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O que é o Estado?

O que é o Estado?


Posted By on maio 2, 2015

Em tempos de repressão policial e estatal, é sempre bom refletir e estar atento aos fatos.

Tradução livre de artigo retirado da “Irish Anarchist Review”, edição 11, retirado de postagem ao Movimento de Solidariedade aos Trabalhadores da Irlanda (Workers Solidarity Movement).

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“O que é o Estado?

Mas o que é o estado? Nós conhecemos o estado por suas cortes, polícia, exército, governo e burocracia em geral. Ele se arroga ao monopólio da força legítima, um “direito” de te cobrar, multar, taxar, prender ou mesmo atirar em você e te torturar. O estado é um mecanismo pelo qual uma minoria pode manter um controle desproporcionalmente enorme sobre uma maioria. Um número relativamente pequeno de pessoas pode desencadear uma guerra que envolve milhões de pessoas, decidir qual gênero é permitido a você beijar, governar o que é permitido a você escrever em um artigo e em grande parte subsidiar atividades ecologicamente destrutivas. Fundamentalmente isso envolve um grupo de estranhos dizendo a você o que fazer ou então atacando um outro grupo de estranhos.

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Meu Guardador de Propriedade

Ao contrário da crença popular, o estado não existe para proteger a todos do mal ou prover os serviços necessários que de outra forma não poderiam ser providos. Ao invés disso, ele existe para preservar e melhorar a posição de grupos dominantes na sociedade. O estado-nação capitalista é primariamente uma ferramenta para perpetuar o sistema existente de propriedade privada – no qual uma pessoa pode possuir escritórios, apartamentos, fábricas e a terra mesmo que não consigam utilizá-la – e assim manter a gigante distribuição desigual de riqueza em nossa sociedade. Em um mundo extremamente carente, a força é necessária para parar os sem teto de tomarem casas, para parar os famintos de tomarem comida. Crucialmente o estado reenforça uma situação na qual a vasta maioria é excluída do controle da capacidade produtiva da sociedade. Isso permite a uma classe capitalista muito pequena “alugar” o resto da população em troca de salários (trabalho assalariado) e, fazendo assim, alcançar grande riqueza e poder.1107.mettler_article

O capitalismo e o estado tem uma relação simbiótica, e cresceram juntos ao longo de centenas de anos. Quando o capitalismo está encrencado (ou mesmo quando não está) o estado começa a resgatá-lo através de financiamentos, quebras de taxas, subsídios ou mesmo tomando controle direto sobre grandes setores da indústria. Em tempos nos quais o sistema está sob ameaça devido a pressões populares, as forças armadas do estado podem restarurar a ordem como uma última opção.”

 

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Sonhei que morria por causa de uma bactéria no coração. Acordei febril. Mas podia ser pior, eu podia ter sonhado que era um professor paranaense.” – Pedro Rios Leão

charge de Odyr Bernardi

 

O Beto Richa, e nossos governantes em geral, sabem muito bem o perigo que os professores representam. O que aconteceu hoje em Curitiba não foi uma fatalidade ou um ato de descontrole. Foi apenas uma ação condizente com a cultura política do nosso país. Qualquer esboço de mudança passa por uma auto-reflexão. Somos todos responsáveis. Quem não está ATIVAMENTE contra essa ideologia vigente, está a favor dela e é diretamente culpado pelos acontecimentos de hoje.

Espero que o ocorrido encerre de vez essa sandice de intervenção militar. Quem quiser provar um “pouquinho” de intervenção militar, dá um pulo aqui no Centro Cívico pra tomar bomba e cacetete na cara. Porque protestar em bairro nobre com roupinhas da moda e voltar pra casa de taxi, limpinho e bem feliz é fácil, qualquer imbecil consegue.

Hoje, mais do que nunca, vale a célebre frase de Martin Luther King Jr.: a maior tragédia desse momento de crise não será o grito dos homens maus e sim o silêncio dos homens de bem!” – Jaque Bohn Donada

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Sugestão de campanha: Você conhece algum filho de policial militar no PR? Conhece a esposa de algum deles? Ligue para ela, ele e sugira que chame o pai à consciência. POlicial também é trabalhador. Hoje eles bateram nos professores de seus próprios filhos, nas professoras de suas filhas, e talvez em alguns que foram ou poderiam ter sido seus professores no passado recente. Sugiro que seus vizinhos não os rejeitem, mas que os chamem ao motim, que os convidem à desobediência baseada no RDE ou no código militar “ORDEM ABSURDA NÃO SE CUMPRE” é dever do militar desobedecer e ir preso se for o caso. Trabalhador não bate em trabalhador. peça aos filhos e amigos, parentes e esposas de policiais militares que se mobilizem e ajudem estes a dar o passo que falta …. e ficarem do lado do bem da justiça. Estes homens e mulheres fardados, em sua maioria, e ao seu modo, querem o mesmo que todos os demais trabalhadores: paz e justiça.” – Claudio Oliver

FB_IMG_1430355752080Outra informação, do Paraná Portal, afirma que 50 policiais serão exonerados pois recusaram-se a atirar contra os manifestantes.

Os surtos de lucidez são penalizados, enquanto os rompantes de afronta à democracia e ao direito de protesto são fortemente reprimidos. Vivemos há muito em uma sociedade de hipercontrole, em que a Polícia não serve ao propósito de defender a população de bandidos, ladrões e criminosos em geral mas, pelo contrário, está presente apenas para garantir a propriedade privada (daqueles que a possuem) e a manutenção do estado das coisas de forma a favorecer quem está no poder.

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“Não é suficiente para mim parar em frente a vocês nesta noite e condenar os levantes. Seria moralmente irresponsável fazer isso sem, ao mesmo tempo, condenar as contingências e condições intoleráveis que existem em nossa sociedade. Essas condições são as coisas que fazem os indivíduos sentir que não possuem outra alternativa senão engajar-se em rebeliões violentas para chamar a atenção. E eu devo dizer hoje que uma revolta é a linguagem daqueles que não são ouvidos.” – Martin Luther King Jr., 14 de março de 1968

Voltaire já dizia: “É perigoso estar certo quando o governo está errado.” Isso está mais do que certo, haja vista que o aparelho ideológico do Estado e a estrutura hierárquica militar, disciplinada e aparelhada que está a seu serviço tem poder de desmonte truculento de qualquer confronto direto com a população.

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Isso, no entanto, não é razão para quedarmos acomodados em frente às nossas “caixas anestesiadoras” – que alguns chamam de televisores. A cooperação crescente e o avanço das estratégias de participação cidadã – indo para muito além da mera participação, evoluindo até a interação – com troca efetiva de saberes e a evolução da tomada de consciência sobre o verdadeiro estado das coisas (que nos é obscurecido pela Escola, pela Igreja e pelo Estado) poderão acabar por gerar as faíscas da transformação social que precisamos.

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“Se o governo não respeita nossos direitos, porque nós respeitamos suas leis?”

Por que somos condescendentes? Conformistas? Acomodados? Porque estamos conseguindo comprar nossos eletrodomésticos, televisores de LCD ou automóveis em 12, 24, 36 ou 72 vezes? Porque seguimos acreditando na promessa de um “paraíso na terra”, através de reformas e mais reformas – políticas, econômicas, tributárias – que sempre são paliativas e logo ali na frente são revogadas (como no caso da rotulação dos transgênicos)?

Será que não percebemos que nossas liberdades são mais e mais cerceadas em troca de uma suposta “segurança” para nós e nossas famílias, sendo que esta segurança na verdade é uma ilusão posta na mesa para manter o processo de enriquecimento de famílias e grupos corporativos cada vez mais famintos?

FB_IMG_1429453709381A postagem é séria. É tão séria que precisamos de um pouco de humor para atenuar a carga emocional pesada de tudo que precisamos digerir ao refletir sobre o assunto:

FB_IMG_1430358865408Para finalizar, uma foto de um membro do Black Block que foi “capturado” pela PM do Paraná, em sua vestimenta característica de confronto com a polícia. Estes baderneiros… tsc… tsc… (ATENÇÃO, AVISO AOS INCAUTOS, PARA EVITAR COMENTÁRIOS INAPROPRIADOS: SIM, ISTO É UMA IRONIA)

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A tempo: no início da madrugada caí em uma postagem de Gustavo Lisboa que cita Brecht. Suas palavras caem como uma luva para encerrar este ato:

Do rio que tudo arrasta se diz que é violento. Mas ninguém diz violentas as margens que o comprimem.” – Bertold Brecht

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Reflexões a partir de “Rescuing Galbraith from the conventional wisdom” – Anarchy # 1, março de 1969

 

O Estado Oportunista > A Sociedade Irresponsável

 

A “sabedoria convencional” aplaude quando investimentos são abençoados pelo lucro e gratificados por aquisições privadas, mas é deficitária quanto a satisfação de necessidades sociais. Assim, à indústria do automóvel e ao seu produto, os carros, é dado mais valor do que às estradas ou a meios de transportes eficazes e coletivos, como trens de alto desempenho, por exemplo.

 

“Temos visto que enquanto nossas energias produtivas tem sido usadas para fazer coisas para as quais não há urgência, coisas para as quais a demanda deve ser sintitizada a um custo elaborado ou elas não serão desejadas – o processo de produção continua a ser de uma urgência quase não diminuída como uma fonte de renda. A renda das pessoas deriva de produzir coisas de pequena relevância, e isso gera grandes consequências. A produção reflete a baixa utilidade marginal dos bens produzidos para a sociedade. A renda reflete, para uma pessoa, uma alta utilidade para a capacidade de qualidade de vida.”

 

“Nós ainda estamos para ver que não é o total de recursos mas seu uso estudade e racional a chave para a conquista.” – J. K. Galbraith

 

“Mas tão longo olhemos prova a Economia Política deste ponto de vista, ela muda inteiramente de aspecto. Ela cessa de ver uma simples descrição dos fatos, e se torna uma ciência, e podemos definir essa ciência como: o estudo das necessidades da humanidade, e os meios de satisfazê-lo com a menor possível perda de energia humana.” – Piotr Kropotkin

 

“A (ideia de) produção é alimentada por uma altamente duvidosa mas igualmente aceita psicologia do querer, por uma igualmente dúbia mas igualmente aceita interpretação do interesse nacional e por profundos interesses velados. Tão totalmente envolvente é o nosso senso de importância da produção como um objetivo que a primeira reação a qualquer questionamento desta atitude será “O que mas há aí?”. Tão amplamente a produção está incrustada em nossos pensamentos que apenas conseguimos imaginar um vácuo caso ela seja relegada a um papel menor”.

 

Na interpretação dos fenômenos sociais existe uma competição contínua entre o que é relevante e o que é meramente aceitável, e nesta competição toda “vantagem tática” está com o que é aceitável. Audiências de todos os tipos mais aplaudem aquilo de que gostam mais, e as pessoas aprovam a mais aquilo que entendem melhor – aderimos a um pensamento rapidamente quando aquelas ideias representam nossa própria compreensão do assunto. Essa é uma primeira manifestação do interesse velado.

 

Um interesse velado no que diz respeito ao entendimento é mais preciosamente guardado do que qualquer outro tesouro. É por isso que as pessoas reagem, não infrequentemente como algo próximo à paixão religiosa, em defesa daquilo que tão laboriosamente aprenderam.

 

Este consenso de ideias aceitáveis é o que Galbraith convencionou chamar de “Sabedoria Convencional”. Existe uma sabedoria convencional da esquerda bem como uma da direita, e ela é encontrada em qualquer campo do conhecimento humano.

 

Critérios centrais da Nova Economia

 

  • Desenvolvimento pautado pela sustentabilidade
  • Compaixão
  • Felicidade individual
  • Bem-estar pessoal e social
  • Minimização de tensões comunitárias e sociais

 

O que fazer com a superprodução de alimentos?

 

Em primeiro lugar, alimentar a população. Só o verdadeiro excedente deve ser comercializado – ninguém mais pagará pela “cesta básica”- somente pelo luxo.

 

A distribuição racional dos produtos da indústria não é uma questão de capacidade produtiva mas de atitudes sociais e a disseminação de atitudes sociais apropriadas é justamente o que a “sabedoria convencional” da economia inibe.

 

“Existe uma tendência, embora ainda pálida, de considerar as necessidades do indivíduo, independentemente de seus serviços prévios ou possíveis à comunidade. Nós estamos começando a pensar na sociedade como um todo, cada parte da qual está tão intimamente ligada às outras que um serviço entregue a um é um serviço entregue a todos.” – Piotr Kropotkin, em Anarchist Communism, sobre a Abolição dos serviços assalariados

 

Economia baseada em interesses sociais sem intervenção do mercado

 

E se a “eficiência” de um sistema produtivo passasse a ser avaliada em função de sua utilidade ao homem ao homem ao invés de sua utilidade econômica?

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tornallomHoje assisti aos documentários “A Tornallom” e “Brad“, organizados por núcleos de contracultura espalhados pelo mundo, principalmente a Indymedia e o Centro de Mídia Independente Brasil.

O primeiro documentário mostra a dura realidade de um grupo de horticultores que foram expulsos de suas terras pela sanha de urbanização e crescimento econômico em Valência, na Espanha. Terras roubadas, despejos ilegais e violência policial e estatal são o tema deste documentário, que mostra a vida de pessoas que conviviam tranquilamente em sistema de mutirão até que o poder e a ganância mostraram suas garras.

Em Brad, o filme mostra a vida e a morte do ativista contracultural Brad, jornalista e ativista social que foi morto por forças paramilitares em Oaxaca, no México, em 2006. Para quem só assiste à rede Globo e seus “bonnerismos“, um choque de realidade. Uma realidade que os editores de jornais ou telejornais brasileiros ou atrelados a qualquer mídia instituída teimam em negar, insistem em ocultar, pois a revolta popular, com justa causa, poderia despertar na grande maioria de cidadãos obnubilados o desejo de participar mais ativamente da vida social e política e passar a exigir seus direitos de liberdade de escolha.

Tornar o povo realmente educado não é uma missão da escola tampouco da Igreja e da grande mídia instituída: é missão de forças instituintes, como o Centro de Mídia Independente Brasil e o Indymedia, cujos links ficarão, indeléveis a partir de agora, aqui nas páginas do Escrever Por Escrever.

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tornallomHoje assisti aos documentários “A Tornallom” e “Brad“, organizados por núcleos de contracultura espalhados pelo mundo, principalmente a Indymedia e o Centro de Mídia Independente Brasil.

O primeiro documentário mostra a dura realidade de um grupo de horticultores que foram expulsos de suas terras pela sanha de urbanização e crescimento econômico em Valência, na Espanha. Terras roubadas, despejos ilegais e violência policial e estatal são o tema deste documentário, que mostra a vida de pessoas que conviviam tranquilamente em sistema de mutirão até que o poder e a ganância mostraram suas garras.

Em Brad, o filme mostra a vida e a morte do ativista contracultural Brad, jornalista e ativista social que foi morto por forças paramilitares em Oaxaca, no México, em 2006. Para quem só assiste à rede Globo e seus “bonnerismos“, um choque de realidade. Uma realidade que os editores de jornais ou telejornais brasileiros ou atrelados a qualquer mídia instituída teimam em negar, insistem em ocultar, pois a revolta popular, com justa causa, poderia despertar na grande maioria de cidadãos obnubilados o desejo de participar mais ativamente da vida social e política e passar a exigir seus direitos de liberdade de escolha.

Tornar o povo realmente educado não é uma missão da escola tampouco da Igreja e da grande mídia instituída: é missão de forças instituintes, como o Centro de Mídia Independente Brasil e o Indymedia, cujos links ficarão, indeléveis a partir de agora, aqui nas páginas do Escrever Por Escrever.

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