13 de julho de 2004 – Colocando a mão na massa

By Rafael Reinehr | Escrever Por Escrever (blog)

Abr 10

Não adianta ter uma idéia e mantê-la guardada na gaveta, não acham?

Pois então, hoje tirei a tarde para iniciar meu projeto pessoal do Dízimo Solidário, descrito ali embaixo no Manifesto Anti-Individualista (ou Anti-Individualismo como quer meu amigo César).

Em primeiro lugar, fui na Escola Antônio Francisco Lisboa, aqui em Santa Maria. Havia lido no jornal uma reportagem sobre o fato de utilizarem na escola um programa de computador que imprime da tela do computador textos em braile, com uma impressora especial. O problema é que falta verba para comprar os formulários de papel especial, mais grossos que o usual, para a impressão.

Fui gentilmente levado pela Ana Paula para conhecer as dependências da Escola, muito bem estruturada apesar da carência de verba que estas instituições apresentam neste país – resultado da boa vontade dos que lá trabalha, com toda certeza.

Conheci a professora Marli Terezinha Schmitt, que estava a ensinar a aluna Adriana, de 19 anos em uma sala específica. Ambas com deficiência visual – professora e aluna – mostravam grande disposição em me ajudar a conhecer aquele ambiente.

Adriana.jpg
Adriana, concentrada estudando suas lições

Prontamente solícita, a professora me apresentou a impressora que faz a façanha de imprimir em braile textos previamente passados para o computador.

maquina braile.jpg
Impressora em braile (um pouco fora de foco)

Obviamente fiquei sensibilizado com a situação e minha vontade de ajudar só aumentou.
Fiquei de comprar 1500 folhas para auxiliar a Escola a seguir seu especial trabalho.
Saí de lá feliz da vida, rumo ao meu próximo destino: a casa de Rodrigo, o menino deficiente visual que superando todas as dificuldades, passou no vestibular para Letras Espanhol na Universidade Federal de Santa Maria, façanha que muitas pessoas sem suas restrições não alcançam.

Achar a casa de Rodrigo foi uma lenda: ele mora na periferia da cidade, em um conjunto habitacional de difícil acesso, em uma casa bastante humilde.

Uma faixa em frente a casa mostra todo o orgulho da família:

Faixa do Rodrigo.jpg

Na chegada sou recebido pelo tio e pelo avô de Rodrigo, que me diz que o mesmo encontra-se ansioso pela minha espera (havia combinado minha vinda por telefone na semana anterior).

Ao entrar na casa quem me recebe é Rodrigo ao lado de sua avó, que também é sua mãe, já que Rodrigo perdeu sua mãe biológica bastante cedo, em um acidente.

Me apresento e lhe entrego o gravador, pelo qual Rodrigo agradece efusivamente, certo de que lhe será útil durante sua faculdade.

Rodrigo.jpg
Este que vos escreve ao lado de Rodrigo com seu livro em braile e seu novo gravador portátil

Atendendo ao pedido de sua avó, Rodrigo leu para mim um livro de Espanhol em braile que havia ganho do Cipel, cursinho local que lhe ajudou nos estudos pré-vestibulares.

Depois de lhe desejar muito sucesso nesta nova batalha que começa (Rodrigo ainda está na luta para conseguir transporte para a UFSM, já que seu curso é noturno) no próximo mês, fui embora, certo de que ainda nos veremos em muitas ocasiões.

Na volta para casa, parecia estar flutuando, tamanha satisfação e felicidade que tomaram conta de mim.

No princípio, ainda pensava nas coisas que estaria deixando de adquirir ao fazer estas doações. Pensava nas minhas lentes fotográficas e também nos filtros para as mesmas, que ainda não tenho. Pensava na troca de meu carro, na aquisição de minha casa própria, que está tão distante. Pensava em roupas e sapatos novos e, quem sabe, alguns DVDs a mais.

Agora, estou pleno de certeza de que, realmente, estas coisas podem esperar e que existem planos da realidade que necessitam de atenção mais urgente do que minha vaidade ou desejo de consumo.

Que siga o baile! Vou dançando sem parar esta nova música que meus ouvidos finalmente conseguiram compreender.

E nesta noite, meu sono será diferente, assim como meu sonhar. Se eu invadir seus sonhos, hoje ou amanhã, dando petelecos na sua consciência, não estranhe. Foi assim que começou comigo: aos poucos, como quem não quer nada…

A propósito: àqueles que por aqui chegaram e são novos, leiam o Manifesto Anti-Individualista. Aos que são recentes e estranham minha demora de 4, 5 ou 6 dias entre um pôust e outro, queiram ter a gentileza de lerem pôusts antigos. Muitos deles não perdem a validade com o tempo! Vale a pena fuçar!

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