Tag Archives for " cooperação "

Fev 01

Tudoteca: um Espaço de Convivência, Compartilhamento e Cooperação

By Rafael Reinehr | Agir localmente , And Now, For Something Completely Different... , Coolmeia , Ecologia , Efervescências , Ideias , Quase-Idéias , Saúde da Sociedade , Sociedade , Sustentabilidade e Resiliência , Uncategorized

Imagine se você não precisasse mais se preocupar em trabalhar para juntar dinheiro para comprar coisas, e você as tivesse à sua disposição, quando precisasse, próximo da sua casa, pelo tempo que você precisar, a uma fração do custo de adquiri-la. E, mesmo que você não tivesse dinheiro, você também pudesse usufruir destas “coisas” que você necessita?

Então, isso já é possível, dentro do conceito de Tudoteca.

A Tudoteca é uma ideia que tive lá pelos idos de 2007-2008 e foi inspirada em dois conceitos: o de Cohousing (que também me inspirou a criar a Coolmeia, naqueles anos) e o conceito de Tool Library, que vim a conhecer lá por 2011-12, e ajudou a aperfeiçoar o modelo da Tudoteca.

Bem, e o que é exatamente, para quê serve e como funciona essa tal de Tudoteca? Explico. Pega um café, suco, água, mate gelado ou um chimarrão e presta atenção vivente, que a história é boa de se ouvir!

Berkeley_Public_Library_tool_lending_library,_inside

In Boulder, Colorado the Tool Library looks much like a hardware store and even rents out tools to contractors to help subsidize rental costs and membership fees for the general public.

CRC_HeaderPhotos_ToolLibrary

Imagine um lugar no qual você possa pegar emprestado “quase” qualquer utensílio de uso eventual para sua casa, local de trabalho, viagem, festa… Um local no qual estariam disponíveis para empréstimo desde ferramentas de uso eventual como furadeiras, serras elétricas, escadas de vários tamanhos, aspiradores de pó, lava-jatos portáteis, ferramentas de mão como martelos, serrotes, chaves de fenda, de boca, alicates, tornos… Além disso você poderia pegar emprestado louças, talheres, copos e toalhas de mesa para aquela festa de formatura do seu filho ou aniversário da sua filha (que se fossem alugados custariam os olhos da cara!)… E você também poderia pegar emprestados livros, revistas, CDs, DVDs, roupas, um freezer, frigobar, chaleiras, liquidificadores, microondas, forno elétrico, batedeira, panificadora… Quer acampar? Para quê comprar se você pode pegar emprestada uma barraca, lanterna, uma churrasqueira portátil, um par de rádio-transmissores de longo alcance, varas de pescar…

pratos-e-talheres

Padarias-comunitarias

Nesse mesmo espaço, encontraríamos também uma padaria comunitária, na qual os membros do coletivo que irá autogerir a Tudoteca se revezariam na produção, distribuição e eventual comercialização do excedente lá produzido. Poderíamos também ter um refeitório ou restaurante comunitário, que ofereceria refeições produzidas com alimentos orgânicos produzidos por pequenos agricultores das redondezas. O mesmo sistema de rodízio e escala de trabalho aqui também se aplicaria. E que tal um café funcionando no mesmo espaço, o dia inteiro, para quem está de passagem e quer encontrar um amigo enquanto lê um livro ou escuta uma música na vitrola que está à disposição dos associados?

Balzacs1

instrumentos-musicais

lavanderia-coletiva-wise-blog-do-parlare

E se, além disso, na Tudoteca também tivesse uma lavanderia coletiva, em que as máquinas pudessem ser usadas em troca de alguns “pontos de crédito” dos associados? E, ainda mais, se tivéssemos uma pequena Brinquedoteca para as crianças poderem se divertir enquanto os pais trabalham ou circulam pela Tudoteca?

brinquedoteca

Não seria macanudo tudo isso num mesmo lugar, agradável, aconchegante e efervescente cultural e socialmente, recebendo vez ou outra oficinas, seminários, rodas de conversa, encontros de aprendizagem informais, apresentações musicais e artísticas, saraus, cineclubes, fotoclubes, green drinks, pecha kucha nights, stand ups?

E o mais legal de tudo isso: poderia participar quem tem grana, quem tem coisas sobrando e mesmo quem não tem grana nenhuma, só um pouco de tempo para trocar. Como assim? Explico:

Tudoteca, para se tornar sustentável, funcionaria como uma associação horizontal e autogerida.

Opção 1: Se você tem grana, você paga digamos 39,90 ao mês por 300 créditos, 59,90 por mês por 500 créditos ou 79,90 por mês por 800 créditos e pode trocar estes créditos por X dias dos produtos W, Y e Z que você precisa naquele mês. Se não quer pagar mensalidade, você pode se associar e, por cada 1 real você comprar 5 créditos para poder emprestar algum bem ou serviço determinado (digamos que você só está na Tudoteca pelo maravilhoso pão de arroz integral sem glúten que a Daiane faz…)

Opção 2: Se você não tem grana, mas tem “coisas” que estão paradas na sua casa, você pode doar estas coisas para a Tudoteca – por exemplo uma parafusadeira, uma guitarra e um amplificador que você não toca mais, um jogo Banco Imobiliário e 2 decks de Super Trunfo e um secador de cabelo que sua ex-namorada esqueceu no seu apartamento – e em troca delas, você ganha créditos e passa a usá-los para emprestar coisas das quais você realmente precisa.

Opção 3: Tá! Mas eu não tenho grana e também não tenho nada para doar. Sou um estudante universitário pé-rapado, sou morador de rua, tenho um emprego que mal dá pra sustentar minha família. E agora. Preciso de uma furadeira só por um dia pra consertar algumas coisas lá em casa. Neste caso, você pode oferecer algo que todos seres vivos (enquanto vivos) temos: tempo! Você pode oferecer um sábado pela manhã da sua vida para ajudar a alcançar os objetos para quem for na Tudoteca pegá-los, pode ajudar na padaria ou no restaurante comunitários, pode ajudar na limpeza, buscando nossos hortifrutigranjeiros orgânicos ou mesmo cuidando das crianças na Brinquedoteca. Em troca do seu tempo, você ganha os créditos que você vai trocar pelo que você quiser. Sempre que eles acabarem, não tem problema: só oferecer o seu tempo novamente!

Ei, mas espera aí! Vai ter gente trabalhando na Tudoteca em troca de créditos e depois vai vender por fora para ganhar uns trocos. Mercado Negro! Pode isso? Sabe que só pensei nisso agora, nesse exato instante? Eu, Rafael, não vejo problema nisso. Mas e o resto das pessoas do coletivo, o que pensam? Acho que esse é um dos assuntos que deve ser deliberado coletivamente, bem como outros detalhes que devem ser registrados em uma Carta de Princípio e em uma Bases da Unidade (que também podemos chamar de Termos de Uso) da Tudoteca.

Tá, e essa grana que vai entrar na Tudoteca, pra quê serve? Vai enriquecer alguém? Nããão! O dinheiro que entrar será usado em parte para consertar e repor equipamentos, peças e ampliar o acervo de bens e serviços da Tudoteca, uma parte será reservada na forma de um Fundo de Emergência para os Associados, em caso de catástrofes naturais ou épocas de crise (estão vendo as nuvens negras da tempestade se aproximando no horizonte?) e uma parte será reservada para um Fundo de Multiplicação de Tudotecas, para criar a Tudoteca 2, a Tudoteca 3, a Tudoteca 4 e assim por diante, nas comunidades que forem se apresentando e demonstrando desejo de possuir uma na vizinhança.

E aí? Gostou da ideia? Supimpa né? Valeu, obrigado! Também acho! 🙂

Ah! tem outras ideias que já foram desenvolvidas pensando na expansão e no “espalhamento” de Tudotecas por todos os cantos do Brasil e do Mundo.

Quer saber quais são elas e fazer parte do time que vai planejar a instalação da primeira Tudoteca no Brasil? Coloca teu nome e e-mail aí embaixo que entramos em contato!

Agora, se você se empolgou de verdade e quer fazer parte do time que vai fazer as Tudotecas se espalharem pelo mundo, vá direto para o nosso Mapeamento de Ativos e Necessidades e apresente-se!

 

220px-Peter_Kropotkin_circa_1900
Jan 02

Anarchism – Piotr Kropotkin

By Rafael Reinehr | Apontamentos Anarquistas

220px-Peter_Kropotkin_circa_1900

 

“Harmony… [is] obtained [through] …free agreements concludes between the various groups, territorial and professional, freely constituted for the sake of production and consumption, as also for the satisfaction of the infinite variety of needs and aspirations of a civilized being.”


#  #  #

 

“Harmonia… [é] obtida [através] … de acordos livres firmados entre vários grupos, territoriais e profissionais, livremente constituídos para o propósito da produção e do consumo, mas também para a satisfação de uma variedade infinita de necessidades e aspirações de um ser civilizado.”

– Piotr Kropotkin, “Anarchism”, 1910

pathways-to-utopia4125
Jan 01

Eu tive um sonho…

By Rafael Reinehr | Quase Filosofia

pathways-to-utopia4125

Uma das melhores coisas que podemos ter na vida é começar o ano rodeado de amigos. Melhor ainda é quando conseguimos prolongar este momento que dura horas para dias, meses anos. Estar cercado de amigos, pessoas com interesses afins, pessoas capazes de ouvir e dialogar de forma humana e inteligente, é uma dádiva pela qual devemos ser gratos.

Entre as pessoas que estão recebendo esta mensagem hoje, encontram-se amigas e amigos de vários momentos e com várias histórias de diferentes entrelaçamentos: alguns que já conheço de longa data, outros com os quais já tomei café da manhã, outros ainda cujas ideias e feitos só conheço através do mundo da internet, alguns com os quais já compartilhei jornadas megalomaníacas, outros com os quais ainda não me atrevi a co-criar…

Todos, entretanto, creio eu, compartilham comigo de um sonho. Muitas vezes as palavras, as imagens, os símbolos e os caminhos que descrevemos neste sonho são diferentes, mas não divergentes. Todos convergem para um ponto em comum: o bem-estar e a felicidade da humanidade.

Há algum tempo me dedico a estudar o homem, sua constituição, suas necessidades, seus desejos, suas decisões e as implicações das mesmas para si, aqueles que o rodeiam e a Natureza. Talvez isso tenha começado, de forma ainda inconsciente, durante o curso de Medicina, na década de 90. Mas não foi aí que este estudo mais se desenvolveu, propriamente. Nossos cursos universitários servem para formar técnicos-científicos e não humanos sensíveis ao ambiente que nos cerca. Foram outros estímulos, outras leituras e exemplos, oriundos da autodeterminação em querer conhecer mais, saber mais, que me levaram a estudar o que é do humano. Mas não vou me delongar, afinal este não é pra ser um monólogo e sim o começo de um diálogo.

Vou falar de um sonho que tive, e que quero compartilhar com cada um de vocês, minhas amigas e amigos que, por acaso ou destino, cruzaram comigo nesse exato instante e espaço no Universo. Esse sonho fala de um porvir que só podemos, por enquanto, imaginar. Em termos comuns, fala de uma Utopia. Utopia, como diz Berri, que nos serve para que não deixemos de caminhar (1).

Nesse sonho, estávamos Eu e Tu, um de frente para o outro, e conversávamos. Isso mesmo, conversávamos face a face, sem a mediação de nenhum equipamento tecnológico. Resolvemos deixá-los em casa, apesar de gostar muito deles, pois queríamos uma conversa "à moda antiga". Enquanto um falava, o outro ouvia atentamente. Respondíamos empaticamente, mostrando que realmente estávamos sintonizados na mesma freqüência. Sabíamos que, se algum tipo de resistência ou mudança iria acontecer, seria assim: através de relações horizontais permeadas por um profundo respeito e apoio mútuo.

Nesse sonho, lembrávamo-nos como a humanidade percorreu mais de 2 milhões de anos vivendo de forma cooperativa e sustentável, da caça e da coleta, sem divisão do trabalho entre os sexos. Uma nostalgia ingênua e rápida, que apenas nos remete a um mundo idílico que, sabemos não voltaria mais. Se não voltaríamos à idade das cavernas, talvez pudéssemos, isso sim, passar a usar melhor a tecnologia que desenvolvemos nesses milhares de anos, e cada vez mais intensamente nas últimas décadas. Talvez pudéssemos desenvolver um modelo ainda não completamente desenhado, capaz de nos fazer retomar nossa humanidade. Pudéssemos, quem sabe, começar a desvelar hoje um horizonte bio-ético-político-econômico-social-espiritual ainda não completamente teorizado tampouco conscientemente praticado, em escala suficiente para gerar uma mudança significativa em nossa sociedade.

Percebíamos, neste sonho, que as pessoas ao nosso redor passavam cada vez mais a expressar um desejo por uma autonomia que pudesse ser realizada de forma associativa, cooperativa, e que a emergência aqui e acolá de movimentos que não só protestam contra a miséria de nossas vidas, mas alegremente afirmam a possibilidade de uma vida radicalmente diferente já eram sinais inconfundíveis de que este horizonte que pretendíamos desvelar está cada vez mais pronto para ser apreciado.

Sabíamos, em nosso sonho, que um dos nossos principais papéis era ajudar a desenvolver esta consciência coletiva, através da criação, aperfeiçoamento e implantação de modelos, ferramentas e atitudes capazes de moldar a realidade atual de acordo com nossas necessidades e desejos.

Tínhamos então declarado um objetivo comum:

 

"Fazer o mundo funcionar para 100% da humanidade no menor tempo possível através da cooperação espontânea sem ofensa ecológica ou desvantagens para qualquer um." (2)

 

Sentíamos que não precisaríamos bater de frente com os poderes já estabelecidos, pois estes possuem uma força esmagadora, que poderia acabar com nossos intentos. Poderíamos, isso sim, criar um mecanismo misto de resistência e criação de alternativas (3). Poderíamos criar um desvio no fluxo do rio, cavando um outro leito, construído com a ajuda de todos aqueles que acreditassem em nosso sonho.

Sabíamos também que nem todas as verdades já estariam escritas, quando começássemos a trilhar nosso caminho.

 

"Caminhos nunca são linhas retas. Eles ziguezagueiam, sobem e descem colinas e vales. Eles chegam a becos sem fim. Mas quando colocamos nosso melhor pé adiante, podemos nos aventurar na direção da utopia, em direção a um mundo que venha de baixo, para todos e por todos.

 

Com grande cuidado encontramos pedras nas quais podemos pisar para os destinos mais maravilhosos. Então nos esforçamos para emendar paisagens inteiras de práticas não-hierárquicas. Chutamos os vidros quebrados do nosso caminho. Às vezes nos perdemos. Mas a passagem precária em si mesma é um mapa para uma sociedade liberadora.

 

Nos damos as mãos, desejando atravessar novamente, de um jeito novo. Quando a escuridão desce, construimos acampamentos de fogo a partir das fagulhas da possibilidade, e vemos outras chamas à distância." (4)

 

Sabíamos principalmente, em nosso sonho, que a mudança que esperávamos co-construir viria de um trabalho continuado, cooperativo, de centenas de milhares de pessoas, ao longo de um período prolongado de tempo. Mas sabíamos também que seria divertido e enriquecedor trilhar esse caminho, juntos.

 

"A mudança revolucionária não vem como um momento cataclísmico… mas como uma sucessão sem fim de surpresas, movendo-se em zigue-zague em direção a uma sociedade mais decente. Não temos que nos engajar em grandes e heróicas ações para participar do processo de mudança. Pequenos atos, quando multiplicados por milhões de pessoas, podem transformar o mundo.

 

Mesmo se não "vencermos", existe diversão e preenchimento no fato de estarmos envolvidos, com outras pessoas boas, em algo que vale a pena. Nós precisamos de esperança. Um otimista não é necessariamente um indiferente, um cantarolador levemente sentimental no meio da escuridão do nosso tempo. Pois ter esperança em tempos ruins não é apenas romantismo bobo. É basear-se no fato de que a história humana é uma história de crueldade, mas também de compaixão, sacrifício, coragem e bondade. O que escolhemos enfatizar nesta complexa história é que irá determinar nossas vidas." (5)

 

E assim acordei. O engraçado é que acordei mas o sonho não foi embora: ele estava ali, presente, gritando e pedindo, como urgência visceral, que eu o ajudasse a se tornar realidade. E aqui estou eu, cercado de pessoas pra lá de especiais, com as quais gostaria de compartilhar este sonho e, muito mais do que isso, gostaria que me deixassem compartilhar dos seus sonhos.

Em virtude disso, pergunto:

O que você, que está lendo este texto agora, e que estou chamando para compor este sonho comigo, acrescentaria de seu para que este sonho seja um sonho ao mesmo tempo comum e completamente seu?

 

Um abraço fraterno e ótimo caminhar pelas sendas de 2014…

Rafael Reinehr

 

Referências:

 

(1) Fernando Berri – "A utopia está lá no horizonte. Me aproximo dois passos, ela se afasta dois passos. Caminho dez passos e o horizonte corre dez passos. Por mais que eu caminhe, jamais alcançarei. Para que serve a utopia? Serve para isso: para que eu não deixe de caminhar"

(2) R. Buckminster Fuller

(3) R. Buckminster Fuller – "Você nunca muda a realidade lutando contra ela. Para mudar algo você cria um novo modelo que torna o modelo existente obsoleto."

 

(4) trecho retirado de Paths toward Utopia, com ilustrações de Erik Ruin e palavras de Cindy Milstein

(5) Howard Zinn, em O Otimismo da Incerteza – este texto continua assim: "Se virmos apenas o pior, ele destrói nossa capacidade de fazer algo. Se lembrarmos daqueles tempos e lugares – e existem tantos – em que as pessoas se comportaram de forma magnífica, isso nos dá energia para agir, e ao menos a possibilidade de mandar esse topo giratório do mundo em uma direção diferente. E se nós agirmos, mesmo de uma forma pequena, nós não precisaremos esperar por um grande e utópico futuro. O futuro é uma sucessão infinita de presentes, e viver agora da forma que acreditamos que os seres humanos devem agir, em oposição a tudo que existe de tuim ao nosso redor, já é por si uma vitória maravilhosa."

(texto preparado para o grupo Lux, do Tao – grupo de amigos dedicado a "Fazer o mundo funcionar para 100% da humanidade no menor tempo possível através da cooperação espontânea sem ofensa ecológica ou desvantagens para qualquer um, e publicado orignalmente em Primeiro de Janeiro de 2012" )

Convergencia
Set 11

Decisões que mudam nossa vida

By Rafael Reinehr | Quase-Idéias

Hoje decidi algo importante, que deverá mudar minha vida nos próximos anos: vou, decididamente, deixar a Medicina dormir. Com isso quero dizer que vou começar a buscar mais intensamente situações e condições que me permitam dedicar, cada vez mais, ao que vem me interessado nos últimos anos: Cooperação, Comunicação, Conhecimento e a Convergência destas matérias.

Vou tentar buscar alguma forma de sustentar este desejo, me aliar a instituições ou projetos que permitam que eu dedique meu tempo à pesquisa, divulgação e implementação das ideias e ideais que temos desenvolvido e apresentado na Coolmeia, incluindo aí iniciativas educativas, de economia solidária, de sustentabilidade e de despertar individual.

Ainda não faço ideia de como farei para realizar esta “necessidade” nos próximos anos, mas logo depois de atender a alguns compromissos pré-assumidos para este ano, estarei começando a planejar e traçar novos rumos. Deseje-me sorte e eficiência.

Convergencia

Abr 07

De esquilos e bolotas

By Rafael Reinehr | Quase Filosofia

Texto originalmente entitulado Collapse Competitively, de autoria de Dmitry Orlov. Leia e compreenda a mensagem.

We are heading
toward economic, political and social collapse, and every day that
passes brings it closer. But we just don’t know when to stop, do
we? Which part of “the harder we try, the harder we fail” can’t we
understand? Why can’t we understand that each additional dollar of
debt will drive us into national bankruptcy faster, harder and
deeper? Why can’t we grasp the concept that each additional dollar
of military spending further undermines our security? Is there some
sort of cognitive impairment that prevents us from understanding
that each additional dollar sunk into the medical industry will
only make us sicker? Why can’t we see that each incremental child
we bear into this untenable situation will make life harder for all
children? In short, what on earth is our problem?

Why can’t we stop? We can blame evolution, which has produced in
us instincts that compel us to gorge ourselves when food is abundant,
to build up fat reserves for the lean months. These instincts are
not helpful to us when there is an all-you-can-eat buffet nearby
that’s open year-round. These instincts are not even specifically
ours: other animals don’t know when to stop either. Butterflies
will feast on fermented fruit until they are too drunk to fly. Pigs
will eat acorns until they are too fat to stand up and have to
resort to crawling about on their bellies in order to, yes of course,
eat more acorns. Americans who are too fat to walk are considered
disabled and the government issues them with little motorized
scooters so that they don’t have to suffer the indignity of crawling
to the all-you-can-eat buffet on their bellies. This is considered
progress.

Or we can blame our education, which puts mathematical reasoning
ahead of our common sense. Mathematics uses inductionthe idea that
if 1 + 1 is 2 then 2 + 1 must be 3, and so on up to an arbitrarily
large quantity. In the real world, if you are counting acorns, then
1 + 1 acorns is not the same as 1,000,000 + 1 acornsnot if there
are squirrels running around, which there will be once they find
out that you are the one who’s been stealing their acorns. A million
acorns is just too many for you to keep track of, and your concerted
effort to keep adding one more to the pile while fighting off
squirrels may cause small children to start calling you silly names.
The bigger the pile grows, the more likely you are to have to take
inventory, and in the process you are increasingly likely to make
a mistake, so that it turns out that 1,000,000 + 1 is in fact
1,000,001 – d, where d is the number of acorns you have lost track
of, somehow. Once d > 0, you have achieved diminishing returns, and
once d > 1, you have achieved negative returns. In the real world,
the bigger you think a number should be, the smaller it actually
turns out to be. At some point, trying to add one more to the pile
becomes a particularly wasteful way of making the pile smaller.
This result is not intellectually pleasing, and there is no theory
to back it up, but it is observable anywhere you care to look. The
fact that we are unable to adequately explain any given phenomenon
by using our feeble primate brains does not make it any less real.

The concept of diminishing returns is quite simple for most people
to understand and to observe, but notoriously difficult to detect
for the person who is at the point of achieving them. The point of
negative returns is even harder to detect, because by that point
we tend to be too far gone to detect much of anything. If you already
had N drinks, can you tell if you are at the point of diminishing
returns yet? Will another drink make you happier and more sociable,
or will it not make much of a difference? Or will it cause you to
embarrass yourself and spend the next day nursing a debilitating
hangover? Or will it send you to the emergency room to be treated
for vomit inhalation? As a general rule, the more you imbibe, the
more difficult it becomes for you to draw such fine distinctions.
This rule does not seem to be limited to drinking, but applies to
almost all behaviors that produce a feeling of euphoria rather than
the simple satisfaction of needs. Most of us can stop ourselves
from drinking too much water, or eating too much porridge, or
stacking too many bales of hay. Where we do tend to run into trouble
with self-control is when it comes to things that are particularly
pleasurable or addictive, such as drugs, tobacco, alcohol, and rich
and delicious food. And we tend to lose it completely when it comes
to euphoria-inducing social semi-intangibles: satisfaction of greed,
status-seeking, and power over others.

Is this the best we can do? Certainly not! Human culture is full
of examples where people stood up and successfully opposed such
primitive tendencies within themselves. The ancient Greeks made a
virtue of moderation:

the temple of Apollo at Delphi bore the inscription MH?EN AGAN”Nothing
in excess.” Taoist philosophy focuses on the idea of balance between
yin and yang (? ?)seemingly contrary natural forces that in fact
work together and must be kept in balance. Even in contemporary
engineering culture one sometimes hears the motto “Better is the
enemy of good enough.” Sadly, though, engineers who are good enough
to abide by it are something of a rarity. At the micro level of
solving specific problems most engineers do strive to achieve the
clever optimum rather then the stupid maximum, but at the macro
level the surrounding business culture forces them to always go for
the stupid maximum (maximum growth, revenue and profits) or the
stupid minimum (minimum cost, product cycle time and maintainability).
They are forced to do so by the influence of a truly pernicious
concept that has insinuated itself into most aspects of our culture:
the concept of competition.

The concept of competition seems to have first been elevated to
cult status by games that were played as a form of sacrifice before
gods, in cultures as different as ancient Greece and the Mayan
civilization, where competitive events were held to please their
various deities. I much prefer the Olympic version, where the object
of the games was to express the ideal of human perfection in both
form and function, rather than the Mayan version, where the outcome
of the game was used to decide who would be sacrificed on the altar
of some peculiar cultural archetype, but being open-minded I am
ready to accept either as valid, because both are competitions in
defense of principle. It was Aristotle who pointed out that pursuit
of principle is the one area where moderation is not helpful, and
who am I to refute Aristotle?

But when moving from defending an ideal or a principle to performing
mundane, practical, utilitarian functions it is the idea of competition
itself that should be offered up as a nice, sizzling-fat burnt
offering on the altar of our common sense.

If the goal is to achieve an adequate result with a minimum of
effort, then why would two people want to compete to do the job of
one? And if there is in fact work enough for two, then why wouldn’t
they want to cooperate instead of wasting their precious energies
in competition? Well, they may have been brainwashed into thinking
that they must compete in order to succeed, but that’s beside the
point. The point is that there is a major difference between competing
for the sake of a principlesuch as the perfection of divine creationand
competing for mere money. There is nothing divine about a big pile
of money, and, just as with a big pile of acorns, the bigger the
pile, the more “squirrels” it tends to attract. In fact, those who
are sitting on some of the bigger piles of acorns often seem rather
squirrely themselves. To mix metaphors, they also tend to be
chicken-like, roosting on their acorns and expecting them to hatch
into more acorns. But be they squirrels or be they chickens, or be
they drug-addled mutant chicken-squirrels on steroids, they are
certainly not gods, and their acorns are not worthy of our sacrifice.

Once we dispense with the idea that competition is in any sense
necessary, or even desirable, new avenues of thought open up. How
much is enough? Probably much less than we have now. How hard do
we need to work for it? Probably a lot less hard than we are working
now. What happens if we don’t have enough? Well, perhaps then it’s
time to try working just a tiny bit harder, or, better yet, perhaps
it is time to take a few acorns from those who still have too many.
Since having too much is such hard work (mind the damn squirrels!)
we’d only be helping them. We certainly don’t want to keep up with
them, because we know where they are headed  a quaint, exclusive
little place called collapse. What we should probably be trying to
do instead is to establish some sort of balance, where enough is,
in fact, enough.

* * * * *

Artigo publicado originalmente no ClubOrlov