Saúde – parte IV (de VIII)

A vida é uma série de mudanças naturais e espontâneas. Não resista a elas – isso só criará sofrimento. Deixe a realidade ser realidade. Deixe as coisas fluirem naturalmente da forma que quiserem.” – Lao Tzu

Ria, respire e vá devagar.” – Thich Nhat Hahn

desapego

Como é costume aqui na Medic(t)ando, seguimos nesta edição com mais algumas palavras e significados que estão atrelados ao conceito de Saúde, talvez de uma forma subversiva, nem sempre óbvia ao primeiro olhar.

A primeira reflexão diz respeito à mudança, e a ir com o fluxo. A mudança é, talvez, a mais inevitável e frequente característica que nos acompanha, desde antes do nosso nascimento até após nossa morte. E mesmo sabendo disso, temos dificuldades para aceitar ou nos adaptar aos fluxo daquilo que se renova sem nossa influência. Para beber vinho em uma chávena cheia de chá é necessário, primeiro, deitar fora o chá para depois beber o vinho. Essas são as mudança sobre as quais temos controle. Mas nem sempre estamos com o controle da chávena de chá, temos acesso ao vinho ou somos tolerantes a ele. Essas variáveis, muitas vezes, são indiferentes ao nosso poder e, neste caso, precisamos aprender a ir com o fluxo.

Alteridade é o segundo conceito que precisamos associar com saúde. Alteridade é compreender o outro usando sua própria lente, e não somente a nossa. Temos o injusto hábito de olhar para o mundo somente com as lentes que desenvolvemos durante a vida, e nem sempre nos dispomos a tirá-las e passar a enxergar as situações que nos sucedem em nossas relações utilizando o ponto de vista alheio. Além de nos trazer aprendizado, acaba por ser a solução de muitos problemas.

Existe uma parábola zen que nos ensina muito sobre o “Olhar sob diversas perspectivas”, nosso terceiro conceito de hoje:

O velho Mestre pediu a um jovem triste que colocasse uma mão cheia de sal em um copo d’água e bebesse.

Qual é o gosto? – perguntou o Mestre.

Ruim – disse o aprendiz.

O Mestre sorriu e pediu ao jovem que pegasse outra mão cheia de sal e levasse a um lago.

Os dois caminharam em silêncio e o jovem jogou o sal no lago, então o velho disse:

Beba um pouco dessa água.

Enquanto a água escorria do queixo do jovem, o Mestre perguntou:

Qual é o gosto?

Bom! – disse o rapaz.

Você sente o gosto do sal? – Perguntou o Mestre.

Não – disse o jovem.

O Mestre então sentou ao lado do jovem, pegou sua mão e disse:

A dor na vida de uma pessoa é inevitável. Mas o sabor da dor depende de onde a colocamos. Então, quando você sofrer, a única coisa que você deve fazer é aumentar a percepção das coisas boas que você tem na vida.

Deixe de ser um copo. Torne-se um lago.

O quarto conceito é a “descolonização do imaginário”, que trata justamente de nos libertar, trazendo-nos de volta à singularidade roubada pelas forças normalizadoras e homogeneizadoras que subvertem o pensamento, fazendo-nos acreditar nos ideais que o sistema estabelecido propaga. Questionar as informações prontas, fáceis e mastigadas e aprender a reconhecer as falácias das informações que chegam até nós fazem parte da manutenção de um “status saudável” individual e social.

Finalmente, o quinto item da pauta de hoje: Desapego. Ter desapego é deixar ir. É não nos deixar possuir por aquilo que possuimos. Mais: é não valorizar o ter acima do ser. É desligar-se do excesso de ligação às coisas, aos bens, às relações.

Na próxima edição, seguimos com as noções sobre Decrescimento, Generosidade, Compartilhar e Agir conforme a própria natureza. Até lá!