O Estuprador e o Indulto de Natal

By Rafael Reinehr | Contos

Jan 09

Quais são os riscos e os benefícios de liberar um criminoso durante as festas natalinas? Durante este texto você vai se colocar no lugar de duas famílias e ajudar a decidir…

 

Dia 25 de Dezembro. Na noite anterior, a ceia na casa da família Silva tinha sido ótima. Seu Franciel e dona Amália tinham recebido seus filhos que moram em Criciúma e Araranguá e, juntamente com a filha Verônica que com eles residia, tiveram uma noite muito agradável, regada a boa comida e conversas animadas.

 

Dia 25 de Dezembro. Na noite anterior, a ceia na casa da família Santos tinha sido ótima. Seu Aristides e dona Severiana tinham recebido seus filhos que moram no Arroio do Silva e seu filho Leonardo, preso há dois anos por roubo e tentativa de estupro, que recebeu o indulto de Natal e estava passando os dias com a família em Sombrio. Conversas animadas, boa comida… Uma noite muito agradável.

 

Gustavo e Frederico Silva voltaram para Araranguá e Criciúma na tarde daquele dia, já que no dia 26 trabalhavam. Despediram-se dos pais e da irmã e rumaram para suas casas.

 

Leonardo Santos avisou aos irmãos que ia passar o dia com os amigos, que não lhe esperassem para jantar.

 

Na casa de Verônica, a janta era feita com as sobras da ceia da noite anterior. Sentados na mesa de jantar, Verônica, seu Franciel e Dona Amália conversavam sobre a incapacidade do ser humano em respeitar as diferenças, enquanto um barulho de vidro quebralho lhes chama atenção.

 

Leonardo encontra-se com seus amigos para uma roda de fumo, bebida e pó. Conta para os camaradas que ainda não sabe se vai voltar ao presídio na segunda-feira, quando acabar o indulto. Com a cabeça ainda “ativada”, se despede do grupo e vai em direção à sua casa.

 

Quando Verônica se levanta para ver que barulho era aquele, um homem com cerca de um metro e noventa entra cozinha a dentro, vindo dos fundos da casa e manda todo mundo “ficar frio que ninguém ia se machucar”.

 

Leonardo tem uma idéia súbita: se realmente resolver ficar na rua, vai precisar de grana pra se manter foragido. Olha para o lado direito e vê a casa de sua antiga professora do primário. Se lembra que sempre morava sozinha, e resolve entrar. Pelos fundos. Quebra o vidro da porta, gira a chave por dentro e entra. Na mesa da cozinha, a professora e duas pessoas mais velhas. Diz:

– Fica todo mundo frio aí que ninguém vai se machucar.

 

Verônica, apavorada, reconhece na face machucada, barba por fazer e uma grande cicatriz à direita, o rosto de alguém que não vê há muito tempo. Seu Franciel se levanta para tirar satisfação, e em menos do que um instante já está deitado no chão, com a boca cheia de sangue, ouvindo os gritos da esposa e da filha.

 

Mas o velho teimoso não lhe escuta e resolve se meter a machão. “Tu vai ver o que é bom filhadaputa”. E Leonardo lhe desfere um forte soco que acerta o velho na boca, levando-o ao chão. Pega o braço da velha e da jovem e as carrega até o banheiro. Depois volta até o velho, chuta-lhe a boca e a cabeça e o arrasta até o banheiro.

 

O homem a agarra pelo braço, assim como à sua mãe e as tranca no banheiro. Logo traz, puxando pelas pernas, seu pai desfalecido. Ela pensa em gritar, mas o pavor é tanto que fica paralisada. Tenta ficar calma, mas mal consegue pensar. O invasor pede que a leve até algum dinheiro, dizendo que depois irá embora.

 

Leonardo pede que a professora lhe dê todo dinheiro que tiverem em casa.

– Ninguém precisa se machucar. Me dá o dinheiro e eu me mando.

 

Verônica o leva até os quarto dos pais, pega a caixa guardada na parte superior do armário, atrás de uma pilha de roupas e entrega a Leonardo. Três mil reais, é tudo que eles tem em casa.

 

Leonardo pega os três mil reais da caixa, mas antes de ir embora, ele precisa matar mais uma vontade reprimida nestes dois anos na prisão.

 

Verônica sente um olhar estranho em Leonardo, e o terror que já era gigantesco quase a faz desfalecer.

– Agora, fica quietinha se não quiser que eu te corte toda. E começa a arrancar a roupa da professora, que, pálida e com o corpo todo tremendo, não esboça nenhuma reação.

 

Verônica sente que está perdendo a consciência. Uma mistura de náusea, horror, vertigem e embrulho no estômago se somam ao tremor generalizado em seu corpo. Seus músculos não respondem à ordem que grita, dentro da sua cabeça: “Reaja, lute, se defenda, fuja…”

 

Leonardo penetra Verônica com toda força e disposição acumuladas no tempo em que ficou preso. Agarra seus seios e depois afasta suas coxas com vigor, para penetrar mais fundo. Ejacula dentro de Verônica, e o faz com um gemido de prazer. Levanta sua cueca, fecha o zíper e vai embora, sem olhar para trás.

 

Dia 25 de Dezembro. Um funcionário de plantão na delegacia de polícia de Sombrio recebe uma denúncia de assalto, agressão física e estupro. E pensa: “Porque uma merda dessas justamente no meu plantão? Vou ter que chamar o delegado…”

 

(O conto acima foi baseado em uma história real, contada por uma paciente minha no dia 08/01/2009, ocorrida com uma amiga dela, no último Natal. Os nomes dos personagens não condizem com a realidade, e alguns fatos foram omitidos e outros modificados, tornando esta uma obra de ficção.)

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