Dez 14

Primeira postagem do Escrever Por Escrever

By rafaelreinehr | Uncategorized

Quando decidi iniciar este blógue, estava inundado por um sentimento de “falta de espaço”. Explico: sempre gostei de me expressar através da palavra escrita (e nunca fui de deixar estes apontamentos guardados!). Desde criança fazia fanzines – Nuclear Trash, Joe Volume, Simplicíssimo… – sendo que este último acabou por se transformar em e-zine e desde 26 de junho deste ano também em site. No início, o Simplicíssimo dava conta à vazão de minhas idéias e produção literária (se é que assim posso chamar). Hoje, com o crescimento do site e do número de colaboradores, meu espaço para contribuições tornou-se deveras limitado. Solução óbvia e natural: criar meu próprio blógue! Assim, fica o Simplicíssimo como uma espécie de “portal” para brilhantes escritores e seus escritos e este blógue para acolher minhas tantas outras tantãs idéias.

Desta forma, creio estar restabelecendo o equilíbrio e a harmonia em minha vida: abrindo este espaço para poder me expressar, valorizo o misto de acaso e determinismo que regem nosso caminho e espero trazer ordem do caos (ou caos da ordem) para aqueles que forem estimulados pelas palavras que aqui encontrarem.

Sejam extremamente bem-vindos a este “Armazém de Idéias” como gostaria de chamá-lo. Que fique absurdamente claro que, como jovem aprendiz na “Escola da Vida”, posso incorrer em erros e, portanto, a ajuda do digníssimo leitor será inestimável na correção dos mesmos, para que inverdades não se propaguem.

Sua participação é ardentemente desejada, para abrilhantar, apimentar e esquentar os temas aqui propostos. Tudo que se pede é amplitude de visão e pensamento. Que se liberte das amarras do pensamento convencional, linear e se mova em direção ao pensamento complexo – idealizado por Edgar Morin – que será figura freqüente nas páginas do Escrever por Escrever.

Começo então minhas incursões poético-filosófico-artístico-músico-cinematográfico-fotográfico-médico-tecnológico-humanitário-místico-sociológico-político-antropológico-literário-culturais analisando um artigo publicado no caderno mais! da Folha de São Paulo em 7 de dezembro de 2003. O artigo a que me refiro é assinado por Jurandir Freire Costa e versa sobre o lançamento de um interessante livro no Reino Unido: “Therapy Culture – Cultivating Vulnerability in na Uncertain Age“, traduzido pelo articulista como “Cultura da Terapia – Cultivando a Vulnerabilidade em uma Era de Incerteza” (sendo que acreditava eu ser correto “em uma Era Incerta”, pois incerteza seria “uncertainty” – ou estou errado?). O livro foi escrito por Frank Furedi, professor de sociologia da Universidade de Kent, Inglaterra.

Neste livro, assim como nos seus predecessores “Paranoid Parenting” e “Culture of Fear“, o autor analisa o impacto das crenças culturais na fundação da subjetividade.

Como subjetividade podemos entender todo o arcabouço de idéias concebidas e geradas pelo meio em que vivemos, também chamado de Capitalismo Mundial Integrado por Felix Guattari.

Assim, os meios de comunicação de massa e a literatura especializada vêm levando a um desmedido “emocionalismo” e “vitimização” que contaminam todos os setores da sociedade.

O “emocionalismo” é a prática cultural que incentiva a expressão de afetos privados em público. Os indivíduos, na ausência de paixões ideológicas, encontraram nas confissões emocionais a céu aberto um sucedâneo tosco e precário dos clássicos vínculos da cidadania. O espaço público foi, assim, parasitado pelas idiossincrasias emocionais das celebridades ou “pessoas comuns”, e, os sujeitos, levados a se reconhecerem mutuamente, não como cidadãos, mas como membros da confraria dos heróis do coração” – interpreta Jurandir.

Essa passagem não lembra alguns programas televisivos de hoje? Não lembra também o “fenômeno blog” em algumas de suas facetas?

Além disso, como diz Furedi “uma das piores seqüelas do emocionalismo é justamente um rebaixamento da dignidade individual. Hoje, o cidadão ou é consumidor ou vítima de alguma opressão. A ideologia emocionalista, de um só golpe, espremeu a sociedade em um sala-e-dois-quartos, fez da cena pública um espetáculo para alcoviteiros e, da vida privada, um laboratório improvisado de obviedades do senso comum, enunciadas como descobertas científicas”.

Já indo em direção à conclusão do artigo, Freire Costa critica a tendência de Furedi a propor um retorno à intimidade sentimental, valorizado os processos ditos “familiares”. Para tanto ele cita Arendt (suponho tratar-se de Hannah Arendt): “um dos mais tenazes equívocos do pensamento político-filosófico liberal consiste em empregar o termo liberdade como sinônimo de soberania. Liberdade não é um predicado da existência humana solitária, um estado mental autárquico que se possa gozar dando as costas ao mundo. Ser livre é a maneira que o indivíduo tem de se distinguir e exprimir sua distinção diante da sociedade dos iguais. Sem a visão plural dos outros, o recuo para o reino da intimidade pode redundar em quimeras, delírios, grandes idéias ou idéias insignificantes, mas nada disso importa ao exercício da liberdade“.

O fechamento que o psicanalista e professor de medicina social da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (autor de “Sem Fraude nem Favor” e “Razões Públicas, Emoções Privadas“) dá à sua análise crítica do livro é um grande convite à leitura do mesmo:

Furedi mostra, de forma convincente, como a exibição grotesca e despudorada da intimidade não indica coragem ou vontade de verdade, mas auto-indulgência e servilismo consentido. Ninguém se engrandece moralmente ao se apresentar em público como um manual de mazelas psicológicas, exploradas pela ganância de uns, pela idiotia cívica de outros ou pela estupidez política de muitos… …por fim, em brevíssimas palavras, um livro para ser lido e relido. Um olho para o horizonte da “hetero-ajuda” em meio à poluição tóxica de tanta “auto-ajuda”.

Precisa mais propaganda? O livro já está encomendado pela Livraria Cultura.

Quanto a esta questão da auto-ajuda “infestar” o mundo literário em nossos dias, lembro-me de uma Feira do Livro em Porto Alegre, há uns 4 anos atrás, quando esta invasão já ocorria. Passeava eu na companhia de minha amiga Evelise e meu amigo Fabiano quando, em um lampejo, surgiu a idéia para um paralelepípedo condensado de ensaios:

PARE DE SE AUTO-AJUDAR…

…e ajude aos outros

Um ensaio sobre a visão antropocêntrica de vida e de mundo

A idéia ainda não caiu no papel (nem no disco rígido) mas já encontrei um parceiro com idéias semelhantes sobre o assunto, o digníssimo Eduardo Sabbi, médico psiquiatra e grande colaborador do Simplicíssimo. Quem sabe até as cercanias de 2005 esta semente não se torne árvore esbelta e frondosa?

PRÓXIMO POST: “O livro contra-ataca” – análise da discussão proposta por Umberto Eco sobre os limites do mundo virtual

Dez 14

By rafaelreinehr | Uncategorized

Quando decidi iniciar este blógue, estava inundado por um sentimento de “falta de espaço”. Explico: sempre gostei de me expressar através da palavra escrita (e nunca fui de deixar estes apontamentos guardados!). Desde criança fazia fanzines – Nuclear Trash, Joe Volume, Simplicíssimo… – sendo que este último acabou por se transformar em e-zine e desde 26 de junho deste ano também em site. No início, o Simplicíssimo dava conta à vazão de minhas idéias e produção literária (se é que assim posso chamar). Hoje, com o crescimento do site e do número de colaboradores, meu espaço para contribuições tornou-se deveras limitado. Solução óbvia e natural: criar meu próprio blógue! Assim, fica o Simplicíssimo como uma espécie de “portal” para brilhantes escritores e seus escritos e este blógue para acolher minhas tantas outras tantãs idéias.

Desta forma, creio estar restabelecendo o equilíbrio e a harmonia em minha vida: abrindo este espaço para poder me expressar, valorizo o misto de acaso e determinismo que regem nosso caminho e espero trazer ordem do caos (ou caos da ordem) para aqueles que forem estimulados pelas palavras que aqui encontrarem.

Sejam extremamente bem-vindos a este “Armazém de Idéias” como gostaria de chamá-lo. Que fique absurdamente claro que, como jovem aprendiz na “Escola da Vida”, posso incorrer em erros e, portanto, a ajuda do digníssimo leitor será inestimável na correção dos mesmos, para que inverdades não se propaguem.

Sua participação é ardentemente desejada, para abrilhantar, apimentar e esquentar os temas aqui propostos. Tudo que se pede é amplitude de visão e pensamento. Que se liberte das amarras do pensamento convencional, linear e se mova em direção ao pensamento complexo – idealizado por Edgar Morin – que será figura freqüente nas páginas do Escrever por Escrever.

Começo então minhas incursões poético-filosófico-artístico-músico-cinematográfico-fotográfico-médico-tecnológico-humanitário-místico-sociológico-político-antropológico-literário-culturais analisando um artigo publicado no caderno mais! da Folha de São Paulo em 7 de dezembro de 2003. O artigo a que me refiro é assinado por Jurandir Freire Costa e versa sobre o lançamento de um interessante livro no Reino Unido: “Therapy Culture – Cultivating Vulnerability in na Uncertain Age“, traduzido pelo articulista como “Cultura da Terapia – Cultivando a Vulnerabilidade em uma Era de Incerteza” (sendo que acreditava eu ser correto “em uma Era Incerta”, pois incerteza seria “uncertainty” – ou estou errado?). O livro foi escrito por Frank Furedi, professor de sociologia da Universidade de Kent, Inglaterra.

Neste livro, assim como nos seus predecessores “Paranoid Parenting” e “Culture of Fear“, o autor analisa o impacto das crenças culturais na fundação da subjetividade.

Como subjetividade podemos entender todo o arcabouço de idéias concebidas e geradas pelo meio em que vivemos, também chamado de Capitalismo Mundial Integrado por Felix Guattari.

Assim, os meios de comunicação de massa e a literatura especializada vêm levando a um desmedido “emocionalismo” e “vitimização” que contaminam todos os setores da sociedade.

O “emocionalismo” é a prática cultural que incentiva a expressão de afetos privados em público. Os indivíduos, na ausência de paixões ideológicas, encontraram nas confissões emocionais a céu aberto um sucedâneo tosco e precário dos clássicos vínculos da cidadania. O espaço público foi, assim, parasitado pelas idiossincrasias emocionais das celebridades ou “pessoas comuns”, e, os sujeitos, levados a se reconhecerem mutuamente, não como cidadãos, mas como membros da confraria dos heróis do coração” – interpreta Jurandir.

Essa passagem não lembra alguns programas televisivos de hoje? Não lembra também o “fenômeno blog” em algumas de suas facetas?

Além disso, como diz Furedi “uma das piores seqüelas do emocionalismo é justamente um rebaixamento da dignidade individual. Hoje, o cidadão ou é consumidor ou vítima de alguma opressão. A ideologia emocionalista, de um só golpe, espremeu a sociedade em um sala-e-dois-quartos, fez da cena pública um espetáculo para alcoviteiros e, da vida privada, um laboratório improvisado de obviedades do senso comum, enunciadas como descobertas científicas”.

Já indo em direção à conclusão do artigo, Freire Costa critica a tendência de Furedi a propor um retorno à intimidade sentimental, valorizado os processos ditos “familiares”. Para tanto ele cita Arendt (suponho tratar-se de Hannah Arendt): “um dos mais tenazes equívocos do pensamento político-filosófico liberal consiste em empregar o termo liberdade como sinônimo de soberania. Liberdade não é um predicado da existência humana solitária, um estado mental autárquico que se possa gozar dando as costas ao mundo. Ser livre é a maneira que o indivíduo tem de se distinguir e exprimir sua distinção diante da sociedade dos iguais. Sem a visão plural dos outros, o recuo para o reino da intimidade pode redundar em quimeras, delírios, grandes idéias ou idéias insignificantes, mas nada disso importa ao exercício da liberdade“.

O fechamento que o psicanalista e professor de medicina social da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (autor de “Sem Fraude nem Favor” e “Razões Públicas, Emoções Privadas“) dá à sua análise crítica do livro é um grande convite à leitura do mesmo:

Furedi mostra, de forma convincente, como a exibição grotesca e despudorada da intimidade não indica coragem ou vontade de verdade, mas auto-indulgência e servilismo consentido. Ninguém se engrandece moralmente ao se apresentar em público como um manual de mazelas psicológicas, exploradas pela ganância de uns, pela idiotia cívica de outros ou pela estupidez política de muitos… …por fim, em brevíssimas palavras, um livro para ser lido e relido. Um olho para o horizonte da “hetero-ajuda” em meio à poluição tóxica de tanta “auto-ajuda“.

Precisa mais propaganda? O livro já está encomendado pela Livraria Cultura.

Quanto a esta questão da auto-ajuda “infestar” o mundo literário em nossos dias, lembro-me de uma Feira do Livro em Porto Alegre, há uns 4 anos atrás, quando esta invasão já ocorria. Passeava eu na companhia de minha amiga Evelise e meu amigo Fabiano quando, em um lampejo, surgiu a idéia para um paralelepípedo condensado de ensaios:

PARE DE SE AUTO-AJUDAR…

…e ajude aos outros

Um ensaio sobre a visão antropocêntrica de vida e de mundo

A idéia ainda não caiu no papel (nem no disco rígido) mas já encontrei um parceiro com idéias semelhantes sobre o assunto, o digníssimo Eduardo Sabbi, médico psiquiatra e grande colaborador do Simplicíssimo. Quem sabe até as cercanias de 2005 esta semente não se torne árvore esbelta e frondosa?

PRÓXIMO POST: “O livro contra-ataca” – análise da discussão proposta por Umberto Eco sobre os limites do mundo virtual

Jul 21

El Justiciero

By rafaelreinehr | Musiquices

Once upon a time when the hot sun faded behind the mountains.

The shadow of a strong man, with a gun in his hand, raised to

protect the poor people of the haciendas.

They called him: “El Justiciero“!

He! El Justiciero buenos dias

Que tienes a decir

El Justiciero yo soy pobre

Que tienes a me dar

“Tiengo chocolate quiente

Tequila, paga lo que deves”

El Justiciero, cha, cha, cha

Que otra cosa puedo dar

El Justiciero, yo tengo treinta hijos con hombre

La guerra, la guerra me ay strupatto tanto bene

Socuerro, El Justiciero, ajuda-me por favor!

He! El Justiciero buenos dias

Que tienes a decir

El Justiciero yo soy pobre

Que tienes a me dar

“Besa me mucho Juanita Banana

Cuando calienta el sol”

El Justiciero, cha, cha, cha

Que otra cosa puedo dar

Os Mutantes

Jul 21

By rafaelreinehr | Uncategorized

Agora chega! Chega deste INDIVIDUALISMO DESENFREADO!. Pare de se Auto-Ajudar e Ajude os Outros! Realmente parece que a solução fica cada vez mais distante: chegamos a um ponto onde a Justiça, exatamente a classe que deveria contar com os mais esclarecidos, sábios e JUSTOS integrantes da comunidade, acaba por nos demonstrar sua imensa ignorância, deixando de lado o todo e voltando os olhos tão somente para seu próprio umbigo. Essa vergonha tem que parar! Mas se nossos próprios representantes, aqueles a quem delegamos poder (sim, o poder dos juízes é delegado por cada um de nós que busca respeitar as leis que regem nossa sociedade), desrespeitam de forma brutal a coletividade, em quem nos agarrar?

A violência implícita nesta guerra por tostões (muitos tostões, diga-se de passagem) e por vaidades (ai, como eu posso ganhar menos que ele?) é uma absurdidade com poucos precedentes na história de nosso país. Não há como ficar quieto frente ao que está acontecendo.

três livros abertos, separados por canetas e marca-textos
Jun 04

{04/06/2000 – Domingo – 19:50}

By Rafael Reinehr | Escrever Por Escrever (original)

(…) Amanhã vou começar a ler a “Crítica da Razão Pura” de Immanuel Kant pela terceira vez. Dessa vez eu vou até o fim! Além desse livro, também estou lendo “Por que ler os Clássicos” de Ítalo Calvino e “Os Analectos” de Confúcio. Acho que uma coisa interessante que eu poderia fazer era tecer alguns comentários sobre trechos que eu achasse interessante desses livros. Vou fazer isso! Uma coisa interessante em relação a Confúcio é a sua extrema atualidade, sua modernidade. Apesar de ter vivido de 551 a 479 a.C., suas mensagens políticas e humanas são mais do que aplicáveis aos nossos dias. Deixe-me incluir algumas coisas que constatei das leituras dos capítulos 1 a 4 do seu “Os Analectos”:

Montesquieu, no século XVIII, desenvolveu noções que recuperaram o ponto de vista de Confúcio de que um governo de ritos (bom senso, costumes) é preferível a um governo de leis; Montesquieu considerava que um aumento da atividade de promulgação de leis não era um sinal de civilização mas, ao contrário, indica um colapso da moralidade social. É sua a famosa afirmação: “Quand un peuple a de bonnes moeurs, les lois deviennent simples” [Quando um povo tem bons costumes, as leis se tornam simples].

Segundo Confúcio, um rei lidera por seu poder moral {lembrar Thomas Hobbes – contrato social}. Se ele não consegue oferecer um exemplo moral, ele perde o direito à lealdade de seus ministros e à confiança de seu povo. O trunfo último do estado é a confiança do povo em seus dirigentes: quando essa se perde, o país está condenado. Na China, por mais de 2000 anos, existiu o governo dos eruditos, onde o império era dirigido pela elite intelectual, elite essa que tinha acesso ao poder político através de exames do serviço civil, aberto para todos. É interessante notar que esse foi o sistema de governo mais aberto, flexível, justo e sofisticado conhecido na História até hoje.

“O importante não é a pessoa acumular informações técnicas e habilidades especializadas, mas desenvolver sua própria humanidade. Educação não se refere a ter, mas a ser”. (…)

 

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Jun 03

{03/06/2000 – Sábado – 23:28}

By Rafael Reinehr | Escrever Por Escrever (original)

Escrito originalmente em…{03/06/2000 – Sábado – 23:28}

Certo dia ouvi dizer, em uma aula de Introdução à Filosofia que houve um certo escritor grego que escrevia cerca de 500 linhas por dia. Ao final da vida, havia escrito cerca de 700 livros. Bem, quanto à qualidade de seus escritos, não ponho a mão no fogo mas, certamente, foi esta uma idéia interessante! Há algum tempo já havia me surgido a idéia de escrever um livro que tratasse de assuntos de interesse da maioria das pessoas, como convívio social, política, bem-viver, virtude, justiça, sentido da vida e de nossas ações e humanismo em geral. Depois de vários textos isolados escritos e arquivados em meu computador, peguei a idéia daquele escritor grego e resolvi escrever um pouquinho todos os dias, de forma contínua, sem correções posteriores ao texto já escrito, mas com a possibilidade de corrigir informações ou idéias em novos escritos subseqüentes. Com certeza meu objetivo não é escrever 500 linhas por dia, mas apenas aquilo que minha criatividade ou a necessidade de expressar ou deixar registrado exigisse. As sim foi que surgiu este (para você que está lendo o livro pronto, se é que isto se tornou um livro) livro: repentinamente e ao mesmo tempo muito aos poucos. Hoje tive a idéia de colocar a data em que escrevi cada passagem e também o horário de começo e de término do escrito. Acho que isso pode ser interessante para quem ler, pois dará a noção de tempo e, quem sabe, de história, já que pretendo relatar junto com minhas idéias, leituras, citações e demais rabiscos alguns acontecimentos cotidianos atuais, tanto meus como de outras pessoas, pessoas que fazem a história.

Acho que uma coisa interessante a fazer no princípio desses meus escritos é localizar o leitor sobre quem está com ele conversando (prometo que a minha biografia será curta [pelo menos nesse momento!]). Meu nome é Rafael Luiz Reinehr, nasci na cidade de Agudo, Estado do Rio Grande do Sul, na Região Sul do Brasil, maior país da América do Sul (e, dizem alguns, país emergente do ponto de vista econômico [agora até quer fazer parte do G8!]). Estudei lá na minha cidadezinha até os 14 anos, quando vim para Porto Alegre para fazer o segundo grau e aumentar minhas chances de entrar na faculdade via Vestibular. Entrei em meu primeiro Vestibular na Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, concluí a faculdade, passei no concurso de residência médica no Hospital Nossa Senhora da Conceição e agora estou trabalhando como residente de primeiro ano nesse hospital. No começo desse ano prestei novo Vestibular, desta vez para Filosofia e, mesmo sem estudar nada relativo ao meu ensino primário e secundarista, passei em 5o lugar, novamente na UFRGS. Agora estou cursando 2 cadeiras deste curso nos fins-de-tarde de Segunda a Quinta-feira. Além disso, gostaria de deixar expresso aqui o meu gosto pela música. Tenho uma banda chamada The Brains, e estou tentando aprimorar meu conhecimento e habilidades musicais. Bom, chega de autobiografia por enquanto.

Bom, tenho que escolher um assunto para começar a falar. Estou aqui no meu quarto deitado na cama de lado, me arriscando a desenvolver uma escoliose, teclando em meu Notebook com a televisão ligada em um canal brasileiro. Isso me traz uma impressão que gostaria de deixar registrada: a falta de uma maior programação cultural e educativa em nossa televisão, que atualmente se baseia em programas de auditório com animadores, apresentação de artistas musicais, de telenovelas, programas que apresentam escândalos e besteirol dos mais variados tipos. É rara a quantidade de programas com uma qualidade mínima que nos traz alguma informação ou mensagem útil ou ao menos não agressiva e fútil. Não que eu não goste de programas divertidos, que dêem prêmios aos participantes e que tenham apresentações artísticas de qualquer forma, mas esses que aí estão, além se serem em número excessivo e ocuparem a parte nobre da programação, são vulgares e de muito mau gosto. Uma coisa que é importante ser dita agora e vale para todas as coisas que escreverei daqui para diante é que tudo isso trata-se apenas de uma opinião pessoal e não necessariamente corresponde ao que é verdadeiramente bom, verdadeiramente belo, verdadeiramente justo e verdadeiramente verdadeiro. Esse conjunto de verdades é o que estou (entre outras coisas) buscando. Mas não se esqueçam que tenho 23 anos e não sou nenhum mestre chinês ou lama tibetano, por isso não aspiro conhecer a verdade sobre as coisas, ainda mais agora ! {04/06/2000 – Domingo – 00:32}

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