Category Archives for "Música"

Absyntho
ago 30

Absyntho

By Rafael Reinehr | ABZ do Rock

AbsynthoGrupo carioca formado no início da década de 80, que mescla o que há de mais kitsch da mitologia pop, isto é, letras centradas em contos de fadas e seus bichinhos de pelúcia, com o velho som da new wave. Assim, em 1983, com o seu bubblegum-rock Ursinho Blau Blau, o grupo inauguraria sua famosa galeria de tipos. Logo a seguir, viriam gênios, lobos e outros personagens da fauna. Atrás deste som, é difícil acreditar que estejam o guitarrista Fernando Sá, que participara do grupo Acidente, na época do antológico LP Guerra Civil (Tok Cine, 1982) e Wanderley Pigliasco, ex-baixista da Banda 22. Integram ainda o veneno: Sylvinho (vocal), Sérgio Diamante (teclados) e Darcy (bateria).

Discografia (clique nos links para fazer o download)

Banda 22

CD, Maio/Rio/A Luz Que Brilha Meu Viver/Pouco Adiante (Coomusa).

Absyntho

CS, Ursinho Blau Blau (RCA, 1983)

CS, Palavra Mágica (RCA, 1983)

LP, Absyntho (RCA, 1985)

Wanderley Pigliasco (solo) 

CS, Besame Mucho (RCA, 1984)

Aborto Elétrico
ago 23

Aborto Elétrico

By Rafael Reinehr | ABZ do Rock

Primeiro grupo punk de Brasília (e talvez o primeiro do Brasil), verdadeira escola de rockeiros, em suas fileiras passaram, entre outros, o baterista Fê, do Capital Inicial, Renato Russo, do Legião Urbana e Marcão, do Burguesia Decadente (1977-1979). De suas fileiras, sairam os músicos que depois formariam o Legião Urbana, a Plebe Rude e o Capital Inicial.

Aborto ElétricoUma das frases marcantes em suas letras foi "Menos guerra, mais pão, vocês de direita, vocês de esquerda são todos babacas,
velhos demais, vivendo intrigas de tempos atrás
" (O Despertar Dos Mortos).

Uma das raras gravações da banda, feita ao vivo na UnB em 1978, contava com as seguintes canções:

1. Fátima
2. Construção Civil
3. Ficção Científica
4. Veraneio Vascaína
5. Conexão Amazônica
6. Que Pais É Este
7. Love Song For One
8. Tédio

Para escutar (a qualidade é baixa, mas vale o registro histórico), clique em Download de Aborto Elétrico – Ao Vivo na UbB 1978

 

Som, Sangue e Raça
ago 23

Abolição

By Rafael Reinehr | ABZ do Rock

Som, Sangue e RaçaGrupo carioca surgido no final de década de 60. Embora fazendo uma música que não possuísse ligação direta com o Rock, foi sob a batuta do tecladista Dom Salvador (Salvador da Silva Filho, 12/9/1938. Ex-Copa Trio e ex-Rio 65), o principal ancestral do Movimento Black Rio, surgido na década de 70. Integravam ainda o grupo Mariá (vocal), José Carlos (saiu em 1971) (guitarra), Rubão Sabino (baixo), Lulu (bateria e vocal), Nelsinho (tumbadora), Oberdã Magalhães (sax-tenor e flauta), Serginho (trombone) e Darci (trompete).

Discografia – LP, Som, Sangue e Raça (CBS, 1971) (Download)

Em 2007, a Biscoito Fino lançou um CD do Dom Salvador Trio, resgatando um pouco da história do histórico tecladista.

 

ABZ do Rock
ago 16

ABZ do Rock

By Rafael Reinehr | ABZ do Rock

ABZ do Rock"Posso perder minha mulher, minha mãe, desde que eu tenha o meu Rock n’ Roll" – já diziam Os Mutantes. E na década de 80, o poeta, compositor e dadamídia Marcelo Dolabela lançou aquela que viria a ser uma das pérolas da literatura "musical" de todos os tempos no Brasil: o ABZ do Rock. Uma verdadeira enciclopédia musical que traz descrições, formação e discografia de praticamente todos artistas que surgiram no Brasil desde 1955 até a década de 80, quando foi publicado o livro.

Aparentemente, uma nova edição estava planejada para 2003, mas não sei se foi lançada.

O fato é que a versão original da bagaça psicodélica rockeriana está esgotada, e eu pensei que seria uma boa disponibilizar os mais de 3.000 verbetes do livro na forma digital, publicando uma a uma as bandas e os artistas genialmente compilados pelo Marcelo Dolabela.

Marcelo, quando você descobrir seus artigos publicados na Web, não veja isso como plágio, já que estou dando o devido crédito ao seu esforço. O meu trabalho será tão somente braçal e serei seu servo nesta empreitada de divulgar a História da Música e do Rock brazuca.

Sem esperar mais nenhum instante, começo hoje mesmo a publicar as bandas, em ordem alfabética, como são apresentadas no livro. Como são milhares de músicos relacionados, é claro que não poderei publicar apenas um por dia, do contrário levaria 10 anos para reproduzir todos os verbetes. Farei a publicação no tempo que estiver disponível.

Acompanhe e aprenda comigo um pouco sobre quem é quem na ciranda da música popular brasileira.

Steve Reich
ago 09

Steve Reich: Minimalismo, Experimentalismo e Clássico Contemporâneo

By Rafael Reinehr | Quem é

Steve ReichStephen Michael Reich (nascido a 3 de outubro de 1936) é um compositor americano pioneiro no minimalismo. Foi o primeiro a utilizar loops de fita para criar padrões de phasing. Muitas de suas composições são marcadas pelo uso de figuras repetitivas, ritmos harmônicos lentos e que, até certo ponto, influenciaram a música contemporânea nos Estados Unidos. Na década de 80 seus trabalhos se tornaram mais obscuros mas não menos intrigantes. Entre outros, Steve Reich sabidamente influenciou Philip Glass, John Adams, a banda progressiva King Crimson e o músico eletrônico Brian Eno.

Formado em Filosofia em 1957, incorporou alguns textos de Wittgenstein em suas músicas Proverb (1995) e You Are (variations) (2004). Desde seus primeiros trabalhos, Reich interessou-se pelo dodecafonismo, sendo que a utilização da escala cromática ao invés das escalas melódicas convencionais é uma marca registrada de seu trabalho.

Seu primeiro grande trabalho, entitulado It’s Gonna Rain, escrito em 1965, usava gravações de um sermão sobre o fim do mundo dado por um pregador de rua Pentecostal conhecido como Irmão Walter. O sermão foi enviado em múltiplos loops tocados dentro e fora de fase, com segmentos cortados e rearranjados.

A música Come Out, de 1966, usa em seus 13 minutos desta mesma manipulação de uma simples fala de um sobrevivente agredido em uma ação de violência civil. Reich pegou a fala “come out to show them” e a regravou em dois canais, que são inicialmente tocados em uníssono. Rapidamente, os canais saem de sincronia e gradualmente a discrepância entre eles se alarga e continua se separando até que as palavras se tornem ininteligíveis, deixando o ouvinte somente com os padrões rítmicos e tonais.

Veja abaixo um vídeo com a música Come Out:

(existe outra versão de Come Out acompanhada de coreografia, mas existem algumas interferência sonoras nesta versão; a versão acima respeita mais a sonoridade original da música)

(este é um artigo incompleto; será complementado nas próximas semanas com mais informações e vídeos)

 

ago 02

The Brains: A Melhor Banda de Todos os Tempos da Minha Vida

By Rafael Reinehr | The Brains

Já tive algumas "experiências" artísticas na música mas, sem dúvida nenhuma, a mais duradoura e de maior sucesso até agora foi a The Brains. Formada lá por 1999 – minha memória falha, pode até ter sido antes – era formada, em sua formação clássica, pelo guitarrista, baixista e vocalista Fabiano Carvalho, pelo baterista João Francisco e por mim, Rafael Reinehr, na guitarra e ganidos ocasionais.

Em 2001 gravamos um CD chamado também The Brains, no estúdio Brothers em Porto Alegre. Com míseros 150 reais contratamos 10 horas de estúdio e com uma mixagem e masterização relâmpago conseguimos até gravar algo que não tenho vergonha de mostrar aos amigos até hoje. É claro que com um pouco mais de esmero e com um engenheiro de som mais "profissa" teríamos conseguido um resultado melhor.

De todo modo, para quem gosta de recuperar a história de bandas obscuras do início do milênio, abaixo seguem os links em MP3 das 7 músicas do nosso primeiro CD, The Brains.

Over The Oceans And Far Away

She Wants To Be On My Side

Peter Pan

The Mutants

Searkoonsflay

Come On Come On

The Brains Theme vol.III

Toda crítica é bem-vinda. Se quiser um CD gravado com a capa original, entre em contato. Ainda tenho alguns exemplares.

Coisa de Louco II
jul 26

Graforréia Xilarmônica – Coisa de Louco II (1995)

By Rafael Reinehr | Dançar sobre Pintura

Coisa de Louco IITalvez este possa ser considerado o melhor disco de estréia que jamais foi produzido por qualquer banda do Universo. As 18 faixas de Coisa de Louco II são o supra-sumo concentrado e aperfeiçoado da chinelagem adquirida no bairro Bomfim de Porto Alegre e disseminada psicodelicamente em papeletes de jovem guarda underground cuidadosamente mesclada com música regionalista gaúcha e pitadas de rock’n roll gringo dos anos sessenta.

Formada por Frank Jorge, Marcelo Birck e Alexandre Ograndi em 1987, A Graforréia Xilarmônica tornou-se cult em Porto Alegre em função de uma fita demo lançada em 1988 chamada “Com Amor, Muito Carinho”, que acabei conhecendo graças ao meu amigo Fabiano Carvalho, colega de faculdade, em 1994, um ano antes do lançamento de Coisa de Louco II, já com o guitarrista Carlo Pianta no lugar de Marcelo Birck.

Começando por Literatura Brasileira e a guitarra cítrica de Carlo Pianta, passando pelo baixo estonteante de Frank Jorge em Bagaceiro Chinelão – que perpassa na verdade TODAS as músicas do disco, e é uma das marcas registradas da Graforréia – , chegando, ainda no começo do disco, no hit Você foi Embora, que acabou virando videoclip e tocou bastante na MTV Brasil o disco não conta com pontos fracos. O gosto pessoal de cada ouvinte pode levá-lo a dizer: as minhas preferidas são Empregada, Nunca Diga, Amigo Punk e Rancho ou então, Nááá, eu prefiro, Tive Teu Nome, Minha Picardia, Denis, Se Arrependimento e Eu Digo 7; ainda, um vivente sentado lá no fundo da sala manda um bilhete dizendo que suas preferências recaem mais por Grito de Tarzan, Patê, Twist, Hare, Benga Velha Companheira e Se Você Não Quis.

Um disco que não cansa de tocar na minha vitrola. Só fico preocupado com o fato de, se ele realmente gastar, como vou encontrar outro, já que está esgotado nas lojas? Acho que preciso me agilizar e providenciar uma cópia de segurança e uma outra em arquivos .flac por garantia.

Bons tempos de Volksfet em que toquei (e, ergh!, cantei Empregada com a banda Vício em Agudo), para centenas de incautos ouvintes que, acostumados com suas bandinhas alemãs ouviram “Raú Ped’i Lara” sair pelos alto-falantes da festa.

Graforréia Xilarmônica em 2006
Graforréia Xilarmônica em 2006

Mas chega de fru-frus e firulas indômitas. Se você chegou até aqui e está babando para escutar uma amostra da magnífica Graforréia Xilarmônica, clique no link a seguir e baixe o Coisa de Louco II da Graforréia Xilarmônica, disponibilizado por algum destemido internauta.

Não deixe de deixar seu comentário aqui após a audição de tão inebriante experiência.

 

The Dark Side of The Moon
jul 19

Pink Floyd – The Dark Side of The Moon – versão em SACD (2003)

By Rafael Reinehr | Dançar sobre Pintura

The Dark Side of The MoonPara comemorar os 30 anos do lançamento do épico The Dark Side of The Moon, gravado entre junho de 1972 e janeiro de 1973 nos Estúdios Abbey Road em Londres, foi lançada em 2003 uma versão em SACD (Super Audio Compact Disc) do memorável disco.

Contando com todas as músicas do disco original, desta vez também mixadas em 5.1 canais em tecnologia DSD por James Guthrie e masterizadas pelo próprio e Doug Sax, este SACD quando escutado em um sistema de som razoável como é o meu (um SACD player da OPPO Digital ligado em um receiver 6.1 da Sony com falantes de 100W RMS) já faz o coração, os olhos e os espíritos brilharem, principalmente se deixarmos o volume do amplificador gritar.

Sem dúvida, não podemos saber o quanto esta gravação tem a nos dizer até conectarmos nosso receiver Marantz em um par de B&W bicabeados. Deixa assim, o equipamento é importante mas se for para ouvir a dança do créu qualquer “microsystem” já é bom demais. Estamos falando de Pink Floyd, talvez uma das mais impressionantes bandas de rock progressivo da história, que nos impressiona pelo gigantismo de suas performances, pelo virtuosismo de seus músicos – David Gilmour nos vocais e guitarras, Nick Mason na Percussão e nos efeitos, Richard Wright nos teclados e vocais e Roger Waters no baixo, vocais e efeitos.

Em The Dark Side of The Moon – a capacidade de armazenamento dos detalhes de profundidade, densidade sonora, timbre e vibração impressionam mesmo o ouvido leigo. Procura-se o músico à nossa frente. Estão tocando alguns passos distantes de nossos ouvidos. A realidade é afrontada pela ausência dos músicos e seus instrumentos, que insistem em se fazer presentes sonoramente e nos iludem com sua presença quase física, graças a maravilhosa tecnologia DSD.

The Dark Side of The Moon foi o terceiro álbum mais vendido de todos os tempos no mundo inteiro, e a edição híbrida em SACD lançada em 2003 atingiu o mesmo feito.

Se és muito jovem a ponto de ainda não ter ouvido falar em Pink Floyd, inicia tua jornada por este CD. O lirismo e musicalidade das canções, atreladas aos temas tempo, dinheiro, guerra, loucura e morte são distribuidos em 43 minutos de belíssimo rock psicodélico e progressivo.

Para uma crítica mais detalhada desta versão em SACD do memorável The Dark Side of The Moon, é interessante percorrer a crítica da High Fidelity Review, escrita em 2003, uma semana antes do lançamento, por Nicolas Satullo (em inglês). Mas, se eu puder mesmo dar um bom conselho, aí vai: chega de ficar lendo críticas ou resenhas. Vá para a loja (física ou virtual) mais próxima e ponha suas mãos nesta versão SACD da bolacha de 73. Seus ouvidos irão agradecer.

 

Faixas:

 

1.Speak to Me – 1:08
2.Breathe – 2:48
3.On the Run – 3:50
4.Time – 6:49
5.The Great Gig in the Sky – 4:44
6.Money – 6:22
7.Us and Them – 7:49
8.Any Colour You Like – 3:26
9.Brain Damage – 3:46
10.Eclipse – 2:11

 

Hermeto Pascoal
jul 28

Hermeto Pascoal – Montreux Jazz (ao vivo)

By Rafael Reinehr | Dançar sobre Pintura

Hermeto Pascoal     Hermeto Pascoal pode ser considerado um dos maiores expoentes brasileiros no Jazz internacional. Multiinstrumentista genial, que faz até porco soar como instrumento musical, Hermeto é compositor do inaudito, do incrível, do surpreendente, do cativante.

Em julho de 1979, Hermeto e seu grupo foram ovacionados de pé no tradicional Festival de Jazz de Montreux, talvez o mais importante do mundo. Em 2001, a Warner resolveu digitalizar e remasterizar o disco a partir das fitas originais de 1979 e, para meus humildes ouvidos, fizeram um bom trabalho. Na conversão digital, não se perdeu muito do “humor” setentista dos rolos magnéticos originais.

Manejando o sax soprano, a clavieta, flauta, sax tenor, o piano,  cantando e improvisando palavras, Hermeto não deixa pedra sobre pedra no Ginásio lotado. Quando pede silêncio para tocar Montreux, música escrita no hotel para homenagear a cidade e o festival, seus súditos obedecem prontamente.

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