Category Archives for "Dançar sobre Pintura"

Coisa de Louco II
Jul 26

Graforréia Xilarmônica – Coisa de Louco II (1995)

By Rafael Reinehr | Dançar sobre Pintura

Coisa de Louco IITalvez este possa ser considerado o melhor disco de estréia que jamais foi produzido por qualquer banda do Universo. As 18 faixas de Coisa de Louco II são o supra-sumo concentrado e aperfeiçoado da chinelagem adquirida no bairro Bomfim de Porto Alegre e disseminada psicodelicamente em papeletes de jovem guarda underground cuidadosamente mesclada com música regionalista gaúcha e pitadas de rock’n roll gringo dos anos sessenta.

Formada por Frank Jorge, Marcelo Birck e Alexandre Ograndi em 1987, A Graforréia Xilarmônica tornou-se cult em Porto Alegre em função de uma fita demo lançada em 1988 chamada “Com Amor, Muito Carinho”, que acabei conhecendo graças ao meu amigo Fabiano Carvalho, colega de faculdade, em 1994, um ano antes do lançamento de Coisa de Louco II, já com o guitarrista Carlo Pianta no lugar de Marcelo Birck.

Começando por Literatura Brasileira e a guitarra cítrica de Carlo Pianta, passando pelo baixo estonteante de Frank Jorge em Bagaceiro Chinelão – que perpassa na verdade TODAS as músicas do disco, e é uma das marcas registradas da Graforréia – , chegando, ainda no começo do disco, no hit Você foi Embora, que acabou virando videoclip e tocou bastante na MTV Brasil o disco não conta com pontos fracos. O gosto pessoal de cada ouvinte pode levá-lo a dizer: as minhas preferidas são Empregada, Nunca Diga, Amigo Punk e Rancho ou então, Nááá, eu prefiro, Tive Teu Nome, Minha Picardia, Denis, Se Arrependimento e Eu Digo 7; ainda, um vivente sentado lá no fundo da sala manda um bilhete dizendo que suas preferências recaem mais por Grito de Tarzan, Patê, Twist, Hare, Benga Velha Companheira e Se Você Não Quis.

Um disco que não cansa de tocar na minha vitrola. Só fico preocupado com o fato de, se ele realmente gastar, como vou encontrar outro, já que está esgotado nas lojas? Acho que preciso me agilizar e providenciar uma cópia de segurança e uma outra em arquivos .flac por garantia.

Bons tempos de Volksfet em que toquei (e, ergh!, cantei Empregada com a banda Vício em Agudo), para centenas de incautos ouvintes que, acostumados com suas bandinhas alemãs ouviram “Raú Ped’i Lara” sair pelos alto-falantes da festa.

Graforréia Xilarmônica em 2006
Graforréia Xilarmônica em 2006

Mas chega de fru-frus e firulas indômitas. Se você chegou até aqui e está babando para escutar uma amostra da magnífica Graforréia Xilarmônica, clique no link a seguir e baixe o Coisa de Louco II da Graforréia Xilarmônica, disponibilizado por algum destemido internauta.

Não deixe de deixar seu comentário aqui após a audição de tão inebriante experiência.

 

The Dark Side of The Moon
Jul 19

Pink Floyd – The Dark Side of The Moon – versão em SACD (2003)

By Rafael Reinehr | Dançar sobre Pintura

The Dark Side of The MoonPara comemorar os 30 anos do lançamento do épico The Dark Side of The Moon, gravado entre junho de 1972 e janeiro de 1973 nos Estúdios Abbey Road em Londres, foi lançada em 2003 uma versão em SACD (Super Audio Compact Disc) do memorável disco.

Contando com todas as músicas do disco original, desta vez também mixadas em 5.1 canais em tecnologia DSD por James Guthrie e masterizadas pelo próprio e Doug Sax, este SACD quando escutado em um sistema de som razoável como é o meu (um SACD player da OPPO Digital ligado em um receiver 6.1 da Sony com falantes de 100W RMS) já faz o coração, os olhos e os espíritos brilharem, principalmente se deixarmos o volume do amplificador gritar.

Sem dúvida, não podemos saber o quanto esta gravação tem a nos dizer até conectarmos nosso receiver Marantz em um par de B&W bicabeados. Deixa assim, o equipamento é importante mas se for para ouvir a dança do créu qualquer “microsystem” já é bom demais. Estamos falando de Pink Floyd, talvez uma das mais impressionantes bandas de rock progressivo da história, que nos impressiona pelo gigantismo de suas performances, pelo virtuosismo de seus músicos – David Gilmour nos vocais e guitarras, Nick Mason na Percussão e nos efeitos, Richard Wright nos teclados e vocais e Roger Waters no baixo, vocais e efeitos.

Em The Dark Side of The Moon – a capacidade de armazenamento dos detalhes de profundidade, densidade sonora, timbre e vibração impressionam mesmo o ouvido leigo. Procura-se o músico à nossa frente. Estão tocando alguns passos distantes de nossos ouvidos. A realidade é afrontada pela ausência dos músicos e seus instrumentos, que insistem em se fazer presentes sonoramente e nos iludem com sua presença quase física, graças a maravilhosa tecnologia DSD.

The Dark Side of The Moon foi o terceiro álbum mais vendido de todos os tempos no mundo inteiro, e a edição híbrida em SACD lançada em 2003 atingiu o mesmo feito.

Se és muito jovem a ponto de ainda não ter ouvido falar em Pink Floyd, inicia tua jornada por este CD. O lirismo e musicalidade das canções, atreladas aos temas tempo, dinheiro, guerra, loucura e morte são distribuidos em 43 minutos de belíssimo rock psicodélico e progressivo.

Para uma crítica mais detalhada desta versão em SACD do memorável The Dark Side of The Moon, é interessante percorrer a crítica da High Fidelity Review, escrita em 2003, uma semana antes do lançamento, por Nicolas Satullo (em inglês). Mas, se eu puder mesmo dar um bom conselho, aí vai: chega de ficar lendo críticas ou resenhas. Vá para a loja (física ou virtual) mais próxima e ponha suas mãos nesta versão SACD da bolacha de 73. Seus ouvidos irão agradecer.

 

Faixas:

 

1.Speak to Me – 1:08
2.Breathe – 2:48
3.On the Run – 3:50
4.Time – 6:49
5.The Great Gig in the Sky – 4:44
6.Money – 6:22
7.Us and Them – 7:49
8.Any Colour You Like – 3:26
9.Brain Damage – 3:46
10.Eclipse – 2:11

 

Hermeto Pascoal
Jul 28

Hermeto Pascoal – Montreux Jazz (ao vivo)

By Rafael Reinehr | Dançar sobre Pintura

Hermeto Pascoal     Hermeto Pascoal pode ser considerado um dos maiores expoentes brasileiros no Jazz internacional. Multiinstrumentista genial, que faz até porco soar como instrumento musical, Hermeto é compositor do inaudito, do incrível, do surpreendente, do cativante.

Em julho de 1979, Hermeto e seu grupo foram ovacionados de pé no tradicional Festival de Jazz de Montreux, talvez o mais importante do mundo. Em 2001, a Warner resolveu digitalizar e remasterizar o disco a partir das fitas originais de 1979 e, para meus humildes ouvidos, fizeram um bom trabalho. Na conversão digital, não se perdeu muito do “humor” setentista dos rolos magnéticos originais.

Manejando o sax soprano, a clavieta, flauta, sax tenor, o piano,  cantando e improvisando palavras, Hermeto não deixa pedra sobre pedra no Ginásio lotado. Quando pede silêncio para tocar Montreux, música escrita no hotel para homenagear a cidade e o festival, seus súditos obedecem prontamente.

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Cannonball Adderley
Jul 21

Cannonball Adderley – Somethin’ Else

By Rafael Reinehr | Dançar sobre Pintura

Cannonball Adderley         Somethin’ Else dribla pela esquerda, corta para a direita, chuta e Gol! Cannonball Adderley e seu sax alto nunca estiveram tão entrosados com o trumpete de Miles Davis, o piano de Hank Jones, o baixo de Sam Jones e a bateria de Art Blakey.

         Gravado em 1958 e trazido em CD pela Blue Note Records em 1999 com uma faixa bônus (Bangoon) não constante no vinil original, Somethin’ Else tem a capacidade de nos levar para dentro de um bar de New Jersey no final dos anos 40, início dos 50. Se fecharmos os olhos ao escutar a faixa inicial – “Autumn Leaves” – podemos ver o inspetor de polícia adentrando a porta do bar com seu ajudante logo atrás, em busca de informações para resolver mais um caso misterioso.

         “Love for sale” e sua percussão estonteante e a música que dá título ao disco, “Somethin’ Else” com seu walking bass marcante, sempre tonificadas pelo sax de Adderley nos levam, felizes, aos 17 minutos e meio finais, onde “One for Daddy-O”, “Dancing in the Dark” e “Bangoon” encerram com maestria uma das obras mais necessárias aos verdadeiros apreciadores do Jazz.

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Metheny Mehldau Quartet
Jul 14

Pat Metheny e Brad Mehldau – Metheny Mehldau Quartet

By Rafael Reinehr | Dançar sobre Pintura

Metheny Mehldau Quartet

Com 7 composições de Pat Metheny, 3 de Brad Mehldau e uma assinada em conjunto (A Night Away), esta obra “surfactante” – porque sutil, envolvente e protetora – mostra, além do virtuosismo característico dos dois instrumentistas um entrosamento quase sobrenatural.

A aparente calmaria em The Sound of Water é mero preparativo para a intensidade composicional e virtuosa de Towards The Light (uma semi-suíte com tantas variações que parece uma colcha de retalhos sonoros) e Secret Beach, que tem uma pegada bossa-novesca bastante marcada.

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Jazz for the road
Jul 07

Ritenour, Jarreau, Jones & Others – Jazz for the road

By Rafael Reinehr | Dançar sobre Pintura

    Mais um exemplar da ótima série de coletâneas da Verve, Jazz Club, tem seus pontos fortes nas peças de Lee Ritenour com sua Road Song, Quincy Jones em Cast Your Fate To The Wind e Al Jarreau tocando Feels Like Heaven To Me. É ótimo também relembrar Spyro Gyra com sua fantástica Bright Lights. Alguns pontos fracos fazem deste um CD bom, mas certamente vale os quatro euros e noventa e cinco centavos pagos por ele.

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Thriller Jazz
Jun 09

Schifrin, Jones, Smith and Others – Thriller Jazz

By Rafael Reinehr | Dançar sobre Pintura

    Sei, sei, lá vem ele com estas coletâneas borra-bosta! Upa-la-lá! Vamos moderar no palavreado! Sim, sim, eu também não sou muito afeito às coletâneas. Prefiro ir atrás das obras orignais dos músicos dos quais tenho apreço. Esta é, entretanto, uma honrosa exceção.

    A Verve Records, subsidiária da Universal lançou a série Jazz Club – uma série imperdível de coletâneas com os mais variados temas…

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Sexteto Blazz Gemius
Jun 02

Sexteto Blazz – Gemius

By Rafael Reinehr | Dançar sobre Pintura

   Sexteto Blazz Gemius

    O Sexteto Blazz é um grupo de jazz de Porto Alegre – RS que foi criado em 1999 e lançou este CD – Gemius – em 2002. Composto por Franco Salvadoretti na flauta, Vanderlei Fontanella no sax soprano e tenor, Paulo Müller no sax alto, Leandro Hessel no piano, Adelamir Neto no baixo e Luciano Bolobang na bateria, o sexteto pratica um jazz sincero e visceral inspirado em Miles Davis, John Coltrane, Thelonius Monk, Wayne Shorter e Charlie Parker.

    As faixas são todas ótimas, é difícil destacar uma sobre a outra. A presença da flauta transversa do compositor Franco Salvadoretti traz um tempero não usual no jazz. Assisti a banda duas vezes ao vivo, sempre no Oito e 1/2 Bar , em Porto Alegre, e a performance dos guris é realmente impressionante. 

    Como a distribuição deste tipo de artista acaba ficando mais regionalizada, provavelmente você não terá acesso a este disco mas, se tiver, não deixe de adquirir. É uma montanha de queijo para um rato faminto. 

As faixas do disco, na ordem em que são tocadas: 

1. Wenonah – 8:19
2. Semba – 5:16
3. Gemius – 8:58
4. Sevilla – 7:08
5. Blue Bus – 5:25

 

Ella and Louis
Mai 26

Ella Fitzgerald e Louis Armstrong – Ella and Louis

By Rafael Reinehr | Dançar sobre Pintura

Ella and Louis

Ella and Louis, gravado em 1956 marca o início de uma parceria extremamente bem sucedida entre o trumpetista Louis Armstrong e a dama negra de voz aveludada, tensa, forte e marcante Ella Fitzgerald.

Distribuído pela Verve (do grupo da Universal Music Company), é um clássico tão grande do jazz que serve como porta de entrada a este maravilhoso e rico mundo. Como diz o Bruno, vendedor da seção de CDs de jazz e música erudita da Livraria Cultura de Porto Alegre, “se você não gostar deste CD, certamente não gosta de jazz”.

Com Ella nos vocais, Armstrong no trumpete e nos vocais, o fantástico Oscar Peterson ao piano, Herb Ellis na guitarra, Ray Brown no baixo e o espetacular Buddy Rich na bateria, não é preciso de nada mais que um coração tranqüilo e um ouvido atento para derreter-se com o som feito por este sexteto.

Além de faixas que hoje são considerados clássicos do jazz como “Can’t We Be Friends”, “Cheek to Cheek” e “They Can’t Take That From Me”, que por si só já valeriam o investimento no disco, a minha preferida “A Foggy Day” – um passeio por Londres e seu mood faz você saber quão importantes são os dentistas. Louis é tão avassalador que, se seus dentes estiverem sensíveis, irão vibrar com o trumpete tocado de forma tão intensa que somente a bela voz de Ella cantando a perda do charme do British Museum consegue anestesiar.

As seguintes faixas compõe o disco, na ordem que são tocadas:

1. Can´t We Be Friends – 3:45
2. Isn´t This a Lovely Day (To Be Caught in the Rain)? – 6:14
3. Moonlight in
Vermont3:41
4. They Can´t Take That Away From Me –
4:38
5. Under a Blanket of Blue –
4:16
6. Tenderly –
5:06
7. A Foggy Day –
4:31
8. Stars Fell on
Alabama3:32
9. Cheek to Cheek –
5:52
10. The Nearness of You –
5:40
11. April in
Paris6:30

         Quer começar a se aventurar pelo jazz? Não sabe se gosta ou não gosta de jazz? Quer ampliar seu horizontes? Quer sentir a música com seu cérebro, coração e alma? Go for it!

mingus mingus mingus mingus mingus
Mai 19

Charles Mingus – Mingus Mingus Mingus Mingus Mingus

By Rafael Reinehr | Dançar sobre Pintura

mingus mingus mingus mingus mingus

Mingus Mingus Mingus Mingus Mingus foi gravado entre 20 de janeiro e 20 de setembro de 1963 e lançado neste mesmo ano. Produzido por Bob Thiele, mostra um Charles Mingus mais voltado à composição do que ao virtuosismo em seu instrumento clássico: o contrabaixo acústico. Quem espera encontrar neste álbum o virtuosismo de Mingus à frente do contrabaixo, desista. Em Mingus Mingus Mingus Mingus Mingus nosso herói destaca-se mais à frente do piano e como maestro de suas próprias composições.

A entrada, com II B.S. (também conhecida como “Haitian Fight Song”)  leva você para dentro de um filme de aventura, daqueles, dos anos sessenta obviamente! Better Get Hit in Your Soul nos leva para dentro de um salão de festas, onde uma legítima big band dispara suas notas no ambiente.

Mingus Mingus Mingus Mingus Mingus é, sem dúvida, discografia básica para quem é fã de Mingus. Entretanto, as estrelas das composições são, sem dúvida, os metais. Eddie Preston e Richard Williams nos trumpetes, Britt Woodman no trombone, Don Butterfield na tuba, Jerome Richardson na flauta, sax barítono e soprano, Dick Hafer no sax tenor, clarinete e flauta, Booker Ervin no sax tenor e Eric Dolphy no sax alto e na flauta transformam esta piece numa delícia de se ouvir várias vezes seguidas.

         As músicas que compõe o disco, por ordem em que são tocadas:

  1. "II B.S." – 4:46

  2. "I X Love" – 7:38

  3. "Celia" – 6:12

  4. "Mood Indigo" – 4:43

  5. "Better Get Hit in Yo' Soul" – 6:28

  6. "Theme for Lester Young" – 5:50

  7. "Hora Decubitus" – 4:41

  8. "Freedom" – 5:10

A melhor notícia: este disco, até pouco tempo só conseguido através de importação, chega ao Brasil através da Universal, que está trazendo uma grande leva de CDs de Jazz. Atenção jazzófilos de plantão: coisas muito boas entre 18 e 25 reais estão dando sopa por aí! Uma vez por semana, sempre aos sábados, uma nova dica por aqui.