Livrai.me | Igreja Anarquista Livrai-vos dos Senhores

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Nem todas minhas postagens e ideias fazem sucesso em todos os públicos (ainda bem, do contrário iria pensar que estou em um sonho egocêntrico e 🙂 ).

Uma dessas ideias polêmicas é a ideia da Livrai.me | Igreja Anarquista Livrai-vos dos Senhores.

A Livrai.me é, na verdade, um Manifesto pela autossuficiência e pela tomada de uma autoconsciência profunda por cada um de nós.

Na página inicial (livrai.me) conclamamos às pessoas que enviem fotos e uma pequena descrição de momentos nos quais elas sentiram-se verdadeiramente livres.

Leia o Manifesto completo em http://livrai.me/igreja-anarquista/

PS: Mantenho profundo respeito pelas crenças individuais de cada um, e desejo a felicidade e o bem-estar para todos os seres sencientes. Existem vantagens e desvantagens individuais e coletivas para cada escolha, teísta ou ateísta que fizermos. Os livros de história e de estatística estão aí para nos demonstrar, podemos usá-los como referência ou ignorá-los, bem como as escrituras assim ditas sagradas.

PS2: na foto, Pedro Rios Leão, na “Colheita da abstenção”.

 

A verdadeira face da política: o caso da rotulação dos transgênicos

A Câmara dos Deputados aprovou em plenário o PL 4148/2008, do deputado ruralista Luiz Carlos Heinze (PP/RS). Foram 320 votos a favor e 120 contra. O projeto prevê a não obrigatoriedade da rotulagem de alimentos que possuem ingredientes transgênicos.
O projeto ruralista é um atentado ao direito à informação da população e só beneficia as empresas de agronegócio que querem esconder a origem do produto comercializado. Além do mais, quanto mais transgênicos, mais agrotóxicos. E já consumimos 7,3 litros de venenos agrícolas.
Temos o direito de saber o que colocamos no nosso prato!
” – do site do MST

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Os deputados tem preço, a tua comida tem veneno.” – Henrique Sant´Anna

E a Câmara dos Deputados (competindo pau a pau com o Sensacionalista) mais uma vez decide tirar nossos direitos: dessa vez é para piorar a transparência (que está mais para opaca) com relação à informação sobre o que comemos.
A situação já não era legal e tende a piorar.
A solução é cada vez mais consumir alimento local (tendo contato direto com os produtores) e/ou produzir o que for capaz. Deixar de depender das grandes empresas que ditam as leis: essa é a verdadeira revolução.” – Álvaro Justen

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Há poucos dias, eu mesmo tinha avisado que, onde há fumaça, há fogo, em uma postagem na mídia social facebook:
Salgadinho de milho sem o logo do TRANSGÊNICO, no Brasil? Será? Difícil acreditar… Yoki alimentos… vamos conferir…
No outro dia vi também uma farofa de milho sem o logo. Já achei esquisito…
Efeito antecipado da quebra da lei solicitada pelo tristíssimo deputado Luiz Carlos Heinze, que até agora obriga as empresas a notificar quando seus produtos contém transgênicos na formulação?
” – Rafael Reinehr, em postagem do facebook

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A própria rotulação dos transgênicos, da forma que foi realizada, sem uma campanha mais ampla para toda a população, já estava sendo insuficiente. Um estudo demonstrou que a maior parte das pessoas nem sabia o que o triângulo amarelo com um T preto dentro significava:

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Enquanto isso nossos pseudorepresentantes da classe corja política continuam atendendo a seus próprios interesses e de seus financiadores. Alguns de nós, ainda acreditam no sistema e, tal qual gado, de tempos em tempos comparecem aos currais eleitorais para depositar seu voto de confiança.

Enquanto a resistência não se organiza de forma suficiente, através da criação de redes cada vez mais capilarizadas e interdependentes de produtores autônomos autogestionados fortalecidos por redes de comunicação e suporte como a Coolmeia, seguimos caminhando acorrentados a um modelo que drena boa parte da nossa energia e riqueza produzida para as mesmas famílias e seus asseclas.

Neste interim, ficam algumas SUGESTÕES:

1. Empresas conscientes, sustentáveis e éticas devem começar a rotular alimentos LIVRES DE TRANSGÊNICOS!

2. Criar uma Coalisão Nacional entre produtores orgânicos e Livres de Transgênicos e criar uma LISTA, a ser tornada pública, com alimentos definitivamente livres de transgênicos. Associações como a ABRANGE, a Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida e a Campanha Nacional por um Brasil Livre de Transgênicos, entre outros, podem liderar esta coalisão.

3. Organizar Campanhas contínuas de conscientização ampla da população, para que a mudança seja através da informação e do contágio. Incluir professores de séries iniciais e educação básica para que o conhecimento seja retransmitido aos jovens desde cedo. Elaboração de cartilhas informativas, histórias em quadrinhos, memes para toda sorte de mídia a que estes jovens tem acesso, incluindo games e aplicativos para smartphones

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Sugestão de logomarca para produtos livres de transgênicos. Arte: Rico Silva

 

Finalizo com uma postagem do Coletivo Até o Talo, nos lembrando sobre o papel do Estado nesta triste situação:

Pra quem acha que o Estado tem qualquer preocupação com o bem estar e a saúde das pessoas, esse breve exemplo da realidade parece suficiente – essa instituição aposta na ignorância na qual mantém as pessoas para garantir as vendas das corporações transnacionais por cujos interesses se pauta.

Pra quem serve o Estado? Pra quem nele manda; pras grandes corporações, pros empresários, pra quem controla, distribui e detém os direitos sobre as sementes transgênicas e que fabrica os agrotóxicos que já éramos economicamente e por meio de pesadas campanhas publicitárias coagidos a comer e que agora, tendo o nosso direito à realidade negado, seremos enganados e obrigados a consumir.

O ônus de comprovar a procedência da sua produção não recai sobre as grandes empresas milionárias que envenenam o mundo e esgotam as terras mas, outra vez, sobre o pequeno produtor agroecológico que se vê cada vez mais prejudicado por um Estado que impõe selos e certificações caras e burocráticas no desejo de inviabilizar a pequena produção que respeita o meio ambiente e as pessoas.

O Estado é criminoso e não existe consenso ético na sua organização que leve em consideração a situação, as necessidades e a opinião das pessoas sob o seu controle. A própria existência do Estado se opõe à autonomia e autogestão dessas pessoas, porque depende que a hierarquia social e a exploração das terras, dos animais, das mulheres se mantenham. Depende da dependência inventada – forjada nas pessoas desde o seu nascimento – do seu controle. Depende do capitalismo e de um modo de produção que mata e esgota todo o tipo de vida e recursos para a vida todos os dias sem pensar duas vezes.

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monitoramento policial

A Sociedade do Controle chegou em Agudo

Quando crianças, na década de oitenta, sempre brincavam conosco, quando dizíamos que éramos de Agudo:

    • E a televisão já chegou em Agudo?

Essa brincadeira derivava do fato de, naquela época, Agudo ser uma pequenina cidade de cerca de 13 mil habitantes, com mais da metade deles morando na área rural da cidade.

Para os moradores, claro que isso era um exagero. As coisas até poderiam chegar com um certo atraso, mas não tanto!

monitoramento policialPois então, na última quinta-feira à noite cheguei à minha cidade natal mais uma vez, depois de um pouco mais de seis meses sem passar por aqui e, logo na entrada, uma imagem me chama a atenção: no meio da avenida principal da cidade, um poste com câmeras de “monitoramento policial” apontando para todos os lados.

A primeira palavra que vêm à cabeça da maioria das pessoas é “progresso”! Ou talvez “segurança”! Agora, pensam, os bandidos não terão chance, ficará mais fácil de monitorá-los e rastreá-los! Tanto os ladrões quanto aqueles que promovem irregularidades no trânsito.

E quanto ao cidadão comum? Que tal ser monitorado 24 horas por dia? Ter uma câmera com sabe-se lá quem acompanhando seus passos pela tua cidade? Que tal você, jovem casal de namorados, sentado no banco da praça, trocando carícias e beijos e tendo suas imagens gravadas por algum policial ou técnico de segurança? Quando se fala de mobilizações públicas então, nem se fala: pode-se usar as gravações destas manifestações para encontrar supostos líderes ou então pinçar qualquer pessoa que tenha tido algum comportamento que “ofenda” o que o “Estado de Direito” representa – mesmo que este “estado de direito” não represente mais a própria população e sim os interesses de poucas corporações e grupos econômicos e políticos.

Para mim, esse monitoramento lembra outra palavra, e esta é “controle”.

Michel Foulcault em seu memorável livro “Vigiar e Punir” já prenunciava o surgimento desta Sociedade do Controle. Dizia:

 

[…] O poder disciplinar é […] um poder que, em vez de se apropriar e de retirar, tem como função maior “adestrar”: ou sem dúvida adestrar para retirar e se apropriar ainda mais e melhor. Ele não amarra as forças para reduzi-las; procura ligá-las para multiplicá-las e utilizá-las num todo. […] “Adestra” as multidões confusas […] (FOUCAULT, 2005, p.143).

 

Na sociedade disciplinar os indivíduos sentem-se controlados pela força do olhar, uma vez que no poder panóptico, o observador está permanentemente presente a observar e a vigiar os indivíduos. Sendo assim, Foucault (2005, p.169) considera que:

 

O Panóptico funciona como uma espécie de laboratório de poder. Graças a seus mecanismos de observação, ganha em eficácia e em capacidade de penetração no comportamento dos homens; um aumento de saber vem se implantar em todas as frentes do poder, descobrindo objetos que devem ser conhecidos em todas as superfícies onde este se exerça.

O panóptico permitiu aperfeiçoar o exercício do poder no final do séc. XVIII. O poder disciplinar panóptico, por meio da visibilidade, da regulamentação minuciosa do tempo e na localização dos corpos no espaço, possibilitou o controle sobre os indivíduos vigiados, de forma a torná-los dóceis e úteis à sociedade, instaurando, dessa forma, uma nova tecnologia do poder.

 

A câmera nos traz essa “quase certeza de que seremos punidos”, pois nossa imagem está lá, registrada com nossa face e hábitos expostos.

O controle que ora se apresenta é o mecanismo de um Estado neofascista que, usando a desculpa da segurança dos cidadãos está, na verdade, cerceando toda e qualquer forma de atividade que possa por em risco seu próprio fim, assumindo uma posição totalitarista que tenderá a reprimir toda e qualquer ação de minorias organizadas, por mais justa que possa parecer. Tal ação será taxada de “subversão à ordem pública”. As câmeras de vigilância servem a uma sociedade normalizada e hipernormatizada, onde quem dita as regras não é a população, de baixo para cima, mas o topo da pirâmide já constituída que, nos dias de hoje, nada mais é do que o conjunto de alguns banqueiros, megaempresários e coronéis de anteontem que ainda se reproduzem nas estâncias e fazendas do Brasil.

tirinha de André Dahmer
tirinha de André Dahmer

Para Billouet, (2003), o panoptismo possibilita uma sujeição concreta mediante uma relação fictícia. O panóptico foi desenvolvido a partir do “princípio de que o poder devia ser visível e inverificável” (FOUCAULT 2005, p.167). Desse modo, o detento sempre teria diante dos olhos a figura da torre central de onde será espionado, ao mesmo tempo em que não saberia se está sendo observado, deveria ter a certeza de que poderá sê-lo. Com isso, não seria necessário recorrer à força para obter dos indivíduos o bom comportamento, por exemplo, “o louco à calma, o operário ao trabalho, o estudante à aplicação, o doente à observação das recomendações” (BILLOUET, 2003, p. 133).

 

Ao controle do corpo através da imagem, somam-se, nos dias modernos uma série de outros mecanismos que substituiram o aprisionamento em celas e jaulas: o aprisionamento através do cartão de crédito e das dívidas de compras; através dos números de identificação em documentos oficiais, modernamente avançando para controles por chips RFIDs, com possibilidade de localização geográfica; através de aparelhos celulares sempre ligados, também facilmente localizáveis e rastreáveis; através de nossos passos nas redes sociais e “pegadas” online. Controle na prisão, na escola, no hospital, no trabalho, nas ruas, na sociedade em geral…

 

Essa sujeição é obtida através de um saber e de um controle que constituem o que Foucault chamou de uma tecnologia política do corpo, que para ele, trata-se de uma microfísica do poder. Essa nova anatomia política deve ser entendida, como: […] uma multiplicidade de processos muitas vezes mínimos, de origens diferentes, de localizações esparsas, que […] Circularam às vezes muito rápido (entre o exército e as escolas técnicas ou os colégios e liceus), às vezes lentamente e de maneira mais discreta (militarização insidiosa das grandes oficinas) […](FOUCAULT, 2005, p. 119). Deste modo, o tempo é quantificado, o espaço medido, o corpo do operário, do aluno, do soldado, é disciplinado, medido em seus movimentos harmonizados dentro do movimento da sociedade. A punição terá agora a função de corrigir os indivíduos para estabelecer relações de poder, como forma de controle para atender aos interesses da burguesia que necessita de corpos úteis, produtivos, disciplinados (FOUCAULT, 2005).

Nesse sentido, o corpo será submetido a uma forma de poder que irá desarticulá-lo e corrigi-lo através de uma nova mecânica do poder. As práticas disciplinares permitem o controle das operações dos corpos e a sujeição constante de suas forças, impondo-lhes uma relação de docilidade e utilidade.

 

Assim, caros amigos Foulcault e Deleuze (não te citei aqui, mas sabes que te quero bem, né não?), lamento informar: a Sociedade Disciplinar, a Sociedade do Controle, chegou em Agudo, em plena Avenida Concórdia. Mas a luta está apenas começando…

 

Para uma leitura um pouco mais detalhada, mas ainda resumida, sobre a obra Vigiar e Punir, de Foulcault – http://www.cchla.ufrn.br/saberes/Numero4/Artigos%20em%20Filosofia-Educacao/Noelma%20C%20de%20Sousa%20e%20Antonio%20Basilio%20N.%20T.%20de%20Meneses,%20uma%20leitura%20em%20Vigiar%20e%20Punir,%20p.%2018-35.pdf (de onde foram tiradas as citações acima)

Para uma leitura detalhada, recomenda-se a obra do próprio autor.

Algumas páginas para leitura rápida, da wikipedia:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Pan%C3%B3ptico e http://en.wikipedia.org/wiki/Panopticon

http://pt.wikipedia.org/wiki/Vigiar_e_Punir

Criança, A Alma do Negócio

Qual o benefício que a publicidade dirigida à criança traz para a criança?

O documentário Criança, A Alma do Negócio dirigido pela pela cineasta Estela Renner e produzido por Marcos Nisti, elicita uma reflexão sobre como a sociedade de consumo e as mídias de massa impactam na formação das crianças e dos adolescentes.

Assista o filme, em 6 partes, e não deixe de comentar.

Parte 1

Parte 2

Parte 3

Parte 4

Parte 5

Parte 6 (Créditos)

Amazônia – Navios-tanque traficam água de rios

Falta de fiscalização facilita a ação de criminosos. Autoridades brasileiras já foram informadas da situação

É assustador o tráfico de água doce no Brasil. A denúncia está na revista jurídica Consulex 310, de dezembro do ano passado, num texto sobre a Organização Mundial do Comércio (OMC) e o mercado internacional de água. A revista denuncia: “Navios-tanque estão retirando sorrateiramente água do Rio Amazonas”. Empresas internacionais até já criarem novas tecnologias para a captação da água. Uma delas, a Nordic Water Supply Co., empresa da Noruega, já firmou contrato de exportação de água com essa técnica para a Grécia, Oriente Médio, Madeira e Caribe.

Conforme a revista, a captação geralmente é feito no ponto que o rio deságua no Oceano Atlântico. Estima-se que cada embarcação seja abastecida com 250 milhões de litros de água doce, para engarrafamento na Europa e Oriente Médio. Diz a revista ser grande o interesse pela água farta do Brasil, considerando que é mais barato tratar águas usurpadas (US$ 0,80 o metro cúbico) do que realizar a dessalinização das águas oceânicas (US$ 1,50).

Anos atrás, a Agência Amazônia também denunciou a prática nefasta. Até agora, ao que se sabe nada de concreto foi feito para coibir o crime batizado de hidropirataria. Para a revista Consulex, “essa prática ilegal, no então, não pode ser negligenciada pelas autoridades brasileiras, tendo em vida que são considerados bens da União os lagos, os rios e quaisquer correntes de água em terrenos de seus domínio (CF, art. 20, III).

Outro dispositivo, a Lei nº 9.984, de 17 de julho de 2000, atribui à Agência Nacional de Águas (ANA), entre outros órgãos federais, a fiscalização dos recursos hídricos de domínio da União. A lei ainda prevê os mecanismos de outorga de utilização desse direito. Assinado pela advogada Ilma de Camargos Pereira Barcellos, o artigo ainda destaca que a água é um bem ambiental de uso comum da humanidade. “É recurso vital. Dela depende a vida no planeta. Por isso mesmo impõe-se salvaguardar os recursos hídricos do País de interesses econômicos ou políticos internacionais”, defende a autora.

Segundo Ilma Barcellos, o transporte internacional de água já é realizado através de grandes petroleiros. Eles saem de seu país de origem carregados de petróleo e retornam com água. Por exemplo, os navios-tanque partem do Alaska, Estados Unidos – primeira jurisdição a permitir a exportação de água – com destino à China e ao Oriente Médio carregando milhões de litros de água.

Nesse comércio, até uma nova tecnologia já foi introduzida no transporte transatlântico de água: as bolsas de água. A técnica já é utilizada no Reino Unido, Noruega ou Califórnia. O tamanho dessas bolsas excede ao de muitos navios juntos, destaca a revista Consulex. “Sua capacidade [a dos navios] é muito superior à dos superpetroleiros”. Ainda de acordo com a revista, as bolsas podem ser projetadas de acordo com necessidade e a quantidade de água e puxadas por embarcações rebocadoras convencionais.

Biopirataria e roubo de minérios

Há seis anos, o jornalista Erick Von Farfan também denunciou o caso. Numa reportagem no site eco21 lembrava que, depois de sofrer com a biopirataria, com o roubo de minérios e madeiras nobres, agora a Amazônia está enfrentando o tráfico de água doce. A nova modalidade de saque aos recursos naturais foi identificada por Farfan de hidropirataria. Segundo ele, os cientistas e autoridades brasileiras foram informadas que navios petroleiros estão reabastecendo seus reservatórios no Rio Amazonas antes de sair das águas nacionais.

Farfan ouviu Ivo Brasil, Diretor de Outorga, Cobrança e Fiscalização da Agência Nacional de Águas. O dirigente disse saber desta ação ilegal. Contudo, ele aguarda uma denúncia oficial chegar à entidade para poder tomar as providências necessárias. “Só assim teremos condições legais para agir contra essa apropriação indevida”, afirmou.

O dirigente está preocupado com a situação. Precisa, porém, dos amparos legais para mobilizar tanto a Marinha como a Polícia Federal, que necessitam de comprovação do ato criminoso para promover uma operação na foz dos rios de toda a região amazônica próxima ao Oceano Atlântico. “Tenho ouvido comentários neste sentido, mas ainda nada foi formalizado”, observa.

Águas amazônicas

Segundo Farfan, o tráfico pode ter ligações diretas com empresas multinacionais, pesquisadores estrangeiros autônomos ou missões religiosas internacionais. Também lembra que até agora nem mesmo com o Sistema de Vigilância da Amazônia (Sivam) foi possível conter os contrabandos e a interferência externa dentro da região.

A hidropirataria também é conhecida dos pesquisadores da Petrobrás e de órgãos públicos estaduais do Amazonas. A informação deste novo crime chegou, de maneira não oficial, ao Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (IPAAM), órgão do governo local. “Uma mobilização até o local seria extremamente dispendiosa e necessitaríamos do auxílio tanto de outros órgãos como da comunidade para coibir essa prática”, reafirmou Ivo Brasil.

A captação é feita pelos petroleiros na foz do rio ou já dentro do curso de água doce. Somente o local do deságüe do Amazonas no Atlântico tem 320 km de extensão e fica dentro do território do Amapá. Neste lugar, a profundidade média é em torno de 50 m, o que suportaria o trânsito de um grande navio cargueiro. O contrabando é facilitado pela ausência de fiscalização na área.

Essa água, apesar de conter uma gama residual imensa e a maior parte de origem mineral, pode ser facilmente tratada. Para empresas engarrafadoras, tanto da Europa como do Oriente Médio, trabalhar com essa água mesmo no estado bruto representaria uma grande economia. O custo por litro tratado seria muito inferior aos processos de dessalinizar águas subterrâneas ou oceânicas. Além de livrar-se do pagamento das altas taxas de utilização das águas de superfície existentes, principalmente, dos rios europeus. Abaixo, alguns trechos da reportagem de Erick Von Farfan:

Hidro ou biopirataria?

O diretor de operações da empresa Águas do Amazonas, o engenheiro Paulo Edgard Fiamenghi, trata as águas do Rio Negro, que abastece Manaus, por processos convencionais. E reconhece que esse procedimento seria de baixo custo para países com grandes dificuldades em obter água potável. “Levar água para se tratar no processo convencional é muito mais barato que o tratamento por osmose reversa”, comenta.

O avanço sobre as reservas hídricas do maior complexo ambiental do mundo, segundo os especialistas, pode ser o começo de um processo desastroso para a Amazônia. E isto surge num momento crítico, cujos esforços estão concentrados em reduzir a destruição da flora e da fauna, abrandando também a pressão internacional pela conservação dos ecossistemas locais.

Entretanto, no meio científico ninguém poderia supor que o manancial hídrico seria a próxima vítima da pirataria ambiental. Porém os pesquisadores brasileiros questionam o real interesse em se levar as águas amazônicas para outros continentes. O que suscita novamente o maior drama amazônico, o roubo de seus organismos vivos. “Podem estar levando água, peixes ou outras espécies e isto envolve diretamente a soberania dos países na região”, argumentou Martini.

A mesma linha de raciocínio é utilizada pelo professor do Departamento de Hidráulica e Saneamento da Universidade Federal do Paraná, Ary Haro. Para ele, o simples roubo de água doce está longe de ser vantajoso no aspecto econômico. “Como ainda é desconhecido, só podemos formular teorias e uma delas pode estar ligada ao contrabando de peixes ou mesmo de microorganismos”, observou.

Essa suposição também é tida como algo possível para Fiamenghi, pois o volume levado na nova modalidade, denominada “hidropirataria” seria relativamente pequeno. Um navio petroleiro armazenaria o equivalente a meio dia de água utilizada pela cidade de Manaus, de 1,5 milhão de habitantes. “Desconheço esse caso, mas podemos estar diante de outros interesses além de se levar apenas água doce”, comentou.

Segundo o pesquisador do Inpe, a saturação dos recursos hídricos utilizáveis vem numa progressão mundial e a Amazônia é considerada a grande reserva do Planeta para os próximos mil anos. Pelos seus cálculos, 12% da água doce de superfície se encontram no território amazônico. “Essa é uma estimativa extremamente conservadora, há os que defendem 26% como o número mais preciso”, explicou.

Em todo o Planeta, dois terços são ocupados por oceanos, mares e rios. Porém, somente 3% desse volume são de água doce. Um índice baixo, que se torna ainda menor se for excluído o percentual encontrado no estado sólido, como nas geleiras polares e nos cumes das grandes cordilheiras. Contando ainda com as águas subterrâneas. Atualmente, na superfície do Planeta, a água em estado líquido, representa menos de 1% deste total disponível.

Água será motivo de guerra

A previsão é que num período entre 100 e 150 anos, as guerras sejam motivadas pela detenção dos recursos hídricos utilizáveis no consumo humano e em suas diversas atividades, com a agricultura. Muito disto se daria pela quebra dos regimes de chuvas, causada pelo aquecimento global. Isto alteraria profundamente o cenário hidrológico mundial, trazendo estiagem mais longas, menores índices pluviométricos, além do degelo das reservas polares e das neves permanentes.

Sob esse aspecto, a Amazônia se transforma num local estratégico. Muito devido às suas características particulares, como o fato de ser a maior bacia existente na Terra e deter a mais complexa rede hidrográfica do planeta, com mais de mil afluentes. Diante deste quadro, a conclusão é óbvia: a sobrevivência da biodiversidade mundial passa pela preservação desta reserva.

Mas a importância deste reduto natural poderá ser, num futuro próximo, sinônimo de riscos à soberania dos territórios panamazônicos. O que significa dizer que o Brasil seria um alvo prioritário numa eventual tentativa de se internacionalizar esses recursos, como já ocorre no caso das patentes de produtos derivados de espécies amazônicas. Pois 63,88% das águas que formam o rio se encontram dentro dos limites nacionais.

Esse potencial conflito é algo que projetos como o Sistema de Vigilância da Amazônia procuram minimizar. Outro aspecto a ser contornado é a falta de monitoramento da foz do rio. A cobertura de nuvens em toda Amazônia é intensa e os satélites de sensoriamento remoto não conseguem obter imagens do local. Já os satélites de captação de imagens via radar, que conseguiriam furar o bloqueio das nuvens e detectar os navios, estão operando mais ao norte.

As águas amazônicas representam 68% de todo volume hídrico existente no Brasil. E sua importância para o futuro da humanidade é fundamental. Entre 1970 e 1995 a quantidade de água disponível para cada habitante do mundo caiu 37% em todo mundo, e atualmente cerca de 1,4 bilhão de pessoas não têm acesso a água limpa. Segundo a Water World Vision, somente o Rio Amazonas e o Congo podem ser qualificados como limpos.

Fonte: Agência Amazônia

taliban

O Taliban está chegando no Brasil: uma breve análise do caso Uniban

talibanEstamos vivendo um momento negro na História da Mídia Instituída no Brasil, atrelado a um momento de trevas na educação brasileira. Enquanto a Rede Globo segue com seu noticiário esquizofrênico, lançando notícias sem aprofundar a discussão em torno de assuntos relevantes e que necessitam maior esclarecimento, a Universidade Bandeirante toma uma decisão que envergonha qualquer cidadão brasileiro que respeite, senão a liberdade individual ao menos a Constituição Brasileira, no momento em que decide expulsar a estudante Geysi Arruda.

Para quem está por fora da notícia, a estudante compareceu com uma minissaia à faculdade e, causando furor aos demais estudantes, foi rechaçada verbalmente por um grupo de alunos, causando sua saída forçada do recinto, de forma humilhante. A Uniban, neste domingo dia 8 decidiu “retirá-la” “do quadro discente da instituição, em razão do flagrante desrespeito aos princípios éticos, à dignidade acadêmica e à moralidade”.

O resultado de uma “sindicância” (nome bonito para uma fogueira inquisitória) foi o seguinte: “foi constatado que a atitude provocativa da aluna buscou chamar a atenção para si por conta de gestos e modos de se expressar, o que resultou numa reação coletiva de defesa do ambiente escolar”.

Ou seja: vamos expulsar a pessoa que não se comporta de acordo com normas (absurdas) estabelecidas (e que não estão escritas em lugar algum).

A foto abaixo mostra algumas alunas da Uniban que participaram das críticas à vestimenta da menina Geysi e o vídeo mais abaixo mostra um dia típico na cantina da Universidade.

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Alunas da Uniban em protesto à vestimenta da aluna Geysi Arruda no último dia 22 de outubro

 

 


Alunos da Uniban em um típico almoço na cantina, comendo macarrão

Quer opinar? O espaço abaixo é livre, desde que expresse opiniões fundamentadas sem palavras de baixo calão ou agressões gratuitas, como expulsões arbitrárias, por exemplo.

Mais uma leitura sobre o assunto: Veja o que fala o Tsavkko

Para quem deseja ir mais além: ABAIXO ASSINADO CONTRA A UNIBAN

Para:  UNIBAN (Universidade Bandeirantes)
Os subscritores abaixo vem manifestar total repúdio à postura da UNIBAN, unidade São Bernardo do Campo/SP, ao optar pela expulsão da estudante Geisy Arruda por ela ter, supostamente, usado vestimenta que atentou à moral e bons costumes (veja reportagem sobre o assunto em http://bit.ly/I2OX2 e http://bit.ly/2UJsS)

Não obstante a autonomia da entidade de ensino em elaborar regras disciplinares para o corpo discente, a postura da entidade demonstra perfil autoritário e contrário às conquistas dos Direitos e Garantias Individuais do cidadão, o que não coaduna com a atitude esperada de entidade privada que possui a delegação de obrigação de serviços públicos, devendo, portanto, estar sujeita aos mesmos compromissos éticos da Administração Pública.

O ambiente universitário deve pautar-se pela debate amplo e defesa incondicional da liberdade de seus alunos, obrigando-se a repelir de forma imediata qualquer intenção de atentado à dignidade da pessoa ou outras formas de humilhação, como é o caso em que se viu envolvida a aluna Geisy. Ademais, a nota de esclarecimento sobre a infeliz expulsão somente confirma a conduta preconceituosa da universidade que, no mínimo, está ausente de moralidade.

A expulsão envergonha os subscritores desse manifesto, e coloca em cheque os princípios basilares do Estado Democrático de Direito. Portanto, deve ser registrado que a opção da Uniban é fato isolado e contraria a todos nós.

Desejamos que fatos como esse sejam sempre lembrados como exemplos de involução cultural da sociedade, para que nunca mais se repitam.
Sincerely,
The Undersigned

ASSINEM!

Dia das Crianças 2009: o que será destas crianças?

O que será das crianças do vídeo abaixo? O mesmo que das pessoas em volta, que estimulam tal comportamento? Se essa é a diversão incitada, se essa é a brincadeira mais adequada para uma festa de aniversário infantil, então podemos nos preparar para aumentar nossos muros e grades. Ou então começar a fazer algo.

Quem sabe algumas bombas nas antenas retransmissoras de TV?

Mas quem sabe mesmo escrever sobre caminhos a seguir, rock´n roll e outras impertinências é o amigo Lellec, que estréia hoje seu blog no Opsblog: vai lá e visita o maravilhoso post dele no A Terceira Margem do Sena.

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Gripe suína: sintomas de uma sociedade doente?

Quem perguntou minha opinião sobre a suposta epidemia de gripe suína, durante a “febre” da famigerada epidemia, ouviu um rotundo: “Isso é mais uma conspiração organizada pelos detentores do poder para tirar a atenção de assuntos mais importantes, para alimentar o terror e, consequentemente, manipular a opinião popular buscando justificar a necessidade de um Estado organizado em um momento em que o mesmo é questionado globalmente.”

Por falar em gripe suína, gripe A, gripe H1N1: por onde ela anda mesmo?

E cadê a mídia? Essa podre, mal informada e vendida mídia brasileira?

Sobre como fazer imprensa, recomendo um filme recente: State of Play. Não sei o nome que saiu no Brasil, mas dê uma googleada e encontre. Com Ben Affleck e Russel Crowe.

Another Brick in The Wall (versão Senado brasileiro)

Para que não esqueçamos, antes mesmo que os escombros do Senado se tornem o início da nossa vitória contra essa corja de políticos profissionais, bandidos, coronéis, estelionatários e apropriadores do bem comum, escutemos este clássico libertário da década de setenta, mixado com algumas falas de nossos polutos senadores, proferidas nas últimas semanas, com participação especial de nosso atual presidente da república (com letra minúscula, obviamente).
Boa diversão. E obrigado ao amigo Acid por me fornecer o audio.