando muita atenção em tudo que estressa nossa mente e corpo, como a raiva, ansiedade, dores e doenças. Tudo que se interpõe entre nossa capacidade de alcançar um estado de autocontrole, nos mantendo frequentemente em um estado de “luta e fuga”, evitando que alcancemos o estado mais lento e racional da mente.

Além da meditação, exercícios físicos, uma boa noite de sono, alimentos saudáveis e tempo de qualidade com a família e amigos também ajudam a reduzir nossos níveis de estresse. Fazer atividades ao ar livre por apenas cinco minutos por dia também já é suficiente para nos dar bom impulso também!

Os sentimentos ruins podem acabar com sua força de vontade

O estresse é uma fonte comum de infelicidade. Pode estar enraizado em nossas preocupações profissionais ou pessoais, mas também em eventos externos e até em notícias ruins que chegam a nós. Como o estresse induz a pensamentos preocupantes, nos faz sentir mal com nós mesmos, o que nos impele a fazer algo para que nos sintamos melhores. Muitas vezes, a maneira mais rápida e fácil de se sentir melhor agora é fazer aquilo que vai nos deixar mal depois.

Um exemplo clássico acontece quando perdemos dinheiro em um cassino. Ficamos tão chateados que decidimos continuar jogando até ganhar, o que irá aliviar nosso estresse. Mas, muitas vezes, acabamos perdendo novamente, muitas vezes todo nosso dinheiro.

A solução para superar o estresse não pode, então, ser ceder imediatamente aos impulsos. Estratégias que tem um efeito mais sustentável, como exercício ou meditação, mesmo que envolvam mais esforço inicial, nos deixam com um sentimento de satisfação, diferente do sentimento de culpa da alternativa mais fácil.

Mas também não podemos fazer resoluções irreais para nos opormos ao estresse. Programar mudanças radicais pode ser um tiro no pé se não alcançarmos nossa meta. Programar uma série de pequenas mudanças pode impulsionar nossa autoconfiança e nos levar à grande mudança que almejamos. E, quando falhamos em nossos objetivos, sem desespero: perdoamos nossa falha e tentamos novamente, logo a seguir, sem desanimar.

Tente visualizar não só seu presente, mas também seu futuro

 

Nossa vulnerabilidade a gratificações instantâneas também faz com que negligenciemos o futuro. Nosso cérebro reage de forma poderosa a recompensas visíveis, superestimando os benefícios das gratificações instantâneas e subestimando o valor do autocontrole. Assim, tomamos decisões das quais nos arrependemos no futuro.

A tentação enfraquece quando criamos distância entre nós mesmos e o objeto do desejo, tornando-o menos visível ou difícil de conseguir. Em um estudo no qual doces eram colocados fora do campo de visão dos trabalhadores de um escritório, dentro de uma gaveta ao invés de em cima de uma mesa, o consumo de doces era reduzido a um terço.

Veja este vídeo, sobre como priorizar sua despensa.

Privar-se dos seus desejos pode te atrapalhar

Pelos próximos cinco minutos não pense em ursos brancos. Você consegue fazer isso? A maioria das pessoas falha nessa tarefa. Embora você normalmente não pense em ursos brancos, se você tentar não pensar sobre eles, é quase impossível parar. A mesma coisa é verdade para seus desejos: embora a repressão possa parecer funcionar a princípio, ela na realidade deixa tudo pior.

Esses dados foram demonstrados em um estudo no qual mulheres foram convidadas a experimentar dois diferentes chocolates. Antes de trazer o doce, ele pedia às participantes para pensarem sobre diversas coisas por 5 minutos. Um grupo foi instruído a evitar qualquer pensamento sobre chocolate, enquanto os outros participantes estavam livres para pensar sobre o que quisessem. Como esperado, o grupo que recebeu instruções para não pensar sobre chocolate relatou poucos pensamentos sobre chocolate, mas comeu duas vezes mais o doce.

O fracasso de algumas dietas pode ser explicado por isso: quando mais você tenta resistir a um certo alimento, mais sua mente fica preocupada com ele. A solução: pensar de forma positiva e proativa, nos alimentos saudáveis e no desejo de inclui-los na sua vida, de forma a ter uma vida mais ativa, saudável e longeva. Aprender a fazer receitas deliciosas com este conjunto de alimentos saudáveis. Em vez de decidir que “não irá comer chocolates”, decida que irá comer “este e aquele alimento saudável”. Um declínio da alimentação ruim irá automaticamente acontecer.

Outra técnica interessante advém das tradições da meditação plena, e é especialmente útil para nos livrarmos de hábitos pouco saudáveis, como o cigarro, por exemplo: quando uma angústia ou um desejo forte aparecem, permita-se observá-lo. Observe sua respiração e o que você sente. Então, imagina que este anseio é uma nuvem, uma neblina, que gradualmente se dissolve e vai embora. Funciona! Tente!

A força de vontade é contagiosa

Por último, é importante perceber que nosso comportamenteo e pensamento mudam dependendo de nossas companhias. “As pessoas com quais interagimos influenciam nossas crenças, objetivos e ações. Até mesmo características como a força de vontade podem ser adquiridas por nosso contexto social.

Quando observamos pessoas que agem de maneira impulsiva, é mais provável que repliquemos este comportamento, deixando de lado nossos objetivos de longo prazo por momentos de prazer. E é digno de nota que, quanto mais gostamos de uma pessoa que observamos, mais forte é este efeito, e com isso perdemos nossa força de vontade.

Mas o mais interessante é o seguinte: este efeito também pode ser utilizado para o bem, ou seja: se um amigo próximo ou membro da família perdeu muito peso recentemente, isso aumenta nossas chances de perder peso também, pois nos inspiramos no exemplo daquela pessoa próxima e querida.

E, quem sabe, daqui a algum tempo, seremos nós o espelho para alguém que nos observa e admira.  “Assim, pensar em alguém que você admira por sua força de vontade e autocontrole aumenta sua própria força de vontade.

Outra maneira de se aproveitar da força de vontade dos outros é ter amigos e familiares envolvidos em seus desafios.

Um estudo realizado pela Universidade de Pittsburgh envolveu amigos e membros da família dos participantes. Todos foram instruídos a se apoiarem mutuamente para alcançarem suas metas – escrevendo mensagens encorajadoras ou compartilhando refeições saudáveis. Os resultados surpreenderam: 66% dos participantes mantiveram a perda de peso meses depois de finalizado o programa. No grupo controle, composto de participantes que não entraram no programa com familiares ou amigos – a perda de peso era de apenas 24%.

Finalmente…

Desde a pesquisa clássica feita nos anos sessenta e setenta com crianças e marshmallows, para verificar sua resistência e a importância de conseguir retardar a recompensa, sabemos que os melhores resultados na vida – se dão quando conseguimos reunir força de vontade e autocontrole e postergar nossos impulsos imediatos. (Veja este vídeo, que mostra como a missão não é nada fácil!).

Para uma vida mais feliz e saudável, para relacionamentos mais satisfatórios e duradouros, para ganhar mais dinheiro e até para viver por mais tempo, a força de vontade é uma ferramenta muito importante! Vamos aprender a cultivá-la?

 

OBS: Esta resenha foi fortemente inspirada, adaptada e remixada do resumo criado pela equipe da 12 minutos para o livro da Kelly McGonical. Para a leitura do microbook original, acesse o 12 minutos. Para adquirir o livro da autora, compre-o na Livraria Cultura.

 

Enquanto isso, seja mais uma vez bem-vindo(a) à série de 13 textos sobre Escrita Criativa e Produtividade. Toda segunda-feira, no http://reinehr.org nos próximos 3 meses.

Até breve, obrigado por me acompanhar até aqui.

# # #

Segue a lista de todos os artigos da série e quando eles foram/serão publicados:

  1. Contar uma história pessoal (03 de julho): Qual é a coisa mais desconfortável para se escrever? O que é realmente difícil para o Rafael?
  2. Descrever um evento histórico (10 de julho): O Dia em que o Big Ben soou pela primeira vez
  3. Revisar um livro, filme ou disco (17 de julho): Os Desafios à Força de Vontade, de Kelly McGonical
  4. Comentar sobre uma citação poderosa (24 de julho): Seja a mudança que você quer ver no mundo
  5. Deixar que uma grande foto me inspire (31 de julho)
  6. Comentar sobre algo que está nas notícias (7 de agosto)
  7. Reportar sobre um diálogo interessante que tive (14 de agosto)
  8. Oferecer uma explicação passo-a-passo para fazer algo (21 de agosto)
  9. Oferecer uma lista de recursos (sobre algo interessante ou útil) (28 de agosto)
  10. Responder às questões da minha audiência (4 de setembro)
  11. Tornar uma tarefa aparentemente muito difícil algo fácil (11 de setembro)
  12. Explicar as razões que me fizeram tomar uma dada decisão (18 de setembro)
  13. Escrever um guia sobre algo popular (25 de setembro)
Palácio de Westminster em Fevereiro de 2007, Torre Elizabeth, Big Ben
Jul 10

O Dia em que o Big Ben soou pela primeira vez

By rafaelreinehr | Experimentalismo , Literatura

Esta postagem é a segunda de 13 postagens da série Exercício de Escrita Criativa e Produtividade, que propus em 28 de junho último. Acompanhe todos os artigos, compartilhe – se achar interessante – e comente se houver algo a acrescentar.

Minha tarefa desta semana é descrever um evento histórico. Pois bem, qual evento histórico eu deveria escolher para escrever sobre, então? Antes de queimar muitos neurônios pensando, decidi realizar uma busca na Wikipedia e verificar quais eventos históricos aconteceram hoje, no dia em que publico este artigo: dia 10 de julho.

 

Aí, a tarefa ficou simples: Dos eventos relatados para o dia, bastava escolher aquele que mais me “apetecia”. Poderia falar sobre o nascimento de Nicola Tesla, em 10 de julho de 1856 ou de Marcel Proust em 1871? Sobre a Comemoração do Dia da Pizza, no Brasil? Ou sobre o Dia de Holda, senhora das bruxas na mitologia nórdica?

 

De todos os que lá encontrei, resolvi narrar um evento em particular, que aconteceu em 10 de julho de 1859: O Dia em que o Big Ben soou pela primeira vez, em Londres.

 

Muitas pessoas acreditam que o Big Ben é o nome dado à Torre com 4 relógios, um em cada lado (a segunda maior do mundo com esta configuração) mas, na verdade, Big Ben é o nome do sino de quase 14 toneladas que se encontra no interior da torre, hoje chamada de Elizabeth Tower, em homenagem à rainha Elizabeth II, pelos seus 60 anos de reinado.

 

O sino foi produzido em 1858 em uma fundição londrina, e pesa exatos 13760 quilogramas, tem um diâmetro de 2,74m e a altura de 2,39m. Quando ficou pronto, foi transportado da fundição até o Parlamento em uma carruagem puxada por 16 cavalos ornamentados. A Torre e o Relógio já haviam sido inaugurados em 31 de maio de 1859, e o sino soou pela primeira vez em 10 de julho do mesmo ano. Desde 31 de dezembro de 1923, a rádio BBC de Londres transmite diariamente as badaladas do sino.

 

Fora de seus períodos habituais, o sino tocou 56 vezes, todos os minutos durante o funeral do rei Jorge VI, falecido com 56 anos de idade em 15 de fevereiro de 1952. Além disso, em 27 de julho de 2012, tocou durante 3 minutos (das 8:12 às 8:15) para anunciar a abertura dos Jogos Olímpicos de 2012.

 

Existem duas teorias aceitas para o nome “Big Ben”: a primeira é que, em uma seção do parlamento inglês na qual deveria ser decidido o nome, depois de um discurso de Sir Benjamin Hall, e por este ser uma pessoa alta e corpulenta, e cujo apelido era Big Ben, um dos parlamentares sugeriu que este deveria ser o nome do sino. A outra teoria prega que o nome tenha sido uma homenagem a Benjamin Caunt, um lutador de boxe que pesava 108kg e que também tinha o apelido de Big Ben.

 

No começo, os parlamentares reclamaram que o som do sino era muito alto e até o famoso jornal Times londrino comentou que o sino era uma “desgraça que concernia a todos que o planejaram”. Entretanto, com o tempo, o ouvido do londrino se acostumou ao badalar do sino e hoje ele é um dos maiores símbolos da capital da Inglaterra.

Qual brasileiro que vai à Londres não quer uma foto junto a este símbolo da pontualidade britânica?

E você: já foi a Londres? Quais suas experiências com a cidade, com seus habitantes e seus monumentos? O que chamou tua atenção? O que você amou e o que você não gostou da sua visita à cidade da neblina? Responda nos comentários!

 

PS: fica uma nota: se você olhar a quantidade de links e referências que existe para cada dia do ano na Wikipedia, você poderia muito bem ficar 1 a 2 meses estudando somente as referências lá elencadas e teria pelo menos 30 anos de estudos garantidos! Fantástico o rol de conhecimento humano já armazenado e que continua sendo produzido, ano após ano, pela humanidade. Enquanto isso, ainda temos dificuldade em utilizarmos nossa energia e nosso bom senso para nos relacionarmos de forma equânime e saudável com nossos pares e com a natureza. O xis da questão não está, então, no conhecimento: mas na forma sábia ou obtusa com a qual nos relacionamos com ele e na ausência dele.

 

Enquanto isso, seja mais uma vez bem-vindo(a) à série de 13 textos sobre Escrita Criativa e Produtividade. Toda segunda-feira, no http://reinehr.org nos próximos 3 meses.

Até breve, obrigado por me acompanhar até aqui.

# # #

Segue a lista de todos os artigos da série e quando eles foram/serão publicados:

  1. Contar uma história pessoal (03 de julho): Qual é a coisa mais desconfortável para se escrever? O que é realmente difícil para o Rafael?
  2. Descrever um evento histórico (10 de julho): O Dia em que o Big Ben soou pela primeira vez
  3. Revisar um livro, filme ou disco (17 de julho): Os Desafios à Força de Vontade, de Kelly McGonical
  4. Comentar sobre uma citação poderosa (24 de julho): Seja a mudança que você quer ver no mundo
  5. Deixar que uma grande foto me inspire (31 de julho)
  6. Comentar sobre algo que está nas notícias (7 de agosto)
  7. Reportar sobre um diálogo interessante que tive (14 de agosto)
  8. Oferecer uma explicação passo-a-passo para fazer algo (21 de agosto)
  9. Oferecer uma lista de recursos (sobre algo interessante ou útil) (28 de agosto)
  10. Responder às questões da minha audiência (4 de setembro)
  11. Tornar uma tarefa aparentemente muito difícil algo fácil (11 de setembro)
  12. Explicar as razões que me fizeram tomar uma dada decisão (18 de setembro)
  13. Escrever um guia sobre algo popular (25 de setembro)
4 marcas reinehr.org
Jul 03

Qual é a coisa mais desconfortável para se escrever? O que é realmente difícil para o Rafael?

By rafaelreinehr | Experimentalismo , Literatura

Esta postagem é a primeira de 13 postagens da série Exercício de Escrita Criativa e Produtividade, que propus em 28 de junho último. Acompanhe todos os artigos, compartilhe – se achar interessante – e comente se houver algo a acrescentar.

Quando propus o Exercício de Escrita Criativa e Produtividade, recebi alguns comentários e um deles chamou minha atenção: foi uma pergunta do Ricardo Kasburg Philippsen questionando se eu aceitaria sugestões de temas para as 13 semanas de postagem. Ao que lhe respondi que sim, seria ótimo receber ideias e tornaria até mais fácil o meu trabalho. Mas, mal sabia eu que lá vinha bomba!

O Ricardo propôs que eu escrevesse sobre aquilo que, para mim pessoalmente, fosse a coisa mais desconfortável para escrever. Eu deveria olhar para dentro, investigar e falar sobre o que fosse mais difícil para mim.

Como no primeiro exercício, este que estou publicando agora, eu devo contar uma história pessoal, bem, lá vamos nós… O que é difícil e desconfortável para mim, neste momento da vida?

De todas as coisas que precisam ser melhoradas – minhas características pessoais de intolerância e impaciência, minha gestão do tempo e aumento de capacidade para dizer “não” a novos projetos, ser capaz de voltar a produzir meu alimento e lidar com 100% do lixo orgânico como já fui capaz de fazer em outros tempos, minha relação afetiva atual – aquela que mais me incomoda está relacionada com as consequências e amarras derivadas da minha separação com a mãe de meus filhos, em 2014.

Adoraria poder escrever com detalhes sobre meus sentimentos, sobre os fatos e sobre como interpreto tudo que aconteceu e está acontecendo, mas como se avizinha um processo litigioso, terei que calar por ora. Desabafar sobre aquilo que nos sufoca é terapêutico. Não poder falar o que está engasgado e o que o outro precisa ouvir é tóxico. Desta feita, estou sim registrando os fatos e os sentimentos que acompanham, pois um dia poderei colocá-los para fora. Por ora, preciso “deixar quieto”.

Por este motivo, vou escolher a segunda coisa que mais me atormenta nos dias de hoje: minha incapacidade em criar um senso de pertencimento, de comunidade e de tornar sustentáveis meus projetos de cunho altruísta, socio-ambiental e culturais.

Quem me acompanha sabe que estou em constante processo de animação de vários projetos de toda sorte, entre eles a Coolmeia, o Medictando, o Pensador Selvagem, o Simplicíssimo, a Rádio Sofia, a AntiEditora, o CEHLA, a Biblioteca Anarquista, a ZenNature, a The Love&Brains Cooperation, o Solutio e alguns outros.

Sim, eu sei. Alguns me chamam de louco por tentar. Outros me compreendem e me dão força, de várias formas: palavras de estímulo, dando as mãos e pegando junto em um ou outro projeto – projetos estes que estão desenhados de forma colaborativa, abertos à participação de quem se sentir convidado e incluído. Eles tem código aberto, podem ser replicados onde for desejável e, ao fazer parte, funcionam de forma horizontal e autogerida, em sua maior parte.

Os fatores que me deixam inquieto, insatisfeito e de mal comigo mesmo são:

  • Crowdsourcing insuficiente: não temos o time de pessoas dedicadas a cada projeto na intensidade desejável para que ele floresça

  • Quando temos um time maravilhoso, ele é composto por pessoas que, assim como eu, fazem parte de vários projetos e não conseguem dedicar tempo suficiente àquele nosso projeto em comum

  • Algumas pessoas chegam e vão, pois não conseguem desenvolver um senso de pertencimento à iniciativa pela qual ele se interessou

  • Os projetos sempre foram alimentados majoritariamente por dinheiro do meu próprio bolso, até o momento em que isso se tornou inviável e, pela primeira vez, precisei começar a pensar em como gerar sustentabilidade econômica para eles

  • Trazer benefício verdadeiro, significativo e duradouro para a comunidade que faz parte dos projetos e também ao ecossistema que o projeto pretende alcançar e nutrir.

  • Não conseguir comunicar efetivamente ao público em geral como que estes projetos que, a um primeiro olhar, parecem díspares e não relacionados, na verdade fazer parte de um todo coeso, com objetivos comuns mas individualmente focados em públicos e assuntos diversos

Olho para trás e verifico o tempo e os recursos que já foram (e continuam sendo) investidos nestes projetos. Fico feliz com os resultados alcançados até o momento, mas sei que eles podem – e devem – chegar a mais pessoas, e fazer a diferença positiva no mundo para a qual eles foram projetados.

Hoje consigo reconhecer os erros de planejamento, os de execução e até a insuficiência na celebração de pequenas conquistas que tivemos pelo caminho. As pessoas que me acompanharam e acompanham mais de perto sabem do que estou falando, com mais propriedade. Na verdade, muitas vezes reconhecia no momento em que aconteciam, mas não tinha fôlego para consertá-los, em função das outras demandas acumuladas.

Sim, e é somente neste aspecto que dou a braço a torcer aos críticos que dizem: “Mas você faz muitas coisas ao mesmo tempo! Não seria melhor se dedicar a somente um projeto por vez, fazê-lo acontecer e só daí partir para um próximo?”

Sim, vocês tem razão. Isso seria o ideal. Mas como controlar esta ânsia insana que vem de dentro e me impele a fazer tudo ao mesmo tempo agora? Este ímpeto é imparável. Não sei se alguém entende o que estou dizendo, mas é como se fosse um “chamado”, uma voz tão forte que te inspira e faz com que nada possa ficar para depois.

Antes de mais nada, já tentei suprimir esta voz por algum tempo. E consegui. Juntamente com isto, consegui me sentir infeliz. Ao que parece, minha felicidade, aquela verdadeira sensação de bem-estar, na qual você se sente pleno, completo, inclui estar fazendo milhares de coisas ao mesmo tempo. Me sinto vivo e é assim que escolho seguir. Existe algum tipo de contenção compulsória para isso? Espero que não. Já tentei meditação para isso, mas o que ela faz é, na verdade, ampliar ainda mais minhas ideias, delírios e vontades. A meditação ao mesmo tempo que me acalma me deixa ainda mais criativo, com vontade de participar e interagir com o mundo e as pessoas, ajudando na transformação desta realidade em uma outra, melhor.

Bem, talvez esta história pessoal faça pouco sentido a você que a está lendo agora. Talvez eu consiga trazer mais sentido a ela nas próximas semanas, nos próximos meses, anos, décadas, com o desenrolar de todos estes projetos e iniciativas. Se eu for bem sucedido, você saberá. Se não for, somente ficarás sabendo se ficares por perto. Te convido a ficares por perto e me ajudar da forma que for possível a você: carinho, críticas, sugestões, recursos econômicos, seu conhecimento, seu networking, indicando pessoas próximas a você que possam desejar participar e ajudar de um ou mais dos projetos elencados acima.

Ao longo das próximas semanas dois eventos relacionados ao desconforto relatado acima serão desvelados:

  1. A criação de um folder e de um mapa mental que irão explicar, da maneira mais simples e didática possível o que são estes projetos todos e como eles se correlacionam
  2. Uma chamada coletiva para apoiadores, dentro de um modelo chamado OKR Fee, que deverá retribuir a cada apoiador na justa medida de sua participação em cada projeto ou iniciativa (saiba mais em breve, em um artigo específico sobre isso).

Enquanto isso, seja mais uma vez bem-vindo(a) à série de 13 textos sobre Escrita Criativa e Produtividade. Toda segunda-feira, no http://reinehr.org nos próximos 3 meses.

Seja bem-vindo à Aventura! E, como eu escrevi há alguns anos atrás em um texto chamado “Eu tive um sonho“, O que você, que está lendo este texto agora, e que estou chamando para compor este sonho comigo, acrescentaria de seu para que este sonho seja um sonho ao mesmo tempo comum e completamente seu?

Vale a leitura do texto acima! Até breve, obrigado por me acompanhar até aqui.

# # #

Segue a lista de todos os artigos da série e quando eles foram/serão publicados:

  1. Contar uma história pessoal (03 de julho): Qual é a coisa mais desconfortável para se escrever? O que é realmente difícil para o Rafael?

  2. Descrever um evento histórico (10 de julho): O Dia em que o Big Ben soou pela primeira vez

  3. Revisar um livro, filme ou disco (17 de julho): Os Desafios à Força de Vontade, de Kelly McGonical

  4. Comentar sobre uma citação poderosa (24 de julho): Seja a mudança que você quer ver no mundo

  5. Deixar que uma grande foto me inspire (31 de julho)

  6. Comentar sobre algo que está nas notícias (7 de agosto)

  7. Reportar sobre um diálogo interessante que tive (14 de agosto)

  8. Oferecer uma explicação passo-a-passo para fazer algo (21 de agosto)

  9. Oferecer uma lista de recursos (sobre algo interessante ou útil) (28 de agosto)

  10. Responder às questões da minha audiência (4 de setembro)

  11. Tornar uma tarefa aparentemente muito difícil algo fácil (11 de setembro)

  12. Explicar as razões que me fizeram tomar uma dada decisão (18 de setembro)

  13. Escrever um guia sobre algo popular (25 de setembro)

Jun 28

Exercício de Escrita Criativa e Produtividade

By rafaelreinehr | Experimentalismo

imagem de uma pena com borboletas saindoNas próximas 13 semanas irei propor um desafio a mim mesmo: escreverei sobre 13 temáticas diferentes, uma a cada semana, sempre às segundas-feiras. E quero saber se você que está me lendo agora aceita ser meu convidado nesta jornada, compartilhando tuas ideias, críticas e sugestões – tanto ao conteúdo quanto ao formato daquela semana. Isso me ajudará muito a escolher o formato no qual eu deva me comunicar com mais frequência, compartilhando os saberes que tenho acumulado com meus amigos, pacientes e com a minha audiência.

 

As 13 temáticas serão as que seguem, em ordem:
      1. Contar uma história pessoal (03 de julho)
      2. Descrever um evento histórico (10 de julho)
      3. Revisar um livro, filme ou disco (17 de julho)
      4. Comentar sobre uma citação poderosa (24 de julho)
      5. Deixar que uma grande foto me inspire (31 de julho)
      6. Comentar sobre algo que está nas notícias (7 de agosto)
      7. Reportar sobre um diálogo interessante que tive (14 de agosto)
      8. Oferecer uma explicação passo-a-passo para fazer algo (21 de agosto)
      9. Oferecer uma lista de recursos (sobre algo interessante ou útil) (28 de agosto)
      10. Responder às questões da minha audiência (4 de setembro)
      11. Tornar uma tarefa aparentemente muito difícil algo fácil (11 de setembro)
      12. Explicar as razões que me fizeram tomar uma dada decisão (18 de setembro)
      13. Escrever um guia sobre algo popular (25 de setembro)

     

Estes temas foram inspirados na leitura do livro Platform, de Michael Hyatt, que em seu capítulo vinte e três sugere que mantenhamos uma lista de ideias sobre o que postar. Resolvi postar sobre todas elas como um exercício e um desafio ao mesmo tempo.

 

As postagens todas serão publicadas originalmente no Reinehr.org e os links serão replicados no meu perfil e página do Facebook, na minha conta do Twitter e no Instagram.

 

Curta, compartilhe e comente. Tua participação ajudará a definir a melhor forma de me comunicar contigo e com as pessoas que desejam saber mais sobre os assuntos que publico.
Nov 16

Algumas citações para o Varal Literário de 12/11/2011

By Rafael Reinehr | Quarto Sobrescrito

Selecionei as citações abaixo para o Varal Literário que organizamos no calçadão no último sábado. Foram impressas em papel reciclado e coladas sobre papelão, penduradas em barbante com prendedores. Tenho fotos, mas ainda não as “revelei”.

Seguem. Espero que tragam inspiração.

“Se quiseres planejar para um ano, plante cereais. Se quiseres planejar para trinta anos, plante árvores. Se quiseres planejar para cem anos, eduque o povo.” Provérbio Chinês

“Seja a mudança que você quer ver no mundo” Mahatma Gandhi

“Nunca duvide de que um pequeno grupo de cidadãos conscientes e engajados consiga mudar o mundo. Na verdade, essa é a única via que conseguiu produzir mudanças até agora.” Margaret Mead

“Estamos nós, que vivemos no presente, condenados a nunca experimentar a autonomia, nunca pisarmos, nem que seja por um momento sequer, num pedaço de terra governado apenas pela liberdade? Estamos reduzidos a sentir nostalgia pelo passado, ou pelo futuro? Devemos esperar até que o mundo inteiro esteja livre do controle político para que pelo menos um de nós possa afirmar que sabe o que é ser livre? Tanto a lógica quanto a emoção condenam tal suposição. (…) Acredito que, dando conseqüência ao que aprendemos com histórias sobre “ilhas na rede”, tanto do passado quanto do futuro, possamos coletar evidências suficientes para sugerir que um certo “enclave livre” não é apenas possível nos dias de hoje, mas é também real. Toda minha pesquisa e minhas especulações cristalizaram-se em torno do conceito de Zona Autônoma Temporária.” Hakim Bey

“Meu país é o mundo, e minha religião é fazer o bem.” – Thomas Paine

“Ninguém é mais irreversivelmente escravizado do que aqueles que falsamente acreditam ser livres.” Johan Wolfgang von Goethe

“A verdadeira revolução é a revolução da consciência, e só pode ser feita por cada um de nós. Precisamos aprender a combater o ruído materialista divisionário que temos sido levados a acreditar que é a verdade.

Não podemos conseguir uma radical transformação da consciência, não aceitar as coisas como são, mas ir até elas, investigá-las, dar nosso coração, nossa mente.

Mas isso depende só de nós mesmos, pois não existe pupilo, líder, mestre ou guru. Você mesmo é o mestre, o pupilo, o líder, o guru. Você é tudo. Entender é transformar o que é.”Krishnamurti

“Onde está a vida que perdemos quando vivos?
Onde está o conhecimento que perdemos com a informação? Onde está a sabedoria que perdemos com o conhecimento?”
(Eliot – Coros de “A Rocha”)

“Deve a religião cristã durar? Que idéia! Ela sucedeu a milhares de outras religiões, hoje todas mortas e enterradas. Milhões de deuses precederam a invenção do nosso. Multidões deles morreram e foram esquecidos desde há muito. Nosso Deus é, contra toda expectativa, o pior que a engenhosidade do homem engendrou em sua imaginação enferma; e seria preciso que com todo o Seu cristianismo, Ele permanecesse imortal, contradizendo as lições que podemos extrair da história teológica? Não, é claro. O cristianismo e seu Deus devem submeter-se à regra comum. Eles, por sua vez, apagar-se-ão e darão lugar a um outro Deus e uma religião ainda mais estúpida do que a nossa.” Mark Twain

“A razão, meu amigo, sim, só a razão nos deve advertir de que prejudicar nossos semelhantes nunca nos pode tornar felizes, e nosso coração nos deve dizer que contribuir para sua felicidade é o maior bem que a natureza nos concedeu sobre a terra; toda a moral humana está contida nessa única frase: tornar os outros tão felizes quanto desejamos sê-lo nós mesmos e nunca lhes fazer mais mal do que gostaríamos de receber.

Eis, meu amigo, os únicos princípios que deveríamos seguir, e não há necessidade nem de religião, nem de deus para experimentar e admitir isso; é preciso tão somente um bom coração.” Marquês de Sade

“Virá um tempo em que a arte de governar o homem desaparecerá. Uma nova arte tomará o seu lugar, a arte de administrar as coisas”. – Saint Simon

“O anarquismo não acredita em nenhuma verdade absoluta ou em qualquer objetivo final definido para o desenvolvimento humano, mas em um aperfeiçoamento ilimitado dos padrões sociais e condições de vida humana que estão sempre se esforçando para chegar em formas mais elevadas de expressão, às quais, por esse motivo, não podem designar nenhum fim definitivo ou estabelecer nenhum objetivo fixo. O grande mal de qualquer forma de poder é que ele sempre tenta forçar a rica diversidade da vida social em formas definidas e ajustá-la a normas particulares. (…) É o triunfo perfeito da máquina política sobre a mente e o corpo, a racionalização do pensamento humano, o sentimento e o comportamento de acordo com as regras estabelecidas pelas autoridades e, conseqüentemente, o fim de toda cultura intelectual verdadeira.” – Rudolf Rocker

“A liberdade é a verdadeira essência da vida, a força propulsora de todo desenvolvimento intelectual e social, a criadora de toda perspectiva para a humanidade futura. A libertação do homem da exploração econômica e da opressão intelectual, social e política, que encontra sua maior expressão na filosofia do anarquismo, é o primeiro pré-requisito para a evolução de uma cultura social superior e de uma nova humanidade.” Rudolf Rocker

FRASES DE MUROS

“Combata a fome e a pobreza! Coma um pobre!” (de um muro em Buenos Aires)

“Bem-vinda classe média!” (dizer na entrada de um dos bairros mais miseráveis de Buenos Aires)

“Deixemos o pessimismo para tempos melhores” (de um muro em Bogotá) “Basta de fatos! Queremos promessas!”
“Existe um país diferente, em algum lugar”

“Quando tínhamos todas as respostas, mudaram as perguntas” (de um muro em Quito)

Melhores ou piores, é a mesma coisa. A bota que nos pisa é sempre uma bota. Já compreendereis o que quero dizer: Não mudar de senhores, mas não ter nenhum.” Bertold Brecht

“Posso não concordar com nada do que você disser, mas defenderei até a morte o direito que tem de discordar de mim.” Voltaire

“A certeza absoluta é privilégio de mentes não educadas e de fanáticos” C. J. Keyser

“Há homens que são como as velas; sacrificam-se, queimando-se para dar luz aos outros ” – Antônio Vieira

“Uma sociedade sustentável é aquela que satisfaz suas necessidades sem diminuir as perspectivas das gerações futuras” Lester Brown

“A lei nunca fará os homens livres. São os homens que devem fazer a lei livre.” Henry David Thoreau

“O que mais preocupa não é o grito dos violentos, nem dos corruptos, nem dos desonestos, nem dos sem ética. O que mais preocupa é o silêncio dos bons.” Martin Luther King

“O homem que se engaja e que se dá conta de que ele não é apenas aquele que escolheu ser, mas também um legislador que escolhe simultaneamente a si mesmo e a humanidade inteira, não consegue escapar ao sentimento de sua total e profunda responsabilidade” Jean Paul Sartre

“Como pois interpretar
o que os heróis não contam? Como vencer o oceano
Se é livre a navegação
Mas proibido fazer barcos?”
– Carlos Drummond de Andrade

“A felicidade só é real se compartilhada” Alexander Supertramp

“O importante não é a pessoa acumular informações técnicas e habilidades especializadas, mas desenvolver sua própria humanidade. Educação não se refere a ter, mas a ser.” Confúcio

“Se você não encontra o sentido das coisas é porque este não se encontra, se cria” – Antoine de Saint-Exupéry

“Amar não é olhar um para o outro, é olhar juntos na mesma direção” Antoine de Saint-Exupéry

Out 15

Emprestei, não lembro a quem, Síndrome de Bartleby, de Enrique Vila-Matas

By Rafael Reinehr | Escritores e seus Escritos

Emprestei, há alguns anos, o livro Síndrome de Bartleby, de Enrique Vila-Matas. Acontece que quero o livro de volta, mas tem um pequeno probleminha pra atrapalhar: não lembro pra quem emprestei!

Se você, amigo meu ou amiga minha que pegou o livro emprestado, estiver lendo este post, por favor o devolva!

Se você por acaso tem o livro e quiser me dar, entre em contato! Eu pago o envio pelo correio!

Ainda, se você quiser me dar o livro de presente, fico ainda mais feliz!

Não sei por que, mas quis emprestar este livro a uma amiga e, quando fui procurá-lo, me lembrei do empréstimo. Desde lá estou com uma sensação de um “buraco” na minha prateleira, pela ausência do livro…

Vamos ver se ele aparece, nos próximos meses…

Out 31

Tá na hora de publicar…

By Rafael Reinehr | Meus Livros

Pois, não é que está na hora de compilar algumas coisas que tenho escrito nos últimos tempos e “consolidá-las” em formato tijolo, quer dizer, livro?

As férias deste fim de ano, de 24 de dezembro a 9 de janeiro devem servir para organizar algumas coisas… Microcontos, crônicas, críticas… Vou começar pensando nos títulos e capas, bem como organizar o material em arquivos para leitura e revisão…

1 2 3 9