O Sentido da Vida não precisa ser procurado fora dela mesma


A idéia de que a moralidade necessariamente foi “colocada” em nós me é totalmente estranha. Da religião cristã, retiro toda a teologia e cosmogonia e fico apenas com seus preceitos éticos. Não há que existir Deus, ou louvar a um Deus para ser generoso, justo e bom. A moralidade é uma característica que pode ser cultivada em ateus e que pode grosseiramente estar faltando naqueles que crêem em Deus.

Os seres humanos são fracos. Temos fraqueza de querer. Nós nem sempre fazemos aquilo que sabemos muito bem que deveríamos fazer. E isso, em muitas pessoas, produz o fenômeno da culpa, do remorso. A culpa é uma força negativa poderosa na cabeça das pessoas. As pessoas não gostam de sentir culpa, é um mau sentimento. Assim, a idéia de Deus, mais forte do que a simples ideia de uma moralidade, acaba por dar um motivo mais forte às pessoas para fazer o certo de forma regular. Assim, a existência de Deus pode ser uma necessidade para algumas pessoas. Se a força que possuem não lhes permite ser moralmente corretos somente pelo fato de que esta seria a escolha certa a ser feita, então há que se ter um Deus para regular e “fiscalizar” os atos dos homens.

É muito melhor fazer as coisas certas porque são boas e SOMENTE porque são boas do que fazer porque algum Deus está nos olhando e irá nos recompensar!

Um dos principais argumentos para não acreditar em Deus diz respeito ao fato de que, se ele é todo-poderoso, onisciente e todo-generoso, como pode haver tanto sofrimento na terra? Tantas catástrofes naturais, tanta maldade, doenças genéticas que trazem sofrimento às famílias e aos portadores das enfermidades? Se existe um Deus todo-poderoso que poderia evitar isso e ele não o faz, não é o Deus ao qual quero me reportar ou com o qual quero me relacionar. Se um ser humano resolve fazer experiências colocando dificuldades e sofrimento na vida das pessoas, como Joseph Menguele por exemplo, você acharia isso correto? Imputar sofrimento às pessoas somente para ver “como elas enfrentarão as dificuldades”, dando-lhes o livre arbítrio?


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Comentários  

 
0 #10 Rafael Reinehr 07-02-2010 08:18
Caro (ou cara) Anônimo, não li ainda. Mas sei da temática e, conhecendo Saramago, pretendo ler.
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0 #9 Guest 06-02-2010 16:28
Já leu Caim de Saramago? Recomendo! :D
Beijão!
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0 #8 Rafael Reinehr 31-12-2009 20:19
Tão logo tenha o post de estréia te aviso, pois ele vai falar justamente sobre isso: do que trataremos no blog.
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0 #7 Renato Mendes 30-12-2009 13:46
Citando Rafael Reinehr:
Aproveito para te convidar para, em breve, conhecer meu novo blog, a ser chamado de Mutatis Mutandis, em http://mutatismutandis.opsblog.org


Sobre o que tratará este novo blog?
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0 #6 Renato Mendes 30-12-2009 13:45
A propósito do tema desta postagem. Lembrei que o próprio Desidério já ofereceu uma disciplina[1] sobre "O sentido da Vida". Ele mesmo já publicou um livro com coletânea[2] de textos sobre o assunto.

Lembrei que este foi também o tema de uma peça de teatro que apresentei nos meus tempos de Ensino Médio, na época a conclusão que eu cheguei, e outras pessoas do grupo chegaram, foi de que o Sentido da Vida é pra cima. rsrsrs.

Saudações filosóficas e felicidades em 2010!

RM

[1] http://dmurcho.com/meaning.html
[2] http://criticanarede.com/pensaroutravez.html
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