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12 minutos - ler um microbook por dia
Jul 07

12 Minutos e a Revolução da Leitura Online

By rafaelreinehr | Cibercultura

Salve salve! Hoje o tema é Internet, Leitura, Desenvolvimento Pessoal e Tecnologia para uma vida melhor!

 

Você que me acompanha no Medictando, no meu bloginstagram e lives do Face já deve saber que meu tempo é contadinho e superconcorrido, né? E também sabe que eu amo ler, tanto no formato digital quanto no velho e bom formato tijolo, livro impresso mesmo.
 
Em função das minhas viagens, comecei a utilizar ferramentas que me permitem escutar os livros que gostaria de ler. Geralmente, um audiolivro tem duração de 6 a 36 horas de narração. Um livro de 6 horas escuto em 2 viagens, por exemplo, entre Santa Maria e Araranguá, trajeto que faço todas as semanas.
 
Entretanto, sou um cara afeito à produtividade, e não gosto de “desperdiçar” tempo. Tempo é nossa maior riqueza: uma vez que se esvai, não volta mais. Como uma das minhas maiores paixões em toda vida é aprender, e saber, sobre tudo que é possível, preciso compartilhar com você um achado fantástico das últimas semanas: o 12 minutos.
 
12 minutos é uma comunidade que faz um resumo espetacular de livros e os apresenta em um formato de leitura ou audição que varia entre 10 a 15 minutos. O que estou achando mais espetacular é poder escutar todos os dias, durante o banho, o essencial de um novo livro.
 
Isso me ajuda a escolher aqueles livros aos quais quero dar mais atenção mas, ao mesmo tempo, já gera uma série de insights e percepções que eu provavelmente levaria anos para acumular.
 
Lá no 12 (apelido carinhoso!) você encontra livros sobre Produtividade, Motivação e Inspiração, Psicologia, Saúde e Bem-estar, Empreendedorismo, Gestão e Liderança, Marketing e Vendas, Dinheiro e Investimentos, Comunicação e Networking e muito, muito mais!
 
Não deixe de fazer o acesso gratuito de 3 dias. A ferramenta é espetacular e sou muito grato aos criadores. Depois você terá a chance de continuar assinando por um valor menor que o preço de um livro por mês, tento acesso a todo acervo, que cresce todas as semanas.
 
Ah! E tem mais: é uma iniciativa brasileira, então vale muito a pena apoiar! Em outra postagem falo do Audible e do Ubook, ferramentas nas quais você pode escutar livros inteiros e que servem para você escutar na íntegra os livros que você escutou no 12 minutos e mais te chamaram atenção.
 
Vai lá, se cadastra, experimenta e depois me conta o que achou, aqui embaixo nos comentários! Me diga se não foi uma sacada fantástica!

 

PS: Hoje pela manhã, escutei Sprint – Como Resolver Grandes Problemas e Testar Novas Ideias em Apenas Cinco Dias, de Jake Knapp & John Zeratsky & Braden Kowits durante o banho e A Startup Enxuta, de Eric Reies durante o café da manhã, aproveitando que meus pequenos ainda estavam dormindo e eu estava sozinho na cozinha.

 

PS2: Não fique viciado na ferramenta e ocupe todo o tempo que você deve dedicar à família e aos amigos buscando hiperprodutividade. Tempo na Natureza e em convívio com pessoas é fundamental. Escrevo aqui pois, com alguma frequência, preciso me lembrar para seguir a vida com autonomia, excelência e propósito, sem comprometer os laços humanos a serem desenvolvidos concomitantemente.
Jan 26

A ascensão islâmica: no futuro, seremos todos muçulmanos?

By Rafael Reinehr | Religião

A levar-se em conta o vídeo a seguir, todos seremos muçulmanos no futuro. É só uma questão de tempo.

Pessoalmente achei aterrorizante ver este vídeo, apresentado como algo ufanista. É um ufanismo que não respeita a carga excessiva que já é imposta ao planeta. Imaginar um crescimento populacionar exponencial como o apresentado (8,1 filhos por casal) é imaginar a aproximação do fim dos recursos naturais de forma acelerada.

Mesmo que a população muçulmana não possua uma pegada ecológica similar ao povo americano, é como trocar 6 por meia dúzia: 1 americano consome cerca de 5 vezes o que um muçulmano. Como os muçulmanos crescem a uma taxa 5 vezes maior (1,6×5=8), os resultados no impacto sobre o planeta são os mesmos.

Tenho pouco conhecimento sobre a cultura islâmica, mesmo assim respeito a crença individual ou coletiva de cada superstição religiosa.

Entretanto, meu medo reside na capacidade que o islamismo tem demonstrado em ser intolerante com o diferente. Reconheço que possa estar tendo uma visão enviesada pela mídia de massa, e gostaria de ouvir e saber, de um praticante do islamismo, como seriam as relações com ateus e agnósticos, por exemplo, em um mundo dominado pelo Islã. Haveria respeito pela “descrença” deste grupo de pessoas, ou os mesmos seriam perseguidos e “Alcoranizados” à força?

Minha dúvida é: qual o grau de tolerância que posso esperar, quando (e se) eu for minoria em um dado momento no tempo e no espaço?

Acabei chegando a este questionamento a partir de um ótimo blog que conheci há alguns dias, o Arcana Diabolica Universalia, escrito mui provavelmente por um cidadão muçulmano, extremamente erudito. A partir deste blog, cheguei ao A Nova Cruzada, que me remeteu ao vídeo acima.

Fica então com a pergunta: é possível existir diversidade cultural e de crença religiosa em um mundo majoritariamente islâmico?

Nov 10

Rio de Janeiro, Zé Carlos, Flávio e Ricardo Cabral

By Rafael Reinehr | Brasil

Ontem à noite eu, o Zé Carlos, um ótimo internista de Novo Hamburgo e o Manuel fomos jantar no Outback. Ribs on the barbie no prato (e depois no estômago).

O dia de hoje foi prolífico, mas cansativo. A falta de lanches salgados (nunca vi tanto doce em um Congresso) me deixou um pouco frustrado. A falta de conforto das cadeiras, impaciente. Outro ponto a melhorar seria disponibilizar um transfer intermediário, no meio da tarde, do Riocentro em direção aos Hotéis.

Hoje também encontrei o Flávio, amigo virtual que conheci no último Congresso Brasileiro de Endocrinologia Pediátrica no Costão do Santinho, em Florianópolis.

Do lado científico, bela palestra do Dr Cláudio Kater sobre hipertensão mineralocorticóide e ótimos insights sobre o uso do Hormônio de Crescimento em baixa estatura idiopática e em adultos com deficiência de GH. Vou escrever com mais detalhe nas próximas semanas, à medida em que for preparando o texto para o Boletim Endocrinológico trimestral que estou enviando para os colegas da minha região.

Amanhã é o último dia inteiro de Congresso. Confesso que já estou morrendo de saudades da minha esposa, da Bhali, do Sancho e da minha casa.

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Sustentabilidade
Ago 25

Decrescimento Sustentável – Uma Nova Forma de Pensar e Evoluir

By Rafael Reinehr | Sustentabilidade e Resiliência

Pois será uma satisfação perfeitamente positiva ingerir alimentos sadios, ter menos barulho, estar num meio ambiente equilibrado, não mais sofrer restrições de circulação etc.” Jacques Ellul

SustentabilidadeDesde bem cedo, ainda não havia entrado em uma faculdade de Medicina tampouco tinha ainda cursado Filosofia nem Ciências Sociais, sempre tive uma curiosa aversão à idéia de que crescimento significava explorar mais, produzir mais, construir mais estradas e edifícios e consumir mais. Para um jovem adolescente, a idéia de que quanto mais rápido explorássemos o meio-ambiente mais rápido ele se extingüiria pode ser assustadora. Razões mais imediatas, como paquerar, escutar música e um concurso vestibular que se aproxima afastam um pouco o horror daquele pensamento.

Recentemente, entretanto, o Roda de Ciência trouxe o tema à tona e não consegui deixar de voltar a refletir mais profundamente sobre ele.

Se você, como eu, sente-se vivendo dentro de 1984 – ficção de George Orwell acerca de um estado totalitário em que este Estado é onipresente, tem capacidade de alterar a história e o idioma com o objetivo de manter sua estrutura inabalada – quando o presidente dos Estados Unidos do Norte da América, George Bush, solta afirmações como “Economic growth is the key to environmental progress, because it is growth that provides the resources for investment in clean technologies. Growth is the solution, not the problem.” (O crescimento econômico é a chave para o progresso ambiental, porque este crescimento provê as condições para investir em tecnologias limpas. O crescimento é a solução, e não o problema), você vai gostar de ler o que tenho a dizer nas linhas abaixo.

Como o francês Serge Latouche, acredito que, muito mais além de planejarmos um “Desenvolvimento Sustentável”, precisamos mesmo é arquitetar um “Decrescimento Sustentável”.

Em seu artigo As vantagens do decrescimento, publicado no Le Monde Diplomatique em novembro de 2003, Serge constata: “Depois de algumas décadas de desperdício frenético, parece que entramos na zona das tempestades – no sentido próprio e no figurado… As perturbações climáticas são acompanhadas pelas guerras do petróleo, que serão seguidas pela guerra da água, mas também por possíveis pandemias, desaparecimento de espécies vegetais e animais essenciais como conseqüência de catástrofes biogenéticas previsíveis. Nessas condições, a sociedade de crescimento não é sustentável, nem desejável. É urgente, portanto, que se pense numa sociedade de “decrescimento”, se possível serena e convivial.

Em 1972, o Clube de Roma encomendou ao MIT um estudo transformado em livro e chamado de Os limites do crescimento onde já se afirmava que o Planeta Terra não agüentaria o ritmo de crescimento mesmo com o avanço da tecnologia devido à pressão sobre os recursos naturais e energéticos e o aumento da poluição.

HiperconsumoA conclusão do Clube de Roma em 1972 não poderia ter sido mais trágica: Se as tendências atuais de crescimento na população mundial, industrialização, poluição, produção de alimentos e depleção de recursos continuarem imutáveis, os limites do crescimento neste planeta serão atingidos nos próximos 100 anos. O resultado mais provável será uma súbita e descontrolada queda na população e na capacidade industrial*.

Alguns críticos como Herman Kahn responderam: Com a atual e próxima tecnologia, poderemos suportar 15 bilhões de pessoas no mundo com 20 mil dólares per capita por um milênio – e isso parece ser uma afirmação bastante conservadora**. Julian Simon acrescentou: As condições materiais da vida continuarão a melhorar para a maioria das pessoas, na maioria dos países, na maioria do tempo, indefinidamente. Em um século ou dois, todas as nações e a maioria da humanidade estará no mesmo nível de vida do padrão Ocidental ou acima dele***.

O consenso atual parece ser: Seres humanos e o mundo natural estão em curso de colisão. As atividades humanas infligem danos por vezes irreversíveis ao ambiente e em recursos críticos. Se não reavaliadas, muitas de nossas práticas colocam em sério risco o futuro que queremos para a sociedade humana e os reinos animal e vegetal, e podem alterar o mundo em que vivemos a ponto de se tornar insustentável viver da maneira que conhecemos. Mudanças fundamentais são urgentes se quisermos evitar a colisão à qual nosso presente curso está nos levando.****

ColméiaEm entrevista para a Revista Vida Simples, Serge Latouche propõe a libertação da ditadura econômica e do consumo para a reinvenção de um futuro sustentável. Afirma que “uma sociedade não pode sobreviver se não respeitar os limites dos recursos naturais”, e propõe “um círculo virtuoso de descrescimento: Reavaliar, Reconceitualizar, Reestruturar, Relocalizar, Redistribuir, Reduzir, Reutilizar, Reciclar . (…) Reconceitualizar é mudar nossa maneira de pensar. É uma verdadeira revolução cultural.

Não há como acabar com as drogas sem educar os drogaditos. Os drogaditos, no caso, somos cada um de nós. Se continuarmos com o ritmo de consumo acelerado e excessivo, estamos dando poder àqueles que pretendem manter a situação do jeito que está. Não basta somente consumir menos mas saber que com as escolhas do que consumimos conseguimos mudar a forma com que os produtos são produzidos. Na mesma entrevista citada acima, Serge ilustra a afirmação com o seguinte exemplo: “Você pode comer um bife em que o gado é criado em pastos naturais ou um bife de uma fazenda que obedece à lógica do mercado. No último caso, você come petróleo. Ele incorpora 6 litros de petróleo. Como isso é possível? O gado é alimentado com soja que é plantada na Amazônia. Os tratores destróem florestas, fazem a plantação e despejam os pesticidas. Tudo isso é petróleo. Devemos colocar esse sistema em causa, e não o fato de comermos um bife.

HarmoniaO crescimento da produção e do consumo de produtos orgânicos certificados, produzidos por famílias de agricultores é um alento e caminha na direção que precisamos.

Quando passamos a discutir a matriz energética, muito antes de pensar em desenvolver e explorar fontes renováveis de energia, deveríamos isso sim nos preocupar com maneiras de reduzir este consumo.

É interessante observar que o que hoje alguns chamam de desenvolvimento sustentado, outros de anti-produtivismo e outros ainda de decrescimento sustentado têm um objetivo comum: reduzir a “pegada” humana, o impacto que o homem imprime sobre o ambiente em que vive, garantindo a possibilidade da permanência da raça humana sobre a Terra pelo máximo de tempo possível. Apesar de muito se discutir acerca do tema, precisamos entender o que nos impede de desejar uma vida mais simples e feliz. Qual é a ilusão que nos é vendida (e que compramos) que está a obliterar nossa visão.

O altruísmo deveria preceder o egoísmo, a cooperação, preceder a competição desenfreada, o prazer do lazer, preceder a obsessão pelo trabalho, a importância da vida social, preceder o consumo ilimitado, o gosto pela bela obra, preceder a eficiência produtivista, o razoável, preceder o racional etc. O problema é que os valores atuais são sistêmicos. Isso significa que são suscitados e estimulados pelo sistema e que, em contrapartida, contribuem para reforçá-lo. É claro que a escolha de uma ética pessoal diferente, como a simplicidade voluntária, pode mudar a direção da tendência e solapar as bases imaginárias do sistema, mas sem um questionamento radical deste último, a mudança corre o risco de ser limitada.” Serge Latouche

Em seu artigo The globe downshifted, publicado em 2006, Serge Latouche lembra os Principles of Political Economy, de John Stuart Mill, publicados em 1848, onde o autor escreveu que “todas atividades humanas que não envolvam o consumo desarrazoado de materiais insubstituíveis ou não danificam o ambiente de forma irrevogável podem ser desenvolvidas indefinidamente”. Ele ainda adicionou que poderiam então florescer aquelas atividades que a maioria consideram como as mais desejáveis e satisfatórias, como educação, arte, religião, pesquisa fundamental, esportes e relações humanas.

"O Produto Interno Bruto mede tudo exceto aquilo que faz a vida valer a pena." Robert Kennedy

E seria a idéia do descrescimento sustentável compatível com o atual sistema capitalista? A resposta é Sim. O Instituto Wupperthal para o Clima, o Ambiente e e Energia desenvolveu uma série de estratégias do tipo ganha-ganha para a interação da natureza com o capital. O esquema Negawatt busca cortar o consumo de energia em três quartos sem uma drástica redução nas necessidades humanas. Ela propõe um sistema de taxas, normas, bônus e subsídios seletivos para tornar um ambiente virtuoso uma alternativa economicamente interessante e evitar perdas em larga escala. Um bom exemplo é estimular a construção de casas energeticamente mais eficientes, mesmo mais caras, concedendo créditos a serem trocados posteriormente.

Em seu texto de 2006, Latouche propõe uma pequena série de mudanças que, segundo ele seriam capazes de colocar os ciclos virtuosos em movimento. São elas:

  • Reduzir nossa pegada ecológica ao ponto de que a mesma passe a ser igual ou inferior aos recursos do Planeta Terra. Isso significa trazer a produção de materiais de volta aos níveis da década de 60 ou 70.

  • Internalizar os custos de transporte

  • Relocalizar todas as formas de atividades

  • Retornar a uma produção em pequena escala

  • Estimular a produção de “bens relacionais” – atividades que dependem de relações interpessoais fortes, tais como cuidar de enfermos ou pessoas terminalmente doentes, massagens e até psicanálise, sendo negociadas comercialmente ou não, ao invés da exploração dos recursos.

  • Reduzir o gasto energético em três quartos

  • Taxar severamente os gastos com publicidade

  • Decretar uma moratória na inovação tecnológica, levando a uma avaliação profunda de suas conquistas e uma reorientação da pesquisa técnica e científica de acordo com novas aspirações.

Uma das chaves para o sucesso deste programa é a interiorização de diseconomias externas, ou seja, os custos provocados por um ator que são herdados pela comunidade, como por exemplo a poluição. Se as empresas poluidoras passarem a pagar pela poluição produzida como sugeriu Arthur Cecil Pigou, certamente teríamos um painel atual diferente do atual. Suas Taxas Pigovianas, idealizadas no começo do século passado e publicadas em 1912 e 1920 na sua obra Wealth and Welfare podem ser consideradas as precursoras da idéia do atual sistema de comércio e créditos de carbono.

A sociedade moderna ainda vive impregnada pela ilusão de que o consumo de massa deve ser o principal motor da economia e esta ilusão é alimentada pelo fato de que nas nações assim ditas desenvolvidas os bens que antes eram reservados a uma elite econômica são agora disponíveis em grande escala e, promete-se, o luxo de hoje será acessível a todos amanhã. E neste ritmo vamos vivendo enquanto a nação-exemplo deste sistema de vida, os Estados Unidos do Norte da América estão chegando à impressionante marca de 9,5 trilhões de dólares para sua dívida interna.

It is the emergence of mass media which makes possible the use of propaganda techniques on a societal scale. The orchestration of press, radio and television to create a continuous, lasting and total environment renders the influence of propaganda virtually unnoticed precisely because it creates a constant environment. Mass media provides the essential link between the individual and the demands of the technological society.” ( É a emergência de uma mídia de massa que torna possível o uso de técnicas de propaganda em uma escala de sociedade. A orquestração de imprensa, rádio e televisão para criar um ambiente contínuo, duradouro e total leva a uma influência praticamente não notada da propaganda, justamente pela criaçào deste ambiente constante. A mídia de massa providencia uma ligação essencial entre o indivíduo e as demandas da sociedade tecnológica) Jaques Ellul

A sociedade do crescimento é capaz de, numa só tacada, produzir o aumento das desigualdades e das injustiças, criar um bem-estar amplamente ilusório e deixar de promover para os “favorecidos” uma sociedade convivial, lhes oferecendo uma anti-sociedade doente pela sua própria riqueza, onde a violência, a depressão e a anestesia dos sentidos são a marca primordial.

ComunidadeA estratégia proposta pelo decrescimento imagina que a regulação desenhada para forçar uma mudança, aliada a uma utopia de convivência ideal levará a uma descolonização do imaginário (termo cunhado por Cornelius Castoriadis) e encorajará um comportamento virtuoso suficiente para produzir uma solução razoável: uma democracia ecológica local. Para os mais desatentos, “democracia ecológica local” é um outro termo para anarquia.

A revitalização do “local” além de reaproximar as pessoas é capaz de manter viva a diversidade cultural em contraposição à normalização proposta pela globalização, mais uma das mentiras vomitadas diariamente pelo etnocentrismo ocidental.

Para o economista Takis Fotopoulos, a verdadeira democracia só pode subsistir em comunidades pequenas, com até 30 mil pessoas, um tamanho no qual todas as necessidades básicas poderiam ser supridas.

Utopicamente, o urbanista italiano Alberto Magnaghi sugere um longo e complexo período de purificação, durando de 50 a 100 anos, no qual as pessoas não continuariam a buscar mais e mais áreas para produção e criação de vias de transporte entre elas, mas concentrariam seus esforços na limpeza e reconstrução dos sistemas ambientais e territoriais que foram destruídos e contaminados pela presença humana.

Do ponto de vista de Fotopoulos, concentrar-se nas eleições e atividades locais nos dá a chance de mudar as coisas iniciando “por baixo”, o que é a única estratégia verdadeiramente democrática. É completamente diversa dos métodos baseados no estado (que tentam mudar a sociedade de cima tomando o controle do estado) e das atividades da “sociedade civil” (que não tentam mudar o sistema em nenhum momento).

A principal mensagem que um foco no descrescimento deve passar é a de que consumindo menos estaremos não só reduzindo danos à Natureza mas também, por conseqüência, necessitaremos trabalhar menos, fazendo com que todos possam também trabalhar menos e viver melhor. Com isso, teremos mais tempo livre para gastar com coisas que só podem nos fazer bem, como ler, escutar música, criar, brincar, passear, cuidar e educar nossos filhos, interagir com nossos amigos e familiares e até mesmo contemplar a vida e o mundo.

Reduzir intensamente o tempo de trabalho é fator sine qua non para garantir a todos um emprego satisfatório. Aqueles sem emprego terão um e aqueles que já têm um trabalharão menos. Já em 1981, Jacques Ellul, um dos primeiros pensadores da sociedade do descrescimento, já determinava como objetivo para o trabalho não mais do que duas horas por dia. Apesar de concordar ferozmente com Jacques e acreditar que, em comunidades fechadas este ideal possa ser de fato atingido até o fim deste século, a disseminação deste ideal para a grande massa da população encontra-se em um horizonte escondido atrás de densas nuvens de poluição, produzidas pela sede exploradora das grandes corporações e pelo desejo hiperconsumista da sociedade atual e que, de forma chocante, germina em cada grito e choro desconsolado de uma criança que pede para os pais o último modelo de celular, aquele com uma câmera de X megapixels.

Como diz Eduardo Galeano, um dos meus pensadores preferidos, "A utopia está lá no horizonte. Me aproximo dois passos, ela se afasta dois passos. Caminho dez passos e o horizonte corre dez passos. Por mais que eu caminhe, jamais alcançarei. Para que serve a utopia? Serve para isso: para que eu não deixe de caminhar".

Rafael Reinehr

Para caminhar junto: O Pensador Selvagem e, em breve, A Coolméia.

Para ler mais:

The Story of Stuff – A História das Coisas

Entrevista de Serge Latouche para a Revista do Instituto Humanitas da Unisinos

O sul e o ordinário etnocentrismo do desenvolvimento

Indicador de Progresso Autêntico

Mr Corcoran, meet Mr. Orwell – sobre as Taxas Pigovianas

* "If the present growth trends in world population, industrialization, pollution, food production, and resource depletion continue unchanged, the limits to growth in this planet will be reached sometime within the next 100 years. The most probable result will be a rather sudden and uncontrolled decline in both population and industrial capacity"

** "With current and near current technology, we can support 15 billion people in the world at twenty thousand dollars per capita for a millennium – and that seems to be a very conservative statement."

*** "The material conditions of life will continue to get better for most people, in most countries, most of the time, indefinitely. Within a century or two, all nations and most of humanity will be at or above today´s Western living standards."

**** "Human beings and the natural world are on a collision course. Human activities inflict harsh and often irreversible damage on the environment and on critical resources. If not checked, many of our current practices put at serious risk the future that we wish for human society and the plant and animal kingdoms, and may so alter the living world that it will be unable to sustain life in the manner that we know. Fundamental changes are urgent if we are to avoid the collision our present course will bring about."

(trechos em inglês retirados do blog Futuro Comprometido)

 

Abr 16

Sexta-feira, 15 de outubro de 2004 – O Muro da Discórdia

By Rafael Reinehr | Escrever Por Escrever (blog)

Está sendo construído por Israel um muro com o intuito de separá-lo da Cisjordânia e abraçar os principais assentamentos de judeus, objetivando um “desligamento unilateral” entre Israel e os palestinos.
Uma Assembléia Geral da ONU votou a questão e, excetuando-se os Estados Unidos da América – aliados incondicionais de Israel – condenou a construção do muro.
Ao mesmo tempo, em toda Europa e mais intensamente na França, onde moram cerca de 600.000 judeus, cresce o anti-semitismo.
São registradas explosões de bombas em sinagogas e escolas judaicas e profanação de túmulos em cemitérios judeus.
Se somarmos essas informações e uma outra, que é a taxa de natalidade de 3,4% entre os árabes-israelenses (muçulmanos que vivem em Israel), percebemos o surgimento de um crescimento populacional que pode ser visto como uma “bomba de efeito retardado”.
Tal crescimento fatalmente levará a um aumento concomitante do poder político do grupo que legitimará suas reinvindicações.
Para dar um toque místico a este texto, lembro da profecia assinalada no livro “O Código da Bíblia”, que afirma que entre 2005 e 2006 acontecerá um “holocausto atômico” em Israel.
A despeito disso realmente ocorrer e se tais acontecimentos podem ou não ter relação com a construção do “Muro da Discórdia”, recomendo fortemente que, antes de qualquer comentário, quem não leu “O Código da Bíblia” deve dirigir-se de imediato ao site Saindo da Matrix e ler atentamente o fascinante resumo do livro que lá se encontra.
Entre lutas entre gregos e troianos, negros e brancos, maragatos e chimangos, civis e militares, sulistas e do norte, fico mesmo com a solução encontrada por um amigo meu ex-colega das Ciências Sociais (ou era da Filosofia?): transformar tudo em música a ser tocada espetacularmente em sua banda “Os Israéis Palestinos”.
Fiquem com Deus (cada um com o seu e respeitando o do próximo!)!

Fev 24

Campanha de Esclarecimento Sobre Acromegalia

By Rafael Reinehr | Crescimento

A Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) realiza neste mês de fevereiro
uma campanha de esclarecimento sobre acromegalia.
Acromegalia é uma doença causada pelo excesso de produção do hormônio de crescimento
(GH). O nome acromegalia é reservado à produção excessiva de GH na vida adulta, quando as
cartilagens de crescimento já se encontram fechadas, inativas, causando aumento das mãos e
dos pés. Quando o excesso de GH ocorre na infância ou na puberdade, antes do fechamento
dessas cartilagens, a ação do GH provoca crescimento excessivo na estatura, e o quadro
recebe o nome de Gigantismo.
A Campanha de Esclarecimento sobre Acromegalia é destinada a profissionais da área da
saúde e população em geral, com o objetivo de alertar e orientar sobre os sintomas e os
tratamentos da doença. Os principais sintomas a serem abordados pelos endocrinologistas
nesta campanha são dores de cabeça, dores articulares, formigamentos, espaçamento entre
os dentes, lábios grossos e alargamento do nariz. E as conseqüências mais comuns são
diabetes, hipertensão, insuficiência cardíaca, aumento da tireóide e próstata, entre outras
complicações.
A Campanha acontece nas principais cidades do país e será lançada no XIV Simpósio
Internacional de Neuroendocrinologia (SINE), evento a ser realizado nos dias 29/02 a
02/03/2008, no Rio de Janeiro/RJ. Continue lendo

Mai 04

Crescer bem para virar gente grande

By Rafael Reinehr | Crescimento

    Crescer é uma característica básica da vida. Enquanto algumas crianças crescem normalmente, outras apresentam dificuldades que devem ser investigadas e tratadas. O crescimento humano pode ser dividido em 6 fases:

Fetal – os 9 meses dentro do útero materno
Lactante – do nascimento ao primeiro ano
Primeira Infância – de 1 a 3 anos
Segunda Infância – de 3 a 10 anos
Puberdade – de 10 a 14 anos (dependendo do sexo da criança)
Adolescência – por volta dos 14 aos 18 anos
    Em cada fase, existe uma diferente velocidade de crescimento, que pode estar adequada, exagerada ou lentificada. Em alguns casos, o crescimento acelerado ou muito lento pode ser passageiro e normal. Já em outros, reflete algum tipo de doença que deve ser diagnosticada precocemente para garantir um tratamento eficaz e sem complicações para a criança.
    Mas o que nos faz crescer? Essa resposta não é simples, já que uma série de fatores influenciam no nosso crescimento. São eles os fatores hormonais, nutricionais, a atividade física, o sono e, é claro, nossa herança genética.
    A má nutrição, assim como uso de drogas como fumo e álcool (por vezes difíceis de detectar em jovens), o estresse crônico derivado de maus tratos emocionais e físicos por parte de pais ou cuidadores e a falta de exercício físico ou um sono inadequado são todos fatores que apresentam um impacto severo no crescimento, na saúde e no bem-estar de um jovem ou criança…

 

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