Quarta-feira, 7 de abril de 2004 – Deus e o Estado

By Rafael Reinehr | Escrever Por Escrever (blog)

Abr 05

Deus e o Estado (I de inumeráveis)

Comecei finalmente a ler minha pequena biblioteca de livros Anarquistas adquirida ao longo dos últimos anos, até então não mais do que folheada ou parcialmente lida. Decidi iniciar esta investida com o livro "Deus e o Estado" de Mikhail Bakunin. Além de ser o autor um dos maiores expoentes do Anarquismo mundial, serve como um perfeito abre-alas a quem deseja aventurar-se por estas leituras.

Em "Deus e o Estado" Bakunin consegue, com sua perspicaz e lógica argumentação demonstrar lucidamente seu ponto de vista ateu e sua visão de um mundo destituída de um governo de poucos sobre muitos.

Antes de comentar o livro propriamente dito, gostaria de fazer alguns apontamentos, deixando a análise e a proposição de questões para um próximo pôust. Desta feita, começo com uma constatação:

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É interessante pensar como homens com inteligência semelhante no que tange à capacidade de comunicação e pensamento lógico-matemático podem diferir tanto em relação ao seu posicionamento político.

É certo que os estímulos recebidos durante a vida ajudam a determinar a orientação futura do indivíduo (assim como vantagens de uma determinada posição, em alguns casos), mas tenho por certo que, para determinar-se anarquista, ou democrata, ou social-comunista, social-democrata e assim por diante, o indivíduo deve antes ter tomado conhecimento da outras opções disponíveis. Qualquer um que não o fizesse seria um ignóbil naquilo que representa.

É impossível a qualquer ser razoável afirmar com convicção que um grande pensador anarquista como Bakunin é menos brilhante que um socialista como Marx ou um liberal como Adam Smith e Stuart-Mill.

Isto nos deixa em um impasse: como saber qual a melhor forma de vida em sociedade? A conclusão que podemos ter é uma só: através da experiência histórica viva.

Das formas referidas, a predominante chama-se capitalismo globalizado, sob a forma de vários governos (monárquico, republicano, despótico).

A única forma não aplicada na prática em larga escala (Mas sim em pequenas comunidades alternativas e sociedades isoladas uma das outras) é o Anarquismo.

Creio ser essa a forma ideal de convivência entre humanos, enquanto teoria ( como tentarei demonstrar através das palavras de grandes pensadores nos próximos anos) mas sou crítico quanto a sua possibilidade prática nos dias de hoje.

Precisamos evoluir muito para quem sabe um dia podermos viver livres de tantas amarras.

PS: ainda não cabe aqui a discussão sobre se o contrário não seria verdade: a implantação do sistema anarquista (existe isso???) levando à melhor qualidade de vida da humanidade.

Sempre é bom lembrar e nunca é demais ressaltar: acima de qualquer crença, uma das maiores virtudes que se pode ter é o respeito à crença alheia. Agora podem me malhar, mas com carinho, por favor!

PS: não se preocupem que este blógue não vai virar um reduto de propaganda comunista, anarquista ou o que quer que o valha! De forma alguma! Ocasionalmente estarei aqui postando observações sobre minhas leituras que, nos próximos meses, como antes anunciado, girará em torno de livros de cunho anarquista. Não deixarei, de toda forma, de postar sobre assuntos diversos, com toda certeza!

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