Cradle to Cradle – Remaking the Way We Make Things

Posted By Rafael Reinehr on abr 9, 2009 | 7 comments


“A Natureza não tem um problema de design. As pessoas tem.”

Cradle to Cradle Berço à Berço

Recebi há alguns dias o livro Cradle to Cradle – Remaking the Way We Make Things (Berço à Berço – Refazendo a Forma que Fazemos as Coisas), de William McDonough & Michael Braungart. Nele, o arquiteto Bill e o químico Michael apresentam uma renovada visão acerca do manejo industrial, reutilização de “lixo” e a implicação de um novo “design” de produtos no futuro de nosso planeta e modo de viver.

O livro começa com uma bela dedicatória:

“A nossas famílias e a todas as crianças de todas as espécies em todos os tempos”, demonstrando de cada a que veio e qual sua sustentação: um respeito a todos os seres vivos de nosso mundo.
Feito em um novo material chamado Durabook, o livro é a prova de água, altamente durável, não é feito de árvores e reciclável. A primeira impressão que tive é: “Bem, então deve ser feito de algum derivado tóxico do petróleo”. A leitura do livro sugere que não.

Dê uma espiadela no Sol.
Olhe a Lua e as estrelas.
Vislumbre a beleza dos verdes da Terra.
Agora, pense.
Hildegard von Bingen

William, ainda estudante de arquitetura, acompanhou um professor ao Vale do Rio Jordão, e presenciou a engenhosidade das tendas feitas pelos beduínos a partir do pêlo de dromedários. Tais tendas eram capazes de fornecer sombra ao mesmo tempo que puxavam o ar quente para cima e para fora, proporcionando frescor ao seu habitante. Quando chovia, suas fibras se encharcavam e ficavam tensas como couro, protegendo da chuva. Eram fáceis de carregar e fáceis de reparar, sendo que o substrato para seu conserto andava juntamente com o bando nômade: os próprios dromedários. Um exemplo perfeito de design localmente relevante, culturalmente rico em contraste flagrante com os utilizados ao nosso redor, geralmente plenos de produtos tóxicos, ou que degradam a natureza ou que demandam altos gastos de energia.
Um dia, cansou-se de produzir prédios e produtos trabalhando pesado para “causar menos males”. Decidiu que era hora de utilizar seu conhecimento para desenhar produtos completamente “positivos”.

Michael, por sua vez, foi diretor do capítulo de química do Greenpeace e posteriormente fundou a EPEA (Agência de Encorajamento à Proteção Ambiental). Apesar de saber tudo sobre os componentes e potenciais efeitos danosos dos plastificadores, PVC, metais pesados e outros produtos utilizados na indústria – como o próprio Cromo utilizado na pigmentação do couro – sua visão analítica (e não sintética) lhe impedia de ter uma visão de abundância, criatividade, prosperidade e mudança do mundo.

Foi a partir do encontro de ambos em 1991 que a efervescência das ideias tomou seu lugar e iniciaram a desenhar em conjunto um mundo em que, ao invés do couro dos sapatos – imerso em crômio não passível de reaproveitamento – se desenvolvesse um produto confortável capaz de ser 100% reaproveitado; em um sistema em que produtos e embalagens possam ser queimados de forma segura sem a necessidade de fornos especiais que certamente liberam resíduos no ar; um mundo em que os carros fossem silenciosos, não gerassem nem poluição ambiental tampouco sonora, e assim por diante.

Este livro é o resultado de mais de uma década de descobertas e criações que agora são utilizadas por várias empresas ao redor do mundo. Uma série de exemplos que mostram do que o gênio humano é capaz quando o esforço é despreendido na direção correta.
Ao final do primeiro capítulo, os autores trazem uma comparação interessante, que traduzo aqui:

“Todas as formigas do planeta, tomadas juntas, tem uma biomassa maior que a dos humanos. Formigas tem sido incrivelmente industriais por milhões de anos. Ainda assim, sua produtividade alimenta plantas, animais e o solo. A indústria humana está em plena agitação há pouco mais de um século e mesmo assim já trouxe o declínio de praticamente todo ecossistema do planeta. A Natureza não tem um problema de design. As pessoas tem.”

Leitura recomendadíssima. Five stars out of five.

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7 Comments

  1. Correção
    O hábito do acento me pegou feio! rsrs

    Aqui vai o link sem acento: [url]www.revistaecologica.com[/url]

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  2. Matéria sobre Cradle-to-Cradle
    Olá eCoolmeicos,

    teremos um artigo sobre o Cradle-to-Cradle em nossa próxima edição, que também será dedicada ao XII FICA.

    Atualmente temos dois sites intelinkados da Revista ecoLÓGICA. o 1º está no campo próprio e o segundo é [url]www.revistaecológica.com[/url] que ainda está em fase de instalação e testes.

    Vamos estreitar laços?

    Abraços,

    Bosco

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  3. Cradle to cradle
    Rafael,
    Fiz o pedido do livro na Saraiva e, por enquanto, não chegou. Vi o documentario na TV Escola. Muito muito bom.
    Muita coisa pode ser feita para melhorar a casa de todos os seres vivos -Terra- .Precisamos ser mais determinados, porque o resultado é o bem comum.
    Tudo de bom.

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  4. Vi um documentario recentemente sobre a filosofia cradle to cradle e estou loucamente atras desse livro. Como voce adquirio esse livro? Ha uma versão em portugues?
    grato
    Pedro de Barba

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    • Cradle to Cradle
      Pedro, comprei este livro na Amazon (www.amazon.com). Não conheço versão em português mas quem sabe possamos traduzir este livro em conjunto em breve, via Coolmeia. Entretanto, precisaremos ampliar o número de participantes da rede para engrenar uma tradução de obra extensa como um livro.

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  5. vou atrás. Me interessei!

    pós-topic:
    RR, cada vez que comento aqui tenho que preencher os dados novamente. É pra ser assim mesmo?
    abç

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    • Esses softwéres…
      Ai, ai Guga, eu mesmo cadastrado no site tenho sempre que preencher os dados de website…

      Com o cadastro, pelo menosnão preciso preencher nem nome nem e-mail (tampouco preciso colocar aquelas letrinhas de segurança) mas, ainda assim, este sistema de comentários exige algum esforço.

      Post a Reply

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