dez 20

By rafaelreinehr | Uncategorized

O livro contra-ataca

O texto aqui comentado foi publicado na Folha de São Paulo no dia 13 de dezembro de 2003 e é uma tradução de uma palestra proferida por Umberto Eco na Biblioteca de Alexandria, publicada originalmente no jornal egípcio Al Ahram.

Cena: século XV, após a invenção da imprensa. Livro: “Nossa Senhora de Paris“, de Victor Hugo. O padre Claude Frollo olha de forma tristonha para as torres de sua catedral. A catedral medieval na época era o referencial “destinado a transmitir às pessoas tudo o que era indispensável para a sua vida cotidiana, assim como para a sua salvação eterna”

Na cena descrita, Frollo tem sobre sua mesa um livro impresso e sussurra: “Ceci tuera cela” – isto vai matar aquilo ou “o livro vai matar a catedral”, “o alfabeto vai matar as imagens”. Isso significaria que o livro desviaria as pessoas de seus valores mais importantes, incentivaria informação supérflua, a livre interpretação das Escrituras sagradas, uma curiosidade insana.

Pulando para 1960, vemos Marshall McLuhan escrevendo “A Galáxia de Gutemberg“, afirmando que a maneira linear de pensar representada pela invenção da imprensa estava prestes a ser substituída por uma forma “mais global de percepção e compreensão, por meio de imagens de TV ou outros tipos de aparelho eletrônico”!

Durante sua palestra Eco pretende responder a duas perguntas:

1. Os livros desaparecerão como objetos físicos?

2. Os livros desaparecerão como objetos virtuais?

Respondendo à primeira pergunta, Umberto lembra que mesmo logo após a invenção da imprensa não era somente através dos livros que se poderia adquirir informação: haviam pinturas, imagens populares impressas, lições orais (peças teatrais) e assim por diante. Ele separa os livros em dois tipos: os que são para ler e os que são para consultar.

O primeiro tipo de livro, acredita, dificilmente será substituído pela simples expansão da “grande rede”. Seria aquele “livro de cabeceira”, que você começa na página um e segue em ordem até o fim, seguindo o roteiro, a trama, a história em sua seqüência natural. Já existem mídias como os e-books e até leitores eletrônicos portáteis para e-books mas os mesmos não emplacaram. Todos sabemos quão cansativa é realizar uma leitura direto da tela do computador e, geralmente, acabamos usando a impressora para colocar no papel textos muito extensos.

Quanto ao segundo tipo de leitura, a de consulta, representada por dicionários e enciclopédias principalmente, esse sim torna-se facilmente substituível pela mídia eletrônica e mais recentemente pela internet. Hoje já existem enciclopédias inteiras em um ou em poucos CDs e, melhor ainda, podemos formular complexas perguntas que podem ser respondidas em minutos sendo que antes necessitavam de consulta a vários volumes de uma enciclopédia ou mesmo a vários livros diferentes.

A necessidade de ter uma enciclopédia que muitos de nós sente (ou sentia) está cada vez menor nas novas gerações. Questões como custo e espaço físico – além da praticidade de transporte de um CD-ROM estão vencendo o gostoso cheiro do papel e sepultando definitivamente os livros de consulta impressa.

Umberto Eco também cita uma nova invenção prestes a ser explorada industrial e comercialmente: a impressão por encomenda (na qual o leitor, após fuçar nos catálogos de várias bibliotecas ou editoras, pode selecionar o livro desejado e mandar imprimir e encadernar um único exemplar usando a fonte escolhida.

Seguindo a leitura do texto, encontro duas passagem em que discordo do autor. A primeira, quando ele diz:

“…há numerosas criações tecnológicas que não tornaram obsoletas as anteriores. Carros correm mais do que bicicletas, mas não tornaram obsoletas as bicicletas, e nenhum aprimoramento tecnológico pode tomar uma bicicleta melhor do que foi antes”.

Contra-argumento afirmando que, e usando o mesmo exemplo dado, daquelas antigas bicicletas com a roda dianteira 20 vezes maior que a traseira até nossas modernas e estilosas “mountain-bikes” com freio a disco, câmbio de 24 marchas e amortecedor com pressão regulável houve uma grande melhoria, indubitavelmente (apesar de concordar que o conceito bicicleta não mudou – e nem poderia, pois do contrário bicicleta não mais seria!).

A segunda passagem de que discordo ocorre quando afirma-se que “…O computador cria novas modalidades de produção e difusão de documentos impressos. Para reler um texto e corrigi-lo, se não for apenas uma breve carta, é preciso imprimir, depois reler, em seguida corrigir no computador e reimprimi-lo. Não creio que alguém possa escrever um texto de centenas de páginas e corrigi-lo sem reimprimi-lo várias vezes”.

Com a primeira sentença concordo: o computador realmente ampliou a perspectiva de produção de papel impresso. Cada ser vivente com sua impressora, quer seja matricial, jato de tinta ou laser, tem sua própria gráfica expressa em casa. Discordo veementemente entretanto que seja necessário imprimir um texto para corrigi-lo. Inicialmente podemos usar os modernos corretores ortográficos para buscar palavras “nonsense” criadas por ignorância ou descuido ao teclar e, em um segundo momento podemos – e é o que faço – corrigir sentenças e palavras quanto à concordância, função e estilo na própria tela do computador, desde que não nos delonguemos por horas a fio nesta ingrata tarefa. Corrigir e reimprimir o texto várias vezes para mim é desperdício de tempo, dinheiro e árvores!

Puxa! Estou chegando somenrte à metade do que me propus escrever e o texto já está ficando muito grande. Já sei: vou continuar as seções subentituladas “nexo hipertextual“, “comedia dell’arte“, “ausência de autoria“, “chapeuzinho come o lobo” e “para salvar Napoleão” em uma “parte II” deste pôust. Do contrário, cansarei os olhos de quem está frente a esta colorida tela!

Quero agradecer aos primeiros visitantes deste “recém-rebento blógue” e compartilhar com vocês a felicidade de tê-los como amigos e cúmplices nesta grande viagem que é a teia mundial. Espero não decepcioná-los (muito) nesta trajetória, mesmo sabendo que é impossível agradar a todos (disse-me Deus em um lançamento de livro ou vernissage dia desses…).

Assim como meu amigo Cirillo, em seu blógue Simples Coisas da Vida referiu, em seu pôust do dia 18 de dezembro de 2003, não tomem seu tempo, incautos visitantes, para comentários do tipo “Oi! Gostei do seu blógue! Venha visitar o meu!”. Se tens algo interessante, original, criativo ou então um sentimento sincero, amigo ou crítica construtiva para registrar, tudo bem. Se não, nada de comentar por comentar no Escrever Por Escrever! Te liga bico, te liga bico de luz!

PRÓXIMOS PÔUSTS: “O livro contra-ataca (parte II)” , “Pôust Natalino” e “Da freqüência ideal dos pôusts em um blógue”.

dez 14

Primeira postagem do Escrever Por Escrever

By rafaelreinehr | Efervescências , Novidades!

Quando decidi iniciar este blógue, estava inundado por um sentimento de “falta de espaço”. Explico: sempre gostei de me expressar através da palavra escrita (e nunca fui de deixar estes apontamentos guardados!). Desde criança fazia fanzines – Nuclear Trash, Joe Volume, Simplicíssimo… – sendo que este último acabou por se transformar em e-zine e desde 26 de junho deste ano também em site. No início, o Simplicíssimo dava conta à vazão de minhas idéias e produção literária (se é que assim posso chamar). Hoje, com o crescimento do site e do número de colaboradores, meu espaço para contribuições tornou-se deveras limitado. Solução óbvia e natural: criar meu próprio blógue! Assim, fica o Simplicíssimo como uma espécie de “portal” para brilhantes escritores e seus escritos e este blógue para acolher minhas tantas outras tantãs idéias.

Desta forma, creio estar restabelecendo o equilíbrio e a harmonia em minha vida: abrindo este espaço para poder me expressar, valorizo o misto de acaso e determinismo que regem nosso caminho e espero trazer ordem do caos (ou caos da ordem) para aqueles que forem estimulados pelas palavras que aqui encontrarem.

Sejam extremamente bem-vindos a este “Armazém de Idéias” como gostaria de chamá-lo. Que fique absurdamente claro que, como jovem aprendiz na “Escola da Vida”, posso incorrer em erros e, portanto, a ajuda do digníssimo leitor será inestimável na correção dos mesmos, para que inverdades não se propaguem.

Sua participação é ardentemente desejada, para abrilhantar, apimentar e esquentar os temas aqui propostos. Tudo que se pede é amplitude de visão e pensamento. Que se liberte das amarras do pensamento convencional, linear e se mova em direção ao pensamento complexo – idealizado por Edgar Morin – que será figura freqüente nas páginas do Escrever por Escrever.

Começo então minhas incursões poético-filosófico-artístico-músico-cinematográfico-fotográfico-médico-tecnológico-humanitário-místico-sociológico-político-antropológico-literário-culturais analisando um artigo publicado no caderno mais! da Folha de São Paulo em 7 de dezembro de 2003. O artigo a que me refiro é assinado por Jurandir Freire Costa e versa sobre o lançamento de um interessante livro no Reino Unido: “Therapy Culture – Cultivating Vulnerability in na Uncertain Age“, traduzido pelo articulista como “Cultura da Terapia – Cultivando a Vulnerabilidade em uma Era de Incerteza” (sendo que acreditava eu ser correto “em uma Era Incerta”, pois incerteza seria “uncertainty” – ou estou errado?). O livro foi escrito por Frank Furedi, professor de sociologia da Universidade de Kent, Inglaterra.

Neste livro, assim como nos seus predecessores “Paranoid Parenting” e “Culture of Fear“, o autor analisa o impacto das crenças culturais na fundação da subjetividade.

Como subjetividade podemos entender todo o arcabouço de idéias concebidas e geradas pelo meio em que vivemos, também chamado de Capitalismo Mundial Integrado por Felix Guattari.

Assim, os meios de comunicação de massa e a literatura especializada vêm levando a um desmedido “emocionalismo” e “vitimização” que contaminam todos os setores da sociedade.

O “emocionalismo” é a prática cultural que incentiva a expressão de afetos privados em público. Os indivíduos, na ausência de paixões ideológicas, encontraram nas confissões emocionais a céu aberto um sucedâneo tosco e precário dos clássicos vínculos da cidadania. O espaço público foi, assim, parasitado pelas idiossincrasias emocionais das celebridades ou “pessoas comuns”, e, os sujeitos, levados a se reconhecerem mutuamente, não como cidadãos, mas como membros da confraria dos heróis do coração” – interpreta Jurandir.

Essa passagem não lembra alguns programas televisivos de hoje? Não lembra também o “fenômeno blog” em algumas de suas facetas?

Além disso, como diz Furedi “uma das piores seqüelas do emocionalismo é justamente um rebaixamento da dignidade individual. Hoje, o cidadão ou é consumidor ou vítima de alguma opressão. A ideologia emocionalista, de um só golpe, espremeu a sociedade em um sala-e-dois-quartos, fez da cena pública um espetáculo para alcoviteiros e, da vida privada, um laboratório improvisado de obviedades do senso comum, enunciadas como descobertas científicas”.

Já indo em direção à conclusão do artigo, Freire Costa critica a tendência de Furedi a propor um retorno à intimidade sentimental, valorizado os processos ditos “familiares”. Para tanto ele cita Arendt (suponho tratar-se de Hannah Arendt): “um dos mais tenazes equívocos do pensamento político-filosófico liberal consiste em empregar o termo liberdade como sinônimo de soberania. Liberdade não é um predicado da existência humana solitária, um estado mental autárquico que se possa gozar dando as costas ao mundo. Ser livre é a maneira que o indivíduo tem de se distinguir e exprimir sua distinção diante da sociedade dos iguais. Sem a visão plural dos outros, o recuo para o reino da intimidade pode redundar em quimeras, delírios, grandes idéias ou idéias insignificantes, mas nada disso importa ao exercício da liberdade“.

O fechamento que o psicanalista e professor de medicina social da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (autor de “Sem Fraude nem Favor” e “Razões Públicas, Emoções Privadas“) dá à sua análise crítica do livro é um grande convite à leitura do mesmo:

Furedi mostra, de forma convincente, como a exibição grotesca e despudorada da intimidade não indica coragem ou vontade de verdade, mas auto-indulgência e servilismo consentido. Ninguém se engrandece moralmente ao se apresentar em público como um manual de mazelas psicológicas, exploradas pela ganância de uns, pela idiotia cívica de outros ou pela estupidez política de muitos… …por fim, em brevíssimas palavras, um livro para ser lido e relido. Um olho para o horizonte da “hetero-ajuda” em meio à poluição tóxica de tanta “auto-ajuda”.

Precisa mais propaganda? O livro já está encomendado pela Livraria Cultura.

Quanto a esta questão da auto-ajuda “infestar” o mundo literário em nossos dias, lembro-me de uma Feira do Livro em Porto Alegre, há uns 4 anos atrás, quando esta invasão já ocorria. Passeava eu na companhia de minha amiga Evelise e meu amigo Fabiano quando, em um lampejo, surgiu a idéia para um paralelepípedo condensado de ensaios:

PARE DE SE AUTO-AJUDAR…

…e ajude aos outros

Um ensaio sobre a visão antropocêntrica de vida e de mundo

A idéia ainda não caiu no papel (nem no disco rígido) mas já encontrei um parceiro com idéias semelhantes sobre o assunto, o digníssimo Eduardo Sabbi, médico psiquiatra e grande colaborador do Simplicíssimo. Quem sabe até as cercanias de 2005 esta semente não se torne árvore esbelta e frondosa?

PRÓXIMO POST: “O livro contra-ataca” – análise da discussão proposta por Umberto Eco sobre os limites do mundo virtual

dez 14

By rafaelreinehr | Uncategorized

Quando decidi iniciar este blógue, estava inundado por um sentimento de “falta de espaço”. Explico: sempre gostei de me expressar através da palavra escrita (e nunca fui de deixar estes apontamentos guardados!). Desde criança fazia fanzines – Nuclear Trash, Joe Volume, Simplicíssimo… – sendo que este último acabou por se transformar em e-zine e desde 26 de junho deste ano também em site. No início, o Simplicíssimo dava conta à vazão de minhas idéias e produção literária (se é que assim posso chamar). Hoje, com o crescimento do site e do número de colaboradores, meu espaço para contribuições tornou-se deveras limitado. Solução óbvia e natural: criar meu próprio blógue! Assim, fica o Simplicíssimo como uma espécie de “portal” para brilhantes escritores e seus escritos e este blógue para acolher minhas tantas outras tantãs idéias.

Desta forma, creio estar restabelecendo o equilíbrio e a harmonia em minha vida: abrindo este espaço para poder me expressar, valorizo o misto de acaso e determinismo que regem nosso caminho e espero trazer ordem do caos (ou caos da ordem) para aqueles que forem estimulados pelas palavras que aqui encontrarem.

Sejam extremamente bem-vindos a este “Armazém de Idéias” como gostaria de chamá-lo. Que fique absurdamente claro que, como jovem aprendiz na “Escola da Vida”, posso incorrer em erros e, portanto, a ajuda do digníssimo leitor será inestimável na correção dos mesmos, para que inverdades não se propaguem.

Sua participação é ardentemente desejada, para abrilhantar, apimentar e esquentar os temas aqui propostos. Tudo que se pede é amplitude de visão e pensamento. Que se liberte das amarras do pensamento convencional, linear e se mova em direção ao pensamento complexo – idealizado por Edgar Morin – que será figura freqüente nas páginas do Escrever por Escrever.

Começo então minhas incursões poético-filosófico-artístico-músico-cinematográfico-fotográfico-médico-tecnológico-humanitário-místico-sociológico-político-antropológico-literário-culturais analisando um artigo publicado no caderno mais! da Folha de São Paulo em 7 de dezembro de 2003. O artigo a que me refiro é assinado por Jurandir Freire Costa e versa sobre o lançamento de um interessante livro no Reino Unido: “Therapy Culture – Cultivating Vulnerability in na Uncertain Age“, traduzido pelo articulista como “Cultura da Terapia – Cultivando a Vulnerabilidade em uma Era de Incerteza” (sendo que acreditava eu ser correto “em uma Era Incerta”, pois incerteza seria “uncertainty” – ou estou errado?). O livro foi escrito por Frank Furedi, professor de sociologia da Universidade de Kent, Inglaterra.

Neste livro, assim como nos seus predecessores “Paranoid Parenting” e “Culture of Fear“, o autor analisa o impacto das crenças culturais na fundação da subjetividade.

Como subjetividade podemos entender todo o arcabouço de idéias concebidas e geradas pelo meio em que vivemos, também chamado de Capitalismo Mundial Integrado por Felix Guattari.

Assim, os meios de comunicação de massa e a literatura especializada vêm levando a um desmedido “emocionalismo” e “vitimização” que contaminam todos os setores da sociedade.

O “emocionalismo” é a prática cultural que incentiva a expressão de afetos privados em público. Os indivíduos, na ausência de paixões ideológicas, encontraram nas confissões emocionais a céu aberto um sucedâneo tosco e precário dos clássicos vínculos da cidadania. O espaço público foi, assim, parasitado pelas idiossincrasias emocionais das celebridades ou “pessoas comuns”, e, os sujeitos, levados a se reconhecerem mutuamente, não como cidadãos, mas como membros da confraria dos heróis do coração” – interpreta Jurandir.

Essa passagem não lembra alguns programas televisivos de hoje? Não lembra também o “fenômeno blog” em algumas de suas facetas?

Além disso, como diz Furedi “uma das piores seqüelas do emocionalismo é justamente um rebaixamento da dignidade individual. Hoje, o cidadão ou é consumidor ou vítima de alguma opressão. A ideologia emocionalista, de um só golpe, espremeu a sociedade em um sala-e-dois-quartos, fez da cena pública um espetáculo para alcoviteiros e, da vida privada, um laboratório improvisado de obviedades do senso comum, enunciadas como descobertas científicas”.

Já indo em direção à conclusão do artigo, Freire Costa critica a tendência de Furedi a propor um retorno à intimidade sentimental, valorizado os processos ditos “familiares”. Para tanto ele cita Arendt (suponho tratar-se de Hannah Arendt): “um dos mais tenazes equívocos do pensamento político-filosófico liberal consiste em empregar o termo liberdade como sinônimo de soberania. Liberdade não é um predicado da existência humana solitária, um estado mental autárquico que se possa gozar dando as costas ao mundo. Ser livre é a maneira que o indivíduo tem de se distinguir e exprimir sua distinção diante da sociedade dos iguais. Sem a visão plural dos outros, o recuo para o reino da intimidade pode redundar em quimeras, delírios, grandes idéias ou idéias insignificantes, mas nada disso importa ao exercício da liberdade“.

O fechamento que o psicanalista e professor de medicina social da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (autor de “Sem Fraude nem Favor” e “Razões Públicas, Emoções Privadas“) dá à sua análise crítica do livro é um grande convite à leitura do mesmo:

Furedi mostra, de forma convincente, como a exibição grotesca e despudorada da intimidade não indica coragem ou vontade de verdade, mas auto-indulgência e servilismo consentido. Ninguém se engrandece moralmente ao se apresentar em público como um manual de mazelas psicológicas, exploradas pela ganância de uns, pela idiotia cívica de outros ou pela estupidez política de muitos… …por fim, em brevíssimas palavras, um livro para ser lido e relido. Um olho para o horizonte da “hetero-ajuda” em meio à poluição tóxica de tanta “auto-ajuda“.

Precisa mais propaganda? O livro já está encomendado pela Livraria Cultura.

Quanto a esta questão da auto-ajuda “infestar” o mundo literário em nossos dias, lembro-me de uma Feira do Livro em Porto Alegre, há uns 4 anos atrás, quando esta invasão já ocorria. Passeava eu na companhia de minha amiga Evelise e meu amigo Fabiano quando, em um lampejo, surgiu a idéia para um paralelepípedo condensado de ensaios:

PARE DE SE AUTO-AJUDAR…

…e ajude aos outros

Um ensaio sobre a visão antropocêntrica de vida e de mundo

A idéia ainda não caiu no papel (nem no disco rígido) mas já encontrei um parceiro com idéias semelhantes sobre o assunto, o digníssimo Eduardo Sabbi, médico psiquiatra e grande colaborador do Simplicíssimo. Quem sabe até as cercanias de 2005 esta semente não se torne árvore esbelta e frondosa?

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