De sopros e cata-ventos

By Rafael Reinehr | Quase Filosofia

Nov 14

    Existem momentos na vida em que tudo parece parar. Um deles é quando estamos fazendo tantas coisas que estamos só fazendo isso: "fazendo". Fazer sem sentir, no automático, nos aproxima das máquinas, nos afasta da humanidade.
    Hoje, indo à Santo Antônio da Patrulha, passei por uma estação de geração de energia eólica que tem lá pelas bandas de Osório. Pela primeira vez – e já passo por ali há anos, vi alguns de seus cata-ventos – como minha esposa e eu costumamos chamar (e é isso que são, sem dúvida) – com as pás completamente inertes. Paradas, imóveis. Fiquei olhando para aquilo meio surpreso, meio pensativo, meio confuso. Refleti: a Natureza tem seus meios de promover o descanso de suas engrenangens. Em todas os níveis, exceto talvez no humano, a Natureza intercala ciclos de trabalho e descanso para os seres vivos e inanimados. É assim com o vento, deveria ser assim para nós, humanos.

    Existem momentos na vida em que tudo parece parar. Um deles é quando estamos fazendo tantas coisas que estamos só fazendo isso: "fazendo". Fazer sem sentir, no automático, nos aproxima das máquinas, nos afasta da humanidade.
    Hoje, indo à Santo Antônio da Patrulha, passei por uma estação de geração de energia eólica que tem lá pelas bandas de Osório. Pela primeira vez – e já passo por ali há anos, vi alguns de seus cata-ventos – como minha esposa e eu costumamos chamar (e é isso que são, sem dúvida) – com as pás completamente inertes. Paradas, imóveis. Fiquei olhando para aquilo meio surpreso, meio pensativo, meio confuso. Refleti: a Natureza tem seus meios de promover o descanso de suas engrenangens. Em todas os níveis, exceto talvez no humano, a Natureza intercala ciclos de trabalho e descanso para os seres vivos e inanimados. É assim com o vento, deveria ser assim para nós, humanos.
    E quantos de nós não temos – ou não nos damos o – tempo para repousar nosso corpo e espírito. Como nossas metas materiais, nossos delírios de consumo, nossa ilusão de ter…
    É possível ensinar a uma criança a sair desta roda-viva? É possível, no seio do lar, impedir que o estímulo nocivo da escola tradicional com seus meninos e meninas hipertecnologizados, consumidores de marcas, gorduras e modismos influenciem nossos filhos, filhos de pais que preferem o velho modo de viver.
    É possível usar o exemplo dos cata-ventos, que se movem ao sabor do vento mas, seguindo o sábio conselho da Natureza, interrompem seu movimento para reestabelecer suas forças ou será que estamos fadados a permanecer humanos-máquinas (ou máquinas-humanos?) por muito mais tempo?
    A capacidade de se embevecer com a magia está sumindo à mesma medida em que o domínio do material subjuga o abstrato, o sensível. O número toma conta do verbo, a estatística esmaga o dorso do cortador de cana. A lei do menor esforço só vale para quem tem o chicote nas mãos. A dor da cicatriz não alivia no fim do dia nem no final da semana.
    Há espaço ainda, neste mundo em que vivemos, para a humanidade?

 

        # # #

 

      Estarei viajando para um Congresso de Endocrinologia Pediátrica no Costão do Santinho, em Florianópolis – SC, de 15 a 18 de novembro e não atualizarei o site nestes dia. Tenha, prezado leitor(a) ótimos dias neste período e até a próxima segunda-feira.

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