21/03/2003 – #015 – Editorial

By Rafael Reinehr | Editoriais

Jul 04

    Começou… (Sugar Hill Gang – Rapper's Delight) Concorda comigo que um brutamontes com um revólver, um cacetete, uma adaga, e um lança-chamas apontado para você, armado com um cortador de unhas é uma espécie de COVARDIA? E que tal uma nação que tem o domínio econômico mundial, tem suas empresas "multinacionais" implantadas em todo mundo, maior detentora de tecnologia de guerra, armas nucleares, exércitos preparados e tecnologicamente imbatível, aviões e mísseis guiados por satélite, etecétera e tal, contra um velhinho bigodudo armado com uma centena de mísseis com alcance de 180 km. Covardia?  Começou… (Sugar Hill Gang – Rapper's Delight) Concorda comigo que um brutamontes com um revólver, um cacetete, uma adaga, e um lança-chamas apontado para você, armado com um cortador de unhas é uma espécie de COVARDIA? E que tal uma nação que tem o domínio econômico mundial, tem suas empresas "multinacionais" implantadas em todo mundo, maior detentora de tecnologia de guerra, armas nucleares, exércitos preparados e tecnologicamente imbatível, aviões e mísseis guiados por satélite, etecétera e tal, contra um velhinho bigodudo armado com uma centena de mísseis com alcance de 180 km. Covardia? Muitos dizem que Saddam foi um dos maiores assassinos dos últimos 20 anos. Não se pode discordar. O próprio povo iraquiano sofre pesadamente com seu governo despótico. Apenas não se pode concordar no esfacelamento do direito internacional provocado com o início uni (ou tetra) lateral iniciado com o bombardeio de Bagdá. Estados Unidos, Grã-Bretanha, Espanha e Japão (além da Austrália, de forma menos importante) tomaram para si a responsabilidade, sem levar em conta o veredicto do Conselho de Segurança na Organização das Nações Unidas, órgão legitimamente criado após a Segunda Guerra Mundial para evitar a Terceira e quaisquer outros conflitos e abusos proporcionados pela irracionalidade do ser humano como indivíduo. Afinal de contas, dizem que duas cabeças pensam melhor do que uma. E Cento e tantas cabeças não pensarão melhor que quatro? E bilhões de cabeças, mesmo sem o poder político direto concedido aos governantes, será que não pensam (e agem) melhor que duas dúzias, que estão aí comandando esta barbárie, este grande ato de COVARDIA. Dá até vontade de imaginar um lindo boicote econômico aos Estados Unidos, mas também dá medo imaginar quem irá perder a queda de braço. No milênio do humanismo, tantos conflitos em seu princípio. Leiam a entrevista de Addam Phillips (acho que é esse o nome!)na revista Veja com o Luís Fernando Veríssimo na capa. Leiam também a reportagem (Cascavelletes – Morte por tesão) com o LFV! Nessas horas é que é bom ser latinoamericano, pobre e "subdesenvolvido": sem bombas atômicas, sem oferecer perigo às outras nações, sem grandes estoques de petróleo continental e, principalmente, sem medo. Quando começaram a cair as bombas em Bagdá, eu estava assistindo TV e imaginei a angústia daquele povo ouvindo as sirenes e as explosões. Ninguém merece tal sofrimento. Como a raça humana tem errado na sua história. Somos capazes de desenvolver tantas tecnologias, nossa ciência médica, física, química tem evoluído tanto mas nossa humanidade não tem alcançado o grau de evolução das máquinas que criamos. Nossa justiça não acompanha o ritmo. Nossa ética está estagnada. O bom-senso perdeu-se em algum lugar. A solidariedade está em falta, encontra-se espalhada em pequenos guetos (as ONGs). (Genghis Khan – Comer Comer) Cada vez mais vê-se que a educação é a única arma para acabar com o sofrimento humano, mesmo que seja a longo prazo. O conhecimento transmitido de forma humana e não somente racional, mas associado a sentimentos genuinamente ecológicos, no sentido amplo da palavra, poderá, se disseminado (Nirvana – Smells Like Teen Spirit), "contaminar" as mentes que farão o novo mundo aflorar. Como fazer isso? Ainda não sei exatamente, mas estou tentando descobrir…

Rafael Luiz Reinehr