Eu vivo em uma ilha


IlhaVocê já sentiu como se vivesse em uma ilha, mesmo cercado de pessoas e acontecimentos ao seu redor mas como se, mesmo assim, permanecesse isolado por um mar de ruído na sua comunicação com o mundo?

 

Por vezes, me sinto assim. Dialogar com pessoas burras sempre gera esta sensação. E pessoas burras na internet é o que mais há.

 

Participo de uma lista de discussão (na verdade mais escuto do que participo) chamada Blogosfera, onde se reúnem três ou quatro pessoas interessantes e uma multidão de semi-analfabetos, incapazes de compreender a diferença entre o zunido de uma cigarra e de uma abelha.

 

Desde já, quero colocar-me em minha devida posição: não estou fazendo uma análise “de cima” da situação. Tenho minhas limitações e as conheço razoavelmente. O que acontece é que, na referida lista – que na verdade é uma metáfora do mundo – um acúmulo grotesco de figuras arrogantes e com desejo de se passarem por pândegos dançam em círculos sobre seus umbigos e em torno de umbigos alheios sem, no entanto, produzir qualquer conteúdo original ou relevante.

 

Poderiam me dizer, então, “Qual é a tua mermão? Ficar malhando defunto e passando a mão por baixo da saia da viúva?”

 

IlhaVocê já sentiu como se vivesse em uma ilha, mesmo cercado de pessoas e acontecimentos ao seu redor mas como se, mesmo assim, permanecesse isolado por um mar de ruído na sua comunicação com o mundo?

 

Por vezes, me sinto assim. Dialogar com pessoas burras sempre gera esta sensação. E pessoas burras na internet é o que mais há.

 

Participo de uma lista de discussão (na verdade mais escuto do que participo) chamada Blogosfera, onde se reúnem três ou quatro pessoas interessantes e uma multidão de semi-analfabetos, incapazes de compreender a diferença entre o zunido de uma cigarra e de uma abelha.

 

Desde já, quero colocar-me em minha devida posição: não estou fazendo uma análise “de cima” da situação. Tenho minhas limitações e as conheço razoavelmente. O que acontece é que, na referida lista – que na verdade é uma metáfora do mundo – um acúmulo grotesco de figuras arrogantes e com desejo de se passarem por pândegos dançam em círculos sobre seus umbigos e em torno de umbigos alheios sem, no entanto, produzir qualquer conteúdo original ou relevante.

 

Poderiam me dizer, então, “Qual é a tua mermão? Ficar malhando defunto e passando a mão por baixo da saia da viúva?”

 

De forma alguma. A crise à qual me refiro talvez diga mais respeito à minha própria pessoa do que ao grupo em questão. Acho que não tenho mais paciência para ficar ouvindo (ou lendo) tanta bobagem. A velhice – que tarda mas não falha – se aproxima a passos de gigante. Logo, logo estarei com 32 peças de antiquário no armário e nenhuma grande colaboração para este planeta. Justo eu, que tanto apostava em mim mesmo...

 

Pelo menos, minha fase individualista passou. Hoje percebo que, para gerar grandes mudanças, precisamos de um grande esforço. Esforço tamanho que somente um par de bíceps, tríceps, deltóides, peitorais e esternocleidomastóideos não conseguem realizar.

 

Morar em uma ilha não é tão ruim. O pior, são os vizinhos das ilhas próximas que põe o som muito alto e não nos deixam ler em paz.

 

Deleuze, no final da vida, não mais assistia TV, tampouco lia jornais. Não conseguia, destes meios de comunicação, sugar qualquer informação que pudesse lhe ser importante para a vida. Ultimamente, estou assim em relação à internet brasileira. Mas sei que existem oásis no meio deste deserto. Ouço falar. Como bom desbravador, começarei a buscar. A cada oásis encontrado, como sinal de afeição e honraria, uma estaca embandeirada será fincada para melhor reencontrar este espaço de repouso e deleite para o espírito.

 

Ah, quer saber? Estou ficando velho e chato ou o quê? Esta impaciência com as “bobagens de sempre” tem fundamento? Vou me fazer estas e outras perguntas logo mais, durante o aniversário da Doris; perguntas recalcitrantes regadas a churrasco e cerveja.

 

E amanhã, me aguardem: torneio de tênis no Criciúma Clube. Primeiro jogo às 8 da manhã. Se ganhar, vou adiante, se perder, volto pra casa. Amanhã também é dia de pegar minha roupa de casamento e dar uma olhada em um Opala 6 canecos. Será que levo algum caneco pra casa?



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Comentários  

 
0 #3 ALBERTO 22-03-2008 18:03
Amigo, concordo contigo no que se refere ao vazio momentâneo da vida, lápsos de indignação, introspecção cultural. O mundo é feio, cruel e mesquinho. Observamos a imbecilidade desmedida das pessoas quando destroem, poluem, agridem a natureza de qualquer espécie. Este ser humano infeliz de que falo, está em todo lugar, é um virus, uma energia ruim, sei lá. As pessoas legais ao meu ver, digo aquelas que acrescentam algo em nossa vida e não apenas as que nos fazem sorrir, são seres anônimos, tem dificuldades com as palavras bonitas e bem colocadas, guardam o melhor de si à sombra do seu silêncio interior. São egoístas e por vezes tristes. Que mundo é este que não nos oportuniza viver em toda a sua plenitude, que nos obriga a criar escudos, que nos coloca quase que na defensiva, que nos assusta. A grande realidade é que já nascemos inimigos de alguém e a oportunidade faz o confronto. ;-)
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0 #2 Solange Ayres 19-03-2008 00:54
Rafael, hoje resolvi visitar alguns blogs, coisa que a muito nao fazia por absoluta falta de tempo e aquí estou, digo surpresa com o seu ácido desabafo. Eu ja passei por várias fases e acho que um dia vou fazer como Deleuse ou os meus amigos Berzé, que mudou para o interior e nao tem televisao e casa nem internet e outro amigo meu o Fargas também esta quase chegando la de chutar o compudador e esta de saco cheio do mundo virtual. Um dia vou tirar também o plug da tomada. Conectar ou desconectar eis a questao. Ja ouvi dizer que a surdez e a falta de visao na velhice nao sao tao ruins assim: a gente deixa de ver e de ouvir certas coisas...
Espero que voce tenha ganho o jogo e volte cheio de betas-endorfinas para o mundo virtual, elas(as betas) sao fundamentais.
Solange :-x
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0 #1 Solange Ayres 19-03-2008 00:54
Rafael, hoje resolvi visitar alguns blogs, coisa que a muito nao fazia por absoluta falta de tempo e aquí estou, digo surpresa com o seu ácido desabafo. Eu ja passei por várias fases e acho que um dia vou fazer como Deleuse ou os meus amigos Berzé, que mudou para o interior e nao tem televisao e casa nem internet e outro amigo meu o Fargas também esta quase chegando la de chutar o compudador e esta de saco cheio do mundo virtual. Um dia vou tirar também o plug da tomada. Conectar ou desconectar eis a questao. Ja ouvi dizer que a surdez e a falta de visao na velhice nao sao tao ruins assim: a gente deixa de ver e de ouvir certas coisas...
Espero que voce tenha ganho o jogo e volte cheio de betas-endorfinas para o mundo virtual, elas(as betas) sao fundamentais.
Solange :-x
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rafael-reinehr160Rafael Reinehr é médico endocrinologista, mas seus olhos vasculham o horizonte em busca de soluções para criar um Mundo Melhor através de iniciativas como a Coolmeia, Ideias em Cooperação.

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