06/06/2003 – #026 – O Elo Perdido

slizstacks

Ontem, quando cheguei em casa do trabalho, destruído, a primeira coisa que fiz foi sentar no sofá, esticar nas pernas e… …assistir à TV. Estava passando na TVE uma reportagem muito interessante sobre a vida do nosso futuro imortal, Moacyr Scliar. Como é bom ver uma pessoa tão grande e tão humilde e simples ao mesmo tempo. Inspirações ao dirigir, ser caseiro, família, sem regras de tempo para criar… Começou escrevendo de si, menino do Bom Fim; depois do seu bairro e seus acontecimentos; de sua religião, de sua profissão; de quem admirava e com quem conviveu. Como disse Armindo Trevisan na reportagem, parafraseando Tchekov “Se queres ser universal, canta a tua aldeia“. Assim é Scliar. Há alguns anos, 1997, se não me engano, fiz um curso de Antropologia de Culturas Urbanas e História da Ciência Não Ocidental com o Ruben Oliven, o Ivan Izquierdo e o Moacyr Scliar. Pude então conhecer um pouco mais desse médico e escritor que até então era um ícone distante para mim. Continua a ser um ícone, mas um pouquinho mais próximo. Descobri que podemos tocar nele e apertar sua mão. Não cai pedaço nem nos transformamos em coisa alguma. Foram 4 meses de curso e muito aprendizado. Essa edição tem um quê de especial também por mais dois motivos: o primeiro deles é o fato de que cada vez mais chegam sugestões, críticas e comentários ao Simplicíssimo. Um exemplo disso é a presença do ilustre Dr. Rogério Amoretti, diretor técnico do Grupo Hospitalar Conceição (se não me engano, segundo maior complexo de atendimento em saúde pública do país, atrás apenas do complexo da USP em São Paulo), comentando o editorial da última edição. Vale a pena conferir. O segundo motivo é o anúncio de que o site do Simplicíssimo ficará pronto este fim de semana. Estamos aguardando o envio, por parte dos autores das edições anteriores, de fotos e outros “enfeites” para sua página individual. A festa de lançamento do site está confirmada. Em breve estaremos divulgando local, data e as bandas que estarão “animando a festa”! Contamos com a presença maciça dos assinantes e de seus “anexos” (“cônjuges”e amigos inclinados a essa psicodelia literária). Grande abraço e até breve. Bem breve.

Rafael Luiz Reinehr

23/05/2003 – #024 – Poesia prá quê?

Não há, ó gente ó não, luar como esse do sertão…

Quando conseguimos parar nossas vidas, descer delas, dar uns passos e olhar para ela, ali, inerte, podemos aprender muito. Podemos aprender que velocidade em excesso não é bom. A pressa é realmente inimiga da perfeição.

Contemplação é necessária para que possamos perceber que fomos feitos também para gozar a vida, não somente construir futuros desenfreadamente sem usufruir. Volta e meia nos deparamos com problemas em nossa existência. Desde os mais simples: dívidas a pagar, prazos de entrega ou realização de compromissos, até mais importantes como casamento, aposentadoria, falecimento de entes próximos, etc. Nesses momentos, alguns de nós têm a percepção de que estão em um beco sem saída, encurralados, sem opções. Esse é um momento bom para parar tudo, dar uns passos atrás (ou ao lado) e observar nossas vidas.

Crises vitais e problemas são, na verdade, grandes aliados: são ferramentas que nos dão a oportunidade de recomeçar ou incrementar nossas atitudes positivas frente à vida. Momentos de amargura e sofrimento são inerentes à condição humana. Não podemos esquecer disso em nenhum momento. Recarregar as energias é a pedida!

Atravessar precipícios em pinguelas cambaleantes e mergulhar em águas gélidas faz parte do nosso caminho. Sabemos disso, entretanto queremos negar tal aspecto da existência. Contos de fadas são contos de fadas. Vidas reais são as nossas vidas. Objetivos existem e devem ser atingidos, principalmente quando norteados por princípios éticos e morais bem delimitados. Vamos dar o tempo que nossos atos precisam para colher os frutos.

Rafael Luiz Reinehr

A tristeza é só um esquecimento. Você esqueceu que foi criado pela luz e para a luz, Mas agora está no escuro, Que é só o meio do caminho” – Cleber Saffi – 29/04/03

luar-do-sertao

6 anos de Simplicíssimo

Nem comentei aqui, mas no último dia 25 de outubro o Simplicíssimo fez 6 anos de existência. É meu filho mais antigo e longevo na internet.

Fantásticos escritores e escritos por ali já passaram e continuam passando todas as semanas.

Surgido um pouco depois dos finados COL e Spam Zine, o Simplicíssimo continua fiel ao seu slogan original, levando a seus leitores as Viagens Etéreas e Psicodélicas Impressas no Éter Universal.

Está chegando aqui hoje e ainda não conhece o site? O que está esperando, vá logo conhecer o Simplicíssimo!

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16/05/2003 – #023 – Febre de rachar a boca!

Uma das coisas que mais tenho apreço é ao conhecimento. Ao lado das formas mais variadas de expressão artística, o conhecimento tem cadeira cativa no rol de preferências da minha vida. De tal forma, qualquer pessoa que possa me trazer conhecimento (quer seja técnico ou mesmo humano) pode ter certo que terá meu respeito. Não tenho vergonha em me espelhar em pessoas a minha volta e mesmo dizer isso para elas. Sou propagandista número 1 daqueles que me ensinam coisas. Agora mesmo, aprendendo a lidar com o Dreamweaver e programação HTML: esse é um conhecimento que nunca vai me deixar, e graças ao meu grande amigo Eduardo Sabbi, vou levar comigo um conhecimento que pode abrir várias portas. Continue reading

09/05/2003 – #022 – Patrulhando o espaço, ninguém viu, ninguém vê…

Hoje realmente foi um dia curioso. Trabalhei com calma, beeeeem na lenta. Dei uma "baixada" no ritmo… …e me senti muito bem! À noitinha estava, em um momento de folga, assistindo à TV, quando a "auxiliar de serviços gerais" do local, com seus 40 e poucos anos me disse o seguinte, logo após tido a cumprimentado efusivamente, como é de meu costume: "- Doutor, esse primeiro de maio foi meu primeiro em que passei trabalhando. Muito bom isso né?" Vi aquele sorriso sincero em seu rosto, cheio de felicidade que só alguém que tem seu trabalho e o sustento da família (temporariamente) garantidos pode exibir. Concordei com ela e a parabenizei. Disse-lhe que, sendo ela uma ótima funcionária, agora seu emprego estaria garantido. Reforcei seu otimismo, sua esperança e sua alegria. Disse isso mesmo sabendo que, muitas vezes, a lógica da empresa não é a lógica do justo, ou a lógica do merecimento. Continue reading

02/05/2003 – #021 – Gimme the night, e-zine o escambau!

Às vezes me pego a pensar: porque tudo isto? Porque essa necessidade de comunicação, de criação literária que me incita a juntar combinações de palavras e deixá-las registradas no que eu chamo de Éter Universal? Em tempos tão fugidios, onde o contato pessoal acaba ficando um pouco "de lado" em relação a contatos "virtuais". Essa ânsia de escrever, já reparei, não é só minha. Proliferam-se centenas de centenas de e-zines, blogs e outras formas de expressão literária (ou visual) na Internet (que tornou essa forma de expressão acessível a qualquer um que tenha próximo de si um computador conectado à Grande Teia). Pessoas com desejo de expressar seus sentimentos e opiniões, os "Críticos da Ordem Vigente" são milhões. Alguns com maior outros com menor qualidade, todos com o mesmo intuito: serem ouvidos. Continue reading

25/04/2003 – #020 – Atchim! Saúde, né!?

Pneumonia asiática (ou canadense) batendo à nossa porta (ou entrando pela nossa janela) e o mundo segue a girar… Elocubrando: será que esse vírus não foi manipulado e criado em um laboratório norte-americano elançado lá na China (perto da Coréia do Norte, sabe…) durante a guerra (ouum pouquinho antes) enquanto as atenções estavam voltadas para o Iraque,para, ao invés de enfrentar o furacão atômico vermelho em outra guerra, otal vírus fizesse o trabalho? (é incrível como escrevo frases longas semponto final…; tenho que melhorar isso!) Continue reading

18/04/2003 – #019 – Peixe e Chocolate, Mistura Fina

Mais um editorial com "trilha sonora". Começa com "Não se reprima" – Menudos. Essa semana tive uma boa notícia: uma figura muito louca, através do intermédio de uma leitora e, em breve, colaboradora, propôs o patrocínio para a impressão e distribuição local do Simplicíssimo! ("Dá pra mim" – Polegar) Tudo bem, não era esse o objetio inicial do "e-zine", ou seja, transformar-se em mídia impressa. Mas a idéia me atraiu. Afinal, do jeito que a coisa vai, chegaremos aos 1000 leitores lá pela edição 327… Noto que, enquanto muitas pessoas não estão nem aí com a "tiragem" ou o alcance do jornalzinho, muitas outras estão, e não estão afim de gastar saliva (ou células mortas da cútis dos dedos e um pouco de trifosfato de adenosina cerebral) ("Senegal" – Reflexus) com parcos 98 mentes receptoras. Então, a impressão e distribuição do jornal pode ser um estímulo para mais seres pensantes registrarem suas idéias e apontamentos… ("Johnny be good" – Chuck Berry) Vamos ver se a idéia sai do papel nos próximos meses… Chuva gostosa… ("Palpite" – Adriana Calcanhoto) Continue reading

11/04/2003 – #018 – Sessenta e quatro casas e trinta e duas peças

    O jogo de xadrez sempre me encantou. Desde pequeno. Quando ganhei meu primeiro tabuleiro, lá pelos 9 anos, do meu ex-padrasto, fiquei maravilhado. Passei a jogar com freqüência por muito tempo. Passei a ensinar quem não sabia para que pudessem jogar comigo. Só que logo me apercebi que isso não dava certo: a pessoa, recém-ensinada, precisava de um tempo para desenvolver suas habilidades. Resumo da história: ganhava sempre dos meus aprendizes. Mas não foi sempre assim; encontrei oponentes à altura e senti, finalmente (e felizmente) o amargo gosto da derrota. Amargo e reedificante: a mim, a derrota faz levantar mais forte, com mais vontade de aprender e crescer. Mas não era sobre isso que eu ia escrever hoje. Acho que ia falar sobre o fim da guerra, mas esse é, na verdade, só o começo… Continue reading