Category Archives for "Simplicíssimo"

jun 13

28/02/2003 – #012 – Editorial

By Rafael Reinehr | Editoriais

Um cientista vivia preocupado com os problemas do mundo e estava resolvido a encontrar meios de minorá-los. Passava dias em seu laboratório em busca de respostas para suas dúvidas. Certo dia, seu filho de sete anos invadiu o seu santuário decidido a ajudá-lo a trabalhar. Vendo que seria impossível demovê-lo, o pai procurou algo que pudesse distrair-lhe a atenção. Até que se deparou com o mapa do mundo. Com o auxílio de uma tesoura, recortou-o em vários pedaços e, junto com um rolo de fita adesiva, entregou ao filho: – Vou lhe dar o mundo para consertar. Veja se consegue. Faça tudo sozinho. Pensou que, assim, estava se livrando do garoto, pois ele não conhecia a geografia do planeta e certamente levaria dias para montar o quebra-cabeças. Uma hora depois, porém, ouviu a voz do filho: – Pai, pai, já fiz tudo. Consegui terminar tudinho! Para surpresa do pai, o mapa estava completo. Todos os pedaços haviam sido colocados nos devidos lugares. Como seria possível? Como o menino havia sido capaz? – Você não sabia como era o mundo, meu filho, como conseguiu? – Pai, eu não sabia como era o mundo, mas quando você tirou o papel da revista para recortar, eu vi que do outro lado havia a figura de um homem. Quando você me deu o mundo para consertar, eu tentei mas não consegui. Foi aí que me lembrei do homem, virei os recortes e comecei a consertar o homem que eu sabia como era. Quando consegui consertar o homem, virei a folha e descobri que havia consertado o mundo. 

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jun 06

14/02/2003 – #010 – Editorial

By Rafael Reinehr | Editoriais

     Volta e meia questões concernentes à Bioética permeiam nosso dia-a-dia. E cada vez mais isso vai acontecer. Quem lembra do filme Gattaca (guanina, adenina, timina, timina, adenina, citosina, adenina) achou bastante familiar os acontecimentos dos últimos dias. Me refiro à forma com que a menina Roberta foi testada para excluir a possibilidade de Vilma, a seqüestradora do Pedrinho, ser sua mãe. Para quem está por fora ou está chegando de viagem do exterior hoje, a história é mais ou menos assim: uma senhora, há mais de vinte anos atrás, seqüestrou uma, duas ou sabe se lá quantas crianças, mas não foi descoberta. Há alguns meses, descobriu-se que um de seus filhos na verdade não o era, e sim de outra família, pois ela o havia seqüestrado ao nascer, e haviam dito a verdadeira mãe que seu filho havia morrido. Como se isso já não bastasse, agora se suspeitava que outra filha sua na realidade também poderia ter sido seqüestrada. A moça recusou-se a prestar o exame de DNA mas uma investigadora do caso sugeriu examinar a saliva que a moça deixou em uma bituca de cigarro. A saliva foi, sem o conhecimento da moça, enviada para análise e se descobriu que a mesma não é filha legítima de Vilma. 

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jun 01

07/02/2003 – #009 – Editorial

By Rafael Reinehr | Editoriais

Se eu tivesse o poder de eliminar uma pessoa da face da terra, hoje essa pessoa seria George W. Bush. Esse meu sentimento é compartilhado por muitas pessoas em todo mundo. E isso não é coragem de alguém que sabe que o dito sujeito não vai ouvir minha ameaça. Em primeiro lugar, não é uma ameaça. É simplesmente um desabafo. É o resultado de uma angústia. Um sentimento de opressão difícil de conter quando somos bombardeados dia após dia com notícias de brutalidades, fraudes, manipulações absurdamente maquiavélicas (no mau sentido da palavra) que vêm lá dos lados do "Império" comandado pelo tenebroso Darth Bush Wader, como convencionou-se após o III Fórum Social Mundial. A estagnação das economias dos países subdesenvolvidos ou em desenvolvimento (caso do Brasil) causada pelo monopólio econômico e até de certa forma político dos países mais ricos, subsidiando suas já polpudas (mas mesmo assim insuficientes) fontes de produção é somente uma das numerosas facetas desta crise que se abate sobre a sociedade humana atual. A crise de percepção, como afirmam Capra, Morin, Deleuze e Foulcault, entre outros, assume o papel primordial, é o ponto de partida para a reconstrução do mundo a partir das migalhas fragmentadas e multicompartimentadas que temos hoje. Desconstruimos para entender mas não soubemos construir novamente.

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maio 30

31/01/2003 – #008 – Editorial

By Rafael Reinehr | Editoriais

 Finalmente eis cá nossa primeira "edição especial" somente com poesias. Muitos enviaram seus escritos retirados do baú, a duras penas, pois estavam em baixo daqueles álbuns de figurinhas ou daquelas roupas antiiiiiiiiiigas, que guardamos sabe lá porquê (talvez para alimentar nossa nostalgia…); outros preferiram enviar algo escrito por outrem, mas que lhes tivesse significado especial. Outros ainda enviaram poemas que não pude ler completamente, por falha "tecnológica" (incompatibilidade entre versões do programa de leitura) e desta feita não houve tempo hábil para publicá-los (estes, com certeza, estarão em uma edição vindoura do Simplicíssimo).

 

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maio 26

24/01/2003 – #007 – Editorial

By Rafael Reinehr | Editoriais

 Auxílio-paletó, auxílio-moradia, auxílio-transporte e auxílio-gravata, quem sabe… Nossos deputados ganham uma bela grana somento com seu salário para "trabalhar" 3 dias por semana, além de receber até auxílio-quitanda (sem contar os incontáveis que eu desconheço), sem que um silvo longo seja proferido. Geralmente, quando nossos legisladores aumentam seus próprios benefícios, a mídia nacional até divulga o acontecimento, mas dificilmente é feita uma crítica ou uma apreciação mais profunda do assunto, dificilmente a propagação da notícia ultrapassa dois dias. Um "auto-aumento" dos salários e benefícios, além de ser uma das coisas mais anti-éticas que eu posso imaginar, é um desrespeito completo com o povo, com a Nação brasileira. Se tem um ser humano que deveria compadecer de seus irmãos é esse nosso "amigo" deputado. É por questões como essa que desrespeito a politicagem que se faz por essas bandas. Nada tenho contra política, pelo contrário, sou um devorador moderado de livros e textos como "A República", de Platão, "A Política" de Aristóteles, "Do Cidadão" de Thomas Hobbes, "O Espírito das Leis", de Montesquieu, "Dois Tratados Sobre o Governo", de John Locke, "O Príncipe", de Nicolau Maquiavel, só para citar alguns "clichês", sem contar tantos outros escritos anarquistas de Paul Feyerabend, Bakunin, Lakatos, Kropotkin e Malatesta, sem esquecer Thomas Morus e Henry David Thoreau, deveras inspiradores.

 

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maio 23

10/01/2003 – #006 – Editorial

By Rafael Reinehr | Editoriais

 Em tempos nos quais a Esperança vence o Medo, revoluções estão a acontecer minuto a minuto (segundo a segundo, ouso dizer). A mais "nova novidade" do momento diz respeito à questão ética que se impõe no que tange ao uso de tratamento hormonal em transexuais. Agora, homens que querem aproximar-se da aparência feminina estão recorrendo a endocrinologistas para acompanhamento de um "tratamento hormonal", feito com hormônios femininos, geralmente estrógenos, para desenvolver seios e outras "cositas mais" que lhes delineiem melhor o corpo. A questão ética diz respeito justamente ao fato de o médico, em seu juramento, prometer, antes de tudo, não fazer o mal ao seu paciente. Mas em que mal este incorre ao auxiliar o transexual em seu desejo de melhorar sua aparência e desta forma ajustar-se melhor psiquicamente e conseqüentemente ser mais feliz? Em primeiro lugar, ainda não são completamente conhecidos os efeitos de doses altas de estrógenos no corpo masculino. Sabe-se que as glândulas mamárias desenvolvem-se bastante, mas ao mesmo tempo estão muito mais sujeitas ao desenvolvimento de câncer. Dentro da Medicina, existem pelo menos três aspectos éticos básicos que sempre devem ser respeitados: o princípio da não-maleficência (não produzir dano), o princípio da beneficência (tomar uma atitude quando ela comprovadamente é benéfica para o paciente) e o princípio da autonomia (que refere-se ao direito que o paciente tem de decidir sobre sua própria saúde em situações de maioridade ou saúde mental íntegra). Na questão dos transexuais, temos a favor da reposição hormonal o respeito ao desejo do paciente, que, de qualquer forma, se não for acompanhado por um médico vai acabar fazendo uso dos hormônios de qualquer forma e temos contra, do ponto de vista ético a questão da não-maleficência, tendo em vista que o benefício psíquico decorre justamente do dano que provocamos em seu corpo (estando ele sujeito aos riscos da terapêutica).

 

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