Category Archives for "Estudos Sobre Filosofia Oriental"

namaste
Aug 31

Namastê!

By Rafael Reinehr | Estudos Sobre Filosofia Oriental

namasteNamastê ou namasté (em sânscrito: नमस्ते, [nʌmʌsˈteː]) é um cumprimento ou saudação falada, bastante comum no Sul da Ásia. Namaskar é considerado uma forma ligeiramente mais formal, mas ambas as expressões expressam um grande sentimento de respeito.

Utiliza-se na Índia e no Nepal por hindus, sikhs, jainistas e budistas. Nas culturas indianas e nepalesas, a palavra é dita no início de uma comunicação verbal ou escrita. Contudo, o gesto feito com as mãos dobradas é feito sem ser acompanhado de palavras quando se despede. Na ioga, namaste é algo que se dirá ao instrutor e que, nessa situação, significa “sou o seu humilde criado”.

Literalmente significa “curvo-me perante ti”; a palavra provém do sânscrito namas, “curvar-se”, “fazer uma saudação reverencial”, e (te), “te”.

Quando dito a outra pessoa, é normalmente acompanhada de uma ligeira vénia feita com as duas mãos pressionadas juntas, as palmas tocando-se e os dedos apontando para cima, no centro do peito. O gesto também pode ser realizado em silêncio, contendo o mesmo significado. É a forma mais digna de cumprimento de um ser humano para outro.

Quando dito a outra pessoa, também poderá significar: “O Deus que há em mim saúda o Deus que há em ti”.

(Não costumo fazer copy & paste, mas o texto acima foi extraído, na íntegra, desta página da Wikipedia em 31/08/2009)

A foto ao lado representa o típico gesto de unir as mãos e se reclinar levemente como forma de respeito, nas despedidas. Ah, no mundo ocidental de hoje, imaginar estes atos acontecendo com significado… Mas, como disse Gandhi e eu não canso de repetir, “Seja a mudança que você quer ver no mundo.”

Caminhando no Sol
Feb 15

Intelectualidade e esforço físico

By Rafael Reinehr | Estudos Sobre Filosofia Oriental

– Vocês são mesmo intelectuais? – perguntou-lhes Will quando os dois saíram dos chuveiros e estavam se enxugando.

– Fazemos trabalho intelectual! – respondeu Vijaya.
– Então, qual é a razão para toda essa horrível trabalheira?
– A razão é muito simples: durante esta manhã, tive algum tempo disponível.
– E eu também – disse o dr. Robert.
– Então foram para os campos e agiram à Tolstoi!
– Vijaya sorriu e disse:
– Parece imaginar que o fazemos movidos por razões éticas!
– E não é?
– Certamente que não. Faço trabalho braçal simplesmente porque tenho músculos e, se não os usar, me transformarei num sedentário mal-humorado.
– Sem nada entre o córtex e as nádegas. Ou melhor, com tudo, porém em condições de inconsciência completa e de estagnação tóxica – disse o dr. Robert. – Os intelectuais do Ocidente são tolos viciados em cadeiras e por esse motivo a grande maioria de vocês é repulsivamente corrupta. No passado, mesmo os duques, os agiotas ou os metafísicos tinham que dar grandes caminhadas. Quando não iam a pé, estavam sacudindo no lombo dos cavalos. Enquanto hoje, do magnata à sua secretária, do positivista lógico ao pensador positivo, nove décimos do seu tempo são gastos sobre espuma de borracha. Almofadas de espuma para traseiros de espuma – em casa, no escritório, nos carros, nos bares, nos aviões, nos trens, nos ônibus.
 

Neste trecho, extraído de "A Ilha", de Aldous Huxley, o visitante Will se surpreende com o fato de que os "intelectuais" Vijaya e Dr. Robert estejam no campo ajudando na polinização e poda das culturas.

A justificativa, ainda mais simples do que uma preocupação ética pelo outro, é uma preocupação com o próprio bem-estar.

Independentemente dos motivos que nos levam a levantar a bunda do sofá ou da cadeira que nos prende à televisão, ao computador e ao conforto de nossos lares e escritórios, a epidemia de imobilidade nos dias de hoje é impressionante. Lido com pessoas que precisam emagrecer – por questões de saúde, obesidade, diabetes, hipertensão, colesterol ou mesmo questões estéticas e, analisando a história passada das mesmas, percebe-se que a necessidade de buscar redução do peso hoje advém, em grande parte, de uma negligência no que diz respeito a um mínimo de atividade física necessária para manter sua massa magra e tecido gorduroso nos níveis indicados.

Não prego aqui um culto "acima de todas as coisas" à saúde ou à estética. Longe de mim, principalmente no segundo caso. Entretanto, percebo que muitos dos problemas modernos – inclusive a alta incidência de depressão e ansiedade – residem em parte neste recolhimento dos músculos e ossos a um conforto acima do necessário.

O trecho acima me fez estudar um pouco sobre a vida de Tolstói, e em alguns dias pretendo publicar aqui um pouco sobre a biografia de velho escritor russo, com a qual me identifiquei sobremaneira.

Enquanto isso, que tal calçar teus tênis e sair para uma caminhada neste lindo dia de sol?

Caminhando no Sol

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Oct 09

Tempo

By Rafael Reinehr | Estudos Sobre Filosofia Oriental

“Se estou no aeroporto e o avião está atrasado, não adianta olhar impacientemente para o relógio. Não posso controlar o horário do avião, mas posso entender que através dessa situação eu ganhei tempo para talvez trabalhar em mim e refletir sobre a vida. A parada no trânsito também é uma oportunidade para auto-progresso. Posso fazer uma checagem na qualidade dos meus pensamentos quando estou em um congestionamento. Os minutos que ganho aqui e ali durante o dia são um tesouro inestimável. Saber usá-los é deixar de ser escravo do tempo.“

Ken O’Donnell

Oct 03

O líder iluminado e a criatividade

By Rafael Reinehr | Estudos Sobre Filosofia Oriental

"A idéia de que vamos ao trabalho apenas para cumprir uma tarefa e desempenhar uma posição é muito pouco criativa. Um líder iluminado verá a comunidade de relacionamentos no trabalho como uma oportunidade para exercer a criatividade e a variedade de papéis que podem ser importantes ao grupo. Isso não é ser falso mas ser flexível às necessidades que variam a cada momento. O líder pode exercitar o papel de conselheiro, motivador, mediador e inclusive o papel de pai ou mãe nos momentos sensíveis. Esta percepção ampla cria um ambiente mais leve, feliz e divertido no trabalho." Mike George, The world is your stage and you’re on! Clear Thinking, 29/06/08

 

Sep 24

Nada existe

By Rafael Reinehr | Estudos Sobre Filosofia Oriental

Yamaoka Tesshu, quando um jovem estudante Zen, visitou um mestre após outro. Ele então foi até Dokuon de Shokoku. Desejando mostrar o quanto já sabia, ele disse, vaidoso:
"A mente, Buddha, e os seres sencientes, além de tudo, não existem. A verdadeira natureza dos fenômenos é vazia. Não há realização, nenhuma delusão, nenhum sábio, nenhuma mediocridade. Não há o Dar e tampouco nada a receber!"
Dokuon, que estava fumando pacientemente, nada disse. Subitamente ele acertou Yamaoka na cabeça com seu longo cachimbo de bambu. Isto fez o jovem ficar muito irritado, gritando xingamentos.
"Se nada existe," perguntou, calmo, Dokuon, "de onde veio toda esta sua raiva?"

Sep 07

Agir conforme a própria natureza

By Rafael Reinehr | Estudos Sobre Filosofia Oriental

Dois monges estavam lavando suas tigelas no rio quando perceberam um escorpião que estava se afogando. Um dos monges imediatamente pegou-o e o colocou na margem. No processo ele foi picado. Ele voltou para terminar de lavar sua tigela e novamente o escorpião caiu no rio. O monge salvou o escorpião e novamente foi picado. O outro monge então perguntou:

“Amigo, por que você continua a salvar o escorpião quando você sabe que sua natureza é agir com agressividade, picando-o?”

“Porque,” replicou o monge, “agir com compaixão é a minha natureza.”

(conto retirado do blog Espiritualistas)

Aprender a perceber esta grande verdade, a de que seres humanos distintos possuem diferentes naturezas, personalidades e ímpetos, pode nos preparar melhor para a vida neste mundo. Com a percepção plena da lição acima, passamos a compreender o outro usando sua própria lente , e não somente a nossa. Uma grande lição, sem dúvida.

Aug 17

O Mestre, o Rei e a Impermanência

By Rafael Reinehr | Estudos Sobre Filosofia Oriental

Um famoso mestre espiritual aproximou-se do Portal principal do palácio do Rei. Nenhum dos guardas tentou pará-lo, constrangidos, enquanto ele entrou e dirigiu-se aonde o Rei em pessoa estava solenemente sentado, em seu trono.

"O que vós desejais?" perguntou o Monarca, imediatamente reconhecendo o visitante.

"Eu gostaria de um lugar para dormir aqui nesta hospedaria," replicou o mestre.

"Mas aqui não é uma hospedaria, bom homem," disse o Rei, divertido, "Este é o meu palácio."

"Posso lhe perguntar a quem pertenceu este palácio antes de vós?" perguntou o mestre.

"Meu pai. Ele está morto."

"E a quem pertenceu antes dele?"

"Meu avô," disse o Rei já bastante intrigado, "Mas ele também está morto."

"Sendo este um lugar onde pessoas vivem por um curto espaço de tempo e então partem – vós me dizeis que tal lugar NÃO É uma hospedaria?"

Como sempre, a simplicidade do pensamento Zen, a apresentação de sua lógica irrepreensível através do conto acima nos leva a refletir acerca da impermanência de todas as coisas. Assim como no conto A tigela, somos levados a pensar sobre qual é o sentido de nos apegarmos tanto a este mundo material se o mesmo não passa de um estado passageiro.

(conto retirado daqui.)

 

Aug 10

A tigela: uma lição sobre a impermanência

By Rafael Reinehr | Estudos Sobre Filosofia Oriental

Segue uma anedota famosa concernente ao mestre rinzai Ikkyu, que viveu, aproximadamente, há 03 ou 04 séculos.
Ikkyu era, então, um monge muito jovem que vivia num templo zen, onde vivia também seu irmão. Um belo dia, esse último deixou cair no chão uma tigela da cerimônia do chá, que se quebrou; a tigela era ainda ais preciosa porque fora presente do imperador. O chefe do templo admoestou-o severamente, fazendo chorar o mongezinho.
Ikkyu, todavia, recomendou-lhe que não se preocupasse:
– Tenho sabedoria. Posso encontrar uma solução.
Juntou os pedaços da cerâmica, colocou-os na manga do seu kolomo e foi descansar no jardim do templo, enquanto esperava, pachorrento, o regresso do mestre. Tanto que o avistou, foi ao seu encontro e propôs-lhe um mondo:
– Mestre, os homens nascidos neste mundo morrem ou não morrem?
– Morrem, decerto – respondeu o mestre. – O próprio Buda morreu.
– Compreendo – volveu Ikkyu – , mas no que respeita às outras existências, os minerais ou objetos também estão destinados a morrer?
– É claro! – reponde o mestre – Todas as coisas que têm forma devem morrer necessariamente, quando surge o momento.
– Compreendo – disse Ikkyu. – Em suma, como tudo é perecível, não deveríamos precisar chorar nem lastimar o que já não existe, nem sequer zangar-nos com o destino.
– Está visto que não! Aonde queres chegar? – inquiriu o mestre.
Ikkyu tirou da manga do kolomo os destroços da tigela, que apresentou ao mestre. Este ficou boquiaberto.

(conto retirado de Contos Zen)

E se nos déssemos o tempo para pensar, um pouquinho só, veríamos que nesta grande verdade – a impermanência de todas as coisas – paira o segredo para viver bem o presente. Viver bem o presente não significa tão somente aproveitar tudo no aqui e agora colocando em risco nossa saúde e a própria vida, mas certamente também não significa jogar a felicidade para o futuro. Significa dosar com sabedoria as escolhas do sia-a-dia, levando sempre em conta esta noção – a da impermanência (do trabalho, dos relacionamentos, da vida).

Chávena da Chá
Aug 03

Chávena de chá

By Rafael Reinehr | Estudos Sobre Filosofia Oriental

Chávena da CháUm professor de filosofia foi ter com um mestre zen, Nan-In, e fez-lhe perguntas sobre Deus, o nirvana, meditação e muitas outras coisas. O Mestre ouviu-o em silencio e depois disse.

– Pareces cansado. Escalaste esta alta montanha, vieste de um lugar longíquo. Deixa-me primeiro servir-te uma chávena de chá.

O Mestre fez o chá. Fervilhando de perguntas, o professor esperou. Quando o Mestre serviu o chá encheu a chávena do seu visitante e continuou a enchê-la. A chávena transbordou e o chá começou a cair do pires até que o seu vistante gritou:

– Pára. Não vês que o pires está cheio?

– É exatamente assim que te encontras. A tua mente está tão cheia de perguntas que mesmo que eu responda não tens nenhum espaço para a resposta. Sai, esvazia a chávena e depois volta.

Mestre zen e a impermanência
Jul 20

Veremos… – lição zen acerca da impermanência

By Rafael Reinehr | Estudos Sobre Filosofia Oriental

Mestre zen e a impermanênciaOntem assisti ao filme Jogos do Poder (Charlie Wilson’s War), acerca da ajuda estadunidense ao Afeganistão para derrotar a URSS durante a Guerra Fria. Um bom filme, que nos faz perceber que a História não é uma só. A História são estratos, perceptíveis de forma distinta de acordo com o diferente posicionamento do sujeito em relação a um determinado fato. Interessa a distância do ocorrido, o fato de estar dentro ou fora do acontecido, a intensidade com que ocorreu e também a quantidade e veracidade das informações que efetivamente chegaram ao sujeito que percebe a História.

Mas, neste filme, quase ao final, uma pequena parábola zen é contada e ela ilustra com magna sapiência um fato corriqueiro, que acontece diariamente e transforma a vida de muitas pessoas em um inferno de ansiedade ou depressão por não estarem a par desta noção tão simples e verdadeira que é a impermanência de todas as coisas. Inclusive dos acontecimentos e da História. Ascensão e queda, aquele que está por cima pode muito bem amanhã estar por baixo.

Leia a conto zen com atenção e verifique por si só. Observação: esta não é uma tradução literal do diálogo do filme, mas tão somente a lembrança que hoje tenho do diálogo ouvido entre Charlie e sua assistente Bonnie:

Em um pequeno vilarejo, um menino ganha de sua família um lindo cavalo. Ao verem o belo presente dado ao menino, todos à sua volta exclamam:
– Que maravilha!
E o mestre zen: Veremos…
Passa se algum tempo e o menino, ao andar com seu cavalo, cai e quebra a perna. Todos lamentam:
– Que desgraça!
E o mestre zen: Veremos…
Depois de alguns anos, o país entra em guerra, e todos os jovens do vilarejo são convocados para a luta e acabam morrendo, exceto o jovem com a perna enferma. Ao que a família conclui:
– Que maravilha!
E o mestre zen: Veremos…