O Sentido da Vida não precisa ser procurado fora dela mesma

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A idéia de que a moralidade necessariamente foi “colocada” em nós me é totalmente estranha. Da religião cristã, retiro toda a teologia e cosmogonia e fico apenas com seus preceitos éticos. Não há que existir Deus, ou louvar a um Deus para ser generoso, justo e bom. A moralidade é uma característica que pode ser cultivada em ateus e que pode grosseiramente estar faltando naqueles que crêem em Deus.

Os seres humanos são fracos. Temos fraqueza de querer. Nós nem sempre fazemos aquilo que sabemos muito bem que deveríamos fazer. E isso, em muitas pessoas, produz o fenômeno da culpa, do remorso. A culpa é uma força negativa poderosa na cabeça das pessoas. As pessoas não gostam de sentir culpa, é um mau sentimento. Assim, a idéia de Deus, mais forte do que a simples ideia de uma moralidade, acaba por dar um motivo mais forte às pessoas para fazer o certo de forma regular. Assim, a existência de Deus pode ser uma necessidade para algumas pessoas. Se a força que possuem não lhes permite ser moralmente corretos somente pelo fato de que esta seria a escolha certa a ser feita, então há que se ter um Deus para regular e “fiscalizar” os atos dos homens.

É muito melhor fazer as coisas certas porque são boas e SOMENTE porque são boas do que fazer porque algum Deus está nos olhando e irá nos recompensar!

Um dos principais argumentos para não acreditar em Deus diz respeito ao fato de que, se ele é todo-poderoso, onisciente e todo-generoso, como pode haver tanto sofrimento na terra? Tantas catástrofes naturais, tanta maldade, doenças genéticas que trazem sofrimento às famílias e aos portadores das enfermidades? Se existe um Deus todo-poderoso que poderia evitar isso e ele não o faz, não é o Deus ao qual quero me reportar ou com o qual quero me relacionar. Se um ser humano resolve fazer experiências colocando dificuldades e sofrimento na vida das pessoas, como Joseph Menguele por exemplo, você acharia isso correto? Imputar sofrimento às pessoas somente para ver “como elas enfrentarão as dificuldades”, dando-lhes o livre arbítrio?
Comentários (10)
  • Renato Mendes  - onmisciência divina e o nosso livre-arbítrio
    Olá Rafael,

    A respeito deste assunto em filosofia da religião posso lhe recomendar o excelente texto de um amigo, onde ele procura compatibilizar a tese da onmisciência divina com o nosso livre-arbítrio.

    Eis o link: http://criticanarede.com/html/presciencia.html
  • Rafael Reinehr  - Filosofia pura!
    Obrigado pelo link Renato. Guardei teu contato. Qualquer pessoa com "sobrenome" riseup, a priori, é alguém que me interessa.

    Abraços não-radioativos,

    RR
  • Rafael Reinehr  - Terminei
    Terminei de ler o texto indicado, do meu xará Rafael (http://criticanarede.com/html/presciencia.html) e fiquei encantado. Muito elegante a teoria do colega filósofo. Tanto que vou encaminhar para uns conhecidos que são Testemunhas de Jeová para ver o que dizem.

    Do meu lado, não muda nada, já que sou um "tantofazteísta", ou melhor, tento fazer o melhor aqui embaixo para que não caia um raio sobre a minha cabeça. De preferência, que caiam pétalas de rosa coloridas e bem cheirosas enquanto seguimos tentando sempre aprender mais para melhorar nossas relações com o outro e com o mundo.
  • Rafael Reinehr  - Finalmente...
    Obrigado por me apresentar a Crítica na Rede, revista que não conhecia e que já entrou na minha lista de preferidas. Fantásticos textos, belíssimas traduções, soberbas reflexões.

    Aproveito para te convidar para, em breve, conhecer meu novo blog, a ser chamado de Mutatis Mutandis, em http://mutatismutandis.opsblog.org

    Abraço.
  • Renato Mendes
    Olá Rafael!

    Bom que gostou do texto, e da indicação do site. A Crítica realmente é o melhor site com melhor conteúdo de Filosofia em Língua Portuguesa que eu conheço. Ele é editado pelo prof. Desidério Murcho (que é português, mas hoje trabalha na UFOP) e é um filósofo bastante comprometido com a Filosofia e trabalha em prol da divulgação da Filosofia.

    Este texto mesmo que você leu foi escrito por um aluno dele, como trabalho de conclusão de uma disciplina que ele ministrou este ano.
  • Renato Mendes  - Sobre o tema do "sentido da vida"
    A propósito do tema desta postagem. Lembrei que o próprio Desidério já ofereceu uma disciplina[1] sobre "O sentido da Vida". Ele mesmo já publicou um livro com coletânea[2] de textos sobre o assunto.

    Lembrei que este foi também o tema de uma peça de teatro que apresentei nos meus tempos de Ensino Médio, na época a conclusão que eu cheguei, e outras pessoas do grupo chegaram, foi de que o Sentido da Vida é pra cima. rsrsrs.

    Saudações filosóficas e felicidades em 2010!

    RM

    [1] http://dmurcho.com/meaning.html
    [2] http://criticanarede.com/pensaroutravez.html
  • Renato Mendes  - re: Finalmente...
    Rafael Reinehr Escreveu:

    Aproveito para te convidar para, em breve, conhecer meu novo blog, a ser chamado de Mutatis Mutandis, em http://mutatismutandis.opsblog.org


    Sobre o que tratará este novo blog?
  • Rafael Reinehr  - Assuntos
    Tão logo tenha o post de estréia te aviso, pois ele vai falar justamente sobre isso: do que trataremos no blog.
  • Anônimo
    Já leu Caim de Saramago? Recomendo! :D
    Beijão!
  • Rafael Reinehr  - Caim
    Caro (ou cara) Anônimo, não li ainda. Mas sei da temática e, conhecendo Saramago, pretendo ler.
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