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O Rimonabant (Acomplia) é uma droga anorexígena anti-obesidade. É um antagonista do receptor do canabinóide CB1. Sua forma principal de ação é a redução no apetite. Rimonabant é o primeiro bloquador seletivo do receptor CB1 a ser aprovado em qualquer lugar para o uso no mundo. Na Europa, indica-se para o uso conjuntamente com a dieta e o exercício para pacientes com um índice da massa corporal (IMC) maior que 30 kg/m², ou em pacientes um IMC maior que 27 kg/m² com fatores de risco associados, tais como diabetes tipo 2 ou dislipidemia. No Reino Unido, está disponível desde o fim de julho 2006. No Brasil, está previsto seu lançamento para o final de julho de 2007.
O uso do Rimonabant deve ser feito em combinação com dieta e exercício físico.
Logo após a introdução no mercado, os relatórios da imprensa e os estudos independentes sugeriram que os efeitos colaterais ocorrem de forma mais intensa e freqüente do que mostrado pelo fabricante em seus estudos clínicos. Os relatos de depressão severa são freqüentes.
Cessação do hábito de fumar também é um efeito benéfico esperado com o uso de Rimonabant, apesar deste uso não ter sido aprovado pelo FDA. A Sanofi-Aventis, laboratório proprietário do produto, está conduzindo atualmente estudos para determinar o valor do rimonabant na terapia da cessação do tabagismo.
Além dos efeitos benéficos na redução de peso (em artigo publicado na revista científica The Lancet mostra que as pessoas que ingeriram o remédio perderam em média 8,6 quilos em um ano. A substância consegue impedir a compulsão por comida e por conseqüência, reduzir o peso e as doenças cardíacas.
O estudo foi feito com 1.507 pessoas obesas ou acima do peso na Europa e nos Estados Unidos, sendo que 920 pessoas concluíram o tratamento em um ano e reduziram em média 8,5 cm da cintura. Todos os participantes tiveram que cortar 600 calorias de sua dieta diária.
39% dos voluntários que tomaram Rimonabant perderam 10% ou mais de seu peso em 12 meses e baixaram seus níveis de colesterol. Contudo, alguns efeitos colaterais como náuseas, tonturas e diarréias, também foram identificados.
Alguns tópicos precisam ser discutidos e certamente vão gerar grande polêmica antes de serem esclarecidos.
Em primeiro lugar, o sensacionalismo que acompanha o lançamento de novos fármacos que prometem “milagres” é a regra, pois assim aconteceu com o Viagra, Lipitor, Xenical e outras mais. O Acomplia será, como se verá, mais uma droga no armamentário médico, com efeito moderado no controle da glicemia, dos níveis de colesterol, da obesidade abdominal e da ansiedade. Casos graves necessitarão certamente uso de mais uma ou dois fármacos sempre acompanhados de modificações no hábito alimentar e inclusão de atividade física regular.
Como sempre ocorre, muitas pessoas (geralmente mulheres) com índice de massa corporal menor que 27 irão buscar no Acomplia a resolução de seus depósitos localizados de gordura abdominal, fugindo das indicações científicas. Isso já ocorre hoje com a Sibutramina e mesmo procedimentos altamente invasivos como a indicação de cirurgia bariátrica têm suas indicações “logradas” por pacientes e seus médicos no afã de resolver de forma mais rápida a obesidade.
Não faltarão aqueles que usarão do argumento de que, se o Rimonabant age no sistema endocanabinóide, porque então, se existe um fármaco regulamentado para uso medicinal, porque não liberar a maconha, por exemplo? A diferença encontra-se justamente na seletividade aos receptores canabinóides CB1, cujos efeitos são razoavelmente conhecidos. Nada impede, entretanto, que a utilização a longo prazo (mais de 10 anos, de forma continuada) de medicações como o rimonabant possam trazer efeitos tão deletérios quanto a maconha no sistema nervoso central como redução da memória e atrofia cerebral progressiva.
Ao mesmo tempo que o uso do rimonabant pode ser antecipado em um grande número de pessoas com síndrome metabólica (sobrepeso, alteração da glicose, aumento da gordura abdominal, hipertensão, alteração dos lipídeos e resistência à ação da insulina), seu custo elevado (estimado em 320 reais no momento do lançamento, no final de julho de 2007) vai impedir seu uso disseminado logo no princípio.
Os primeiros a utilizarem serão pessoas com grande poder aquisitivo e, interessantemente, serão as grandes cobaias deste experimento que continua assim que uma nova medicação é colocada à venda, já que é fácil compreender – os estudos científicos são feitos com 6, 10, 20 mil pessoas, e a fase de uso clínico inclui centenas de milhares ou milhões de usuários no mundo inteiro. É nesse momento que boa parte dos efeitos adversos ainda não descobertos aparecerão.
Sem dúvida nenhuma, entretanto, estou na expectativa da chegada deste novo medicamento e já tenho vários pacientes que querem utilizá-lo, por agrupar em uma só pílula o efeito de várias, com o benefício importante de uma redução da cintura e da gordura abdominal, até agora não conseguido com nenhuma outra medicação exceto com o uso do hormônio de crescimento, extremamente caro e inacessível para tal fim.



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