Pouco mais que pão – Allan Robert P. J.

By Rafael Reinehr | Caldeirão de Sabores

Jul 17
Allan

    Estréia hoje com um convidado especialíssimo a Seção de Chefs Convidados do Caldeirão de Sabores. Não poderia ser ninguém mais ninguém menos do que o amigo Allan Robert J., atualmente morando em Piacenza na Itália, de onde a fera maneja com maestria seu blog Carta da Itália.

    Captando com especial sensibilidade o espírito desta coluna, o Allan preparou um texto e uma receitas de outro mundo para estrear esta Seção, e não tenho mais o que fazer senão agradecer do fundo do coração pela atenção e carinho na confecção deste texto. Mas chega de papo e vamos ao que interessa: a receita do nosso Chef Convidado: Allan Robert J. Fala Allan!

Allan

Quando o Rafael me pediu para estrear a seção de chefs convidados fiquei lisonjeado. Logo comecei a imaginar que prato sugerir para esse inverno brasileiro, quais ingredientes usar, que vinho recomendar…

Após ler o texto do próprio Rafael sobre ovos, refleti sobre a receita a apresentar e deduzi que de pouco serviria uma receita elaborada, com ingredientes difíceis de encontrar ou que custam o olho da cara. Seguindo o exemplo de simplicidade do Rafael, optei por uma receita que pode ser adaptada, modificada e variada, sem que isso interfira sobre o prato escolhido.

Na Itália, quando se quer falar bem de uma pessoa, costuma-se dizer “Fulano é bom como o pão”. Pão é uma coisa boa, que não pode fazer mal a ninguém; uma unanimidade positiva onde quer que se vá. O pão, sozinho, é capaz de matar a fome de qualquer um e é um alimento relativamente fácil de se fazer.

    Estréia hoje com um convidado especialíssimo a Seção de Chefs Convidados do Caldeirão de Sabores. Não poderia ser ninguém mais ninguém menos do que o amigo Allan Robert P.J., atualmente morando em Piacenza na Itália, de onde a fera maneja com maestria seu blog Carta da Itália.

    Captando com especial sensibilidade o espírito desta coluna, o Allan preparou um texto e uma receitas de outro mundo para estrear esta Seção, e não tenho mais o que fazer senão agradecer do fundo do coração pela atenção e carinho na confecção deste texto. Mas chega de papo e vamos ao que interessa: a receita do nosso Chef Convidado: Allan Robert P.J. Fala Allan!

Allan

Quando o Rafael me pediu para estrear a seção de chefs convidados fiquei lisonjeado. Logo comecei a imaginar que prato sugerir para esse inverno brasileiro, quais ingredientes usar, que vinho recomendar…

Após ler o texto do próprio Rafael sobre ovos, refleti sobre a receita a apresentar e deduzi que de pouco serviria uma receita elaborada, com ingredientes difíceis de encontrar ou que custam o olho da cara. Seguindo o exemplo de simplicidade do Rafael, optei por uma receita que pode ser adaptada, modificada e variada, sem que isso interfira sobre o prato escolhido.

Na Itália, quando se quer falar bem de uma pessoa, costuma-se dizer “Fulano é bom como o pão”. Pão é uma coisa boa, que não pode fazer mal a ninguém; uma unanimidade positiva onde quer que se vá. O pão, sozinho, é capaz de matar a fome de qualquer um e é um alimento relativamente fácil de se fazer.

O italiano costuma dizer que passou a “pão e cebola” quando quer ilustrar um período de dificuldades. Isso chega a ser mais que uma simples expressão idiomática, pois remete a tempos difíceis de quem enfrentou as grandes guerras, quando haver pão e cebola era já um luxo em determinadas regiões. Uma cebola que precisava ser suavizada pela água ou azeite e um pão nem sempre fresquinho.
 

BruschettaA gastronomia conta muito sobre a cultura de um povo. Muitos pratos acabam deixando de representar apenas a cozinha pobre e vão parar nas mesas dos restaurantes mundo afora, como a bruschetta, cuja origem é a Itália central (a pronúncia correta é bruskêta). Prato do camponês da Toscana, Lazio e Umbria, no início não passava disso: uma fatia de pão amanhecido – mas não duro – de dois, três dias, aquecida em uma chapa sobre brasas e temperada com azeite de oliva, pimenta do reino e sal, e que servia de almoço aos pastores e vinicultores – que de sobremesa consumiam cachos de uvas. Já não era o “pão com cebola”, até porque, com o tempo, substituíram a cebola pelo alho.

É possível encontrá-la com outros nomes: Fettunta, na Toscana; soma d’aj, em Piemonte e panunto em outras regiões. Só está ficando difícil encontrá-la com a mesma receita em mais de um lugar. Portanto, o que define a “vera bruschetta” não são os ingredientes, mas o modo de prepará-la. A receita abaixo é uma das poucas que se pode encontrar na maioria dos bares, restaurantes e cervejarias.

 

Bruschetta al pomodoro

Pão Pugliese rotondo (o pão italiano que se encontra fácil no Brasil)
Alho
Tomate
Mozzarella
Manjericão
Sal
Pimenta do reino
Azeite extra virgem de oliva

Bruschetta 2

Bruschetta 3 Corte o pão em fatias de um dedo de espessura. Lave e corte os tomates e o manjericão; corte a mozzarella em cubinhos; descasque o alho e corte-o ao meio. Na falta de uma chapa – não use a grelha para que o carvão não interfira no aroma e sabor final – use uma frigideira. Aqueça-a bem e coloque a fatia de pão. Quando o pão estiver ligeiramente dourado, esfregue bem o alho nos dois lados e coloque-o num prato; tempere com um fio de azeite, uma pitada de sal e outra de pimenta do reino e cubra com o tomate, a mozzarella e o manjericão. Sirva ainda quente. Há quem prefira levar a bruschetta ao forno para fazer derreter a mozzarella. Experimente e decida como preferir. O importante é não deixar torrar o pão.

 

Além de tudo é um prato flexível. Você pode, por exemplo, cobrir o pão já quente e temperado com tomate e anchovas. Uma outra variação interessante: corte a julienne (em tirinhas finas) um pouco de pimentão amarelo, abobrinha e beringela, refogue ligeiramente em uma frigideira com pouquíssimo azeite extra virgem de oliva e use a mistura para uma bruschetta vegetariana. Prove a original, só com alho, sal, pimenta do reino e azeite de oliva e, depois, crie a sua própria receita. Você vai descobrir o que os camponeses italianos – e não só os camponeses – já sabem há muito tempo: pão puro é bom, mas bruschetta é melhor.

Allan Robert P. J.
 

Banner da Zen Nature produtos orgânicos, sustentáveis e oriundos do comércio justo

banner do Medictando - O Bem-estar ao seu alcance

Gostou deste post? Se ele lhe ajudou, que tal doar 1 real para que continuemos produzindo conteúdo assim?
Doação Única de Qualquer Valor via PagSeguro: https://pag.ae/blhvRmR
Regras para comentários: Tudo OK criticar, mas se você trolar, seu conteúdo será deletado. Divirta-se e obrigado por somar à conversação.

(13) comments

Add Your Reply