Ler é gostoso & Inventário Literário

By Rafael Reinehr | Quase Filosofia

Dez 14

            Ler é gostoso. Ler faz bem para o corpo e para o espírito, para a mente e para o coração. Ler é viajar, é conhecer, é aprender.

            Amo ler desde meus 3 anos, quando efetivamente aprendi a ler. Tenho na memória algumas lembranças daquela época, em que me concentrava em ler placas de carros e logo depois, classificados de jornal. Claro, as revistas em quadrinhos vieram logo depois.

            Sempre li tudo que caía nas minhas mãos, desde livros e revistas (inclusive as famigeradas Nova e Cláudia, que aos 11 anos me introduziram a uma técnica chamada CAT (Coital Assisted Technique), que prometia a você e sua (seu) parceira (o) uma chegada simultânea ao orgasmo) até bilhetes de passagem, receitas de bolo, bolinhos e bolões e até avisos fúnebres.

            Minha sede de leitura nunca teve tamanho. Lembro que, na sexta série, devorei 67 livros da Biblioteca do colégio durante o ano letivo. Ninguém precisava me pedir para estudar. Prestava atenção na aula e, podiam até querer insinuar que eu fosse CDF, mas aquilo garantia que eu não precisasse estudar nada em casa o que me deixava mais tempo livre para brincar. Muito tempo livre!

            Só reduzi minha leitura de livros variados durante a faculdade, onde acabei me concentrado na leitura dos livros técnicos que a faculdade de Medicina exigia. Mesmo assim, não deixei de fazer minhas aulas de inglês, aulas de alemão, aulas de guitarra (lia partituras e tablaturas) e também meus “cursos 2” de introdução à filosofia, cursos de antropologia de culturas urbanas (com professor Ruben Oliven) e de história da Medicina (com Moacyr Scliar e Ivan Isquierdo). Claro que li romances, mas em muito menor número do que estava acostumado.

            Foi nessa época, da faculdade, que começou a surgir – e a ficar forte – a vontade de escrever. Desde criança, tive minhas experiências como editor. Editei um fanzine chamado “Nuclear Trash”, que não saiu do esboço. Depois, já na faculdade, veio o Joe Volume, nome estapafúrdio que me veio em sonho. O Joe Volume, impresso numa HP caseira, acabou dando origem ao fanzine Simplicíssimo – nome que deriva de Simplicissimus, jornal de humor político alemão do meio do século XIX. O Simplicíssimo acabou virando um e-zine, alguns meses depois um website que já completou quatro anos em 2006 e é acessado por dezenas de milhares de pessoas todos os meses.

            No último ano da faculdade, acabei entrando em um concurso literário. A história é engraçada, e eu tenho que registrar: estava almoçando na casa da minha mãe, no centro de Porto Alegre e ao sentar no sofá após o almoço vi um anúncio de um concurso nacional de poesias, organizado pela Editora Shan. Era um Domingo, e para concorrer, era preciso que eu enviasse 5 poesias até o dia seguinte. Fui para casa com a idéia de participar do concurso na cabeça. Cheguei no meu apartamento e fui procurar as poesias que já tinha feito, a maior parte delas na época do segundo grau, quando tínhamos nossa banda “Fuckers on Duty” e um grupo de amigos que se auto-entitulavam “Os Sete”. Aquela poesias fediam! Que coisa mais horrível aquele acento adolescente! Dei risada de mim mesmo, e achei graça de ter escrito aquilo. Foi bom revisitar meus escritos de anos antes. Mas não servia. Com aquilo, não ganharia nem uma jujuba chupada.

            Naquele momento, uma urgência fisiológica me chamou. Resolvi pegar um caderno e fui para a privada, resolver minhas necessidades, enquanto pensava sobre o que escrever. De repente, não mais que de repente: EUREKA! É isso! Vou escrever sobre o ato de evacuar! E surgiu o meu primeiro poema “adulto”: “Pensamentos Privados”

            Escrevi todo ele enquanto fazia “o serviço de limpeza interna”. Quando me levantei, na empolgação, escrevi os outros quatro poemas, escutando Terrorvision e Stereophonics, em seus singles que tinha recentemente trazido da minha viagem à Inglaterra. Pronto! Missão cumprida! Cinco poemas em questão de uma hora. Já posso participar. O que aconteceu? Bem, meus 5 poemas foram selecionados, de um universo de mais de 3.000 poesias e estão publicados na Antologia Poética 1999 da Editora Shan. Não acreditei. Será que eles entenderam o real sentido daquela primeira poesia, “Pensamentos Privados”? Unbelievable!

            É, são tantas histórias… Desde lá, tantos livros lidos, alguns com calma, de forma intermitente, outros devorados em 2, 3, 4 horas de leitura incessante… Hoje sinto falta de um registro dos livros que li, quando e onde os adquiri ou ganhei, quando os li, das impressões que tive… Como dizem que nunca é tarde para começar, vou tratar de, a partir de hoje, anotar na capa dos livros a data e o local em que comprei os livros e também tratar de deixar uma impressão, mesmo que breve, aqui no reinehr.org. Assim, quando quiser recorrer à minha “memória eletrônica”, vou ter uma bela forma de recordar estes momentos.

 

            Começo já, com livros adquiridos na semana passada. Os primeiros, “Bartleby, o escrivão”, de Herman Melville e “O círculo de giz caucasiano”, de Bertold Brecht, comprei dia 4/DEZ/2006, da Conrad Editora; No mesmo dia, adquiri os livros “Farabeuf”, do escritor mexicano Salvador Elizondo (dica do amigo Marcelo Barbão), “Uma temporada no Inferno”, de Arthur Rimbaud e “Esboço para uma Teoria das Emoções”, de Jean-paul Sartre. Ontem, dia 13/DEZ/2006, adquiri o livro “Quem mexeu no meu queijo”, de Spencer Johnson, que comecei a ler ontem à noite (até que o sono me agarrou) e terminei hoje pela manhã, no intervalo das consultas.

            Quando conseguir fazer uma pausa, pretendo fazer um inventário dos livros que tenho em casa. Muitos se perderam, estão emprestados, na casa de minha avó ou espalhados mundo afora. Esse, não terei pudor em “esquecer”. Entretanto, se por sorte voltarem a cair em minhas mãos, os incluirei no inventário.

            Uma última observação, antes que me esqueça: tenho um “desejo de organização” muito grande. Ele pode ser observado pela minha intenção de padronizar certas coisas que faço como, por exemplo, dois parágrafos acima:

– o nome dos livros em negrito

– o nome dos autores em negrito e itálico

– a data de aquisição, no padrão dia/mês abreviado com 3 letras/ano com 4 dígitos

            Essa padronização, desejaria eu, que se repetisse em minhas outras anotações. O padrão, entretanto, é algo que mais idealizo do que consigo fazer na prática. Quando vejo, já mudei involuntariamente minha programação e depois, automaticamente, sinto-me mal. Sei que esta forma de “querer agir” pode parecer um tanto quanto obsessiva mas ela é tão somente teórica pois, na prática, sou Caos.

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