Procura-se e Precisa-se de Tradutores e Tradutoras em Várias Línguas: Inglês, Espanhol, Italiano, Francês, Alemão, Russo e Chinês

tradutores

Estaremos contratando tradutores para os projetos da The Brains Cooperation, dentre eles o Medictando e a Coolmeia. Alguns precisaremos de disponibilidade em tempo integral e outros para trabalhos eventuais, mas com alguma regularidade.

Se você tiver disponibilidade de tempo e capacidade de tradução irrepreensível na língua ou línguas que dominas, entre em contato pelo formulário abaixo:

Receitas caseiras de Desodorantes, Xampus, Sabonetes, Pasta de Dente e outros produtos de higiene pessoal

No dia 23 de janeiro, fiz uma postagem no facebook conclamando amigos e conhecidos a compartilharem comigo algumas dicas de higiene pessoal feitas em casa e naturais. A mensagem foi a que segue:

Amigos – Estou na busca de mudar todos meus produtos de higiene para produtos feitos em casa ou tão naturais quanto possível.
Posso contar com vossa ajuda para indicar sites, receitas, lojas em todo Brasil que vendam substratos para quem quer fazer em casa e também já prontos?
Falo de pasta de dentes, sabonetes, desodorantes, perfumes, etc. Shampoo já não uso mais, uso o Sempu
Além disso, vou registrar estes pontos de distribuição e algumas receitas e fazer um pequeno guia em .pdf e depois distribuir por aqui e em outras mídias. Vambora?

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Foto de Sachi – https://supasoap.wordpress.com/ – (CC BY-NC-SA 2.5 BR)

A resposta que obtive foi supimpa! Em poucos dias pipocaram várias referências, que cito abaixo, somadas às que eu já havia compilado em 2013 para o grupo Higiene > DIY Faça Você Mesmo > Aprendizagem da Coolmeia. Enquanto isso, ganho tempo para criar o “pequeno guia em .pdf”, com receitas e referências, ao qual me comprometi.

Sabonetes:

Xampus:

Pasta de dentes:

Desodorantes:

Óleo hidratante pós-banho:

Cuidados de higiene em geral:

Produtos naturais em geral:

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Rica participação da Giselle Zambiazzi, que compartilhou uma série de receitas bem práticas, simples e eficientes. Vejam o que ela disse:

“Em dezembro fiz um minicurso num encontro de permacultura que ensinou várias receititas rápidas para fazer tudo em casa. Bem, ensinamento número 1: bicarbonato de sódio é o segredo pra tudo. Ele serve pra quase tudo o que a gente precisa. Só precisa saber dosar pra equilibrar com as necessidades do seu corpo, teu PH, tua oleosidade, etc. e isso se descobre ao longo do uso e da experimentação. Vou escrever ali embaixo as receitas-base e o resto pode ir adaptando.

Xampu: Água, bicarbonato de sódio numa proporção a 10%. Aham… é só isso. Aí (ideia minha) dá pra acrescentar coisas como um chá que tenha a ver com a necessidade do seu cabelo seja pra dar cheirinho ou pra equilibrar. Lembrando que a dosagem do bicarbonato será aumentada ou diminuída conforme seu corpo responder. Uso: passe a solução no seu cabelo e deixe agir enquanto lava as outras partes do seu corpo. Pode acrescentar pó de juá pra fazer espuma, se quiser.

Condicionador: 90ml de vinagre de maçã e 10ml de azeite de oliva. É legal acondicionar num vidro escuro pra não reagir com a luz, se for possível. E também é bom fazer pouco de cada vez pra não estragar.

Desodorante: 100ml de óleo de coco, 1 colher de chá de bicarbonato de sódio, cravo “a gosto”

Pó dental: 2 colheres de argila branca, uma colher de canela e uma colher de bicarbonado de sódio. Não molhe a escova. Encosta até ficar um tantinho grudadinho e esfrega, esfrega, esfrega. Não precisa enxaguar se não quiser. Cuidado com a reação que algumas pessoas acabam tendo o esmalte prejudicado. É preciso ir equilibrando as dosagens, não esfregar com força, usar escova macia. Dá pra acrescentar hortelã na mistura. Essa dica é minha: óleo de girassol é um potentíssimo antisséptico bucal. Faz um bochecho diário de 10 a 15 minutos e cospe na privada porque ele sai contaminado. Eu já usei e mais do que recomendo. Chá de arruda (bochecho) é poderoso também pra limpar a boca e combater mau hálito.

Esfoliante facial e corporal: pó de café. Aquele que você usou para fazer seu cafezinho matinal, sabe? Então… pega ele e mistura com mel. Mistura uma proporção que fique uma bolinha, uma massinha, Pronto. É só passar, deixar agir um pouco e lavar.

Enxaguante bucal: vinagre de maçã, cravo e canela. Pode ser usado depois da escovação com a argila branca.”

E olha a dica da Danusia Peterle:

“Desodorante utilizo “leite de magnésia”, super fácil colocar na embalagem roll-on de qualquer outro desodorante (higienizando bem esses frascos)”

A Luciane Martins Monteiro compartilhou essa receita de Sabonete caseiro de alecrim:

INGREDIENTES

300 mL de azeite de oliva
175 mL de óleo de coco
120 mL de água
60 g de soda cáustica 99%
1 colher (sopa) de argila verde
Meia colher (sopa) de espirulina
1 colher (sopa) de farelo de aveia
30 gotas de óleo essencial de alecrim

MODO DE PREPARO

1. Em uma panela, misture o azeite de oliva e o óleo de coco, em fogo baixo.
Despeje os 120 mL de água de em uma tigela de vidro e coloque dentro da pia.
Vá acrescentando aos poucos os cristais de soda cáustica, até que se dissolvam.
Ao manejar a soda cáustica, use luvas, máscara e avental.
Deixe esfriar.
2. Com cuidado e devagar, despeje a mistura de soda cáustica e água na panela com o azeite e o óleo de coco.
Mexa bem.
Depois, bata com um fouet (batedor de arame/ batedor de clara em neve) por 20 segundos.
A consistência deve ser similar à de uma calda.
Junte a argila verde, a espirulina, o farelo de aveia e o óleo essencial de alecrim.
3. Coloque a mistura em um fôrma no formato de tabuleiro (23 cm) untada com azeite.
Cubra com azeite e deixe descansar por 24 horas.
Quando ainda estiver um pouco mole, corte em retângulos.
Mas não toque nos sabonetes! Faça isso com luvas!
Deixe secar e endurecer por completo.
O tempo para que isso ocorra deve ficar em torno de quatro semanas.
Esta receita rende uns 16 sabonetes.

Gandha Ocque, do Pura Chuva, complementa com uma informação importante:
“…mexer com hidróxido de sódio (soda) requer muito cuidado e responsabilidade, hoje existem cursos de saboaria natural que ensinam como fazer todo o procedimento em detalhes, indico o site do akira para a pessoa conhecer bem o que significa isso, porque poucos conhecem a saboaria natural, a maioria apenas conhece os sabonetes artesanais feitos de bases prontas.. por exemplo, fazer sabão de óleo usado é muito perigoso, cada óleo tem seu índice de saponificação,não pode usar óleo de fritura de carnes, é química pura e requer bastante pesquisa.
Ah e não precisa aquecer os óleos na panela, se a receita estiver certa, vai dar certo fazendo tudo à temperatura ambiente. Imagina se a pessoa aquece demais esses óleos e resolve colocar o mixer em toda essa mistura super quente?”
  • IMPORTANTE: Antes de testar esta e outras receitas aqui apresentadas, informe-se sobre boas práticas de produção de sabonetes naturais e demais produtos de higiene. Existem vários cursos de tempos em tempos, certamente algum em uma cidade ou bairro próximos a você.

Ficam também as dicas de algumas marcas de produtos orgânicos, veganos e/ou biodinâmicos a se buscar e avaliar o custo-benefício:

Ainda, para complementar, a dica do Vinicius Braz Rocha:

“Entre tantos links & receitas de como desprogramar, se desintoxicar da gigantesca variedade de poluentes & poluidores produtos industriais de consumo, vale conferir o canal “zero waste home” da Bea Johnson: https://www.youtube.com/user/ZeroWasteHome

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E não deixe de passar pelo blog da Cristal, o Um Ano Sem Lixo, para uma inspiração profunda. Esse assunto, o do consumo responsável e da produção mínima de resíduos, vai virar uma postagem em breve.

Se você tiver alguma receita caseira, alguma marca, produto ou loja para recomendar e gostaria de ver adicionada à próxima versão do Guia de Receitas Caseiras e Produtos de Higiene Naturais, envie as Sugestões ou Receitas pelo formulário um pouco mais abaixo.

Todo o trabalho de criação do Guia será voluntário, mas contribuições de toda sorte são bem-vindas! Se você for produtor ou distribuidor de produtos de higiene natural e quiser enviar alguma de suas criações ou produtos que comercializa como cortesia, nós certamente usaremos e ficaremos muito gratos!

Se, por outro lado, o guia que está sendo criado lhe ajudar a encontrar aquilo que busca, em breve poderás retribuir através de um sistema de micromecenato que estou bolando para ajudar este que vos fala a criar pequenas (f)(in)utilidades para seu dia-a-dia. Espero poder contar com você!





Formulário de Contato para o “Guia Definitivo das Receitas Caseiras e Produtos de Higiene Naturais

Cooperativa de Compras Coletivas da Coolmeia

ccccEstando com frequência em Santa Maria, descobri ao falar com o Eduardo Luft que por aqui estão começando o processo de criação de uma Cooperativa de Compras Coletivas, mais ou menos nos mesmos moldes que iríamos desenvolver no Favo Araranguá da Coolmeia.

Ainda não participei de nenhuma reunião presencial com o grupo que está organizando a Associação por aqui, mas resolvi resgatar, lá da Rede Social Cooperativa da Coolmeia o documento que registra alguns apontamentos da CCCC – Cooperativa de Compras Coletivas da Coolmeia.

Como iria funcionar:

O foco inicial da Cooperativa é a compra de produtos alimentícios em formato “a granel” com 3 objetivos principais:

1. Ecológico/Ambiental: para reduzir a utilização excessiva de embalagens plásticas e de todos os tipos que recebemos quando compramos os produtos nos supermercados

2. Econômico: para se beneficiar da economia individual e familiar quando se compra produtos em grandes quantidades, direto dos distribuidores. A estimativa de redução de preço é de 30-40%.

3. Educativo/Pedagógico: a experiência de fazer parte de uma cooperativa e decidir coletivamente sobre como esta deve funcionar acende a noção de co-responsabilidade que todos devemos ter para com os recursos existentes, quer sejam eles domésticos, locais ou globais. No processo, questiona-se o próprio consumo e questões como valor-de-uso X valor-de-mercado.

Etapas necessárias:

1. Definição das pessoas interessadas

2. Busca e seleção da Cesta de Produtos iniciais

3. Busca e seleção de fornecedores, seguindo os critérios:

– produtos orgânicos/de agricultura familiar

– produtos produzidos à menor distância possível da cidade-sede da Associação

– produtos de qualidade

– produtos baratos

(podemos criar um índice para selecionar os produtos que nos satisfaçam, que satisfaçam a todos)

4. Definir um local de entrega dos produtos, que será o ponto de encontro para dividi-los nas porções individuais

– Em uma fase inicial, pode ser a casa de alguém, e um dia da semana escolhido para a partilha (já que nessa fase tudo será voluntário)

– Em um segundo momento (ou desde o princí­pio) pode-se adicionar um pequeno valor percentual adicional sobre a compra para poder alugar um espaço físico e/ou contratar uma pessoa para ficar neste local em certos dias da semana para partilhar os produtos. Ou idealmente, podemos alugar/escolher um local e fazer uma escala entre os próprios cooperados para cuidar do local, mantendo um livro de controle de estoque detalhado, onde se anota que produto foi para quem, de acordo com critérios pré-estabelecidos

5. Formalização da Cooperativa

6. Criação de algo como o “Supermercado do Povo” -(http://www.thepeoplessupermarket.org/) – em que as pessoas fazem parte do supermercado, podendo trabalhar em troca de alimentos

Este é apenas um esboço inicial de um modelo que pode ser experimentado localmente e replicado em outras comunidades, caso seja bem sucedido.

Da mesma forma, a Cooperativa de Compras Coletivas pode, a partir de certo ponto:

1. Estabelecer uma demanda fixa de certos produtos e estimular produtores locais a produzirem estes alimentos, evitando que os mesmos percorram longas distâncias para chegar até aqui (Agricultura Suportada pela Comunidade)

2. Passar a realizar compras coletivas de bens duráveis, que sejam interessantes para a comunidade ou para os indivíduos componentes da Cooperativa

3. Criar um Fundo de Suporte Alimentar, com um valor percentual das compras coletivas, visando beneficiar pessoas em risco da comunidade, como crianças, idosos, moradores de rua e outras pessoas necessitadas.

Quem quiser se juntar ao processo de co-criação da Cooperativa de Compras Coletivas (ou nome a ser definido) em Santa Maria (tanto como produtor ou como consumidor, preencha os dados abaixo e entraremos em contato para informar das próximas reuniões).

Se você deseja criar uma Cooperativa de Compras Coletivas em sua localidade, mas não sabe por onde começar, entre em contato também! Vamos trocar figurinhas e ajudá-lo a revisar o passo-a-passo necessário para criar tua Cooperativa e gerar acesso a alimentos saudáveis e orgânicos em tua comunidade.

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GoodFood – Mapeamento da Comida Boa no Brasil

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Good Food é um portal que tem por objetivo mapear de forma colaborativa, com ajuda dos usuários, locais em que são produzidos, distribuídos, comercializados e servidos alimentos que podem ser chamados de “boa comida”, ou seja: produtos sem agrotóxicos, orgânicos, da agricultura familiar, de pequenos produtores e distribuidores, de pequenas cooperativas, restaurantes veganos e vegetarianos, produtos locais e locávoros.

 

O portal irá dispor de um sistema de revisão e qualificação, permitindo que usuários dêem notas sobre a qualidade dos produtos ofertados, permitindo uma avaliação continuada do estabelecimento e dos alimentos. Aqueles que reiteradamente forem denunciados e as denúncias confirmadas, serão retirados do catálogo.

A ideia é mapear desde fazendas de orgânicos, pequenos agricultores familiares orgânicos, restaurantes orgânicos, veganos e vegetarianos, sistemas de agricultura suportada pela comunidade, armazéns e feiras com venda de produtos saudáveis, Sistemas de compras coletivas,  comida feita localmente, de forma sustentável, livre de agrotóxicos, respeitando economicamente as pessoas que estão produzindo…

Essa ideia já foi discutida em um encontro no Ágora.cc em 9 de outubro de 2012, porém não houve força e colaboração suficientes para que saísse do mundo das ideias.

Algumas referências inspiradoras de várias etapas do processo:

Talvez, com tantas soluções complementares disponíveis, o que falte mesmo é uma que simplifique todo o processo e disponibilize, em um local só (um app, por exemplo), todas as informações necessárias de acordo com o nível de exigência do usuário.

Quem desejar apenas localizar na região em que se encontra um alimento que pode ser considerado “boa comida” pelos critérios padrão do site, encontrará. Quem desejar ir mais a fundo e buscar toda a cadeia produtiva do alimento, poderá refinar a busca e verificar inclusive (estando disponível esta informação, por parte do produtor/distribuidor) se o alimento foi trazido ao consumidor através de uma cadeia de comércio justo, sem uso de trabalho infantil ou escravo, por exemplo.

Agora, para tornar esta iniciativa ainda melhor, preciso que você, que leu até o final e chegou até aqui, colabore com algum Comentário ou Sugestão. Se quiser enviá-lo de forma privada ou deseja participar do Grupo de Trabalho do Good Food (GTGF) use o formulário imediatamente abaixo.

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Se quiser enviar de forma pública, use o sistema de comentários logo abaixo.

Seja sempre bem-vindo ao meu blog, fique à vontade para navegar em outros artigos e páginas do site, bem como em visitar e Curtir minha página no Facebook, em https://www.facebook.com/rreinehr/. É com seus insights e opiniões que vamos lapidando e aprimorando as ideias cruas que por aqui são apresentadas, cooperando, juntos, para criação de um outro mundo, melhor para todos.

 

Comida Livre – Mapa dos Alimentos Livres do Mundo

A ideia do Comida Livre nunca foi muito humilde não: tínhamos, Arthur e eu, pensando em criar um mapa que pudesse mapear desde novas mudas de árvores plantadas em ambientes urbanos (ou, porque não, rurais), mas também e principalmente, mapear hortas coletivas, hortas comunitárias, hortos medicinais, PANCs (Plantas Alimentícias Não Convencionais), locais em que fossem jogadas bombas de sementes e pontos de descarte de alimentos não comercializados.

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Esse portal seria tão mais importante quanto fosse se tornando mais difícil o acesso ao alimento. Hoje, apesar de todas as críticas que temos à sociedade industrial, ainda se consegue comida de forma suficiente em um país como o nosso, Brasil. Com a escassez do petróleo, o aumento dos custos de produção e distribuição dos alimentos que se seguirá nas próximas décadas, o acesso a alimentos de qualidade irá se tornar mais e mais difícil.

Mapear a Comida Livre, em primeiro lugar por uma questão de locavorismo e de soberania alimentar, mas também para defender a permanência e a existência de árvores e espaços que produzem os alimentos localmente em nossas cidades vai se tornar uma questão de “advocacia”, quando os mecanismos repressivos neofascistas começarem a ampliar seu controle para cima desse tipo de alimento que, inevitavelmente, tentará ser proibido nos anos que virão. Na Espanha, ao invés de incentivar a  produção de energia a partir do Sol, as pessoas são taxadas e desincentivadas a fazê-lo, em alguns estados dos EUA, é proibido coletar água da chuva, na Nova Zelândia, é proibido cultivar verduras e legumes em seu próprio jardim… E é só o começo.

Então, fique atentx! E aceite meu convite: visite o Comida Livre e mapeie tudo que for alimentício perto de onde você mora, estuda, trabalha. E monitore a continuidade desse alimento livre na sua cidade, além de incentivar o surgimento de mais hortos medicinais e hortas coletivas, bem como pequenas sacadas e até vasos ou latas comestíveis!

E Compartilhe essa ideia!

Tudoteca: um Espaço de Convivência, Compartilhamento e Cooperação

Imagine se você não precisasse mais se preocupar em trabalhar para juntar dinheiro para comprar coisas, e você as tivesse à sua disposição, quando precisasse, próximo da sua casa, pelo tempo que você precisar, a uma fração do custo de adquiri-la. E, mesmo que você não tivesse dinheiro, você também pudesse usufruir destas “coisas” que você necessita?

Então, isso já é possível, dentro do conceito de Tudoteca.

A Tudoteca é uma ideia que tive lá pelos idos de 2007-2008 e foi inspirada em dois conceitos: o de Cohousing (que também me inspirou a criar a Coolmeia, naqueles anos) e o conceito de Tool Library, que vim a conhecer lá por 2011-12, e ajudou a aperfeiçoar o modelo da Tudoteca.

Bem, e o que é exatamente, para quê serve e como funciona essa tal de Tudoteca? Explico. Pega um café, suco, água, mate gelado ou um chimarrão e presta atenção vivente, que a história é boa de se ouvir!

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In Boulder, Colorado the Tool Library looks much like a hardware store and even rents out tools to contractors to help subsidize rental costs and membership fees for the general public.

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Imagine um lugar no qual você possa pegar emprestado “quase” qualquer utensílio de uso eventual para sua casa, local de trabalho, viagem, festa… Um local no qual estariam disponíveis para empréstimo desde ferramentas de uso eventual como furadeiras, serras elétricas, escadas de vários tamanhos, aspiradores de pó, lava-jatos portáteis, ferramentas de mão como martelos, serrotes, chaves de fenda, de boca, alicates, tornos… Além disso você poderia pegar emprestado louças, talheres, copos e toalhas de mesa para aquela festa de formatura do seu filho ou aniversário da sua filha (que se fossem alugados custariam os olhos da cara!)… E você também poderia pegar emprestados livros, revistas, CDs, DVDs, roupas, um freezer, frigobar, chaleiras, liquidificadores, microondas, forno elétrico, batedeira, panificadora… Quer acampar? Para quê comprar se você pode pegar emprestada uma barraca, lanterna, uma churrasqueira portátil, um par de rádio-transmissores de longo alcance, varas de pescar…

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Padarias-comunitarias

Nesse mesmo espaço, encontraríamos também uma padaria comunitária, na qual os membros do coletivo que irá autogerir a Tudoteca se revezariam na produção, distribuição e eventual comercialização do excedente lá produzido. Poderíamos também ter um refeitório ou restaurante comunitário, que ofereceria refeições produzidas com alimentos orgânicos produzidos por pequenos agricultores das redondezas. O mesmo sistema de rodízio e escala de trabalho aqui também se aplicaria. E que tal um café funcionando no mesmo espaço, o dia inteiro, para quem está de passagem e quer encontrar um amigo enquanto lê um livro ou escuta uma música na vitrola que está à disposição dos associados?

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instrumentos-musicais

lavanderia-coletiva-wise-blog-do-parlare

E se, além disso, na Tudoteca também tivesse uma lavanderia coletiva, em que as máquinas pudessem ser usadas em troca de alguns “pontos de crédito” dos associados? E, ainda mais, se tivéssemos uma pequena Brinquedoteca para as crianças poderem se divertir enquanto os pais trabalham ou circulam pela Tudoteca?

brinquedoteca

Não seria macanudo tudo isso num mesmo lugar, agradável, aconchegante e efervescente cultural e socialmente, recebendo vez ou outra oficinas, seminários, rodas de conversa, encontros de aprendizagem informais, apresentações musicais e artísticas, saraus, cineclubes, fotoclubes, green drinks, pecha kucha nights, stand ups?

E o mais legal de tudo isso: poderia participar quem tem grana, quem tem coisas sobrando e mesmo quem não tem grana nenhuma, só um pouco de tempo para trocar. Como assim? Explico:

Tudoteca, para se tornar sustentável, funcionaria como uma associação horizontal e autogerida.

Opção 1: Se você tem grana, você paga digamos 39,90 ao mês por 300 créditos, 59,90 por mês por 500 créditos ou 79,90 por mês por 800 créditos e pode trocar estes créditos por X dias dos produtos W, Y e Z que você precisa naquele mês. Se não quer pagar mensalidade, você pode se associar e, por cada 1 real você comprar 5 créditos para poder emprestar algum bem ou serviço determinado (digamos que você só está na Tudoteca pelo maravilhoso pão de arroz integral sem glúten que a Daiane faz…)

Opção 2: Se você não tem grana, mas tem “coisas” que estão paradas na sua casa, você pode doar estas coisas para a Tudoteca – por exemplo uma parafusadeira, uma guitarra e um amplificador que você não toca mais, um jogo Banco Imobiliário e 2 decks de Super Trunfo e um secador de cabelo que sua ex-namorada esqueceu no seu apartamento – e em troca delas, você ganha créditos e passa a usá-los para emprestar coisas das quais você realmente precisa.

Opção 3: Tá! Mas eu não tenho grana e também não tenho nada para doar. Sou um estudante universitário pé-rapado, sou morador de rua, tenho um emprego que mal dá pra sustentar minha família. E agora. Preciso de uma furadeira só por um dia pra consertar algumas coisas lá em casa. Neste caso, você pode oferecer algo que todos seres vivos (enquanto vivos) temos: tempo! Você pode oferecer um sábado pela manhã da sua vida para ajudar a alcançar os objetos para quem for na Tudoteca pegá-los, pode ajudar na padaria ou no restaurante comunitários, pode ajudar na limpeza, buscando nossos hortifrutigranjeiros orgânicos ou mesmo cuidando das crianças na Brinquedoteca. Em troca do seu tempo, você ganha os créditos que você vai trocar pelo que você quiser. Sempre que eles acabarem, não tem problema: só oferecer o seu tempo novamente!

Ei, mas espera aí! Vai ter gente trabalhando na Tudoteca em troca de créditos e depois vai vender por fora para ganhar uns trocos. Mercado Negro! Pode isso? Sabe que só pensei nisso agora, nesse exato instante? Eu, Rafael, não vejo problema nisso. Mas e o resto das pessoas do coletivo, o que pensam? Acho que esse é um dos assuntos que deve ser deliberado coletivamente, bem como outros detalhes que devem ser registrados em uma Carta de Princípio e em uma Bases da Unidade (que também podemos chamar de Termos de Uso) da Tudoteca.

Tá, e essa grana que vai entrar na Tudoteca, pra quê serve? Vai enriquecer alguém? Nããão! O dinheiro que entrar será usado em parte para consertar e repor equipamentos, peças e ampliar o acervo de bens e serviços da Tudoteca, uma parte será reservada na forma de um Fundo de Emergência para os Associados, em caso de catástrofes naturais ou épocas de crise (estão vendo as nuvens negras da tempestade se aproximando no horizonte?) e uma parte será reservada para um Fundo de Multiplicação de Tudotecas, para criar a Tudoteca 2, a Tudoteca 3, a Tudoteca 4 e assim por diante, nas comunidades que forem se apresentando e demonstrando desejo de possuir uma na vizinhança.

E aí? Gostou da ideia? Supimpa né? Valeu, obrigado! Também acho! 🙂

Ah! tem outras ideias que já foram desenvolvidas pensando na expansão e no “espalhamento” de Tudotecas por todos os cantos do Brasil e do Mundo.

Quer saber quais são elas e fazer parte do time que vai planejar a instalação da primeira Tudoteca no Brasil? Coloca teu nome e e-mail aí embaixo que entramos em contato!

Agora, se você se empolgou de verdade e quer fazer parte do time que vai fazer as Tudotecas se espalharem pelo mundo, vá direto para o nosso Mapeamento de Ativos e Necessidades e apresente-se!

 

O Plano das Bicicletas Violetas – Qual é o plano?

O plano é reproduzir em Araranguá o Plano das Bicicletas Brancas, desenvolvido originalmente por Luud Schimmelpennink em 1964, em Amsterdam. A ideia de Ludd era distribuir 20 mil bicicletas pela cidade para melhorar o trânsito caótico da cidade holandesa, mas isso foi negado pelas autoridades. Não se dando por vencido, Ludd e seus parceiros do coletivo PROVOS pintaram 50 bicicletas de branco e as distribuiram pela cidade, e qualquer pessoa poderia pegá-la, utilizá-las e depois devolvê-las.

Nossa ideia é fazer o mesmo, distribuindo uma série de 50 bicicletas que receberíamos a partir de doações e, sob os cuidados da rede Coolmeia, Ideias em Cooperação, e com apoio da iniciativa privada, comércio e indústria da cidade, reformaremos estas bicicletas pintando-as de violeta. Ao mesmo tempo, realizaremos uma campanha educativa em nosso município, mostrando que é possível experienciar situações em que os objetos de uso diário podem ser bens comuns, podem ser de todos e de ninguém ao mesmo tempo.

Este projeto traz consigo uma série de benefícios, tanto para os cidadãos araranguaenses quanto para a cidade como um todo:

1. Melhora da saúde do cidadão:

– diretamente, pela atividade física (atividade física científicamente reduz os níveis de colesterol, triglicerídeos, pressão alta, diabetes e o índice de doenças cardiovasculares como infartos e derrames, por exemplo.), além de reduzir a recorrência de depressão;

– indiretamente, pela redução da poluição ambiental que acontece quando se utiliza menos o automóvel como meio de transporte e mais um veículo de mobilidade auto-propelida como a bicicleta

2. Economia para os cofres públicos

Imagina-se que estimular o uso de bicicletas pode gerar uma economia gigantesca com gastos na área da saúde. Estima-se que para cada 1 real gasto em mudar o hábito dos cidadãos de uma transporte motorizado para um cicloativado, se economizariam 280 reais em gastos de saúde, desde medicamentos até internações hospitalares e dias ausentes do trabalho. (Na França, o governo está lançando o Plano Nacional da bicicleta, e vai subsidiar as empresas cujos funcionários vierem trabalhar de bicicleta. Cada funcionário ganhará 21 centavos de euro por km rodado. Foi calculado um gasto de 20 milhões no subsídio e uma economia de 5,6 bilhões em gastos na área da saúde – http://brasil.elpais.com/brasil/2013/12/27/sociedad/1388172257_849294.html )

Neste momento, precisamos reunir a sociedade civil para nos ajudar com as seguintes necessidades:

1 – 50 bicicletas, novas ou usadas, em bom estado de funcionamento

2 – Uma ou mais pessoas com entendimento em conserto e reforma de bicicletas

3 – Uma ou mais pessoas com conhecimento em pintura de bicicletas

4 – Tintas específicas para pintura de bicicletas + pintura dos raios + lateral dos pneus

5 – Auxílio na divulgação do projeto, em todas suas etapas, desde a inicial (de captação de recursos) até a etapa de lançamento e manutenção da ideia

5.1 – design gráfico de material de divulgação para as campanhas 

5.2 – criação de um hotsite para informar sobre O Plano

5.3 – criação de um spot de áudio para divulgar O Plano

5.4 – criação de um vídeo informativo sobre O Plano

6 – Comunicação aos poderes governamentais

7 – Bicicletas às ruas

8 – Registro na forma de um documentário sobre todo o processo (opcional)

Nosso cronograma é o seguinte:

Janeiro a Março de 2014 – itens 1, 2, 3 e 4

Fevereiro a Abril de 2014 – itens 5 e 6

Maio em diante – item 7

(o documentário poderá ocorrer durante todo o processo – serão registradas imagens em fotos, vídeos e registros de áudio e textos da imprensa local)

Um pequeno auxílio financeiro também é muito bem-vindo, para ajudar a cobrir os custos de alimentação das reuniões e mutirões para pintura e consertos das bicicletas, para compra de pães, frutas, geléias e café. Todos os valores doados serão tornados públicos de forma a manter a transparência d'O Plano das Bicicletas Violetas.

Agora é com você: com o que te sentes chamado a ajudar?

 

Assinam: membros do Favo Araranguá da Coolmeia, Ideias em Cooperação

 

(artigo original em http://net.coolmeia.org/pages/view/17757/o-plano-das-bicicletas-violetas-qual-e-o-plano

faça parte do grupo de trabalho do projeto em http://net.coolmeia.org/groups/profile/17314/o-plano-das-bicicletas-violetas

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Sobre minha “saída” da Coolmeia

Amigos, gostaria de comunicar minha “saída” da Coolmeia.

Pelos próximos 2 meses a 3 meses, estarei deixando de participar ativamente das atividades da nossa rede, retirando-me para um período sabático. Um período em que espero refletir sobre nosso trabalho – tanto como seres individuais como coletivos, pertencentes a uma pequena rede mas também um teia muito maior de indivíduos e forças -, sobre nossas intenções, sobre nossas esperanças, caminhos e resultados.

Tenho acompanhado de perto uma série de movimentos contemporâneos, tenho revisitado alguns movimentos historicamente relevantes que discutem democracia, participação, colaboração, liberdade, autonomia, vida em sociedade, igualdade, justiça social e, de repente, senti uma necessidade de sintetizar um pouco da minha experiência e os estímulos que tenho recebido, de todas as frontes, nestes últimos anos como ativista social.

Espero, assim, conseguir trazer um pouco de ordem para meus pensamentos e, muito mais do que ideias, espero poder vir carregado de flores para ajudar a enfeitar o caminho que temos construído juntos.

Continuarei, entretanto, dando suporte às ferramentas de interação da rede e também fazendo alguns trabalhos “automáticos” de divulgação interna e manutenção estrutural, sem entretanto dedicar várias horas por semana à rede.

Nem preciso dizer o quão angustiado me sinto com esta decisão, pois deposito grande esperança nas pessoas que compõe esta rede. Temos seres humanos incríveis fazendo parte da Coolmeia. Por enquanto, ainda não achamos, aqui, uma via pela qual possamos colaborar mais ativamente e deixar fortes e claras pegadas para que outros possam seguir. Mas não consigo deixar de ver que temos um potencial incrível de ajudar a promover a mudança de que precisamos em direção a um mundo mais convivial, cooperativo, sustentável e resiliente.

A quem ainda não leu, recomendo fortemente a leitura: http://www.coolmeia.org/pdf/Coolmeia-v1.0.pdf (pelo menos as primeiras 16 páginas – cerca de 15-20 minutos de leitura)

E a todo momento, precisamos lembrar que a Coolmeia não deve buscar apenas produzir soluções PARA as pessoas. A Coolmeia deve construir soluções COM as pessoas e mostrar que, mesmo que não possamos mudar este mundo, pelo menos podemos construir outro. E como disse, há muitos anos, o gênio Buckminster Fuller:

Você nunca muda a realidade lutando contra ela. Para mudar algo você cria um novo modelo que torna o modelo existente obsoleto.

Desejo aos amigos que seguem navegando um ótimo tempo aqui e em suas vidas pessoais. Nos falamos logo mais.


Rafael Reinehr
Coolmeia, Ideias em Cooperação
Uma incubadora de ideias e soluções altruístas
http://coolmeia.org/bemcomum

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