Category Archives for "Editoriais"

May 19

06/06/2003 – #026 – O Elo Perdido

By Rafael Reinehr | Editoriais , Simplicíssimo

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Ontem, quando cheguei em casa do trabalho, destruído, a primeira coisa que fiz foi sentar no sofá, esticar nas pernas e… …assistir à TV. Estava passando na TVE uma reportagem muito interessante sobre a vida do nosso futuro imortal, Moacyr Scliar. Como é bom ver uma pessoa tão grande e tão humilde e simples ao mesmo tempo. Inspirações ao dirigir, ser caseiro, família, sem regras de tempo para criar… Começou escrevendo de si, menino do Bom Fim; depois do seu bairro e seus acontecimentos; de sua religião, de sua profissão; de quem admirava e com quem conviveu. Como disse Armindo Trevisan na reportagem, parafraseando Tchekov “Se queres ser universal, canta a tua aldeia“. Assim é Scliar. Há alguns anos, 1997, se não me engano, fiz um curso de Antropologia de Culturas Urbanas e História da Ciência Não Ocidental com o Ruben Oliven, o Ivan Izquierdo e o Moacyr Scliar. Pude então conhecer um pouco mais desse médico e escritor que até então era um ícone distante para mim. Continua a ser um ícone, mas um pouquinho mais próximo. Descobri que podemos tocar nele e apertar sua mão. Não cai pedaço nem nos transformamos em coisa alguma. Foram 4 meses de curso e muito aprendizado. Essa edição tem um quê de especial também por mais dois motivos: o primeiro deles é o fato de que cada vez mais chegam sugestões, críticas e comentários ao Simplicíssimo. Um exemplo disso é a presença do ilustre Dr. Rogério Amoretti, diretor técnico do Grupo Hospitalar Conceição (se não me engano, segundo maior complexo de atendimento em saúde pública do país, atrás apenas do complexo da USP em São Paulo), comentando o editorial da última edição. Vale a pena conferir. O segundo motivo é o anúncio de que o site do Simplicíssimo ficará pronto este fim de semana. Estamos aguardando o envio, por parte dos autores das edições anteriores, de fotos e outros “enfeites” para sua página individual. A festa de lançamento do site está confirmada. Em breve estaremos divulgando local, data e as bandas que estarão “animando a festa”! Contamos com a presença maciça dos assinantes e de seus “anexos” (“cônjuges”e amigos inclinados a essa psicodelia literária). Grande abraço e até breve. Bem breve.

Rafael Luiz Reinehr

May 12

30/05/2003 – #025 – Orçamento participativo

By Rafael Reinehr | Editoriais , Simplicíssimo

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Nesta “capital do Fórum Social Mundial” ouve-se tanto (e fala-se tanto) em orçamento participativo… Eu mesmo, conhecendo por jornais e tevê já fui analista da referida forma de distribuição dos recursos públicos. Falar com conhecimento parco é fácil. Também é fácil errar o palpite. Sempre achei o Orçamento Participativo a oitava maravilha do mundo. Uma idéia genial, daquelas que você sempre gostaria de ter tido (tipo a idéia da Grande Cooperativa Mundial – Simplicíssimo edição # 003 ). Ora bolas: quem melhor do que as próprias pessoas que vivem no ambiente a ser favorecido pelos benefícios para escolher o que priorizar e o que postergar (sempre lembrando que os recursos são limitados). Essa idéia de perfeição sumiu a alguns dias atrás. Trabalho no Hospital Nossa Senhora da Conceição, hospital vinculado ao Ministério da Saúde e portanto órgão federal. Agora, como PT liderando o executivo e “mandando” no Hospital, decidiram implantar, pela primeira vez o “Orçamento Participativo” no Hospital. Bem, lá fui eu me candidatar a uma das 13 vagas para delegado da Gerência de Residência Médica para votar o Orçamento Participativo. Essa parte foi fácil: o número de candidatos era igual ao número de vagas! Pulando algumas etapas, chegamos ao dia da grande assembléia! Um dia inteiro reunidos em um galpão para votar entre as mais de 80 propostas feitas pelas diferentes gerências do hospital, que representavam funcionários das gerências de administração, informática, apoio (UTI, bloco cirúrgico, obstetrícia), pacientes externos (emergência e ambulatório), SADTS (exames), internação, residência médica e G8 (outras gerências). A apresentação de praticamente todas propostas foi realmente comovente. Pudemos ver a precariedade de diversas áreas do Hospital, muitas vezes distante da área em que trabalhamos. Fiquei sabendo que chove dentro do almoxarifado e na lavanderia, podo em risco material de valor estocados no primeiro e arriscando contaminação através de secreções que existem em roupas e lençóis que vão para a segunda. Pessoas trablaham em condições bem abaixo do mínimo aceitável, condições que dificilmente um “adicional por insalubridade” conseguiria compensar. Na UTI, sala de recuperação, salas de cirurgia, emergência, internação, a falta de equipamentos em quantidade necessária à demanda do hospital e o uso de equipamentos comprados há mais de 20 anos, quebrados e adaptados com esparadrapos e fitas adesivas mostra a precariedade das condições de atendimento, expondo em risco o profissional que atende o paciente mas, sobretudo, a própria vida do paciente, que não tem acesso às melhores condições de tratamento de sua enfermidade. O serviço de informática está limitado por centrais e servidores lotados que não comportam a expansão de terminais necessários à ampliação do atendimento que vem ocorrendo com o crescimento do Hopital, o que provoca lentidão no processamento de dados, agendamento de consultas, realização e resultados de exames e assim por diante. Não existem condições adequadas de estocagem da comida, tanto no refeitório para os funcionários quanto da comida oferecida aos pacientes, pois as câmaras refrigeradoras estão com vazamento, e a situação já foi inclusive verificada pela vigilância sanitária que exigiu mudanças por parte do Hospital. O serviço de residência médica que traz importante verba para o Hospital (já que a tabela do SUS é sobretaxada em 50% graças a presença de programas de residência médica no Hospital) sofre de terrível descaso, pois não são feitas assinaturas de jornais científicos nem aquisição de livros novos na medida necessária; não existe sala de aula equipada com materiais didáticos necessários ao pleno desenvolvimento das atividades técnico-científicas. Não existe, no andar de internação, equipamento mínimo necessário funcionando para atendimento seguro e correto de uma parada cardíaca por parte dos médicos residentes, causando a morte de pessoas e frustração por parte da equipe médica e de enfermagem. A situação no Hospital que faço residência, acreditava eu, era ruim. Agora sei que é calamitosa. O Orçamento Participativo me fez ver, de forma ampliada a real situação que vive meu Hospital: Necessários mais de 3 milhões de reais para resolução nas necessidades URGENTES, que não podem esperar de maneira alguma, sendo que somente 1,5 milhões são disponíveis para o ano de 2003. Essa situação certamente pode ser ampliada a um macronível, quer seja ele municipal, estadual ou federal. Vemos assim que as soluções que ora imaginava serem possíveis com a “revolução do Orçamento Participativo”, na verdade são apenas remédios paliativos, que pobremente aliviam os sintomas. Na conclusão, várias áreas acabaram ficando sem nada. Zero. Null. Gar nichs! Outras foram realmente privilegiadas. Democracia? Cartas marcadas? Conchavos e poiticagem? Eu estava lá e vi (e ouvi) com meus próprios olhos (e ouvidos)… A esperança ainda sobrevive, mas seu foco, para mim, desviou-se um pouco da idéia de Orçamento Participativo… Pelo menos a experiência que vivi não foi satisfatória… Quem sabe com outras regras e estruturação menos vinculada ao “tudo ou nada” e garantindo ao menos pequenas melhorias a áreas importantes mas com pouca participação seria uma solução… As mudanças virão… Até lá, tente não ficar doente…

Rafael Luiz Reinehr

May 05

23/05/2003 – #024 – Poesia prá quê?

By Rafael Reinehr | Editoriais , Simplicíssimo

Não há, ó gente ó não, luar como esse do sertão…

Quando conseguimos parar nossas vidas, descer delas, dar uns passos e olhar para ela, ali, inerte, podemos aprender muito. Podemos aprender que velocidade em excesso não é bom. A pressa é realmente inimiga da perfeição.

Contemplação é necessária para que possamos perceber que fomos feitos também para gozar a vida, não somente construir futuros desenfreadamente sem usufruir. Volta e meia nos deparamos com problemas em nossa existência. Desde os mais simples: dívidas a pagar, prazos de entrega ou realização de compromissos, até mais importantes como casamento, aposentadoria, falecimento de entes próximos, etc. Nesses momentos, alguns de nós têm a percepção de que estão em um beco sem saída, encurralados, sem opções. Esse é um momento bom para parar tudo, dar uns passos atrás (ou ao lado) e observar nossas vidas.

Crises vitais e problemas são, na verdade, grandes aliados: são ferramentas que nos dão a oportunidade de recomeçar ou incrementar nossas atitudes positivas frente à vida. Momentos de amargura e sofrimento são inerentes à condição humana. Não podemos esquecer disso em nenhum momento. Recarregar as energias é a pedida!

Atravessar precipícios em pinguelas cambaleantes e mergulhar em águas gélidas faz parte do nosso caminho. Sabemos disso, entretanto queremos negar tal aspecto da existência. Contos de fadas são contos de fadas. Vidas reais são as nossas vidas. Objetivos existem e devem ser atingidos, principalmente quando norteados por princípios éticos e morais bem delimitados. Vamos dar o tempo que nossos atos precisam para colher os frutos.

Rafael Luiz Reinehr

A tristeza é só um esquecimento. Você esqueceu que foi criado pela luz e para a luz, Mas agora está no escuro, Que é só o meio do caminho” – Cleber Saffi – 29/04/03

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Aug 12

16/05/2003 – #023 – Febre de rachar a boca!

By Rafael Reinehr | Editoriais

Uma das coisas que mais tenho apreço é ao conhecimento. Ao lado das formas mais variadas de expressão artística, o conhecimento tem cadeira cativa no rol de preferências da minha vida. De tal forma, qualquer pessoa que possa me trazer conhecimento (quer seja técnico ou mesmo humano) pode ter certo que terá meu respeito. Não tenho vergonha em me espelhar em pessoas a minha volta e mesmo dizer isso para elas. Sou propagandista número 1 daqueles que me ensinam coisas. Agora mesmo, aprendendo a lidar com o Dreamweaver e programação HTML: esse é um conhecimento que nunca vai me deixar, e graças ao meu grande amigo Eduardo Sabbi, vou levar comigo um conhecimento que pode abrir várias portas. Continue lendo

Aug 12

09/05/2003 – #022 – Patrulhando o espaço, ninguém viu, ninguém vê…

By Rafael Reinehr | Editoriais

Hoje realmente foi um dia curioso. Trabalhei com calma, beeeeem na lenta. Dei uma "baixada" no ritmo… …e me senti muito bem! À noitinha estava, em um momento de folga, assistindo à TV, quando a "auxiliar de serviços gerais" do local, com seus 40 e poucos anos me disse o seguinte, logo após tido a cumprimentado efusivamente, como é de meu costume: "- Doutor, esse primeiro de maio foi meu primeiro em que passei trabalhando. Muito bom isso né?" Vi aquele sorriso sincero em seu rosto, cheio de felicidade que só alguém que tem seu trabalho e o sustento da família (temporariamente) garantidos pode exibir. Concordei com ela e a parabenizei. Disse-lhe que, sendo ela uma ótima funcionária, agora seu emprego estaria garantido. Reforcei seu otimismo, sua esperança e sua alegria. Disse isso mesmo sabendo que, muitas vezes, a lógica da empresa não é a lógica do justo, ou a lógica do merecimento. Continue lendo

Aug 12

02/05/2003 – #021 – Gimme the night, e-zine o escambau!

By Rafael Reinehr | Editoriais

Às vezes me pego a pensar: porque tudo isto? Porque essa necessidade de comunicação, de criação literária que me incita a juntar combinações de palavras e deixá-las registradas no que eu chamo de Éter Universal? Em tempos tão fugidios, onde o contato pessoal acaba ficando um pouco "de lado" em relação a contatos "virtuais". Essa ânsia de escrever, já reparei, não é só minha. Proliferam-se centenas de centenas de e-zines, blogs e outras formas de expressão literária (ou visual) na Internet (que tornou essa forma de expressão acessível a qualquer um que tenha próximo de si um computador conectado à Grande Teia). Pessoas com desejo de expressar seus sentimentos e opiniões, os "Críticos da Ordem Vigente" são milhões. Alguns com maior outros com menor qualidade, todos com o mesmo intuito: serem ouvidos. Continue lendo

Aug 12

25/04/2003 – #020 – Atchim! Saúde, né!?

By Rafael Reinehr | Editoriais

Pneumonia asiática (ou canadense) batendo à nossa porta (ou entrando pela nossa janela) e o mundo segue a girar… Elocubrando: será que esse vírus não foi manipulado e criado em um laboratório norte-americano elançado lá na China (perto da Coréia do Norte, sabe…) durante a guerra (ouum pouquinho antes) enquanto as atenções estavam voltadas para o Iraque,para, ao invés de enfrentar o furacão atômico vermelho em outra guerra, otal vírus fizesse o trabalho? (é incrível como escrevo frases longas semponto final…; tenho que melhorar isso!) Continue lendo

Aug 12

18/04/2003 – #019 – Peixe e Chocolate, Mistura Fina

By Rafael Reinehr | Editoriais

Mais um editorial com "trilha sonora". Começa com "Não se reprima" – Menudos. Essa semana tive uma boa notícia: uma figura muito louca, através do intermédio de uma leitora e, em breve, colaboradora, propôs o patrocínio para a impressão e distribuição local do Simplicíssimo! ("Dá pra mim" – Polegar) Tudo bem, não era esse o objetio inicial do "e-zine", ou seja, transformar-se em mídia impressa. Mas a idéia me atraiu. Afinal, do jeito que a coisa vai, chegaremos aos 1000 leitores lá pela edição 327… Noto que, enquanto muitas pessoas não estão nem aí com a "tiragem" ou o alcance do jornalzinho, muitas outras estão, e não estão afim de gastar saliva (ou células mortas da cútis dos dedos e um pouco de trifosfato de adenosina cerebral) ("Senegal" – Reflexus) com parcos 98 mentes receptoras. Então, a impressão e distribuição do jornal pode ser um estímulo para mais seres pensantes registrarem suas idéias e apontamentos… ("Johnny be good" – Chuck Berry) Vamos ver se a idéia sai do papel nos próximos meses… Chuva gostosa… ("Palpite" – Adriana Calcanhoto) Continue lendo

Aug 11

11/04/2003 – #018 – Sessenta e quatro casas e trinta e duas peças

By Rafael Reinehr | Editoriais

    O jogo de xadrez sempre me encantou. Desde pequeno. Quando ganhei meu primeiro tabuleiro, lá pelos 9 anos, do meu ex-padrasto, fiquei maravilhado. Passei a jogar com freqüência por muito tempo. Passei a ensinar quem não sabia para que pudessem jogar comigo. Só que logo me apercebi que isso não dava certo: a pessoa, recém-ensinada, precisava de um tempo para desenvolver suas habilidades. Resumo da história: ganhava sempre dos meus aprendizes. Mas não foi sempre assim; encontrei oponentes à altura e senti, finalmente (e felizmente) o amargo gosto da derrota. Amargo e reedificante: a mim, a derrota faz levantar mais forte, com mais vontade de aprender e crescer. Mas não era sobre isso que eu ia escrever hoje. Acho que ia falar sobre o fim da guerra, mas esse é, na verdade, só o começo… Continue lendo

Jul 11

04/04/2003 – #017 – Edição de luto

By Rafael Reinehr | Editoriais

     O título desta edição não poderia ser outro. Luto pelas dezenas de famílias que já perderam filhos, cônjuges, pais, primos, tios, avós, netos e o escambau nessa guerra idiota. Mas, no meu caso, refiro-me ao luto pela perda de minha avó paterna, hoje à tarde, às 14:10. Meus avós já havia perdido antes. Meu avô paterno logo após nascer, nem havia completado um ano de idade. não senti nada, pois nem entendia o mundo ainda. Meu avô materno perdi com dez anos de idade. Lembro que sofri bastante naquela ocasião, pois esse meu avô era muito presente para mim. Continue lendo

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