Mania de “eu quero isso também”

By Rafael Reinehr | Quase Filosofia

Out 23

Twitter, Pownce, Second Life, Gmail. Feevy, Orkut, Joost, Finetune, Last.fm. Widgets, badgets, gadgets.

Há alguns anos se criticava o uso de estrangeirismos na língua portuguesa. Alguns pares de anos se passaram e a tecnologia – sempre ela, nos últimos 100 anos – foi responsável pela entrada definitiva de termos em inglês na linguagem praticada na internet e nos meios de comunicação em geral. Alguns meios mais conservadores, como os telejornais das grandes redes de tevê ainda resistem à invasão, mas seus dias estão contados. Twitter, Pownce, Second Life, Gmail. Feevy, Orkut, Joost, Finetune, Last.fm. Widgets, badgets, gadgets.

Há alguns anos se criticava o uso de estrangeirismos na língua portuguesa. Alguns pares de anos se passaram e a tecnologia – sempre ela, nos últimos 100 anos – foi responsável pela entrada definitiva de termos em inglês na linguagem praticada na internet e nos meios de comunicação em geral. Alguns meios mais conservadores, como os telejornais das grandes redes de tevê ainda resistem à invasão, mas seus dias estão contados.

Na lista citada acima, não citei nenhum tipo de aparelho eletrônico, exceto aqueles inclusos entre os gadgets. Todas as palavras dizem respeito à tecnologias para manter-nos atrelados ao virtual, manter nossos olhos fixos na tela do computador ou vinculado a ele. Esta tendência crescente que parece ser irreversível é também massificante. Ao mesmo tempo em que, gratuitamente possibilita o acesso a "facilidades", torna o indivíduo que delas abusa uma entidade alienada e alienante.

Hoje é fácil encontrar weblogs inteiros disputando as notícias "mais quentes" sobre a última tecnologia. Os comentaristas ficam de plantão em sites de tecnologia norte-americanos para trazer, antes de qualquer um, a notícia, o furo de reportagem acerca do último grito tecnológico.

Quando saio da frente do computador, entretanto, e volto a me relacionar com a grande maioria dos meus amigos que não acessam a internet nem um décimo do tempo que usualmente navego, sinto-me eu um alienado. Sinto estar, de certa forma, deixando passar alguma parte importante da minha vida. Sinto ainda estar longe do equilíbrio que busco. Sinto que, assim como o tecnófilo busca ter acesso ao mais recente gadget ou widget, ou estar presente na mais recente rede social, eu preciso cultivar mais profundamente minhas amizades. Criar laços menos transitórios e mais densos.

Como nunca cultivei a monetização de meu weblog – nem sirvo para dar aulas de como fazê-lo – acho que chegou a hora de valorizar cada um que se aproximar de mim com sentimentos sinceros para compartilhar. Assim, acredito que continuarei de olho nas novas tecnologias – afinal, não se cura uma doença dessas da noite para o dia – mas serei mais comedido na sua utilização. A mania de "eu quero isso também" que se generalizou pelo Blogverso vou continuar tendo, mas vou desviá-la para outras fontes: escrever um livro, comprar uma bicicleta e ajudar este mundo poluindo menos, cultivando minha horta de temperos dentro do apartamento para preparar os pratos que estou aprendendo, dar a atenção merecida a meus amigos, família, pacientes e estudos de humanidades e do pensamento libertário.

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