Category Archives for "Nossa Opinião"

Nossa Opinião
Nov 11

Posts Patrocinados e Imparcialidade: Possibilidade ou Ilusão

By Rafael Reinehr | Nossa Opinião

Nossa Opinião     Imagine um programa de televisão que apresenta os últimos lançamentos da indústria automobilística nacional e internacional.Imagine que este programa possui um apresentador que, além do salário da emissora para o qual trabalha, recebe também uma comissão da montadora do novo carro que está sendo lançado para divulgar seu produto com destaque em seu programa. Imagine uma reportagem feita por este apresentador acerca do novo carro da montadora em questão, após um test-drive cuidadoso do veículo.
    Qual é a maior probabilidade, das alternativas abaixo:

1. O apresentador irá ser completamente imparcial e irá, além dos pontos positivos, enumerar e ressaltar TODOS os aspectos negativos do carro testado

2. O apresentador irá enaltecer fortemente os pontos positivos do veículo e tratará de apresentar um ou outro ponto negativo, mas de forma com que estes não pareçam ser tão negativos

3. O apresentador, no caso de ser um carro muito ruim, deixará isso claro para os telespectadores, mesmo desagradando o cliente que está patrocinando aquela seção de seu programa.

    Tais situações configuram o que podemos chamar de "conflito de interesses", já que o interesse primário (informar adequadamente ao telespectador acerca do real desempenho do automóvel) é influenciado por um interesse secundário ( o ganho financeiro advindo do patrocínio da montadora do veículo).

    Como resolver este dilema ético? Existe forma de testar a idoneidade e a fibra de um articulista, de um resenhista, de um crítico? É possível que um leitor, ouvinte ou espectador consiga indefectivelmente confiar no argumento apresentado por um interlocutor que esteja padecendo de conflito de interesses? (leia mais…)

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Natureza
Oct 14

Blog Action Day – Um momento para uma reflexão sistêmica

By Rafael Reinehr | Nossa Opinião

 

Natureza

    Hoje, 15 de outubro de 2007, está sendo realizada, no mundo inteiro, uma blogagem coletiva atrelada ao Blog Action Day. Cada blogueiro engajado nesta empreitada publicará neste dia pelo menos um post acerca do meio-ambiente, sobre como preservar nossos recursos naturais, reduzir a poluição individual ou coletivamente.

 

    Se falará muito sobre como reduzir nossa pegada no mundo, como nos tornarmos carbono-neutros, sobre utilização de meios coletivos e alternativos de transporte, a utilização da bicicleta, o uso de energias renováveis e não poluentes, sobre a redução do consumo para reduzir o impacto na exploração de matérias primas e a produção de lixo, a preservação de espécies em extinção, a criação de reservas para proteção de árvores e matas nativas e mais, muito mais. Será, sem dúvida, um dia muito rico, com idéias brilhantes de um lado e reprodução do senso comum do outro.

 

    Eu, por minha vez, vou deixar aqui apenas uma reflexão, uma pergunta que não quer calar:

    Se uma grande nação, ou um conjunto delas, assim como uma grande corporação, ou um conjunto delas, praticam a exploração indiscriminada dos recursos naturais de um país ou região, preocupando-se tão somente com o desenvolvimento econômico imediato, sem previsão e provisão futura, é fácil comcordar-se que isso trata-se de uma violência. Está se roubando o futuro de gerações que ainda estão por vir, e o tamanho dessa violência é incomensurável.

    Agora, digamos que um grupo de ativistas radicais resolva usar a força para evitar que estas corporações continuem agredindo, saqueando e violentando o ambiente, impedindo o acesso dos representantes destas corporações e países aos seus locais de trabalho, aos seus locais de reunião, agindo até com violência contra o patrimônio – não contra os indivíduos – destas empresas predatórias. A pergunta é: estes novos atos de violência se justificam, tendo em vista que pretendem impedir a imediata lapidação de um bem da humanidade ou você acha que “toda violência é má, porque é violência”?

    Justifico a pergunta rapidamente, para que você possa refletir e responder: nos últimos 40 anos ativistas ecológicos têm insistido em ações pacíficas do tipo passeatas carregando faixas com dizeres de ordem contra a dilapidação da natureza, por vezes com dezenas de milhares de participantes. Entretanto, estas caminhadas não chegaram sequer a arranhar a superfície do status quo, e as corporações estão cada vez mais famintas e ativas na destruição limitada apenas pela capacidade de suas máquinas de produzirem e pelo consumo crescente estimulado por uma mídia hipnótica que manipula nossos desejos em um mundo fragmentado, onde o produto de consumo é deificado. Repito a pergunta: utilizar-se de formas violentas contra o patrimônio de empresas que acreditam que a destruição da natureza por elas imposta é justificada e justificável no intuito de fazê-las “repensar” suas atitudes é algo válido? Existe outra forma de fazê-las parar com suas atividades predatórias? Qual seriam essas formas?

    Reflita, e ajude meus netos e os netos deles, se puder…

Natureza

 

(esta postagem está sendo publicada simultaneamente no projeto Nossa Opinião. Confira lá no site a opinião dos outros integrantes do projeto) 

As coisas mais importantes
Oct 02

Doação de Tecidos e Órgãos: o que falta para que dê certo?

By Rafael Reinehr | Nossa Opinião

(este post faz parte do projeto Nossa Opinião, em que um grupo de blogueiros de diferentes áreas e atividades desfere sua opinião acerca de um assunto comum, quinzenalmente. Leia minha opinião aqui e depois vá lá para ver a opinião dos confrades.)

 

    Hoje somos no Brasil cerca de 180 milhões de habitantes, alguns orgulhosos de cá viverem, outros loucos para pular do barco e a maioria indiferentes ao local de morada e a tudo o mais. Com freqüência ouve-se dizer que o brasileiro é um povo que só quer cerveja, futebol e mulher pelada. Apesar de entender a metáfora, posso afirmar com certeza que minha mulher não se encaixa nesse paradigma, tão pouco quanto um bom número de pessoas que conheço.

    O que se quer dizer – e neste ponto concordo – é que o brasileiro médio importa-se tanto mais com futilidades, a busca do prazer instantâneo quer seja na alimentação, ideal estético, produtos de consumo material ou intelectual (televisão) que já venham mastigados e digeridos – e já está tão disciplinado para isso – que a mudança de paradigma, para algo que lhe determine realizar um esforço ativo lhe parece estressante demais.

Esta mesma perspectiva, que agora aplico ao esforço necessário para comunicar a família de que se é um doador de órgão, para envolver os colegas de trabalho na percepção da importância de uma campanha assim, mesmo que seja organizando 1 hora de 1 semana de 1 mês por ano para debater o assunto e atualizá-lo, quer seja em sua empresa, agência de publicidade, restaurante, escola, posto de gasolina, consultório médico, dentário, psicológico…

As coisas mais importantes

 

    Quando falamos de engajamento social, geralmente paramos numa etapa anterior à efetiva: interrompemos nosso movimento na afinidade: “Ei, legal! Alguém precisava mesmo tocar nesse assunto”. A etapa seguinte: “Vamos entrar em contato com o Ministério da Saúde e solicitar que eles enviem alguns folders ou banners para cá para que possamos organizar, daqui a alguns dias uma mobilização em torno do assunto?” não chega a ser desvelada. Poucos são os que, sensibilizados com a campanha chegam em casa e dizem: “Pai, mãe (ou cônjuge), vocês sabem que sou doador de órgãos e tecidos, não sabem? Se, por acaso, eu estiver em morte encefálica, gostaria de doar meus órgãos, vocês compreendem e aceitam isso?”

    No Brasil, 28,5% das famílias com potenciais doadores por morte encefálica são contrários à doação, conforme o Sistema Nacional de Transplantes (SNT). Na Espanha, país considerado o país mais avançado em relação a transplante de órgãos a recusa é de 15%.

 

Cicatrizes

    Apesar disso, parece que o motivo principal pela baixa na doação de órgãos neste ano diz respeito à falta de notificação do SNT pelas unidades de saúde de emergência e hospitais quando encontram um caso de morte encefálica. Apesar de obrigatória no Brasil, com a sobrecarga dos pronto-socorros e a falta de leitos em UTIs, pacientes que entram em morte encefálica não possuem condições de serem mantidos com ventilação e circulação ativas até que a equipe do SNT possa remover os órgãos.

  

Babaca     Conforme dados do Ministério da Saúde, o Brasil só é suplantado pela Espanha no número de transplantes realizados por um sistema público de saúde. Nos últimos 6 anos, foram realizados 87.444 transplantes pelo SUS, mas ainda encontram-se na fila de espera 71.152 pacientes. Veja quais os órgãos que estão faltando:

Coração

335

Córnea

26.807

Fígado

7.036

Pâncreas

167

Pulmão

135

Rim

34.098

Rim e Pâncreas conjugados (duplo)

511

Medula Óssea

2.063

    Voltando ao começo do nosso artigo, se mais e mais empresas – relacionadas a futebol, cerveja e sexo, mas não restritas a essas – participassem da Campanha para Doação de Tecidos e Órgãos, como estão fazendo a dupla Gre-Nal em conjunto com a ONG Via Vida, o painel da doação no Brasil teria uma mudança significativa em um espaço tão curto quanto 5 anos.

    As fotos das campanhas utilizadas neste artigo foram extraídas do site da ADOTE – Aliança Brasileira pela Doação de Órgãos e Tecidos. Vale a visita: além das imagens aqui reproduzidas também encontras uma série de campanhas em vídeo para ajudar a divulgar esta importante ação.

    Se, você chegou aqui depois de ler este text, é porque certamente seu coração tem algo de bom a dizer para o mundo. Então não se cale. Não se contente com o silêncio indiferente de seus vizinhos. Como dizia Ghandi, "Seja a mudança que você quer ver no mundo." Se precisar de ajuda e quiser organizar algumas ações em conjunto, fique à vontade para entrar em contato comigo. Sempre terei um braço e um sopro para lhe ajudar.

Curiosidade: É importante perceber que cada órgão possui um tempo máximo de viabilidade após a retirada do doador:

Córneas: devem ser transplantadas em até sete dias.

Coração: tem que ser transplantado em 4 horas.

Pulmões: tem que ser transplantados em 4 horas.

Rins: devem ser transplantados entre 24 e 48 horas.

Pâncreas: tem de ser transplantado em 12 horas.

Fígado: tem de ser transplantado em 12 horas.

Ossos: podem ser transplantados em até seis meses.

Velório